Entregas por Bicicleta
Bici-Entrega em São Paulo - Foto Panoptico
Diversas capitais brasileiras já contam com o serviço de entregas por bicicleta. As vantagens começam no preço menor do serviço e seguem para a contribuição na melhoria da qualidade de vida da cidade. O silêncio da bicicleta e o fato de não emitirem poluentes são os benefícios ambientais para todos os cidadãos.
A urgência em entregas nas grandes cidades é uma necessidade nova que tem sido feita em grande parte por prestadores de serviço de "moto-frete". Ao optar por bicicletas empresas e cidadãos têm a possibilidade de diminuir os impactos negativos que geram na cidade e no meio ambiente como um todo.
Abaixo alguns prestadores de serviço:
- BIKE ENTREGA – Porto Alegre
- VIA BIKE - Curitiba
- BIKE COURRIER – São Paulo
- ENTREGADORES DE BICICLETA – São Paulo
- BIKE EXPRESS – Rio de Janeiro
- TRANSPEDAL – Belo Horizonte
Outras serviços de entrega via "+Vá de Bike":
São Paulo, SP
- Ecobikers
11 3596-6432 / 3461-4853 / 7502-7446
- Exodus Express Bike
11 5514-0876 / 7665-4915
Santo André, SP
- Bike Wings
11 8114-3920
Bicicleta, doce bicicleta

foto: ktrammell
A primeira lembrança que guardo de uma bicicleta, eu estava indo para a escola na garupa da Monareta verde do meu irmão mais velho. Mais de três dezenas de anos já se passaram, e a bicicleta esteve comigo sempre, na liberdade de ir e vir em Brasília, numa Peugeot 3 marchas que me roubaram, na descida de barranco para cair nas areias do rio Gorutuba, nas tardes na casa da minha avó comendo goiaba no pé.
Minha vó Bela, que morreu de complicações da diabetes. Minha mãe que toma insulina. Está no sangue da família. Sempre soubemos disto, o gene adormecido no sangue para saber quem seria o próximo da lista. Até que numa consulta preventiva dois anos atrás, mesmo tendo os níveis normais de glicemia basal, a Dra. Alessandra Venosa desconfiou de alguma disfunção metabólica. Fiz um exame específico chamado curva glicêmica e o resultado desvelou o gene escondido: tenho intolerância à glicose, um estágio prévio da diabetes.
Mudei hábitos alimentares, o que foi um teste de força e disciplina para quem é fascinado com doces, chocolate e rapadura... Tornei-me paciente da Dra. Noemia Barra, especialista no assunto, que nesta semana me passou definitivamente um remédio ativador do pâncreas. E o que isto tudo tem a ver com bicicleta??
As duas médicas também diagnosticaram, em tom de elogio: se não fosse sua bicicleta, você já seria diabético.

Como poderia imaginar que, naquela garupa da Monareta verde, 40 anos atrás, estava indo por um caminho onde, a cada dia, a bicicleta salva minha vida?
O que são Vagas Vivas?
As cidades podem ser definidas como "colméias humanas", local dos encontros da espécie de onde a maior parte dos humanos tira o seu sustento. A urbanização excessiva deixou o meio ambiente urbano inadequado a nossa sobrevivência com qualidade de vida.
"Os espaços públicos, cada vez mais lotados de carros e carentes de lazer, são alvo da reflexão: o que queremos fazer das nossas ruas?
Essa é a pergunta lançada pela Revista Vida Simples de setembro. A resposta está na multiplicidade de usos e principlamente em multiplicar os bons usos do espaço das "colméias" que pertencem a todos. Afinal, como já foi escrito neste blog:
- Confira a íntegra da matéria da Vida Simples em: "Vaga Livre".
- Mais no blog sobre Vaga Viva.
Em caso de conflito
Um pequeno manual do que fazer quando um ciclista for ameaçado pelo motorista em seu possante. A sugestão é de Marcelo Mig, participante da Bicicletada-SP.
Antes de tudo, jamais se envolver em discussões com motoristas no calor dos acontecimentos. Aguardar a chegada da polícia e ai então:
Ato 1- Perguntar educadamente ao PM o seu nome. Para que? Estabelecer algum nível de diálogo amistoso com ele, e lembrá-lo que ele não está anônimo na parada. Se fizer besteira, eu sei seu nome e vou poder denunciá-lo aos seus superiores.
Ato 2 - Mostrar ao PM qual o artigo da lei deveria ser aplicado no motorista
Ameaçar o ciclista com o carro é infração gravíssima, passível de suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo e da habilitação:
Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.
Ato 3 - O PM pode querer argumentar: "Deixa disso, não aconteceu nada!".
Resposta possível: um carro em alta velocidade é multado pelo risco maior de se envolver em um acidente, mesmo que não tenha a intenção de causá-lo e mesmo se nem houve acidente algum. É uma multa fácil de compreender. Já neste caso, houve ameaça concreta ao ciclista. E é um caso doloso, e não culposo, e portanto muito mais grave. Que exige uma providência.
Ato 4 - Se mesmo assim o PM não concordar, argumentar que ele estará incorrendo no crime de prevaricação. A definição é esta: "É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral que consiste em retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. A pena prevista é de detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa. Veja Art. 319 do Código Penal."
Ato 5 - Fazer o BO, para reter o veículo e tirar a CNH do potencial assassino.
Uma outra maneira de agir:
Ao invés de esperar pela chegada da PM ou outro agente, você pode ir diretamente a delegacia prestar queixa. Um dos artigos a citar é o nº 129 do Código Penal, que versa sobre lesão corporal e solicitar que seja registrado no Boletim de Ocorrência uma tentativa de lesão corporal. Pode ser que o próprio policial opte por enquadrar no código penal, já que o artigo 170 do CTB prevê apenas medidas administrativas e não criminais. Mas atenção, para ambos é fundamental ter uma testemunha e se puder consiga duas ou mais, para confrontar o contraventor com segurança.
Mais:
- Código de Trânsito Brasileiro para ciclistas em formato de Bolso.
- O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas.
- A importância de se fazer o Boletim de Ocorrência (na visão do motorista).
Mutirão deixa a ciclovia limpa
Foi um sucesso o mutirão de limpeza da ciclovia Varjão-Paranoá, em Brasília.
Convocado pela Transporte Ativo para cuidar de 3 trechos críticos, o mutirão limpou completamente o trecho 1, onde grande quantidade de terra solta tomava uma das pistas da ciclovia.
O trecho 2 era o mais sujo dos três e exigiu muito trabalho braçal.
Cinco pessoas trabalharam sob o tempo seco de agosto no Planalto Central. Mesmo com todo esforço, não fomos capazes de limpar completamente o local, pois o barro endurecido estava fortemente colado ao asfalto da ciclovia. Tiramos todas as pedras, brita e grande parte da terra solta.
No dia seguinte, os ciclistas já não usavam o desvio de terra e preferiam passar pela parte limpa da ciclovia.
Voltaremos no dia 31 de agosto para finalizar a limpeza nos trechos 2 e 3.
Veja mais no Relatório fotográfico do mutirão.
Tijuca, um Bairro Ciclável

Bicicletas em todas as direções na Tijuca. Fotos Zé Lobo
A Tijuca é um bairro tradicional da Zona Norte do Rio de Janeiro. De urbanização antiga, conta com ruas estreitas e um trânsito motorizado bastante complicado. Ainda assim, as bicicletas são um meio de transporte bastante popular. Além disso, diversas empresas economizam tempo e dinheiro através das entregas movidas a pedal.
Foi lançado o anteprojeto da Rota Cicloviária da Barão de Mesquita. O plano é melhorar as condições de quem trafega por lá, viabilizar o plano de bicicletas públicas e aumentar o número de viagens por bicicleta na região. O plano tem tudo para aumentar a fluidez viária e dar mais qualidade de vida a todos os tijucanos e a população flutuante do bairro. Afinal nada melhor do que pedalar com segurança em uma região planejada para abrigar o trânsito de transportes ativos.
Mas a Tijuca é apenas o começo. O decreto nº 29693 de 14 de Agosto de 2008, marca o início de uma nova fase na mobilidade por bicicleta no Rio de Janeiro. Através dele:
" Fica instituído o Programa Rede de Ciclo-Faixas da Cidade do Rio de Janeiro, sendo iniciado na área de Planejamento, inicialmente no bairro da Tijuca.
(...)
Fica autorizada a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos – SMO, a, imediatamente, orçar e executar ações relativas à implementação da primeira Rota de Ciclo-Faixas a ser chamada “RCF Barão de Mesquita”, interligando a Praça Saens Peña a rua General Canabarro (...)."
O plano a ser feito na Tijuca já conta com medidas que aos poucos serão replicadas pela cidade. Será a primeira vez que se adota na cidade o conceito de "Zona 30". Trata-se de uma medida simples de redução da velocidade dos automóveis para dar mais segurança viária aos ciclistas e pedestres. Sem grandes intervenções é possível garantir que motorizados e transportes ativos convivam harmonicamente.
A RCF Barão de Mesquita no entanto é apenas a primeira rota que irá estruturar o planejamento cicloviário na região. Serão pelo menos mais oito, sempre para beneficiar os atuais e futuros usuários da bicicleta.
Todo o projeto é fruto do trabalho dos técnicos do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) e da Secretaria do Meio Ambiente, com o apoio da Transporte Ativo. Todos os órgãos e a TA fazem parte do Grupo de Trabalho Ciclovia, que se reune regularmente para promover melhorias no sistema cicloviário carioca.
Mais:
Confira a íntegra do Decreto e do Plano das Rotas Cicloviárias para a Tijuca.
Sábado de sol em Ipanema.
Ainda é inverno, mas o sol carioca convida a todos para aproveitar a praia. O resultado é o corriqueiro caos motorizado. Engarrafamentos, carros estacionados por todos os lados, inclusive nas calçadas.
Já que o automóvel particular não é uma opção viável, qual o melhor meio de transporte para ir a praia?
Muitos cariocas já descobriram, confira:
A mobilidade da cidade do Rio de Janeiro cada dia mais se beneficia da utilização crescente de bicicletas. Os ciclistas conseguem a liberdade de chegar ao mar sem impactar negativamente as ruas já congestionadas e a Cidade Maravilhosa agradece.
- Veja o álbum de fotos.
- Sobre a necessidade de tornar o lazer de domingo um evento mais corriqueiro. Com os exemplos do inverno ensoralado em São Paulo e em Copacabana.
Futuro das Cidades
Em 2006 divulgamos aqui no blog a cidade de Freiburg na Alemanha. Cidade onde cada vez menos as pessoas utilizam o automóvel particular. Além disso, foi lá onde primeiro surgiu um empreendimento modelo na área de urbanismo. Recentemente a mesma cidade foi motivo de reportagem na televisão.
Freiburg certamente está mais perto da cidade que sonhamos, com mais qualidade de vida e menos poluição. Uma cidade onde a bicicleta está inserida na mobilidade de maneira quase imperceptível, pedalar é apenas uma atividade corriqueira.
- Confira mais no blog sobre Freiburg.
- Fantástico visita cidade onde não há desperdícios - Rede Globo.
Mutirão de limpeza de ciclovia no DF

No período das chuvas, alguns trechos da ciclovia Varjão-Paranoá (DF-005), em Brasília, foram cobertos de lama e agora estão cheios de terra, pedras e barro endurecido. Para suprir a falta de manutenção nesta infra-estrutura cicloviária, a Associação Transporte Ativo realizará no próximo domingo, 17 de agosto, um mutirão de limpeza dos pontos críticos da ciclovia. Os voluntários irão levar vassouras e enxadas, com a intenção de deixar a ciclovia limpa.
trecho de ciclovia sem conservação
A iniciativa visa agir em prol da melhoria da qualidade de vida de quem faz a opção por se deslocar em bicicleta na capital federal, que traz benefícios tanto para o ciclista quanto para a cidade. Também prevemos que, se a ciclovia não for limpa agora, quando as chuvas voltarem a sujeira ficará pior do que está.
Se o Governo do DF infelizmente não mostra agilidade ou interesse para zelar a contento pelas vias cicláveis implementadas, nós da sociedade civil podemos fazer a nossa parte. Não basta apenas apontar defeitos, carências e fazer cobranças. Já temos quase 40km de ciclovias no DF. Isto é uma conquista de toda a cidade e, para mantê-la e exigir a continuidade destas melhorias, é necessária a participação cidadã de todos.
Confissões de um Atropelador
Era cedo e caí da cama para ir ao trabalho. Uma névoa fria dominava São Paulo e o trânsito de carros estava congestionado. Meu caminho normal é descer até o Rio Pinheiros. Seguia ladeira abaixo pela Cardeal Arcoverde, trânsito parado, cruzei o sinal amarelo no corredor dos carros. Passei a faixa de pedestres e fiquei mais tranquilo.
Ainda com a mão no freio vi um homem entre os carros. Nada que eu pudesse fazer evitaria o choque. Freiando calculei a melhor maneira de acertar minha "vítima" sem machucar a mim, nem a ele nem tão pouco a bicicleta. Não sei se o guidão acertou o corpo dele, mas senti o impacto no meu corpo. O freio deu para reduzir bastante a velocidade e não caí da bicicleta.
Parei menos de um passo depois do pedestre, no meio da rua, culpado e preocupado de te-lo machucado. Ele sorria nervoso, reconheceu o risco de atravessar em meio aos carros em uma cidade como São Paulo, onde um fluxo paralelo sobre duas rodas flui entre os automóveis. Para sorte minha e dele eu estava de bicicleta. Apenas 12 quilos de metal mais 70 kilos de carne e ossos. Seguimos nossos caminhos. Ele rumo à calçada e eu pelo mar de motores parados ou quase parados.
Reavaliando o choque, foi realmente quase engraçado. Estava mais para um esbarrão no meio da rua entre dois seres humanos do que um atropelamento propriamente dito. Ambos soubemos de antemão do choque inevitável, nos preparamos para ele. O pedestre se encolheu eu reduzi a velocidade e joguei meu corpo contra o dele.
Uma cidade é melhor quando as pessoas se cruzam por acidente sem que uma machuque a outra. Assim foi mais esse choque entre humanos.






