{"id":1655,"date":"2012-03-12T13:03:06","date_gmt":"2012-03-12T16:03:06","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=1655"},"modified":"2022-12-06T08:17:20","modified_gmt":"2022-12-06T11:17:20","slug":"bicicleta-veiculo-de-transformacao-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=1655","title":{"rendered":"Bicicleta, ve\u00edculo de transforma\u00e7\u00e3o urbana"},"content":{"rendered":"<p>O grande diferencial da bicicleta como meio de transporte urbano reside justamente no fato da bicicleta ser um ve\u00edculo. Na l\u00f3gica do planejamento urbano consolidado ao longo do s\u00e9culo XX a prioridade aos poucos foi sendo reconstru\u00edda para comportar a circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos motorizados.<\/p>\n<p>Reverter uma l\u00f3gica presa \u00e0 circula\u00e7\u00e3o veicular motorizada \u00e9 um trabalho \u00e1rduo e que requer diversas frentes. Talvez a melhor delas seja a bicicleta e a raz\u00e3o \u00e9 bastante simples. Ve\u00edculo movido pela for\u00e7a humana, uma bicicleta \u00e9 uma vers\u00e3o mais eficiente de um pedestre. Apesar de mais veloz e com menor gasto energ\u00e9tico, continua dentro da l\u00f3gica humana, dada a fragilidade do conjunto ciclista+m\u00e1quina.<\/p>\n<p>A subvers\u00e3o da l\u00f3gica urbana atrav\u00e9s da bicicleta nem sempre \u00e9 entendida por aquele sujeito chamado de \u201cSenso Comum\u201d. Quando uma massa de ciclistas toma uma grande avenida, erroneamente julga-se que o tr\u00e2nsito foi impedido. Na realidade o que ocorre \u00e9 um movimento cidad\u00e3o de retomada do espa\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o vi\u00e1rio que normalmente tem uso \u00fanico. Em lugar do tr\u00e2nsito motorizado cotidiano, circula uma massa uniforme de pessoas em bicicletas, essa ocupa\u00e7\u00e3o convencionou-se chamar de Massa Cr\u00edtica, ou Bicicletada.<\/p>\n<p>A Massa Cr\u00edtica de S\u00e3o Francisco foi criada em 1992 e \u00e9 filha da mesma ideologia dos movimentos anteriores de contesta\u00e7\u00e3o do status quo. E a\u00ed reside a limita\u00e7\u00e3o de movimentos dessa natureza, costumam esvaziar-se com o tempo e em geral tem tend\u00eancia autocentrada, nem sempre capazes de influenciar as mudan\u00e7as sociais a que se prop\u00f5em. O texto \u201c<a href=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/2010\/04\/22\/massa-critica-falha-critica\/\">Massa Cr\u00edtica ou Falha Cr\u00edtica<\/a>\u201d escrito por <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2007\/11\/critical-miss-or-critical-mass.html\">Mikael Colville-Andersen<\/a>, e traduzido por n\u00f3s, aprofunda o tema.<\/p>\n<p>Inserida pela sutileza de ocupar pouco espa\u00e7o e ser mais veloz que qualquer ve\u00edculo motorizado nas cidades, a bicicleta tamb\u00e9m se insere pela for\u00e7a daqueles que de maneira an\u00e1rquica celebram a rua como espa\u00e7o p\u00fablico para comemora\u00e7\u00e3o, protesto e circula\u00e7\u00e3o, tudo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Grandes avenidas tomadas por bicicletas \u00e0 perder de vista s\u00e3o sempre um espet\u00e1culo para os olhos e a alma. Revigora e possibilita sonhar com cidades melhores, e as pessoas que comp\u00f5em essa <a href=\"http:\/\/colunas.revistaepocasp.globo.com\/nabike\/2012\/03\/08\/quem-e-o-lider-aqui\/\">massa sem l\u00edderes<\/a> certamente querem transformar a utopia em realidade. H\u00e1 no entanto um problema a ser equacionado para que os \u201ccicloativistas\u201d tornem-se efetivamente agentes da transforma\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n<p>O valor de todo &#8220;movimento cicloativista\u201d \u00e9 principalmente de unir pessoas, fortalecer os v\u00ednculos humanos de uma minoria engajada em favor da bicicleta. Esse valor ser\u00e1 ainda maior quanto menos reativa for a postura dos que defedem a bicicleta. N\u00e3o basta protestar quando ciclistas s\u00e3o mortos no tr\u00e2nsito, tirar a roupa e sair pedalando chama a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, mas n\u00e3o muda a paisagem urbana. Cada \u201ccicloativista\u201d tem que ter uma postura de defensor do uso da bicicleta ser especialista em mobilidade urbana. Ter um discurso que seja apreendido e levado a s\u00e9rio por planejadores urbanos, t\u00e9cnicos nas prefeituras, jornalistas e a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o da bicicleta nas cidades \u00e9 o primeiro ato, as pedaladas seguintes s\u00e3o as mais complexas, requerem menos festa e um esfor\u00e7o constante, articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e press\u00e3o na medida certa. Ao inv\u00e9s de reclamar com os jornais por mat\u00e9rias erradas e pela lentid\u00e3o do poder p\u00fablico, \u00e9 preciso pautar a imprensa e aliar-se ao poder p\u00fablico, sem ser cooptado. A <a href=\"http:\/\/blog.ta.org.br\/2009\/05\/19\/fim-do-cicloativismo\/\">rebeldia adolescente do \u201ccicloativismo\u201d<\/a> tem o potencial de amadurecer e, com isto, mudar o espa\u00e7o urbano. E tudo sem perder a alegria do vento no rosto e o sorriso aberto que faz lembrar as primeiras pedaladas na inf\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A subvers\u00e3o da l\u00f3gica urbana atrav\u00e9s da bicicleta nem sempre \u00e9 entendida por aquele sujeito chamado de \u201cSenso Comum\u201d. Quando uma massa de ciclistas toma uma grande avenida, erroneamente julga-se que o tr\u00e2nsito foi impedido. Na realidade o que ocorre \u00e9 um movimento cidad\u00e3o de retomada do espa\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o vi\u00e1rio que normalmente tem uso \u00fanico. 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