Tombos em bicicleta

Com apenas duas rodas, a bicicleta precisa estar sempre em movimento para manter-se de pé. E quedas de ciclistas podem mostrar importantes lições importantes sobre a segurança das magrelas.

Notícias na imprensa de ciclistas mortos, feridos e mutilados ganham grande destaque, mas ignoram um elemento fundamental, a bicicleta como veículo intrinsecamente seguro.

A bicicleta é personagem das bordas do trânsito, com a presença massiva de veículos automotores, o ciclista que se move em ambiente opressivo fica mais exposto.

Ocorrências graves com ciclistas precisam da presença de ao menos um dos dois elementos para acontecer, altas velocidades ou grandes massa de peso. Um ciclista sozinho costuma se machuca com mais gravidade quanto cruza em alta velocidade por estradas ou trilhas.

Já o trânsito urbano tem excesso dos dois elementos agravadores de risco para os ciclistas, velocidade e grandes massas de peso. Sem controle, o fluxo de motorizados implica em graves consequências para ciclistas no trânsito, mas principalmente para pedestres, as maiores vitimas nas ruas.

Apenas para dados comparativos, para cada ciclista morto nas ruas de São Paulo, foram 10 pedestres vitimados por altas velocidades, grandes massas de peso que costumam se somar a imprudência.

Falar sobre segurança para ciclistas portanto é abordar a urgente humanização das ruas e as necessárias medidas para compatibilizar os fluxos viários com a vida nas cidades.

Sozinha a bicicleta é intrinsecamente segura, qualquer discussão que atente contra essa prerrogativa é falaciosa e depõe contra o desejo dos que vivem nas cidades e desejam perecer de causas naturais.

Fórum Internacional de Mobilidade Urbana

Nos dias 03 e 04 de abril de 2013, a Transporte Ativo esteve presente no Fórum Internacional de Mobilidade Urbana que aconteceu no Hotel Majestic em Florianópolis, Santa Catarina.

O Fórum contou com a participação de Gil Peñalosa do 8-80 Cities, do Canadá, e Ton Daggers da rede Cities for Mobility, da Holanda, além de outros especialistas e representantes de empresas do ramo.

Ambos os dias foram repletos de palestras onde foram relatados exemplos e estudos de caso sobre mobilidade urbana em diferentes localidades. Também foram realizadas apresentações sobre variadas soluções de transporte de massa aplicadas em diversos lugares do mundo e novas possibilidades para velhas e já conhecidas tecnologias, como monotrilhos e teleféricos.

A mobilidade por bicicletas foi tema central da palestra proferida pelo holandês Ton Raggers que apresentou e defendeu a utilização das bicicletas PEDELC, as “elétricas de pedal assistido” como são conhecidas aqui no Brasil, para a promoção e difusão da bicicleta como meio de transporte de cargas e pessoas. Tratou também da importância da bicicleta como parte de um sistema de transporte público, falou sobre as rodovias para bicicletas e encerrou sua explanação concluindo que é necessário treinamento e capacitação, dos técnicos e decisores públicos, para implantação de um cenário favorável a mobilidade por bicicleta nas cidades.

Prêmio visionários em bicicleta

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Acontecerá em Viena, de 11 a 16 de junho de 2013 o Velo City, a maior conferência de promotores ao uso da bicicleta do mundo.

O tema desse ano é a cultura urbana do uso da bicicleta e com muito orgulho, nós da Transporte Ativo estamos concorrendo com o Cycling Visionaries Awards, ou em tradução livre, o prêmio visionários da bicicleta.

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A votação é simples e vai só até o dia 15 de abril. Basta inserir o email e clicar em “Vote Now”, depois confirmar o voto no email recebido.

Estamos concorrendo com 4 projetos:

  1. O Mapa Colaborativo
  2. A contagem de bicicletas de carga
  3. A contagem fotográfica de ciclistas
  4. Uma visão sobre o futuro da bicicleta no Rio de Janeiro

Existem diversas outras iniciativas interessantes e cada pessoa pode votar em quantos projetos quiser (com apenas um voto). Pedalemos!

Quem é o ciclista brasileiro

Projeto transite – http://catarse.me/pt/transite.

Tem muita gente que pedala Brasil afora. A frota de bicicletas passa das dezenas de milhões, mas toda magrela precisa de um ciclista. Conhecer esses ciclistas será a missão do Felipe Baenninger no projeto Transite.

E o registro dos ciclistas brasileiros vai virar um livro, mas o projeto só se concretiza com o apoio prévio, é o financiamento coletivo em prol da arte em bicicleta. Fica lançado o convite para que todos colaborem e ajudem ao Felipe nessa aventura exploratória.

Um encontro em prol da bicicleta no Brasil

Foto: Luciano Aranha - Ciclourbano

Foto: Luciano Aranha – Ciclourbano

O workshop “A promoção ao uso da bicicleta no Brasil” começou com doze horas de contagem de ciclistas. Foi trabalho, mas também socialização e aprendizado dentre as 15 organizações participantes.

Durante a contagem, foi possível que os participantes pudessem se conhecer e conhecer também um pouco de como a Transporte Ativo trabalha, com simplicidade e eficiência.

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O primeiro dia de palestras começou com a participação do poder público municipal. Conversamos com o secretário Municipal de Transportes Carlos Osório e o subsecretário do Meio Ambiente Altamirando Moraes. Ambos falaram sobre a importância que a bicicleta ganhou nos últimos anos para a cidade e também sobre o papel fundamental que a sociedade civil tem como impulsionadora da mobilidade em bicicleta.

Ainda na manhã do primeiro dia aprendemos sobre a vibração que produz mudanças com o Luiz Felipe Carvalho da PUC-Rio, soubemos como funcionam as parcerias entre organizações do terceiro setor com Clarisse Linke do ITDP-Brasil e por fim Carolina Rivas nos falou sobre como o banco Itaú-Unibanco, patrocionador do evento, forma parcerias com atores relevantes do terceiro setor.

A tarde do primeiro dia foi reservada para a apresentação de quem faz a Transporte Ativo bem como de algumas das metodologias de trabalho.

O segundo dia premiou a todos com as apresentações dos quatro grupos selecionados para participar do workshop com todas as despesas pagas. Eles trouxeram um pouco da sua realidade local e o papel que buscam desempenhar em suas cidades para aumentar o número de ciclistas nas ruas.

Ao final do dia, alguns dos ciclistas fizeram um tour da infraestrutura cicloviária da Tijuca, na Zona Norte do Rio, numa pedalada de aproximadamente 30 quilômetros por ruas, ciclovias e ciclofaixas cariocas.

O evento agora segue, e cabe a cada um dos participantes disseminar aquilo que aprendeu para os ciclistas em suas cidades. Reforçar os caminhos corretos percorridos até aqui e a força que temos juntos para mudar a realidade atual.

A sociedade civil tem uma força fundamental e com foco, parcerias e organização, é capaz de impulsionar as mudanças que tantos querem, e precisam, na realidade das nossas cidades, sem esperar passivamente os esforços governamentais, mas pressionar para que a administração pública abrace cada vez mais a bicicleta.

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Leia como foi a contagem na Figueiredo de Magalhães. Leia a cobertura no portal Mobilize, o relato da Ciclo Urbano e o relato do Kiko Zaninetti – Btt Geraes.

Como duplicar o número de mulheres pedalando

Contagem coletiva na Figueiredo Magalhães

Contagem coletiva na Figueiredo Magalhães

Como parte das atividades do Workshop: “A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil”, foi realizada uma contagem de ciclistas em um dos mais movimentados cruzamentos da cidade.

Na esquina da avenida Nossa Senhora de Copacabana com a rua Figueiredo de Magalhães a contagem em 2009, antes de qualquer infraestrutura cicloviária, contabilizou 1420 ciclistas. Sendo 91, ou apenas 6%, mulheres.

Esses números representaram que o fluxo de bicicletas na manhã era de 5% do trânsito motorizado e de 12% no pico da tarde.

Já em 2013 foram contabilizados 1528 ciclistas, um aumento de 7,5%. Dentre esse total, 210 foram mulheres, ou 14% do total para um aumento de 134% em relação à 2009.

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O grande aumento no número de mulheres é certamente algo a ser comemorado e tem relação direta com a infraestrutura cicloviária. Afinal as mulheres tem uma lógica de “desejos de viagem” que é mais conservadora no que se refere à segurança e mais dinâmica em em relação ao número de viagens.

O workshop segue amanhã com a missão de aumentar o conhecimento dos participantes sobre a promoção ao uso da bicicleta e discutir o que foi aprendido na prática durante as 12 horas de contagem em Copacabana.

Confira o relatório completo da segunda contagem de ciclistas da Figueiredo de Magalhães.

Construção da segurança

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O enfrentamento mais decisivo em curso para quem usa e promove a bicicleta está além das ruas. Está no discurso que se propaga sem saber, está no preconceito que se manifesta velado ou explícito. Nas palavras que se repetem, que constroem e reforçam barreiras que impedem a humanização dos espaços públicos de circulação e das próprias cidades.

Durante o século das duas guerras mundiais, as carruagens motorizadas saíram em massa das linhas de montagem para ganhar as ruas. Os mortos e feridos contaram-se aos milhares em um embate que tirou à força as crianças e adultos das ruas para que os automóveis pudessem circular na maior velocidade possível.

E não foi em silêncio que as famílias velaram seus mortos. Houve um processo de demonização do automóvel, imediamente percebido como um ator destrutivo nas ruas das cidades. Para que as linhas de montagem continuassem a produção foi preciso promover um novo conceito, o de que os veículos motorizados, o novo ator no trânsito urbano, eram seguros e adequados para as ruas.

O esforço da industria automobilística para viabilizar o uso intensivo de seus produtos nas cidades foi imenso e frutífero. Em poucas décadas, o século XX tornou-se o século do automóvel e as ruas perderam muito do seu caráter histórico de espaço público, uma construção social de 5 mil anos.

Mortos e feridos nas ruas contam-se às dezenas de milhares. No Brasil o número gira ao redor dos 50.000 mortos por ano. Sendo as pessoas fora dos automóveis, em especial os pedestres, as maiores vítimas.

Ator consolidado nas ruas do século XXI, o automóvel deixou de ser diretamente responsabilizado pelas perdas de vidas humanas que gera. Encarado como fato consumado nas cidades o trânsito motorizado é conversa de elevador e suas vítimas geralmente veladas em silêncio.

A segurança das ruas é acima de tudo uma construção social. Hoje essa construção permite que pedestres e ciclistas sejam tratados como vítimas a serem responsabilizadas. A reversão do discurso que aceita os mortos e feridos no trânsito como casualidades é uma necessidade do século XXI. Enquanto o embate do século XX foi entre a demonização do automóvel e a industria automobilística, o embate atual é da qualidade de vida contra a degradação do espaço público das cidades.

A vilanização dos motores acabou derrotada e hoje as cidades são bem diferentes de como eram em 1900. As cidades de 2100 certamente serão outras e para que façam sentido e possam abrigar grandes populações humanas que gerem prosperidade, é preciso promover o uso racional e seguro do automóvel em ruas que possam garantir mais fluidez para as pessoas que utilizam transportes ativos e os transportes motorizados coletivos.

Ruas e ciclofaixas de lazer

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O Rio de Janeiro por hora não terá uma ciclofaixa operacional de lazer para fazer a ligação entre a Quinta da Boa Vista e o Aterro do Flamengo. E talvez essa não seja uma notícia tão ruim.

São Paulo investiu com grande sucesso no modelo de ciclofaixa operacional de lazer, uma adaptação cicloviária do modelo de ruas de lazer que tem exemplos ao redor do mundo.

Durante um período de tempo, aos domingos e feriados, ruas são abertas para a circulação exclusiva de pessoas em bicicletas, patins skates, etc, essas são as ruas de lazer.

As ciclofaixas de lazer, no modelo paulistano, abrem uma pista no viário para a circulação exclusiva de bicicletas durante um curto período na semana. A visibilidade e a promoção da viabilidade da bicicleta como veículo urbano (ainda que só aos domingos e feriados) é o principal ganho para a cidade.

Pelo sucesso alcançado, a rede de ciclofaixas operacionais de lazer de São Paulo se expandiu pela cidade e tornou-se modelo no Brasil. Os custos envolvidos são altos. É preciso sinalizar as vias, comprar cones e principalmente pagar pessoas para montar e desmontar a operação.

A ligação Quinta da Boavista / Tijuca ao Aterro do Flamengo seria maravilhosa, mas as ciclofaixas de lazer aos domingos, no modelo paulistano, são formas não democráticas de lazer. As ruas de lazer já em operação no Rio (em São Paulo e diversas cidades) são muito mais democráticas e permitem a todos que tenham mais uma opção de lazer aos domingos e feriados.

Ao privilegiar os ciclistas, estes tendem a achar que o espaço é só seu e não gostam de dividi-los com pedestres, patinadores, skatistas dentre outros que também deveriam ter direito a um lazer extensivo.

Nos moldes das Summer Streets de Nova Yorque , para todos, nossas áreas de lazer se destacam mundialmente, mas para os cariocas e paulistas é algo tão comum e antigo que sequer damos conta do que temos.

No Rio centenas de ruas são fechadas ao trafego aos domingos e feriados, mas nenhum marketing é feito em cima disso, em São Paulo, apenas algumas faixas em grandes avenidas fecham parcialmente e o marketing é tão grande que parece algo sensacional, enquanto é algo bem pequeno em comparação com o potencial das ruas de lazer.

O modelo de Bogotá, “ciclovias” dominicais abertas a pessoas em bicicleta, skate e patins, é uma alternativa mais viável de popularizar o lazer no espaço público das ruas e avenidas e ao mesmo tempo promover o uso da bicicleta, mas não só ele.

Com mais de 120 km de vias para pessoas aos domingos e feriados, Bogotá privilegiou a simplicidade, com avenidas inteiras, e não apenas uma faixa de circulação, dedicadas a pessoas, sem distinção sobre o meio de transporte usado.

Toda cidade precisa oferecer lazer aos seus habitantes, e promover o lazer em bicicleta é uma forma útil e inteligente de tornar nossas cidades melhores. O (temporário) insucesso da ciclofaixa operacional de lazer carioca é uma boa oportunidade para discutirmos modelos oferecidos pelas cidades aos seus moradores e visitantes.

Ponte anti-inundação em São Paulo

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Foto: Daniel Guth

A “valet-ponte” que ilustra esse texto é um retrato das águas de março em São Paulo, uma cidade que descobre enchente onde antes havia a baixada de um rio, descobre corredeiras de água suja pelo asfalto onde antes escorriam cachoeiras.

Uma redistribuição eficiente do espaço de circulação urbano, com mais árvores, rios a céu aberto e solo permeável é mais do que sonho utópico. É um redesenho urgente da metrópole que já foi da garoa e hoje é da tromba d´água com enchente.

A cada boletim informativo da CET-SP que divulga o número de pontos de alagamento intransitáveis, melhor ler que por ali perto passa um rio escondido em uma tubulação subterrânea que não lhe dá vazão.

Pela ponte e entre rios circulam os ciclistas, imunes ao semáforos que se apagam com as trombas d´água, às árvores caídas que inviabilizam a circulação motorizada e ao caos que se instala em uma cidade que virou as costas para os seus rios.

É Lenine que canta “esse lugar é uma maravilha, como faz para sair da ilha? É pela ponte, é pela ponte”.

O documentário Entre Rios com a história hídrica de São Paulo:

ENTRE RIOS from Caio Ferraz on Vimeo.