O Vício de ser ciclista

Uma rosa para as ruas

Acordar, levantar, comer alguma coisa e seguir para a rua. Essa é a rotina, talvez não para todos, mas para a absoluta maioria dos urbanóides. Alguns fatores são responsáveis pela motivação do primeiro passo fundamental, sair da cama.

Controlados pelos relógios que nos despertam, assim que saímos de casa o espaço também passa a nos reger. Afinal com exceção dos que trabalham em casa, chegar ao local de trabalho ou estudo envolve cumprir uma certa distância seja a pé ou em algum meio de transporte. Nesse ponto a vantagem relativa de ser ciclista é raramente superável. Afinal a bicicleta é o meio de transporte mais confiável para ir do ponto A ao ponto B em uma cidade.

No entanto, ser um ciclista cotidiano também implica em ver-se imerso em uma rotina de emoções e sensações que alguns já definiram como vício.

A primeira pedalada é quase mágica, depois dela os quilômetros seguintes pertecem ao ciclista, um ser híbrido. Usina viva de transformação de biomassa em potência e um máquina perfeita para fazer da energia acumulada movimento.

Ciclista é aquele que pode variar o caminho por qualquer motivo e seguir sempre pelos mesmos por opção. Ser ciclista é sentir o coração pulsar mais rápido no semáforo fechado logo depois de uma subida. Ser ciclista é divertir-se no trajeto e repor as energias vitais consumindo calorias. É ser viciado em endorfina sem saber o que isso significa. Ciclista é quem coloca o primeiro pé no pedal e sente-se dono do mundo e sorri para os outros ciclistas, afinal eles também são os donos do mundo.

Utilizar a bicicleta é ter o domínio do tempo e do espaço. É percorrer trajetos olhando a frente, ciente de que todas as barreiras são transitórias e de que um semáforo fechado é só uma luz vermelha que se acende para você poder para e observar os arredores do seu trajeto na sua cidade. Ser ciclista é ser dono sem ser egoísta. É simplesmente mover-se utilizando a sua própria energia.

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Um comentário em: “O Vício de ser ciclista

  1. Vc só deixou de acrescentar que quando é feita sem destino, sem obrigação de ir a algum lugar, em um belo dia, logo cedinho quando a temperatura está mais amena, a pedalada é quase um orgasmo! Costumo sugerir a quem quer pedalar que experimente todas as sensações por apenas um mês. Nunca mais a pessoa será a mesma. A bicicleta gruda na pele, incomoda quando temos de usar outros meios de transportes mais lentos no trânsito como ônibus ou carros. Dá um prazer tão extasiante que toma toda nossa consciência. È por isto que escolhemos caminhos mais longos com a desculpa de serem mais seguros. Que nada, é mais tempo pedalando, provocando mais e mais sensações. Quem pode ser infeliz depois de uma pedalada?!?!

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