Blog da Transporte Ativo
11nov/090

Independência Energética

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Nos momentos de crise, quanto mais simples, melhor. Diversos estados brasileiros e o Paraguai ficaram sem fornecimento de energia elétrica no final da noite do dia 10 de novembro. Milhões de brasileiros nas maiores cidades e também nas bem pequenas foram afetados. Dramas particulares se avolumaram com pessoas presas em elevadores, ou tendo de caminhar por trilhos desenergizados.

Foi um momento de crise emergencial em que pequenas coisas tinham valor fundamental para apaziguar e tranquilizar os ânimos. Tragédias de grandes proporções aparecem com frequência nas telas de cinema. Um apagão não é uma grande tragédia, mas, assim como os filmes, reforça o valor das coisas mais simples. Aquelas que mais se pode depender nos momentos de crise.

Pedestres, passageiros dos trens e metrô estavam sempre melhores em grupo do que isolados. O mesmo com as famílias dentro de suas casas as escuras. Para obter informações o mais simples meio de comunicação de massa ao vivo, o bom e velho rádio. Para quem precisou se deslocar pelas ruas, a bicicleta foi a melhor solução, bastou ativar o dínamo ou ligar os fárois e pedalar com cautela em meio ao breu urbano.

O mundo tornou-se complexo, mas a natureza humana é simples e continua sendo a mesma desde a pré-história. Em caso de crise, dependemos da nossa capacidade de nos mantermos unidos em um objetivo comum, de termos as informações que precisamos e os meios de deslocamento para chegar ao nosso destino. A lição é que quanto mais complexas e dependentes de energia externa forem nossas ferramentas, menor será nossa indepedência.

Portanto em caso de apagão, ative o dínamo para acender luzes e ouvir o rádio. Já para os deslocamentos, mantenha sua bicicleta em perfeitas condições de uso, sempre.

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As fotos desse post foram feitas em apagões parciais na cidade de São Paulo.

Mais:
- E você, como foi de blecaute? - Luddista, Apocalipse Motorizado
- Sem luz: Prefeitura mantém rodízio de carros, hoje - Milton Jung, CBN-SP

10nov/096

O Ciclista que Calculava

A cyclist using a cycle

Foto: The Guardian

Quantidade de bicicletas para cada grupo de 1.000 pessoas (1990)
Nos Estados Unidos...385
Na Alemanha..............588
Na Holanda..............1.000

Percentual de viagens urbanas feitas em bicicleta (1995)
nos Estados Unidos...1%
na Alemanha.............12%
na Holanda................28%

Percentual dos adultos que sofrem de obesidade (2003)
nos Estados Unidos...30,6%
na Alemanha..............12,9%
na Holanda.................10,0%

Percentual da despesa total com saúde em relação ao PIB (2002)
nos Estados Unidos...14,6%
na Alemanha..............10,9%
na Holanda...................8,8%

Quantidade de pessoas que podem se deslocar no espaço equivalente a um metro de largura, em 1 hora:
Automóvel........170
Bicicleta.........1.500
Ônibus............2.700
Pedestre........3.600
Trem/metrô...4.000

Energia gasta por passageiro/milha (em calorias):
Automóvel....1.860
Ônibus..............920
Trem.................885
Pedestre..........100
Bicicleta.............35

  • Publicado em 2006 pela World Watch Magazine.
  • 6nov/091

    Teoria do Ovo

    num mercado vietnamita
    Foto: Cycling in Vietnam

    A bicicleta é o veículo urbano mais eficiente.

    Esta comparação entre meios de transportes exige cálculos complexos. A eficiência pode ser medida em termos de consumo por unidade de distância por veículo, consumo por unidade de distância por passageiro ou consumo por unidade de distância por unidade de carga transportada. Pode-se medir também redução de gastos e impacto nos orçamentos da sociedade, empresas ou pessoas.

    Há um complicador nestas equações comparativas, que é o fato dos combustíveis utilizados serem diferentes. Trens, automóveis e ônibus usam combustíveis fósseis. O combustível de bicicletas e pedestres é um café da manhã ou um almoço e uma taça de sorvete. É preciso fazer uma matriz de conversão para consumo calórico, em joules ou watts, e mesmo assim os cálculos comparativos exigem algum esforço de compreensão.

    De um modo mais simples e direto, podemos usar a teoria do ovo para comparar a eficiência energética entre os meios de transportes urbanos. Veja neste novo folheto produzido pela TA.

    mais:

  • Fuel efficiency in transportation
  • The Impact of Transport on the Environment
  • Eggsplanation
  • 5nov/093

    Pedaladas Rotineiras

    Contagem Rodolfo Dantas

    04 de Junho de 2009 - 11:04

    As contagens em Copacabana tem aumentado o banco de fotos da Transporte Ativo, mas principalmente nos ensinado sobre a regularidade e possibilitado conhecer os hábitos de alguns ciclistas que ficaram "famosos". A feliz coincidência de rever em fotos os mesmos ciclistas mostra que a rota tem usuários rotineiros, sempre presentes.

    Contagem Rodolfo Dantas

    05 de Novembro de 2009 - 09:00

    Contagem Rodolfo Dantas

    04 de Junho de 2009 - 11:31

    Por hora os números apontam que não houve grande variação no fluxo de ciclistas na Rodolfo Dantas antes e depois da implementação da sinalização da faixa compartilhada. Pode-se no entanto auferir que a segurança viária percebida pelos ciclistas melhorou ou manteve-se igual. Rotas de bairro são usadas em viagens mais curtas e o fluxo é majoritariamente local, as variações dos números tendem a aparecer em um prazo mais longo. Mas ao menos um ciclista passou a sorrir mais.
    Contagem Rodolfo Dantas

    05 de Novembro de 2009 - 09:15

    Em breve o relatório completo. Ambas as contagens fazem parte de uma parceria entre a Transporte Ativo e o ITDP. Saiba mais sobre a primeira contagem na Rodolfo Dantas.

    3nov/091

    Um Plano Cicloviário em Lei

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    São Paulo foi pioneira na consolidação de uma lei que dispunha sobre a criação de um sistema cicloviário. Uma maneira de o poder legislativo municipal exercer pressão em prol do uso da bicicleta na cidade. No entanto leis precisam também de adaptações a novas conjunturas e por conta disso foi redigida uma nova lei para melhorar a antiga.

    O novo texto com as contribuições de melhorias foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo, recebeu a numeração de Projeto de Lei (PL) 655/2009, e traz algumas novidades complementando a criação do Sistema Cicloviário do Município de São Paulo como:

    - Equiparação dos triciclos não motorizados a bicicleta;
    - Permissão por lei de transporte de bicicletas dobráveis em trem, metro e ônibus;
    - Convênios com municípios vizinhos na implantação de projetos de melhoramentos cicloviários criando ciclovias intermunicipais;
    - Definição de instalação de paraciclos no formato “U” ao contrário, devido ao formato “grelha” danificar bicicletas;
    -Ampliação de locais e estabelecimentos que devem prever áreas para estacionamentos de bicicletas;
    - Criação do Conselho Municipal de Melhoramentos Cicloviários, composto pelos membros do atual Pró-Cliclista e sociedade civil organizada, de forma deliberativa;
    - Estabelecimento de prazo para adequação da em 360 dias;
    - Criação de penalidades em casos de inobservância da lei.

    Mesmo já apresentado, o PL ainda está em debate e novas alterações poderão ser incorporadas antes da votação. Já está inclusive programada uma Audiência Pública onde a sociedade está convidada uma vez mais a debater e propor mudanças ao projeto.

    São Paulo já tem quase 15 mil leis, praticamente uma por quilômetro de viário. Para que a nova lei do Plano Cicloviário não fique "na gaveta", a participação e o debate do Projeto de Lei é fundamental, afinal o legislativo responde sempre a demandas populares. A voz dos ciclistas tem portanto uma boa oportunidade de ser ouvida.

    O texto do PL foi posto em debate na última reunião da Comissão de Bicicletas da ANTP e os participantes já estão em contato com o Gabinete do Vereador Chico Macena para melhorar o que for possível. Fica o convite para os ciclistas, paulistanos ou não, para colaborar na melhoria da futura lei. Mais do que um simples PL, o texto tem sido reproduzido (no todo ou em parte) em outras cidades e tem potencial para sair da câmara da capital paulista e ajuda a definir melhores políticas cicloviárias pelo Brasil afora.