Ciclistas no Corte Cantagalo

Três anos após a primeira contagem de ciclistas no Corte Cantagalo, em Copacabana, em 2008, a Transporte Ativo voltou ao local para fazer nova contagem e checar o que mudou. As mudanças foram poucas, mas para um local sem infraestrutura para o ciclista e em ladeira os números permanecem surpreendentes. Confira os resultados da II Contagem de Ciclistas no Corte Cantagalo aqui.

O levantamento de dados sobre o uso da bicicleta em sua cidade é sempre um fator de grande importancia para o convencimento de autoridades de trânsito de que algo precisa ser feito em relação à circulação segura de bicicletas nas cidades. Para realizar uma contagem em sua cidade, entre em contato ou leia o manual de contagens fotograficas de bicicletas elaborado pela Transporte Ativo.
A economia da bicicleta

A expansão do setor de bicicletas na economia britânica ganhou as manchetes esta semana com um relatório de 24 páginas da London School of Economics que colocou a bicicleta no centro das atenções. Martti Tulenheimo, da Federação Europeia de Ciclistas comenta a notícia.
Os benefícios econômicos da bicicleta, dos quais temos falado já algum tempo, finalmente chegou às manchetes. O guru da indústria de bicicletas, Carlton Reid, da Bike Biz, divulgou que o setor de bicicletas em Londres está vivendo um boom econômico, assim como noticiou a BBC, The Guardian, Bike Europe e uma série de outras agências de notícias. David Suzuki também foi no mesmo barco com um artigo sobre como as bicicletas geram benefícios econômicos.
Como defensores da bicicleta, estamos falando de uma “economia da bicicleta” há algum tempo. Para mim, o achado mais valioso deste estudo recente é ter identificado como andar de bicicleta ajuda a economia, pela poupança que faz, especialmente num momento em que a UE está gritando por medidas de austeridade. O relatório aponta para essa poupança muito claramente ao afirmar que ciclistas proporcionam uma poupança de £2 bilhões ao reduzirem os dias presumidos de licença médica na próxima década.
Talvez eu esteja afirmando o óbvio, mas deixe-me dizer novamente: andar de bicicleta = tempo e dinheiro economizados; ao passo que uma cultura dominada pelo automóvel = enorme desperdício de dinheiro e tempo jogados fora nos congestionamentos. Os custos de saúde devido a um estilo de vida sedentário e a construção de infraestruturas rodoviárias são extremamente caros para as sociedades.
Escrevendo sobre o assunto, Bikeradar disse muito ponderadamente que: "Um aumento de somente 20 por cento nos níveis atuais de uso da bicicleta até 2015 poderia salvar 207 milhões de libras com redução de congestionamentos e 71 milhões de libras diminuindo a poluição. Afirma-se também que há um potencial econômico inexplorado, de cerca de 516 milhões de libras, de pessoas esperando para começar a pedalar, com barreiras que precisam ser quebradas, como segurança das ruas e autoconfiança. É essencial agora que a indústria ponha foco na conversão de muitos ciclistas ocasionais, inativos ou de lazer em usuários regulares e frequentes da bicicleta como meio de transporte."
Assim, investir em infraestrutura para bicicletas com certeza traz benefícios rentáveis. De fato, a economia da bicicleta é um fenômeno que a Holanda já tem explorado em benefício próprio há anos. De acordo com um relatório recente, € 100 milhões serão investidos em vias para bicicletas, o que levará a futuros lucros anuais de pelo menos € 144 milhões em redução no tempo de deslocamento, melhor saúde e benefícios ambientais. Em outras palavras, os holandeses sabem que estão sentados em uma mina de ouro. O Reino Unido está começando a acordar para este fato. E quanto ao resto do mundo?
Chega de conversa. É hora de você fazer sua lição de casa, e navegar pela lista de estudos sobre os benefícios econômicos da bicicleta, cuidadosamente reunidos por Bike Portland.
Texto traduzido do original publicado pela ECF.
Bicicletários e equipamentos culturais
Quem pedala também gosta de cultura e usa a bicicleta como meio de transporte para ir até equipamentos de lazer. Atender ao ciclista e recebe-lo já está inclusive previsto na legislação municipal. A lei 14.266/2007 diz que:
Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios
públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios,
parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir
locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos
como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.
Mas lei no papel é letra morta e vale sempre à pena ir verificar como o ciclista é recebido. Foi esse o propósito do vídeo que tem Aline Cavalcante (@pedaline) como protagonista.
Mover-se, aprender e comer
Um pouco de inspiração para começar a semana. Em um tradução livre das palavras dos autores do vídeo:
Três amigos vivenciaram diversas partes do mundo, foram 44 dias, 11 países, 18 vôos, mais de 60 mil quilometros, um vulcão em erupção, 2 cameras e quase um terabyte de imagens. Tudo girou ao redor de três conceitos: movimento, aprendizado e comida.
As milhões de visualizações dos vídeos comprovam o sucesso da jornada. A trilogia é composta dos vídeos MOVE, LEARN e EAT, peças publicitárias feitas por encomenda para um site de passagens promocionais australiano.
O gigante chinês
Para resolver os problemas de mobilidade nas grandes cidades do mundo, é preciso oferecer opções cômodas, rápidas e seguras. Um exemplo chinês ajuda a visualizar como um bom projeto em prol da bicicleta rende frutos para melhorar a mobilidade de uma cidade inteira.
O sistema de bicicleta públicas de Hangzhou, uma cidade no sudeste da China, já começou grande: tinha 2.800 bicicletas e 61 estações. O serviço foi lançado em maio de 2008 para uma população de cerca de sete milhões de pessoas.
Hoje, passados três anos, Hangzhou tem o sistema de bicicletas públicas que mais cresceu em todo o mundo: 2.050 estações e 51.500 bicicletas, que são utilizadas diariamente por 240 mil cidadãos, com picos de 320 mil viagens por dia.
O sucesso está no fato de que há uma verdadeira integração entre o sistema de bicicletas e a rede de transportes públicos. Após usar a bicicleta, o usuário tem até 90 minutos para pegar um ônibus, dentro da mesma tarifa. As estações de bicicletas estão a pouca distância entre elas – 200 a 300 metros, no centro da cidade – e a primeira hora de utilização é gratuita. Estes são outros dois fatores que fazem de Hangzhou um caso de estudo de sucesso global.
O sistema de bicicletas públicas obteve a maior taxa de satisfação entre todos os projetos desenvolvidos na cidade. Os cidadãos afirmam que, com o crescente tráfego e congestionamentos, as bicicletas tornam as viagens mais rápidas e convenientes.
Para melhorar a mobilidade na cidade chinesa, a previsão é que sejam 175 mil bicicletas públicas até 2020.
Confira no vídeo (em inglês):
The Biggest, Baddest Bike-Share in the World: Hangzhou China from Streetfilms on Vimeo.
The Difference campaign
Please compare:
click on images to see full-size
These advertisements were created and produced by Mikael Correa, a Brazilian adman.
He is also an urban bicyclist and designed the campaign with the purpose of making a comparison, through images, between motorized and human transportation, and the consequences of our choices not only for the environment but for our own life.
Mikael has kindly donated these three posters and ads to Associação Transporte Ativo. See more about us here.
In our opinion, the advertisements are brilliant, a mix of subtle intelligence and fine mood. We are extremely grateful. Like Mikael, our actions are focused on contributing to raise bicycle awareness. The ads are going to be a first-rate way of doing that.
And about you: have you ever made a comparative test in your day-to-day living?
Bicibus: de bicicleta para a escola

Um bicibus é uma reunião de crianças, em grupos, para irem juntos de bicicleta para a escola (por vezes também ao jardim de infância). Normalmente, as crianças mais novas são acompanhadas por adultos. O bicibus é uma boa alternativa para substituir o hábito de levar as crianças à escola de carro, especialmente quando o medo de acidentes e alegações de segurança de trânsito são os principais motivos dos pais não deixarem seus filhos pedalarem nas ruas.

Andar de bicicleta dá às crianças uma chance de serem mais ativas fisicamente, de melhorar suas habilidades de convivência no trânsito urbano, e de aprender mais sobre seu meio ambiente. Ir de bicicleta para a escola é também uma oportunidade de explorar um território mais vasto na comunidade e experimentar uma crescente independência e responsabilidade, à medida que as crianças crescem.
Normalmente, o bicibus é mais efetivo quando implementado como parte de um Plano de Mobilidade Escolar. Este Plano geralmente é estabelecido com a participação de professores, pais e autoridades locais, a fim de incentivar os pais a não levarem seus filhos à escola de carro. As crianças são integradas ao Plano por meio de atividades educativas centradas na segurança de trânsito e comportamentos pró-ambientais. Este plano de mobilidade escolar geralmente inclui diversas ações, como a criação de rotas mais seguras e o redesenho das áreas proximas da escola, a elaboração de jogos de mobilidade para as crianças, ou a organização de uma central de carona com os pais.
Impacto
A redução do uso do carro pode chegar a 30%, dependendo do grau de comprometimento de todos os envolvidos no processo (escola, pais, crianças, polícia de trânsito, autoridades municipais).
Caminhos para o sucesso
Um bicibus precisa de um forte envolvimento de muitos parceiros: a prefeitura, o conselho da escola, professores, pais e, claro, as próprias crianças! Concebido como um projeto de ensino em matéria de segurança de trânsito, mas também abordando os impactos sobre a mudança climática, o bicibus pode ter um impacto de longo prazo sobre a juventude.

Quando implantada como parte de um plano de mobilidade da escola, a medida pode ser mais eficaz ser for aplicada juntamente com um programa de treinamento para andar de bicicleta. Com isto, um maior número de crianças indo de bicicleta para a escola deve ser esperado.
A localização da escola e seu entorno podem ter um impacto significativo na percepção da segurança do trânsito e no número de veículos. Melhorar as condições para se andar a pé ou de bicicleta nas áreas de aproximação da escola e aumentar a proximidade entre escolas e zonas residenciais aumenta o número de viagens ativas e reduz os deslocamentos com automóvel.
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Possíveis obstáculos
Os pais muitas vezes citam questões de segurança como um dos principais motivos para ficarem relutantes em permitir que seus filhos pedalem de bicicleta para a escola. Fornecer supervisão de um adulto em todo o trajeto pode ajudar a reduzir essas preocupações. Os benefícios podem ser percebidos mais facilmente pelas as famílias que moram a uma distância que dê para ir de bicicleta para a creche ou a escola.
Problemas podem aparecer quando o bicibus conta com a participação voluntária dos pais. Isto exige esforço contínuo para recrutar novos voluntários a cada ano, quando as crianças deixam a creche ou escola primária.
Os custos da medida
Um bicibus não implica custos elevados, uma vez que a maioria das ações consiste em organizar os trajetos para reunir as crianças, com a ajuda voluntária dos pais.
texto traduzido de: European Plataform on Mobility Management, com adaptações
em inglês, usa-se a expressão cycling bus. A tradução literal seria "ônibus-bicicleta", mas, como o conceito é novo em língua portuguesa, optamos por adotar o termo bicibus, que é mais simples, segue o uso já consolidado nas línguas latinas como o italiano e o espanhol, e tem tudo a ver. Começa com BICIcleta, que é como se inicia a pedalada, e termina como um ôniBUS, com várias bicicletas pedalando juntas. Na implantação de futuros projetos, nomes criativos podem ser adotados: biciclétibus, ciclobus, onibicicleta. O importante é a ideia e sempre ouvir a criançada!
Pedalando para o trabalho

A organização norte-americana Pedestrian and Bicycle Information Center (PBIC) lançou um site muito bem feito e organizado, com recursos e orientações sobre como usar a bicicleta como transporte urbano durante o ano todo.
Andar de bicicleta é uma forma divertida de andar pela cidade e, ao mesmo tempo, aumentar a atividade física diária, reduzir o congestionamento das ruas, ajudar o meio ambiente e ainda poupar dinheiro! Enquanto o custo anual de ter e manter um carro, nos Estados Unidos, chega a mais de $9.000 dólares, ou 18 por cento da renda anual da classe média, possuir e manter uma bicicleta pode custar tão pouco quanto $ 120 dólares ao ano.
O novo site - www.biketoworkinfo.org – tem como objetivo fornecer recursos para ciclistas urbanos iniciantes e experientes e também para todos que querem promover o uso da bicicleta. Visite o site e baixe planilhas para organização de eventos, dicas para os uso individual da bicicleta, bem como informações para empregadores e patrocinadores. Dois bons exemplos de documentos disponíveis:
- quando as pessoas pedalam, coisas boas acontecem, com dados estatísticos convincentes (em inglês)
- guia básico para ir de bicicleta ao trabalho, destinado a quem quer começar a pedalar
Mesmo que esteja todo em inglês, vale a pena conferir pelo menos a galeria de fotos grátis. A foto acima foi retirada de lá.
Na seção "Programs in Motion " pode-se ler sobre histórias de sucesso dos projetos Bike to Work por todo os Estados Unidos. O site também oferece um fórum de discussão, que pretende ser um espaço onde sejam trocadas ideias sobre como conseguir que um projeto “Pedalando para o Trabalho” saia do papel ou qual o melhor caminho pra fazer um evento de sucesso.
Maio é o Mês Nacional da Bicicleta nos Estados Unidos, coordenado pela League of American Bicyclists (Liga Americana de Ciclistas). Estão previstas várias atividades, entre elas a Bike-to-Work Week, na semana de 16 a 20 de maio. Este ano, o Bike-to-Work Day, nos EUA, será na sexta-feira, 20 de maio.
Enquanto uns tentam, outros fazem.
A mobilidade é uma necessidade diária de todas as pessoas e a falta dela é um problema complexo, que afeta a imensa maioria dos moradores de cidades grandes e até médias. Há muitas soluções e a bicicleta já está à mão, resolve o transporte a curtas distâncias de imediato e é barato incentivar. Vamos pedalar?






