Prazeres noturnos

Sob a luz da Lua

A madrugada é capaz de maximizar os efeitos positivos e viciantes de ser ciclista. Lançar-se nas ruas e avenidas tranquilas da madrugada é sentir o silêncio da noite e apreciar a liberdade dentro do espaço de circulação que durante outros horários parece sempre apertado e por vezes até um grande estacionamento.

A noite permite ao ciclista olhar para uma grande e ampla avenida e em silêncio voar por ela. Discretamente fluir tendo à frente a amplitude urbana. É possível abrir os braços e sentir que há apenas o vento. A mente ilude o corpo a acreditar no voo imaginário que é pedalar sem barreiras. E então, a bicicleta simplesmente deixa de existir.

Quando a bicicleta se torna apenas um simples instrumento torna-se possível imaginar outras cidades possíveis em que mais silêncio, mais conversas, mais interação e mais prazer possam acontecer sobre as mantas de asfalto que revestem o espaço de circulação urbano.

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2 comentários para Prazeres noturnos

  1. Pedalar aqui entre 4:30 e 6h da manhã, eu chamo de A GRANDE CICLOVIA DO RECIFE. Aqui vivem querem fazer mais vias, mais pontes, mais viadutos, mas inumeras vezes o que não se percebe é que já disposmos de larguissimas avenidas, com 4 ou 5 faixas de rolamento. O que pede mais vias na verdade deveria pedir menos carros. Pedalando de madrugada, pelo menos 2x por semana, vemos como a cidade é vasta, ampla, arejada. Pena que 2h depois, o inferno baixa nela!

  2. “mais prazer possam acontecer sobre as mantas de asfalto que revestem o espaço de circulação urbano.”

    ou SEM asfalto, já que menos carros significa poder optar por outros revestimentos de assoalho, menos monótonos e que reflitam menos o calor do sol e absorvam mais a chuva: adobes, pedra-portuguesa, saibro, blocos premoldados de concreto em encaixe, etc.

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