Blog da Transporte Ativo
23jan/121

365 dias na vida de uma bicicleta

Uma agência de comunicação em Nova Iorque conduziu um experimento curioso durante o ano de 2011, prenderam uma bicicleta toda equipada em um bicicletário ao ar livre no bairro do SoHo. Depois, uma foto por dia que mostraram o lento desaparecimento da bicicleta.

Uma imagem bonita e triste, mas que ilustra a bicicleta parada e seu valor maior, o potencial de movimento e de uso. As peças dispersas alimentaram o comércio de peças roubadas, ainda que de valor muito baixo. Mas o vídeo faz lembrar daquela bicicleta parada, que só acumula poeira e poderia servir ao nobre propósito de circulação.

Vale nos mirarmos no que é bonito do vídeo e devolver a circulação uma bicicleta ou peças paradas.

19jan/127

Bicicleta é muito mais do que ciclovia

Pelas Pogovias - Revista Naipe

Por conta das qualidades da bicicleta, ciclistas sentem uma certa superioridade em relação aos outros meios de transporte. Essa distorção é apenas aceitável por vivermos em uma sociedade que ainda precisa reconhecer os benefícios universais da bicicleta e implementar de maneira consistente medidas de valorização do ciclista. Por aceitável, entenda-se que precisa ser revertida.

O ciclista urbano, aquele que escolheu a bicicleta por opção, precisa deixar de ser um iluminado membro de uma seita secreta que se veste de lycra ou prefere o cycle chic. A bicicleta já é conhecida pelo seu potencial, mas quem busca promove-la ainda tem um longo caminho a percorrer na formatação do discurso.

O vídeo que ilustra esse post é claramente uma piada, mas esconde uma faceta que prejudica o reconhecimento da bicicleta como instrumento fundamental para a readequação urbana. Ciclovias, pogovias, carrovias, ferrovias, vias de pedestres, corredores de ônibus, ringues de patinação, pistas de skate. Qualquer um desses elementos só faz sentido quando se costura no tecido urbano.

Dentro dessa lógica, uma cidade saudável tem dois elementos principais o espaço de circulação e o de permanência, sendo que esses dois elementos se dividem entre públicos e privados. Ruas e calçadas são espaços públicos de circulação, um estacionamento de um hipermercado é um espaço privado de circulação. Uma praça é local de permanência (ou visitação) pública, um centro de compras é um equivalente privado.

Tornar nossas cidades melhores é pensar além dos espaços segregados, é compartilhar as ruas, criar espaços agradáveis para permanência, pensar nas necessidades humanas acima de todas as outras. O conceito é bastante simples ainda que possa parecer de difícil implementação. A realidade é que por meios dos incentivos certos os primeiros passos podem ser dados.

Trazer pessoas para circular nas ruas é fundamental e para isso é preciso que o espaço de circulação humana seja seguro e agradável. Infraestrutura adequada implica em mais pessoas que optam por ir à pé, de bicicleta, patins, skate, pogobol, etc. Serão essas pessoas que ao mesmo tempo irão requalificar o espaço e atacar o que hoje costuma ser um dos impedimentos para a circulação em meios de transporte ativos, o excesso de tráfego motorizado.

Incentivar pessoas a percorrerem distâncias curtas em meios de transporte ativos vai além da infraestrutura de circulação, é preciso pensar o zoneamento urbano e incentivar a proximidade entre locais de moradia, trabalho e lazer. Ainda assim, nem todos poderão resolver todas as suas necessidades dentro do seu próprio bairro. E para integrar os diferentes microcosmos urbanos é preciso transporte público que seja rápido, fácil e integrado. Afinal pegar três ônibus lotados logo cedo, ficar parado no trânsito e demorar horas para cruzar a cidade é o maior incentivo ao transporte individual motorizado que nossas cidades oferecem hoje.

O caminho é longo, mas através de opções individuais inteligentes pelo meio de transporte mais adequado para cada percurso e pressão junto ao poder público para melhorias na infraestrutura de circulação humana e do transporte público estaremos no caminho certo para cidades melhores.

3jan/120

Arte carioca e as bicicletas

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Foto: Thiago Cristaldi Carlan/Divulgação

As cidades respiram arte, e pela soma de diversidades humanas, produzem cultura. Uma reportagem da Folha de São Paulo, focada na rivalidade artística entre cariocas e paulistanos, indiretamente fala sobre os impactos da atmosfera urbana na produção artística.

O Rio de Janeiro é a cidade do informal, da produção que visa mais que o lucro financeiro. São Paulo é onde está o dinheiro de grandes galerias, colecionadores e o mercado. Até que ponto esse clichês são verdadeiros é algo a ser debatido.

No entanto, um detalhe na foto que ilustra a matéria chama atenção de qualquer ciclista, a presença da bicicleta como acessório do artista. E a partir daí é possível mergulhar naquela que é uma grande riqueza carioca, seus espaços públicos.

Além de riqueza e belezas naturais, desde os tempos de João do Rio, os cariocas produzem reflexões sobre a tal Alma Encantadora das Ruas. Não é só a exuberância das praias e dos maciços rochosos que vem a inspiração carioca, mas da fluidez de encontros, conflitos e convívios somente possível nas ruas. Nas esquinas com seus botecos, nas ladeiras de Santa Teresa, sob os Arcos da Lapa ou em uma lanchonete em Copacabana.

O carioca é das ruas e por isso a bicicleta é o veiculo perfeito para quem produz sua arte na Cidade Maravilhosa. Quem pedala pode flanar sem rumo, ou voar rumo ao um destino certo, basta escolher.

A matéria da Folha pode ser lida na integra, somente por assinantes, aqui: Bonitos Bacanas Sacanas Modernos

14dez/110

Intermodalidade infantil

Malu quer ir ver as luzes de Natal na Avenida Paulista, aquelas luzinhas do Papai Noel. Depois do passeio de metrô, a alegria do vento no rosto.

Nossas cidades precisam ser cada dia mais adequadas para que muitos outros pais e mães copiem a idéia do pai da Malu e desfrutem da gostosa experiência de pedalar pelas atrações urbanas e poder desfrutar do espaço público.

Feliz Natal Maria Luiza e que o futuro tenha cada vez mais bicicletas.

12dez/118

Uma estrada de bicicletas

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Foto Willian Cruz - Vá de Bike

Milhares de ciclistas em um dia chuvoso foram de São Paulo à Santos. As estimativas dão conta de um total de 2.800 pessoas que refizeram, em sentido contrário, o caminho dos primeiros europeus que chegaram ao planalto paulista, subindo a Serra do Mar.

O evento ganhou o nome de Rota Márcia Prado. Assim como no dia da morte da homenageada, a chuva lavou o asfalto. Mas ao contrário da última viagem de Márcia ao mar com os amigos e da primeira bicicletada Interplanetária os ciclistas foram aceitos na estrada e escoltados pela polícia rodoviária até a Estrada de Manutenção da Imigrantes, a parte mais bonita da viagem com suas ladeiras e a visão do mar no horizonte.

Das centenas de ciclistas que fizeram parte da Bicicletada Interplanetária e foram barrados na estrada, até os milhares que tomaram parte no "3º Passeio Cicloturistico Rota Márcia Prado 2011", pouca coisa mudou para a circulação das bicicletas nas estradas paulistas. Mas a cada ano fica claro que muita coisa pode e, principalmente, precisa mudar.

Enquanto a bicicleta for apenas uma convidada ilustre nas estradas ou personagem insólito nas ruas, a demanda continuará reprimida e menos pessoas irão optar pelos benefícios da bicicleta, multiplicando os malefícios para a sociedade do excesso de veículos motorizados.

O caminho é simples, valorizar quem já optou pela bicicleta e convidar aqueles que quiserem pedalar a faze-lo mais vezes. E esse convite se traduz, principalmente, em uma infraestrutura permanente e de qualidade para a circulação de bicicletas. O que na estrada quer dizer exatamente o que se vê no vídeo abaixo.

Conheça a verdadeira Ecovia:

Leia mais informações sobre a via expressa para bicicletas em Copenhague.

9dez/111

Informalidade como solução

O grande papel da inserção das bicicletas na cidades brasileiras talvez não seja pelos benefícios óbvios, mas por uma característica por vezes desvalorizada, a informalidade. Quem pedala é mais ser humano do que "condutor de um veículo". A identidade permanece com a pessoa, não se transfere para o objeto.

Ao manter-se humano, o ciclista é capaz de continuar tão cidadão quanto é fora da bicicleta, e no Brasil isso pode significar muito. Em um país que ainda tem muito o que aprender sobre representação e representatividade política o exercício constante da cidadania é um bom caminho.

Planejar para a bicicleta é buscar entender comportamentos universais ao invés de fabricar um código de conduto aplicável apenas à máquinas. Pensar no ciclista é incluir o erro humano em tudo.

Uma cidade para ciclistas só é possível quando pensada fora de um escritório com ar condicionado. A cidade brasileira de bicicletas é aquela que tem favelas, tem o transporte público como alternativa precária, tem concentração de renda, mas é acima de tudo uma cidade que sobrevive à desorganização e é repleta de redes de relacionamentos.

Pela total incapacidade de organizar o Brasil do zero, estamos fadados a buscar nossas próprias soluções, fabricar o nosso urbanismo antropofágico que vá além do modelo milenar europeu e seja capaz de corrigir o rumo do rodoviarismo norte-americano que também falhou em terras brasileiras.

Como propõe o jornalista Denis Russo Burgierman, talvez nossos problemas urbanos sejam grandes demais e essa seja uma grande vantagem.

Natália Garcia escreveu sobre esse mesmo tema em um post chamado "Soluções informais" no blog Cidades para Pessoas.

8set/114

VI Desafio Intermodal Carioca

Pelo sexto ano consecutivo, foi realizado o Desafio Intermodal Carioca. Como sempre surpresas, nesta edição as ruas do Rio de Janeiro estavam praticamente vazias, fluiam tranquilamente, no transporte público todos viajaram sentados e sem filas para compra de bilhetes, enquanto um vento forte soprava na direção contrária ao deslocamento dos que geravam sua própria força motriz, bicicletas, patins e pedestres.

Na chegada a carona programada, uma modalidade estreante, surpreendeu chegando em primeiro, seguido imediatamente pela integração Metrô + Bicicleta e pela moto. Mas como sempre, na hora da avalição dos outros dados, como emissão de poluentes, consumo de energia, despesas, as bicicletas novamente pularam pro topo da lista, mesmo sem terem sido considerados ocupação de espaço e emissão de ruídos.

A bicicleta mais uma vez confirma sua eficiência como meio de transporte urbano.

Confira o álbum de fotos e o relatório completo.

23ago/113

Bicicletários e equipamentos culturais

Quem pedala também gosta de cultura e usa a bicicleta como meio de transporte para ir até equipamentos de lazer. Atender ao ciclista e recebe-lo já está inclusive previsto na legislação municipal. A lei 14.266/2007 diz que:

Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios
públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios,
parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir
locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos
como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.

Mas lei no papel é letra morta e vale sempre à pena ir verificar como o ciclista é recebido. Foi esse o propósito do vídeo que tem Aline Cavalcante (@pedaline) como protagonista.

24mai/110

Superpoderes Ciclísticos: conectar gerações

Não por causa de juntar pontos no espaço. Nossas pernas fazem isso. A bicicleta cumpre algo mais difícil: unir dois eventos isolados no tempo. Criar ligações entre duas ou mais gerações.

Por suas ligações com os primeiros estágios de vida, a bicicleta simboliza vigor juvenil que revitaliza o ciclista que está no controle. O jovem, ao contrário, tem na bicicleta um símbolo de responsabilidade de estar crescendo.

Realmente não importa o motivo. Uma vez no selim, a natureza essencial da bicicleta nos obriga a descartar o supérfluo, o oposto de ficar em um carro. O biciclo pode transportar apenas nós mesmos, sob o risco de nos transformar em um motor dois tempos. Para o ciclista, uma declaração de independência.

Libertado de sua situação precária de ser bípede, responsáveis por manter o equilíbrio tênue, pai e filho, tio e sobrinho, avô e neto estão prontos para compartilhar a riqueza da estrada. Uma experiência muito grande.

Esta não é a comunicação típica de palavras, tão imperfeitas e enganosas. A comunicação é muito mais abrangente, sentimentos internos que se afloram a medida que nos tornamos parte de certas paisagens. A conversa, se ocorrer, é casual. Mas como sempre, sua musicalidade está cheia de notas profundas.

Ao ar livre o caminho volta a ter o sentido de promessa de quando éramos nômades. As hierarquias não se desfazem, tornam-se toleráveis. A criança finge ser um adulto no estilo de dominar uma máquina. O adulto tenta ser uma criança na maneira de desfrutar de uma curva.

Pela primeira vez, ao mesmo tempo, eles parecem estar dispostos a prestar atenção um ao outro. Dois conjuntos fechados que se cruzam em um ponto. Dois solitários que formalizam uma trégua. Não importa o que o ciclista tenha vinte ou trinta anos a mais ou a menos, ou que pelo resto de seus dias voltem para o isolamento das tarefas diárias.

Compartilhar um passeio de bicicleta é um mistério que restabelece a possibilidade de estarmos juntos, independente da nossa idade ou relação de parentesco. Uma virtude que as caminhadas foram perdendo por estarem contidas em centros comerciais luminosos que eufemisticamente chamamos agora de "cidades".

Texto traduzido livremente do espanhol, publicado originalmente em: "Ciclovía: Transportes y comunicaciones". Vídeo visto primeiro aqui: ‘Sonho: a bicicleta’.

- Confira outros superpoderes ciclísticos.

18mai/110

The Difference campaign

Please compare:

The Difference campaign

The Difference campaign

The Difference campaign

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These advertisements were created and produced by Mikael Correa, a Brazilian adman.

He is also an urban bicyclist and designed the campaign with the purpose of making a comparison, through images, between motorized and human transportation, and the consequences of our choices not only for the environment but for our own life.

Mikael has kindly donated these three posters and ads to Associação Transporte Ativo. See more about us here.

In our opinion, the advertisements are brilliant, a mix of subtle intelligence and fine mood. We are extremely grateful. Like Mikael, our actions are focused on contributing to raise bicycle awareness. The ads are going to be a first-rate way of doing that.

And about you: have you ever made a comparative test in your day-to-day living?

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  • You could use the ads freely, under the following conditions: you are free to share, you must attribute the work, you may not use this work for commercial purposes.