{"id":3543,"date":"2013-03-18T07:07:36","date_gmt":"2013-03-18T10:07:36","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=3543"},"modified":"2013-03-18T07:07:36","modified_gmt":"2013-03-18T10:07:36","slug":"construcao-da-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=3543","title":{"rendered":"Constru\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a title=\"Instagram - Transporte Ativo\" href=\"http:\/\/instagram.com\/p\/RLPCcMwcYZ\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3730\" alt=\"Bicicleta-semaforo-copacabana\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2013\/03\/Bicicleta-semaforo-copacabana.jpg\" width=\"500\" height=\"502\" \/><\/a><\/p>\n<p>O enfrentamento mais decisivo em curso para quem usa e promove a bicicleta est\u00e1 al\u00e9m das ruas. Est\u00e1 no discurso que se propaga sem saber, est\u00e1 no preconceito que se manifesta velado ou expl\u00edcito. Nas palavras que se repetem, que constroem e refor\u00e7am barreiras que impedem a humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos de circula\u00e7\u00e3o e das pr\u00f3prias cidades.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo das duas guerras mundiais, as carruagens motorizadas sa\u00edram em massa das linhas de montagem para ganhar as ruas. Os mortos e feridos contaram-se aos milhares em um embate que tirou \u00e0 for\u00e7a as crian\u00e7as e adultos das ruas para que os autom\u00f3veis pudessem circular na maior velocidade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foi em sil\u00eancio que as fam\u00edlias velaram seus mortos. Houve um processo de demoniza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, imediamente percebido como um ator destrutivo nas ruas das cidades. Para que as linhas de montagem continuassem a produ\u00e7\u00e3o foi preciso promover um novo conceito, o de que os ve\u00edculos motorizados, o novo ator no tr\u00e2nsito urbano, eram seguros e adequados para as ruas.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o da industria automobil\u00edstica para viabilizar o uso intensivo de seus produtos nas cidades foi imenso e frut\u00edfero. Em poucas d\u00e9cadas, o s\u00e9culo XX tornou-se o s\u00e9culo do autom\u00f3vel e as ruas perderam muito do seu car\u00e1ter hist\u00f3rico de espa\u00e7o p\u00fablico, uma constru\u00e7\u00e3o social de 5 mil anos.<\/p>\n<p>Mortos e feridos nas ruas contam-se \u00e0s dezenas de milhares. No Brasil o n\u00famero gira ao redor dos 50.000 mortos por ano. Sendo as pessoas fora dos autom\u00f3veis, em especial os pedestres, as maiores v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Ator consolidado nas ruas do s\u00e9culo XXI, o autom\u00f3vel deixou de ser diretamente responsabilizado pelas perdas de vidas humanas que gera. Encarado como fato consumado nas cidades o tr\u00e2nsito motorizado \u00e9 conversa de elevador e suas v\u00edtimas geralmente veladas em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a das ruas \u00e9 acima de tudo uma constru\u00e7\u00e3o social. Hoje essa constru\u00e7\u00e3o permite que pedestres e ciclistas sejam tratados como v\u00edtimas a serem responsabilizadas. A revers\u00e3o do discurso que aceita os mortos e feridos no tr\u00e2nsito como casualidades \u00e9 uma necessidade do s\u00e9culo XXI. Enquanto o embate do s\u00e9culo XX foi entre a demoniza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel e a industria automobil\u00edstica, o embate atual \u00e9 da qualidade de vida contra a degrada\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico das cidades.<\/p>\n<p>A vilaniza\u00e7\u00e3o dos motores acabou derrotada e hoje as cidades s\u00e3o bem diferentes de como eram em 1900. As cidades de 2100 certamente ser\u00e3o outras e para que fa\u00e7am sentido e possam abrigar grandes popula\u00e7\u00f5es humanas que gerem prosperidade, \u00e9 preciso promover o uso racional e seguro do autom\u00f3vel em ruas que possam garantir mais fluidez para as pessoas que utilizam transportes ativos e os transportes motorizados coletivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enfrentamento mais decisivo em curso para quem usa e promove a bicicleta est\u00e1 al\u00e9m das ruas. 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