Blog da Transporte Ativo
17nov/080

Bicicultura, Primeiras Impressões

Brasilia

Brasília - Ponte JK

O evento Bicicultura desse ano foi realizado em Brasília. No centro do poder nacional a idéia era levantar a bandeira da bicicleta como prioridade para o país. E a União dos Ciclistas do Brasil está cada vez mais se firmando no cenário federal.

A presença de tantos cicloativistas brasileiros na capital ajudou o trabalho colaborativo entre as diversas instituições locais que promovem a bicicleta. As dificuldades e boas práticas estão dadas e precisamos seguir rumo ao futuro.

Desde 2005 ciclistas ao redor do Brasil tem se reunido e essa regularidade e o contato virtual constante são os grandes responsáveis pelo nascimento e crescimento da UCB. Em 2005 foi em Florianópolis com a ViaCiclo, 2006 São Paulo e Escola da Bicicleta, 2007 Rio de Janeiro pela Transporte Ativo, 2008 Brasília com a Rodas da Paz.

Mas ainda há muito o que ser feito. Em entrevista ao Jornal do Brasil Beth Davidson da Rodas da Paz resumiu uma necessidade dos ciclistas:

- Temos que ter, sobretudo, educação no trânsito para reconhecer que existem outros meios de transportes. A bicicleta tem que ser vista como meio de transporte.

E o ciclista, "tem de ser respeitado como tal."

Muito mais do que vultosos investimentos em infra-estrutura, a bicicleta precisa do apoio político proporcional a sua importância na construção de cidades melhores para todos. É essa a luta da União dos Ciclistas do Brasil e dos grupos locais nela representados.

Mais informações no site do Bicicultura.
- JB Online - Construção de ciclovias é prioridade do governo, diz secretário

12nov/081

Ecologia Urbana

banner WWF

Meio ambiente e ecologia são um assunto cada vez mais recorrente. Isto é muito importante, pois ainda dá tempo de salvar o planeta, as áreas verdes e os animais. Porém, ecologia não é só bicho no mato, onça na floresta.

No entanto, cerca de 80% da população brasileira hoje vive em cidades. Então, precisamos falar também de ecologia urbana.
Os problemas ambientais urbanos são muitos: desperdício de energia, lixo, poluição do ar e das águas, destruição das áreas verdes para dar espaço aos automóveis, e sistemas de transporte ineficiente.

Assim como precisamos preservar matas, nascentes e animais selvagens, precisamos de cidades sustentáveis. Andar a pé ou de bicicleta é uma atitude ecológica tão importante quanto conservar a Amazônia ou repovoar o mar de tartarugas marinhas.
Com esta atitude simples de deixar o carro na garagem e ir para o trabalho ou para a academia de bicicleta, você polui menos o ar, não gera pressão por mais estacionamentos e vias - que destroem a área verde das cidades, não gera demanda por petróleo, fonte de energia não renovável.

Novos hábitos, novas tecnologias, novas idéias. É o que mostra este vídeo da WWF:

Veja os outros dois filmes da trilogia Pense de Novo.

11nov/080

Paradoxo no Trânsito

Calçadão da São João

- Calçadão da Avenida São João - São Paulo
Foto Eli Hayasaka

Durante muitos anos acreditou-se que a solução para melhorar a fluidez do trânsito rodoviário passava pela construção de novas vias. No entanto esse conceito não tem mais valor. Inclusive, ao aumentar a infra-estrutura viária pode-se até piorar as condições do tráfego.

Dada a natureza anárquica do trânsito e a escolha individual de cada motorista, temos que muitas vezes não há qualquer incentivo a que uma rota seja escolhida em detrimento de outra. Milhares de pessoas tomam decisões baseadas na sua própria conveniência e na presunção de que a rota escolhida é a melhor e mais rápida. Com isso o trânsito não fica distribuído de uma maneira que garanta o menor tempo de viagem possível.

Os físicos responsáveis pela pesquisa apresentam o seguinte exemplo para explicar a teoria: um motorista pode fazer um caminho mais curto por uma ponte estreita ou um trajeto mais longo por uma via expressa. Na melhor conjuntura, o tempo de viagem de todos seria menor se metade das pessoas escolhesse cada um dos caminhos. Mas não é assim que acontece. Alguns motoristas irão usar a ponte estreita para ir mais rápido e a medida que se formem engarrafamentos, muitos optam pela pista expressa. Assim, ela também fica engarrafada e alguns motoristas optam novamente pela ponte estreita. Gradualmente o fluxo nos dois trajetos atinge o "equilíbrio de nash", quando nenhum motorista iria chegar mais rápido se mudasse seu trajeto.

A solução para a má distribuição do fluxo motorizado foge ao senso comum. Ao fechar algumas ruas, é possível se aproximar do tempo ótimo de viagem. O motivo é simples, uma distribuição mais homogênea de veículos nas vias que continuariam disponíveis a circulação motorizada.

Surgiriam naturalmente benefícios além da simples melhora na fluidez. Ao invés de uma via congestionada, ruas exclusivas para ciclistas e pedestres.

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Para quem quiser saber mais:
- If You Build, They Will Clog.
- Queuing conundrums

10nov/085

Transporte Ativo em São Paulo

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A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) contou essa semana com a presença da Transporte Ativo. Estivemos presentes para levar o Workshop de Introdução ao Mundo Cicloviário. No auditório diversos órgãos da administração municipal e o próprio secretário do Verde e Meio Ambiente (SVMA) Eduardo Jorge esteve presente.

CET SP1  4

O curso foi feito com base no conteúdo apresentado a CET-Rio. Devido ao sucesso em terras cariocas, a iniciativa veio para São Paulo.

As duas turmas paulistanas sairam extremamente satisfeitas e puderam conhecer um pouco da realidade da bicicleta. Esse workshop marca uma importante fase de transição na visão da mobilidade nessa grande metrópole. Atualmente a bicicleta e sua promoção ainda se concentra na SVMA. Para o secretário Eduardo Jorge, o papel de sua pasta é acima de tudo mostrar novos caminhos. A mudança aos poucos tende a ganhar corpo e se espalhar por toda a administração municipal e dentro dessa perspectiva, é fundamental que toda a área de transportes esteja devidamente sensibilizada para a necessidade de se promover o uso da bicicleta dentro do contexto da nova mobilidade necessária à cidade de São Paulo.

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O curso será repetido e só foi possível graças a parceria entre a Transporte Ativo, o ITDP a Clinton Foundation e a Prefeitura da Cidade de São Paulo.

9nov/080

Sim, eles Podem

Bicicleta Los Angeles

- Bicicleta mais rápidas em Los Angeles - Foto crimanimalz

O domínio do transporte individual motorizado se alastrou dos Estados Unidos para o mundo. Mas os contornos mais dramáticos do desenvolvimento centrado no automóvel está em terras estadunidenses.

Movida a gasolina, a classe média norte-americana não está sendo mais capaz de arcar com a escalada no preço do petróleo. A isso soma-se a desvalorização das casas, o endividamento e tem-se um cenário de desespero.

O canal de televisão PBS apresentou um documentário chamado "Dirigido ao Desespero" que mostra como no sul da California a dependência do automóvel afetou negativamente a vida de pessoas que sonharam com uma vida tranquila longe dos grandes centros urbanos. Ainda que as oportunidades de trabalho e lazer sejam maiores dentro das cidades.

No entanto, há esperança até mesmo na verdadeira "sociedade do automóvel". O novo presidente Barack Obama já mostrou-se a favor de investimentos em transporte público durante sua campanha e certamente a mudança de paradigma necessária nos Estados Unidos passa por incentivos e investimentos em transporte eficiente para as pessoas.

Mais:
- Driven to Despair - PBS.org
- Reconecting America.org
- Barack Obama sobre Transporte.
- Sociedade do Automóvel
- Custos Reais dos Motorizados - blog.ta.org.br

6nov/080

A Bicicleta da Mudança

Todo ciclista tem uma bicicleta memorável, aquela que marcou as primeiras pedaladas na infância, a primeira ida até a escola, a guerreira dos tempos de faculdade.

Aprendi a pedalar numa Monareta aro 20", lembro de cruzar em frente a minha casa sem as rodinhas, livre. Mas uma outra bicicleta marcou a fase mais recente da minha vida. As rodas têm a mesma medida o que há 4 anos atrás despertava curiosidade nas ruas e ciclovias do Rio de Janeiro. Um homem de 1,70 pedalando uma bici pequena.
Dahon Vitesse

Minha Dahon Vitesse foi a primeira bicicleta que usei como veículo, com ela passei a ir de casa à faculdade e depois ao trabalho. Pedalando ela aprendi a "dirigir" uma bicicleta e a me portar nas ruas de uma grande cidade. Por conta dela reformei a minha outra bicicleta que estava largada e quebrada na garagem. Com esses dois maravilhosos veículos meu automóvel particular começou a ficar empoeirado na garagem.

A transição para usar só a bicicleta foi gradual e depois que meu segundo carro foi roubado comprei mais duas magrela e segui pedalando.

Um concurso nos EUA oferece uma premiação para quem desenhar a bicicleta de transporte perfeita. Não sei como vai ser a ganhadora, posso apenas me lembrar como a minha Dahon Vitesse em 2004 me fez ganhar as ruas do Rio de Janeiro e não me deixou parar mais. Ela tinha paralamas que me protegiam da chuva que vinha de baixo, bagageiro para carregar minha bagagem sem deixar minhas costas suadas. Além de ser confortável e nem um pouco esportiva.

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Mais:
- A Commuter Bike for the Masses - treehugger.com
- Commuter Bike for the Masses - bicycledesign.blogspot.com
- Relato de um novo ciclista - blog.ta.org.br

5nov/082

Mercado de Bicicletas no Brasil

Avança Brasil

foto de: Jim Skea

Os números mais precisos em relação ao tamanho da frota levam em conta a produção industrial e a durabilidade média das bicicletas, que é de 10 anos. Segundo dados da Abraciclo, a produção industrial de 1998 a 2008 vai somar 51,8 milhões de veículos.

Contudo, este total é subestimado, pois a vida média de uma bicicleta pode ser maior que 10 anos. Um fabricante nacional dá garantia até 2020 para os quadros das suas bicicletas. Além disso, a soma leva em conta apenas a produção registrada pela indústria formal. Os fabricantes de coroas para bicicleta afirmam produzir mais de 13 milhões de unidades/ano, mais que o dobro da produção formal de bicicletas (confira a pág. 27 do Caderno de referência para elaboração de Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades do Ministério das Cidades).
Assumindo que 30% das coroas se destine a consertos ou manutenção de estoques, estima-se que o número de bicicletas produzidas no Brasil nos últimos 10 anos estaria em torno de 90 milhões.

Então, para calcular a frota de bicicletas no Brasil, partimos dos números precisos da Abraciclo, 51,8 milhões. Calculamos, por baixo, uma produção informal igual a 50% da produção formal. Com isto, em nossos estudos e previsões, trabalhamos com uma frota atual de 76 milhões de bicicletas no Brasil.

Números tão expressivos mostram que a mobilidade no Brasil apresenta uma demanda reprimida para o uso da bicicleta, já que apenas parte desta frota está nas ruas circulando diariamente.

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Mais: Reflexões sobre o Mercado de Bicicletas.

4nov/080

Publicidade com e para Bicicletas

Bicicletas são mais que um veículo um símbolo. As duas rodas que precisam apenas da força exercida nos pedais para nos levar longe representam a liberdade de ir e vir e muito mais.

Nada mais natural portanto que haja uma apropriação da bicicleta para vender produtos que promovem a liberdade. No caso a liberdade de acessar a internet de qualquer lugar.

Mas um comercial também pode ter bicicletas como o produto a ser vendido e nesse caso o que vale é o estilo de vida que ser ciclista representa. Ao mesmo tempo é pedalar relaxado por ruas tranquilas como enfrentar o trânsito motorizado com naturalidade.

Até música funk pode ser usada para vender bicicletas urbanas:

As bicicletas tem o potencial de revolucionar não só os ciclistas e as cidades e é isso que se vê nos 30 segundos abaixo em Copenhague:

"Bici Ação" entre nessa!
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Todos os videos via: Copenhagenize.com

3nov/080

Do Lixo fez-se Luxo em Praça Pública

Essa semana nasce uma nova praça em São Paulo. Em uma parceria entre a administração municipal e a iniciativa privada o espaço de convivência pública foi erguido onde antes funcionava o centro de processamento de lixo da região. Decks suspensos isolam os frequentadores do solo ainda contaminado.

Mais do que um jardim urbano, a Praça Victor Civita tem a ambição de ser também uma Ágora e um Fórum, no sentido adotado pelos gregos e romanos. Local de debates e e troca de idéias entre cidadãos. Sai a monumentalidade romana e entra a sustentabilidade do século XXI. Novos tempos e novos valores, mas a importância do espaço público e da aproximação humana nas cidades é evidente desde o início da nossa civilização.

Via: O Guia Verde
- Mais sobre a Praça Victor Civita.

2nov/080

Brasília Capital das Bicicletas

Bicicleta Ponte JK Brasilia

Ponte Juscelino Kubistchek - Foto Hans Georg

Acontecerá em novembro a Conferência Internacional de Mobilidade por Bicicleta. Dos dias 12 a 15 de novembro estarão em Brasília cicloativistas de do Brasil e do mundo. Movidos pelo propósito de fazer do Brasil um país mais amigo das bicicletas. Concomitante à conferência internacional, haverá também o II Encontro da União de Ciclistas do Brasil e o IV Encontro Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta.

Serão apresentadas experiências estrangeiras de sucesso bem como iniciativas realizadas no Brasil que podem e devem se espalhar pelo país afora. Além disso, haverão cursos paralelos de planejamento cicloviário. Uma excelente forma de aproximar os interesses e a terminologia dos ciclistas e dos responsáveis pela implantação de infra-estrutura cicloviária.

As inscrições são gratuitas. A programação completa e mais informações no www.bicicultura.org.br