E o rio Pinheiros continua sendo…

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Vai haver uma ciclovia na margem do rio Pinheiros em São Paulo e os ciclistas foram chamados a conhecer o trajeto e um projeto arquitetônico para a área. Apesar da baixa qualidade da água a paisagem ao redor do rio é bonita, esquecida depois das pistas de alta velocidade e do trem as águas fluem banhando capivaras. Passam por pontes, estações de oxigenação, pela Usina da Traição. Passam e seguem.

O asfalto a beira do rio, perfeito para a fluidez de bicicletas está liso entre a usina da traição, na altura da estação Vila Olímpia, até Jurubatuba. Por isso será esse o primeiro trecho a ser inaugurado. São aproximadamente 14 quilômetros hoje utilizados como via de manutenção dos equipamentos públicos no rio. O pequeno volume de tráfego motorizado, alguns caminhões, caminhonetes e automóveis de funcionários constrasta com o engarrafamento constante nas pistas da Marginal Pinheiros. Na mesma margem do mesmo rio, diferentes usos do asfalto, trânsito motorizado intenso, enquanto mais próximo do leito do rio os ciclistas terão contato mais direto com os problemas e belezas do rio. Serão potencialmente os maiores fiscais para a melhoria da qualidade da água.

Cabe ressaltar que os planos para a ciclovia as margens do rio Pinheiros não é idéia nova e persiste um grande problema, os acessos. Ciclovias totalmente segregadas costumam ser promovidas como oasis para a segurança viária dos ciclistas. No entanto os acessos, cruzamentos e entroncamentos são os locais de problemas e conflitos. Na ciclovia do rio Pinheiros esse conflito é ainda mais dramático. Cercado por água, trilhos e diversas pistas de uma via expressa a ciclovia tem nos acessos mais do que um calcanhar de Aquiles, uma perna inteira. Serão inicialmente apenas dois acessos já prontos que serão adaptados. Um na vila Olímpia por uma passarela de serviço e outro em Jurubatuba.

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Passarela na Vila Olímpia

Uma das demandas dos ciclistas em relação a essa nova via expressa para bicicletas (a mais longa a ser implantada em São Paulo) é justamente como inserir o fluxo de bicicletas nessa via segregada. A maneira como o espaço segregado para os ciclistas irá dialogar com o resto do tecido urbano é ponto chave para o sucesso do projeto. A cidade (e os ciclistas) seriam beneficiados se passos fossem dados em relação a equacionar o fluxo de pedestres (e de bicicletas) em todos as pontes do rio Pinheiros. Além disso, o positivo investimento em infraestrutura cicloviária deve vir junto de campanhas educativas pela segurança viária para além da ciclovia.

O Rio de Janeiro e as ciclovias na beira da orla são um bom exemplo da necessidade de compatibilizar infraestrutura e campanhas educativas. Ciclistas precisam saber como se portar em uma via exclusiva para eles e ao mesmo tempo (e mais importante), o motorista precisa saber que o fluxo de bicicletas vai além das ciclovias e tem direito e prioridade no uso de todas as ruas da cidade. Na cidade maravilhosa o fluxo de bicicletas só agora começa a ganhar nas ruas o respeito previsto em lei.

Enquanto isso, o rio Pinheiros continua lindo.

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Capivaras a beira do rio Pinheiros

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Documento aberto de sugestões de ciclistas para a obra.

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4 comentários para E o rio Pinheiros continua sendo…

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  3. Maravilhoso este post. Falei sobre isso no blog da Renata Falzoni. O Paulistano é o que mais sofre com o apocalipse motorizado e suas autoridades são as mais difíceis de se convencer de que a aposta numa solução que não inclua os diversos modais de transporte é uma aposta perdida.
    Considero uma vitória a ciclovia, sendo a maior da cidade, pena que esteja se tornando muito mais uma pista de treino do que uma solução para melhorar a mobilidade urbana.
    De qualquer forma, acho que São Paulo tem tanta gente, e tanta gente que ama a bicicleta, que será uma questão de tempo até construírem novos acessos para a ciclovia da Marginal.
    Aliás, acho que a inclusão da bicicleta como um modal importante e valorizado pelas políticas públicas é apenas uma questão de tempo. E diferentemente de educação básica, saneamento e outras pendengas de um país de terceiro mundo, o investimento no modal ciclístico é barato. Se pensarmos em quanto os governos investem em transporte rodoviário em todas as esferas de governo, aí então é que vira uma pechincha.
    O processo cicloviário do Rio de Janeiro já começou há muitos anos e também cometeu muitos erros no princípio. Temos aqui uma ciclovia que faz uma ligação importante na cidade (Praia de Botafogo -- Humaitá) que foi uma das primeiras a ser construída, ainda no Governo Conde. Hoje ela está condenada e ainda estamos esperando que um novo projeto seja feito para a região. É uma ciclovia extremamente mal projetada que simplesmente não funciona.
    Repito, tenho certeza que em Sampa, o paulistano vai fazer a diferença e esta ciclovia, mesmo imperfeita no seu nascedouro, ajudará as autoridades a perceberem que o futuro está na bike.
    Abs!
    Paulo
    O Bicicletista

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