Pedaladas Pacíficas



Bicicleta, carro, folhas e grama.

Foto de eeloy.


Deslocar-se no trânsito em meio aos veículos motorizados pode acabar gerando conflitos. Fechadas em geral são o mais comum. No entanto o ciclista deve sempre evitar produzir uma escalada de eventos e promover a “Fúria Automobilística”.

Engarrafamentos são fonte de grande tensão e ansiedade para os motoristas. Imune as retenções, cabe ao ciclista no mínimo ser solidário ao sofrimento alheio. Até porque tendo uma máquina poderosa, os motoristas podem eventualmente optar por oprimir a frágil bicicleta.



Uma fechada.

Foto de richardmasoner.


Para contornar essa situação, o ideal é que após algum episódio desagradável envolvendo um motorista protestar de maneira comedida e incisiva. O nível de tensão e desatenção dos motoristas impede que ouçam mais que uma frase.

Um roteiro geral pode contar com as seguintes palavras:
“O senhor (ou senhora) reparou a distância e velocidade que passou de mim? Respeite o código de trânsito, você colocou a minha vida em risco pra ficar parado no sinal 10 metros depois”.

A simpatia, um sorriso ajudam muito mais do que envolver-se em um bate-boca. A tendência em situações de tensão é que as coisas piorem exponencialmente. A melhor coisa é o bom humor. Quando não der, é respirar fundo, respirar fundo de novo e com a maior calma do mundo mandar uma única frase que esteja no CTB e ir embora. Esse motorista ao ver o ciclista sumir em meio ao enfarrafamento terá bastante tempo para pensar. Prevalecendo a lógica de deslocamentos cotidianos, as velocidades médias serão no mínimo equivalentes e poderão haver novos encontros que irão reforçar a mensagem fundamental. Um ciclista no trânsito é capaz de, sem se esbaforir, manter uma média de velocidade maior do que a do trânsito motorizado.

Pedalar é também espremer limões e fazer limonadas, todos os dias.

“Três quartos das misérias e mal-entendidos do mundo desaparecerão se nos colocarmos no lugar de nossos adversários e entendermos o ponto de vista deles.”

Mohandas Karamchand Gandhi.

  • Mais informações:
  • CTB de Bolso.
    Resolução de Conflitos.
    Fúria Automobilística.

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    4 comentários para Pedaladas Pacíficas

    1. Renato diz:

      Você tem razão. Ontem, se pudesse, teria estrangulado um motoqueiro e o pior, eu estava de carro. As vezes nos deixamos contaminar pela agressividade do trânsito e facilmente perdemos a paciência e a compostura. Vejo que tenho muito o que aprender para tornar o meu trânsito melhor.

    2. Eduardo diz:

      Excelente post João! À medida que reforicei minha consciência de que um deslocamento de bicicleta é, acima de tudo, um bem à cidade e às pessoas que nela vivem, ficou mais fácil de lidar com os conflitos. Nas pequenas situações de perigo ou quando reclamam comigo, procuro ignorar. Se o motorista está irritado é que eu mais ignoro. É melhor pra mim e até pra ele. O ciclista faz um bem à saúde física e mental da cidade!

    3. George diz:

      É verdade, João. Melhor Gandhi do que Dom Quixote. Prefiro ser alguém real (e próximo, do século 20) que resistiu sem violência e venceu acreditando em seu sonho a ser um personagem de literatura que lutou em vão, figura patética, digna da piedade da humanidade, ainda que sonhador. Me pondo nas botas do outro, amenizo minha raiva e procuro a paz.
      Abraços!

    4. George diz:

      É verdade, João. Melhor Gandhi do que Dom Quixote. Prefiro ser alguém real (e próximo, do século 20) que resistiu sem violência e venceu acreditando em seu sonho a ser um personagem de literatura que lutou em vão, figura patética, digna da piedade da humanidade, ainda que sonhador. Me pondo nas botas (ou nos pneus) do outro, amenizo minha raiva e procuro a paz.
      Abraços!

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