Bicicleta, qualidade e quantidade

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Os benefícios qualitativos da bicicleta estão e sempre estiveram postos, é preciso agora buscar os quantitativos.

Cada pessoa que por si só toma a decisão de dar a primeira pedalada, representa uma vitória emblemática contra a inércia. Mas é justamente isso, uma vitória individual, um momento de inspiração e motivação que que inicia um novo ciclo. Pode ser apenas a ida até a esquina para comprar pão, um passeio na ciclovia ou o deslocamento até o trabalho. Há sempre a vitória contra todas as forças físicas que mantém a bicicleta e o ciclista parados.

Há forças que agem nos indivíduos e suas máquinas, e uma força ainda mais forte é aquela que mantém um grande número de pessoas no mesmo estado de movimento, paradas. Lidar com forças coletivas requer naturalmente impulsos individuais, mas não é algo que possa se basear só nisso.

São Paulo, mas também o Brasil e o mundo, vivem um momento fundamental de quebra de inércia coletiva. Cada cidade está em um estágio na construção do movimento revolucionário de expansão do uso dos espaços públicos pelas pessoas. A prioridade para a circulação humana é uma necessidade do nosso tempo, um desafio herdado do século XX e que precisa ser encarado coletivamente. E coletivamente só é possível haver mudanças tendo a bicicleta no cardápio de todos os que queiram usá-la.

A figura do ciclista urbano como o destemido aventureiro das ruas e avenidas brasileiras está, espera-se, com os dias contados. Quando pedalar for a opção mais gostosa, rápida e segura para qualquer pessoa, deixará de haver a divisão entre ciclistas apocalípticos e integrados. Voltaremos a ter cidades que cumprem sua função, servem aos que nela vivem.

É sempre bom lembrar que a inércia depois de vencida, tende a manter o movimento. Com a expansão de infraestruturas cicloviárias nas cidades brasileiras, o desafio deixa de ser a vitória contra a falta de ação e passa a ser um constante equilíbrio face as diversas resistências.

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