Para o Meu Amor Passar
O Código de Trânsito Brasileiro define a bicicleta como veículo, ao lado de muitos outros. Mas não há definição possível para a festa e inspiração que vários ciclistas são capazes de despertar ao tomarem as ruas e avenidas de uma grande cidade. Uma bicicleta, veículo tão discreto, foi capaz de ganhar a dimensão de desfile quando 50 ciclistas resolveram ir juntos da Praça do Ciclista em São Paulo a um Cartório que fica a 8 quilômetros de distância.
Pessoas vão e vem de bicicleta e congregam nela momentos de lazer, prazer e realizam o anseio de chegar ao seu destino. Para o ciclista Willian Cruz o dia do seu casamento não foi diferente. Pedalar para ele é rotina há alguns anos, desde que enxergou o problema da (i)mobilidade em São Paulo de uma maneira diferente. Natural portanto comparecer ao cartório pedalando. A novidade ficou para alguns convidados e principalmente a imprensa, que viu como inusitado o que para o noivo era apenas a opção esperada.
O uso da bicicleta como meio de transporte em São Paulo ainda é percentualmente baixo, mas cresce a olhos vistos. Além disso, cada novo ciclista que passa a defender a importância da sua atividade cotidiana contribui para dar visibilidade a todos que pedalam. Afinal a discrição inerente as magrelas fundamentou o "Manifesto dos Invisíveis".
Casamentos são sempre muito parecidos, uma igreja ou um cartório, votos de amor, testemunhas e algumas assinaturas. No entanto, através da "pequena mídia", blogs e sites de relacionamento em geral, circulam cada vez mais fotos de noivos e casais recém casados que pedalam bem vestidos acompanhados por amigos. Uma obrigação formal, torna-se festa que se alastra pra ruas em um espetáculo alegre sempre contagiante e inspirador. Essa é a mágica da bicicleta.
Ryan Nuckel e Rachael Myers
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Mais:
No blog Vá de Bike do próprio Willian
- Casamento De Bicicleta – Fotos, Vídeos, Textos
No Apocalipse Motorizado
- Priscila e Willian
A importância das universidades
Roberto Fleury / UnB Agência
As universidades possuem papel decisivo no mundo da nova mobilidade que se aproxima.
Embora estejam imersas numa crise de identidade, causada pela mercantilização do ensino, pela educação sem fronteiras criada pelas novas tecnologias e pelas exigências do desenvolvimento sustentável, dentro da universidade encontramos ambiente propício para construção de uma visão crítica da sociedade que vivemos.
O tripé ensino, pesquisa e extensão, interdisciplinar e transdiciplinar, tem todas as condições de abrir caminhos e mostrar soluções. Desde a Conferência da Terra (Rio, 1992), até Kyoto, passando pela Agenda 21, e certamente em Copenhague, as universidades foram e estão sendo chamadas a exercer seu papel de liderança no desenvolvimento sustentável.

Foi esta a visão que a Transporte Ativo apresentou na mesa-redonda realizada na Universidade de Brasília, no dia 2.out. O debate ocorreu como parte da programação da Semana de Extensão e teve como tema "O papel da UnB na mobilidade do DF".
É de dentro das universidades que saem engenheiros, arquitetos e professores. Com eles é que contamos para uma revisão de conceitos e nova visão da cidade. Além do mais, a vida interna no campus, mesmo sofrendo pressão direta da sociedade com a qual se interliga, é ambiente propício para práticas inovadoras necessárias como reciclagem, prédios verdes, restrição a automóveis e prioridade aos meios de transporte limpos e sustentáveis.
Um Número Mágico
A velocidade média do trânsito motorizado nas grandes cidades diminui a olhos vistos. Trata-se de uma excelente oportunidade para promover a segurança viária e ao mesmo tempo colaborar para a fluidez de pessoas e veículos. Reduzir a velocidade máxima permitida é o caminho mais fácil. Velocidades menores geram menos colisões e também possibilitam compartilhar de maneira mais eficiente a via entre os diferentes modos de transporte. Além disso, velocidades máximas mais baixas implicam em menos acelerações e desacelerações bruscas o que também facilita a fluidez dos motorizados.
O código de trânsito brasileiro (CTB) estabelece que nas vias arteriais a velocidade média permitida deverá ser de 60km/h e nas coletoras de 40km/h. Além disso, diz também que esses limites poderão ser alterados pelo orgão ou entidade com circunscrição sobre a via. Um levantamento da CET-SP do começo da década de 1990 mediu as médias de velocidade em um eixo de vias coletoras e arteriais. Nas coletoras a média mais alta foi de 28,1 km/h em situação de "trânsito livre" e nas arteriais em situação análoga mediu-se 35,3 km/h. Naturalmente a média dos dias de semana em "mês útil" são bastante inferiores e melhoram um pouco durante as férias escolares.
A discrepância entre as máximas permitidas e as médias reais é enorme e comprova a tese de que limites mais baixos não irão alterar em nada a realidade dos deslocamentos. O jornal O Globo por conta da implementação das Zona 30 em Copacabana percorreu de carro as ruas que teriam o limite de velocidade reduzido e constatou que a nova máxima era compatível com a média alcançada. Trata-se de um outro elemento de promoção a segurança viária já que a proximidade entre a máxima permitida e a velocidade de deslocamento acaba por incentivar o motorista a respeitar o limite.
Inúmeras ruas e avenidas Brasil afora teriam muito a ganhar com um limite de velocidade reduzido. Uma maneira simples e efetiva de promover a segurança viária para todos e ao mesmo tempo garantir que os mais frágeis sejam expostos a menos riscos.
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Mais:
- Variação da Velocidade Média no Trânsito de São Paulo - CET
- CTB - CAPÍTULO III - DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA
- Velocidade média dos carros em SP cai em um ano
Vida, Liberdade e a Busca pela Felicidade
O título deste post é a tradução de um dos mais famosos trechos da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Essa simples frase é repetida como um pequeno mantra ético do país e foi reescrita no streetsblog para se adequar a uma nova lógica em nascimento nos EUA e ao redor do mundo. Cidades cada vez mais adotam o lema da "Vida, Liberdade e Busca pelo Espaço Público".
O século XX do automóvel redistribuiu o espaço urbano e fez das ruas local de fluxo. A perda de qualidade de vida salta aos olhos e está sendo revista. Urbanóides mundo afora já promovem a mudança de percepção que irá construir as cidades do futuro. Um espaço onde o mais importante seja a vida, a liberdade e a busca pela felicidade.
Enquanto isso, ao ver um gatinho na rua, grite!
"Scream With Me" // PeaPod Pilot from Nate Byerley on Vimeo.
A Invisibilidade da Diáspora
O Afoxé Filhos de Gandhy, no carnaval de 1950, tomando Bonde da Linha dos 15 Mistérios.
Foto de Pierre Fatumbi Verger
Relações possíveis e impossíveis entre um plano cicloviário e a barroquíssima Capital Reconvexa
Lucas Jerzy Portela*
A população cicloviária de Salvador é quase toda pobre, negra e periférica (lembrando que como o Rio de Janeiro, Salvador tem "periferias" no centro, inclusive entre bairros nobres - e não apenas na periferia propriamente dita, como em São Paulo ou Recife). Uma população que não faz idéia de que a bicicleta é um meio legítimo de transporte, sobre o qual incide algumas regras. Em geral ela sequer deduz intuitivamente estas regras, achando que o correto é andar na contra-mão dos carros, e que os refletores atrapalham ao invés de ajudar...
Isso se dá pela pobreza de capital linguístico em que se encontra (além da material), mas também pela posição de invisibilidade que ocupa. É comum o visitante de Salvador se surpreender: "onde estão os tão falados 80% de população negra?". Estão invisíveis.
Se a bicicleta já é por si um veículo em diáspora e da diáspora, invisível, em Salvador ele se faz invisível exponencialmente, e duplamente diaspórico: é bicicleta de preto (isto é: pobre) - e de preto que não se autoriza a usá-la como outro veículo qualquer. É uma bicicleta que não se coloca apenas à margem - mas à margem da margem.
Claro está que isso vem de uma histórica segregação da população em relação a cidade. A reforma do Pelourinho, durante o carlismo, retirou de lá uma população identificada com o bairro - e mandou pra conjuntos habitacionais no subúrbio. E o Pelô virou um shopping pra gringo, que nem como Shopping funciona. Mais do que isso: antes, seis linhas de ônibus chegavam até sua principal entrada, a Praça da Sé. Hoje, apenas 4 vão até a Rua da Ajuda. A Sé foi lacrada para carros, mas isso não significa uma boa apropriação para os pedestres. Ao contrário, como Shopping, a principal via de acesso ao Pelô são estacionamentos, pagos, entrando pelos fundos - isto é, pelo Vale da Barroquinha.
A diferença é gritante se se compara com a única etapa da reforma já feita fora do carlismo, o Carmo e o Santo Antônio Além do Carmo - em que a população continua morando, e por conseguinte os índices de violência e pobreza são muito menores. Curiosamente, é um bairro pedestre, apesar de histórico é pouco turístico - e se usa bicicleta, não obstante seja no topo de uma montanha.
Não é sempre que a população pobre, e negra, de Salvador deixa de sentir a cidade como patrimônio seu legítimo e que deve usar sem vergonha - embora isto seja a regra. O Solar do Unhão, Museu de Arte Moderna da Bahia, com belíssima praia dentro e ao lado da favela da Gamboa de Baixo, é totalmente apropriado. Moleques mulatos vão a nado para o MAM, abusam dele como querem - e o amam e cuidam. Não se envergonham de lá estar de calção de banho, enquanto a alta burguesia toma café e ouve jazz. Fazem parte visível da paisagem - sem o que o MAM não teria a menor graça. Seria um MAM sem pôr-do-sol.
Oxalá esta venha a ser a regra - também para que as bicicletas, um dia, como os Tambores da Liberdade, e o Tapete de Turbantes dos Filhos de Gandhy, ocupem as ruas da SanFrancisco Nagô-Malê, da Lisboa Sudanesa revisited. A bike bem que poderia ser um atributo mágico de um novo Exú, em banda-larga, nascido do rum, do rumpi e do lé, lá no Terreiro do Afonjá. Larô-iê!
* Lucas Jerzy Portela é psicólogo, mantem o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes e é ex-namorado de arquiteto - o que acaba por ser um atributo importante para um cicloativista newbie.
Mais:
- Bó de Bike, Salvadô
- Tuas ladeiras e montes, tal-qual um postal
Propostas para o Clima Urbano
A conferência da ONU sobre mudanças climáticas irá começar no dia 07 de dezembro em Copenhague. Até lá os países debatem entre si e internamente qual será o papel que irão se comprometer a assinar quando chegarem na Dinamarca. O Brasil por hora está comprometido com a redução do desmatamento da Amazônia, maior gerador de emissões do país. No entanto os compromissos a serem firmados podem colaborar para desenhar um futuro de prosperidade ambiental para os brasileiros.
O modelo de desenvolvimento do século XX já se mostrou fadado ao insucesso e as nações mais ricas do mundo já começaram a rever diversos conceitos. Todas as grandes capitais européias já estão refazendo o desenho de futuro urbano, e o uso da bicicleta naturalmente não para de crescer e ser incentivado. Nessa disputa informal entre as cidades, Amsterdã e Copenhague saíram a frente no planejamento cicloviário. Ambas redescobriram a bicicleta nos anos 1970 e hoje oferecem excelentes condições para que seus cidadãos possam pedalar para todos os lugares.
Reduzir as emissões de CO2 dentro das cidades é uma meta a ser debatida e que implicará diversos ganhos. No contexto urbano a queima de combustíveis fósseis mostra suas desvantagens comparativas de maneira mais clara. Natural portanto que o transporte público e o uso da bicicleta sejam prioridade absoluta. Reduzir o uso de derivados de petróleo no transporte urbano ajuda a reduzir as emissões globais de dióxido de carbono além de melhorar a qualidade do ar nas cidades.
As esferas locais, estaduais e o governo federal no Brasil tem nas metas de redução das emissões de carbono uma maneira de se alinharem ao futuro que já está sendo traçado. Os erros cometidos no século XX nas cidades mais ricas do planeta não precisam ser repetidos por nós para chegarmos a conclusão de que as melhores cidades do futuro serão aquelas em que todos podem ir e vir sem impactar negativamente o clima global, nem poluir o ar que respiram.
Mais cedo ou mais tarde o Brasil terá de se alinhar a "nova economia de baixo carbono" e o quanto antes for iniciada a transição, maiores serão os benefícios e menores os custos.
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Mais:
- Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (AM)
- Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo
- Projeto de Lei da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (SP)
- Rich cities: Don’t repeat our mistakes - Cop15.dk
- Brasil não deve ter meta de emissão de CO2 - estadao.com.br
Abaixo um vídeo da Campanha TicTac sobre as cidades:
22 Pessoas, 2 Cachorros e o Clima from Leão Filmes on Vimeo.
Democracia à Propulsão Humana

Foto: Ryan S Brandenberg
O trânsito e o transporte afetam a sociedade como um todo. Todas as pessoas, indistintamente, têm necessidade de se deslocar de um lugar a outro, por qualquer meio de transporte que tenham ou estejam dispostas a usar.
A característica fundamental da sociedade brasileira é a desigualdade social. Em vez de atuar como indutor de mudanças, o Estado é usado secularmente como mantenedor de privilégios. No caso dos automóveis, soma-se uma política econômica que serve e submete-se a interesses de grandes grupos nacionais e multinacionais, há décadas.
Com isto, políticas públicas de trânsito e transporte têm sido exclusivamente favoráveis aos automóveis particulares, historicamente patrimonialistas, sem distinção entre interesses públicos e privados. Calçadas e espaços públicos são invadidos por proprietários particulares, sem que haja fiscalização ou embargos. Ruas e avenidas são duplicadas para atender pequeno número de moradores de condomínios de luxo. Permite-se estacionamentos em ruas e sobre calçadas para satisfazer interesses de comerciantes locais. Não há estudo do impacto destas obras na cidade como um todo. Ou, no máximo, as ruas são vistas como via de passagem e não espaço democrático.
Valorizar pedestres e ciclistas, impondo restrições a automóveis e priorizando o transporte público coletivo, são medidas que necessitam de uma verdadeira mudança de paradigma nas políticas públicas do município, estado e país. É necessário que os órgãos técnicos de trânsito estejam abertos à participação comunitária, por meio de orçamento participativo, grupos de trabalhos representativos e canais de comunicação eficientes e funcionais, seja na internet ou em debates abertos e audiências públicas.
É imprescindível que qualquer projeto de melhoria ou expansão da malha rodoviária passe por discussões abertas, que sejam consultados e ouvidos representantes de pedestres, ciclistas e deficientes físicos, e não unicamente orientados por interesses econômicos ou eleitoreiros.
Obras cicloviárias precisam passar pelo mesmo crivo. Se forem mal projetados e construídos, bicicletários, ciclovias e ciclofaixas não serão usados. Tornam-se um desperdício de recursos e fonte de argumentos para manutenção da cultura rodoviarista que teoricamente aquelas facilidades pretendiam contrapor.
Quanto mais democrática uma administração pública, mais obras para pedestres e ciclistas ela fará.
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Mais no blog:
- Calçadas e Democracia
Transporte Ativo na Escola.
A escola, por exercer importante papel social, é o local ideal para abordar as questões sobre trânsito. Nas salas de aula os conceitos de mobilidade sustentável e a função social das ruas como espaço democrático, e não apenas como via de passagem para automóveis, devem ser incorporados à prática pedagógica.
De forma a colaborar com este novo paradigma, estamos lançando, neste Dia da Criança, o Projeto TA na Escola, uma proposta inovadora composta de dois módulos: 1) criação e manutenção de um site dedicado às crianças; e 2) apresentação de palestras para alunos de pré-escola e ensino fundamental, de forma a aproximá-los dos conceitos de mobilidade sustentável, transportes limpos, com foco para a bicicleta, apresentando-a conceitualmente como veículo e meio de transporte.
Na página para as crianças, encontra-se material para desenhar, colorir e se divertir aprendendo. Além de informações para pais e educadores. Confira aqui: Transporte Ativo na Escola.
É necessário mostrar às crianças que as escolhas que fazemos determinam não só nossa vida, mas o futuro do planeta e das cidades.
Para Identificar Problemas

Foto: mplsminx
A falta de ciclovias não é a única causa do pouco uso da bicicleta nas cidades brasileiras. Nem o trânsito violento. As causas são várias, complexas e se interligam, num círculo vicioso que se retroalimenta. Há problemas de infraestrutura e barreiras psicológicas individuais, além de uma educação deficiente e políticas públicas distorcidas por interesses e privilégios de grupos.
No dia a dia das cidades é possível ver as consequências que são conhecidas de todos. Excesso de uso do automóvel, problemas de saúde, deterioração do espaço urbano e colapso das cidades.
Estamos longe de conquistas fáceis e soluções simplórias. Pessoas, ONGs, empresas e prefeituras precisam trabalhar em conjunto para somar esforços e atuar nos seus campos de competência.
E o rio Pinheiros continua sendo…

Vai haver uma ciclovia na margem do rio Pinheiros em São Paulo e os ciclistas foram chamados a conhecer o trajeto e um projeto arquitetônico para a área. Apesar da baixa qualidade da água a paisagem ao redor do rio é bonita, esquecida depois das pistas de alta velocidade e do trem as águas fluem banhando capivaras. Passam por pontes, estações de oxigenação, pela Usina da Traição. Passam e seguem.
O asfalto a beira do rio, perfeito para a fluidez de bicicletas está liso entre a usina da traição, na altura da estação Vila Olímpia, até Jurubatuba. Por isso será esse o primeiro trecho a ser inaugurado. São aproximadamente 14 quilômetros hoje utilizados como via de manutenção dos equipamentos públicos no rio. O pequeno volume de tráfego motorizado, alguns caminhões, caminhonetes e automóveis de funcionários constrasta com o engarrafamento constante nas pistas da Marginal Pinheiros. Na mesma margem do mesmo rio, diferentes usos do asfalto, trânsito motorizado intenso, enquanto mais próximo do leito do rio os ciclistas terão contato mais direto com os problemas e belezas do rio. Serão potencialmente os maiores fiscais para a melhoria da qualidade da água.
Cabe ressaltar que os planos para a ciclovia as margens do rio Pinheiros não é idéia nova e persiste um grande problema, os acessos. Ciclovias totalmente segregadas costumam ser promovidas como oasis para a segurança viária dos ciclistas. No entanto os acessos, cruzamentos e entroncamentos são os locais de problemas e conflitos. Na ciclovia do rio Pinheiros esse conflito é ainda mais dramático. Cercado por água, trilhos e diversas pistas de uma via expressa a ciclovia tem nos acessos mais do que um calcanhar de Aquiles, uma perna inteira. Serão inicialmente apenas dois acessos já prontos que serão adaptados. Um na vila Olímpia por uma passarela de serviço e outro em Jurubatuba.
Passarela na Vila Olímpia
Uma das demandas dos ciclistas em relação a essa nova via expressa para bicicletas (a mais longa a ser implantada em São Paulo) é justamente como inserir o fluxo de bicicletas nessa via segregada. A maneira como o espaço segregado para os ciclistas irá dialogar com o resto do tecido urbano é ponto chave para o sucesso do projeto. A cidade (e os ciclistas) seriam beneficiados se passos fossem dados em relação a equacionar o fluxo de pedestres (e de bicicletas) em todos as pontes do rio Pinheiros. Além disso, o positivo investimento em infraestrutura cicloviária deve vir junto de campanhas educativas pela segurança viária para além da ciclovia.
O Rio de Janeiro e as ciclovias na beira da orla são um bom exemplo da necessidade de compatibilizar infraestrutura e campanhas educativas. Ciclistas precisam saber como se portar em uma via exclusiva para eles e ao mesmo tempo (e mais importante), o motorista precisa saber que o fluxo de bicicletas vai além das ciclovias e tem direito e prioridade no uso de todas as ruas da cidade. Na cidade maravilhosa o fluxo de bicicletas só agora começa a ganhar nas ruas o respeito previsto em lei.
Enquanto isso, o rio Pinheiros continua lindo.
Capivaras a beira do rio Pinheiros
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Documento aberto de sugestões de ciclistas para a obra.
Mais no Vá de bike:
- Sugestões para a ciclovia da Marginal Pinheiros
- Futura ciclovia da Marginal Pinheiros em vídeo
- Como foi a reunião sobre a ciclovia da Marginal Pinheiros











