Ciclistas Apocalípticos e Integrados
Umberto Eco falou sobre os "apocalípticos" e os "integrados". Reginaldo Paiva da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) usou os termos para separar diferentes tipos de ciclistas.
Os apocalípticos tem as ruas como espaços suficientes e não há qualquer necessidade de mudanças para integrar as bicicletas aos outros meios de transporte. Para eles pedalar já é vantajoso pelo ganho de tempo e economia de dinheiro. Os "integrados" por outro lado precisam de uma série de investimentos em infra-estrutura, rotas cicloviárias, estacionamentos para bicicletas nas estações, etc.
A definição é bastante abrangente, mas certamente resume bem uma grande diferença entre usuários da bicicleta. No entanto para que mais pessoas pedalem pela cidade mais vezes esses dois grupos devem ser levados em consideração. Um ciclista "apocalíptico" aprendeu aos poucos como ser portar nas ruas e transitar em segurança. Já os "integrados" representam um outro extremo que se devidamente priorizado é capaz de produzir os melhores resultados na mobilidade urbana.
O principal objetivo de qualquer planejamento em prol do uso da bicicleta, deve ser sempre atender as demandas de quem já pedala sem perder de vista as necessidades dos que gostariam de pedalar. Dentro desse último grupo, estão principalmente os pedestres que acessam as estações de trem. Usuários aptos a utilizar a bicicleta e que economizaram um tempo considerável nos seus deslocamentos.
Um texto interessante que dialoga com o que disse Umberto Eco diz que devemos reavivar "o aspecto lúdico e prazeroso da construção coletiva do conhecimento". Nada mais perfeito portanto que pensemos a bicicleta e os ciclistas de maneira integrada para que o prazer de pedalar ajude a influenciar as decisões em prol da mobilidade de todos os cidadãos.
Mais:
- Confira a íntegra da apresentação de Reginaldo Paiva no Seminário em Santos (pdf).
- Texto "Apocalípticos, integrados e... hackers (overmundo)."
De bicicleta para o trabalho
Passamos pela Semana Brasileira da Mobilidade, cuja data máxima foi o Dia sem Carros. "O objetivo deste movimento é chamar a atenção para a necessidade de se repensar o modelo de mobilidade que estamos aplicando em nossas cidades desde o advento do automóvel no início do século passado" (Rua Viva, Carta aos Municípios Brasileiros, 14.jul.2008).
A valorização do uso da bicicleta tem sido um dos principais eixos desta mudança pretendida. Contudo, a realidade diária torna esta mudança inviável para muitas pessoas, por barreiras que se firmam ou no preconceito ou, sobretudo, no desconhecimento. O que fazer para ir de bicicleta para o trabalho? O que as empresas devem fazer? O que as pessoas precisam saber? Foi pensando nisto que a Associação Transporte Ativo e o Mountain Bike BH elaboraram o Guia De bicicleta para o trabalho.
Trabalhamos desde fevereiro para lançar o Guia como parte dos eventos da Semana da Mobilidade e Dia sem Carros.
Traduzimos dois manuais estrangeiros, fizemos adaptações para nossa realidade e preparamos um leiaute especial, para acrescentar leveza e beleza ao conteúdo. Com isto, conseguimos produzir um documento exclusivo, único em língua portuguesa, que se iguala ao que existe de melhor em outros países.
Quais são as respostas para aquelas desculpas clássicas que as pessoas dão para não usar a bicicleta? Veja se sua bicicleta está preparada para o trabalho. Como você pode atuar dentro da empresa para criar uma cultura pró-bicicleta? Você sabia que, como política de incentivo, empresas no exterior financiam a compra de bicicleta por seus funcionários? Que há abonos e horas de folga cumulativas para quem vai de bicicleta para o trabalho??
Confira tudo isto e muito mais no Guia De bicicleta para o trabalho
Veja também o cartaz "Respostas para desculpas clássicas". Esta seção do guia foi especialmente selecionada para que você possa divulgar entre colegas de trabalho. Imprima colorido e coloque no mural de avisos do seu local de trabalho!! Para fazer um "dia sem carros" todos os dias.
Simplicidade Máxima
Peão, coroa, corrente. Um de cada, todos em sintonia fixa com o giro da roda traseira. Nada de freio, sem complicações.
Assim é são as "roda-fixa", bicicletas que primam pela simplicidade e controle total e por isso mesmo são as favoritas dos entregadores ciclistas nos Estados Unidos.
Um vídeo do balé sobre rodas que apenas uma fixa é capaz de realizar.
A prática e a intimidade com o veículo produz movimentos belíssimos, nem sempre recomendáveis de serem feitos nas ruas.
Para quem quiser saber mais informações:
- A mentalidade purista de culto à roda-fixa
O Prazer e Teoria da Relatividade
A bicicleta é um pequeno vício que beneficia os infectados. Não foi diferente com o jornalista e neo-ciclista Pedro Cirne. Ele aceitou o desafio de escrever sobre como é trocar o carro pela bicicleta por uma semana.
Já no segundo dia uma importante conclusão, todas as distâncias de bicicleta são percorridas em 15 minutos. Ainda que o relógio marque o dobro disso, o prazer de pedalar se encarrega de relativizar o tempo e o espaço. É a "Teoria da Relatividade" aplicada as bicicletas.
Como diria o próprio Albert Einstein: "A vida é como andar de bicicleta. Para manter-se equilibrado é preciso continuar em movimento." Vale confirar os relatos do Pedro no Especial de Trânsito. Ele ajuda a mostrar benefícios evidentes que todo ciclista pode desfrutar, mesmo em São Paulo. Cidade famosa pelo trânsito intenso.
Os outros quatro jornalistas optaram pelo Transporte Público, sempre dentro da premissa de ver um mundo possível hoje, com uma nova mobilidade. Confira a íntegra.
Consuma mais Oxigênio
São apenas algumas fotos e poucas imagens em movimento. Mas está lá o incentivo, pegue uma bicicleta velha e passe a usá-la. Consuma menos petróleo e mais oxigênio. O planeta e os moradores da sua cidade agradecem.
Celebração da bicicleta no Dia Sem Carro
Nesta segunda 18 bicicletas levaram a idéia do uso da bicicleta para as ruas cariocas
A Bicicletada Carioca teve uma versão nesta segunda-feira, por ocasião do Dia Mundial 'Na Cidade Sem Meu Carro'. Vinte e uma pessoas compareceram ao ponto de encontro, sendo que três estavam a pé. As dezoito bicicletas fizeram um roteiro diferente desta vez, saindo em outra direção, mas o movimento está cada vez mais centrado no objetivo de celebrar a bicicleta como meio de transporte num movimento horizontal, sem lideranças, mas com muita disposição.
Ao longo do percurso muitos motoristas e pedestres gostaram do passeio descontraído.
Concentração para começar a pedalada
Veja algumas fotos
Sexta-feira tem mais uma. Concentração 18 horas no início da Rua São Clemente.
Mover-se pelas Próprias Pernas
500 Bicicletas na Avenida Paulista
Dia 22 de Setembro é o "Dia Mundial Sem Carro". O nome varia, mas o mote é sempre o mesmo, comemorar e defender uma outra cidade possível. A iniciativa veio da Europa, onde faz parte da Semana da Mobilidade. No Brasil, mais tem sido feito por organizações da sociedade civil do que pelo poder público. Diversos eventos comemorativos, reportagens especiais na mídia. Mas ainda não se tem claro a efetividade da data.
Para quem caminha, pedala ou usa o transporte público nada muda. Já os motoristas dos automóveis particulares ainda não foram devidamente sensibilizados para conhecer alternativas, nem que durante um dia apenas. Haja vista os enormes engarrafamentos em São Paulo que ocorreram apesar do "Dia Sem Carro".
As bicicletas estão cada vez mais em evidência no mundo e os eventos de "mídia de guerrilha" em prol das magrelas se espalham Brasil afora. O Desafio Intermodal já se chamou um dia "Commuter Challenge", as Vagas Vivas nasceram "Park(ing) Day", a Critical Mass virou Massa Crítica e se naturalizou Bicicletada. Cada uma dessas três idéias foi adaptada para o Brasil e sua difusão ajuda a evidenciar cada vez mais a importância de se repensar a mobilidade em nossas cidades e o papel da bicicleta nesse contexto que está sendo construído.
Vaga Viva 2008
Um executivo engravatado a passos rápidos fala ao celular, aparentemente isolado do mundo à sua volta, mas de repente pára.
Uma funcionária de consultório médico no 6º andar vai checar rapidamente o clima pela janela e também pára.
Mesmo os motoristas geralmente apressados reduzem a velocidade para observar.
Por outro lado quem tinha pressa de chegar ao outro lado da rua nem parava, passava direto.
Bate papo tranqülio na vaga viva.
Todos os personagens estiveram nesta sexta-feira na Rua Senador Dantas no centro do Rio de Janeiro e vivenciaram a Vaga Viva 2008.
Duas vagas de carro foram ocupadas com grama sintética, bancos, cadeiras, duas arecas e uma figueira. No meio disso tudo uma larga passagem de pedestres com o singelo convite escrito em giz no chão: "PASSE". E passaram. No horário do almoço contagens amostrais de um minuto indacaram que 1400 pessoas/hora usaram o espaço para atravessar a rua. Cerca de 7000 o fizeram ao longo das 12 horas de atividade e dessas 48 pararam para conversar sobre o uso do espaço público. Também tivemos a participação de um poeta que recitou suas poesias dançando.
Poeta improvisando uma performance em momento de pura arte de rua.
Pelo 3º ano consecutivo o centro do Rio foi palco desta atividade mundial que apresenta aos cidadãos uma pequena amostra de uma outra cidade, dedicada às pessoas que podem então celebrar felizes um melhor uso do espaço urbano.
Brincadeira com o comportamento de algumas pessoas que simplesmente evitam pisar na grama.
Saiba mais:
Park(ing)
O que são Vagas Vivas?
Hoje essa vaga ganhou vida!
Vaga Viva e estacionamento cinelândia
Um pouco de ação direta
Vaga Verde em BH
Mais Rápido de Bicicleta

Grafiti captado por Flavio Chan
O Desafio Intermodal é um estudo empírico que visa medir o tempo de deslocamento dos diferentes modais de transporte disponíveis em uma cidade. São Paulo realiza a sua terceira edição hoje, dia 18 de setembro. Não é preciso estar presente para saber o resultado.
Quem pedala pela cidade sabe que a média de velocidade varia entre 15 e 22 km/h. Não existe engarrafamento nem atrasos. O trânsito motorizado no entanto não tem essa previsibilidade. Nos últimos anos os veículos a motor tem alcançado médias cada vez mais baixas. Segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento e Arquivo, durante o "Pico da Tarde", a velocidade era de 16,8 km/h em 2006 (Como o trânsito parou São Paulo).
Desafio Intermodal São Paulo 2008:
Partida: Praça General Gentil Falcão, no Brooklin, Zona Sul.
Destino: Prédio da Prefeitura (Viaduto do Chá), Centro.
Esse ano em Curitiba já foi comprovado: Bicicleta é meio de transporte mais eficiente.
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- Mais sobre Desafio Intermodal no blog.
- Mais sobre trânsito no Estadão.
Trilhos abertos para Bicicleta

Foto Sergio Giusti
Desde o dia 17 de setembro de 2008, os ciclistas podem viajar com suas bicicletas nos trens do Metrô em todos os dias da semana, a partir das 20h30. O acesso é para no máximo 4 bicicletas por trem, embarcadas sempre no último vagão. O horário para os ciclistas usarem o sistema metroviário também foi ampliado. Com início previsto para o dia 20 de setembro de 2008, o novo horário dos sábados irá das 14h até o final da operação comercial (uma hora da manhã de domingo). Aos domingos e feriados, está garantido o acesso dos ciclistas durante todo o funcionamento do sistema: de 4h40 à meia-noite.
Fonte: Metrô-SP
A iniciativa é parte do plano de incentivo do Metrô que inclui ainda estacionamentos e bicicletas públicas. Quem já pedala por São Paulo certamente irá se beneficiar da medida. Infelizmente os trens da CPTM ainda não irão aceitar as bicicletas durante a semana, mas ao menos o horário foi estendido nos fins de semana.
Cada vez mais bicicletas nas ruas em São Paulo e integradas ao Transporte Público é a melhor maneira de fazer com que todos os habitantes da cidade possam se deslocar mais facilmente.






