Crianças à solta

Foto: Katherine Rooney/Sustrans ©Sustrans

O enorme aumento na velocidade e volume do tráfego motorizado tem aprisionado as crianças dentro de casa ou em carros para serem levados de um lugar a outro. Para os pais, o perigo do tráfego é uma preocupação duas vezes maior do que o “medo de estranhos”.

Sete em cada dez adultos de hoje tiveram suas aventuras ao ar livre em ambientes naturais. Apenas 29% das crianças de hoje têm uma experiência semelhante e muitas delas brincam em áreas delimitadas.

Na hora do rush da manhã, um em cada cinco carros nas ruas estão levando crianças para a escola em trechos de 3 kms, em média. Apenas 7% desses motoristas estão dando carona aos filhos no caminho ao trabalho – a esmagadora maioria dos carros vai à escola e volta direto para casa.

A redução na mobilidade das crianças tem sido associada a maiores taxas de obesidade, autoconfiança diminuída e resiliência emocional enfraquecida.

As crianças gostam de brincar. Além de ser divertido, é vital para o seu desenvolvimento físico, social e emocional. Brincar é tão importante que é um direito humano ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.

Jogos ativos ao ar livre – correr, saltar, escalar, perseguir – são uma das melhores maneiras das crianças permanecerem fisicamente ativas porque é divertido e eles esquecem que na verdade estão se exercitando!

Pensando nisto, a Sustrans lançou o programa Free Range Kids.

Maior entidade britância de incentivo ao transporte sustentável, a Sustrans foi a primeira a lançar as rotas seguras para a escola. Agora, aposta em algo maior, acredita que é hora de mudar não só o modo como se vai à escola, mas o atual estilo de vida das crianças.

Nós da TA também acreditamos que toda criança merece viver à solta para ter mais saúde, felicidade e bem-estar. Por isto, conseguimos autorização da Sustrans e estamos lançando, com exclusividade, o folheto Crianças ao ar livre. Trata-se de uma compilação dos princípios do programa Free Range Kids, com fatos e dados numéricos.

Esperamos que seja mais uma contribuição nossa para recolocar o direito à liberdade no coração das crianças.

Baixe o folheto aqui

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5 comentários para Crianças à solta

  1. Max diz:

    Eu concordo integralmente com o folheto mas uma coisa me chamou a atenção: ele foi escrito para a realidade britânica. Creio que no Brasil a preocupação com estranhos -- se considerarmos essa preocupação no sentido mais amplo da segurança como um todo -- é muito mais presente, ao menos nas grandes cidades. Moro em Brasília e eu me sentiria confortável em deixar meu filho brincar sozinho se somente a questão do trânsito fosse levada em consideração. Mas não posso fazê-lo pois nossas cidades se tornaram terra de ninguém.

  2. Fabricio diz:

    Perfeita a iniciativa. Tenho esperança de que quando for idoso poderei contar com vergonha às crianças da época sobre como as crianças do meu tempo ficavam aprisionadas em casa.

  3. cândida diz:

    Sou representante d euma escola e gostaria de apoiar essa iniciativa,mas como podemos incentivar a circulação das nossas crianças na rua se o nível de violência na nossa cidade só cresce?Estou aberta a pensar ,junto com vocês, e possibilidades.

  4. Pingback:Anônimo

  5. fernando braga diz:

    infelizmente nossa realidade é um pouco diferente da britanica a questao seguranca ainda fala mais alto no que se refere a violencia urbana, é comum vermos pais optarem a dar a seus filhos umvideo game em detrimento a uma bike skate ou patins em funcao dos assaltos e outros roubos. no mais este seria o ideal.para a formacao completa de nossas criancas.

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