{"id":5049,"date":"2014-01-26T22:24:46","date_gmt":"2014-01-27T00:24:46","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=5049"},"modified":"2022-12-06T20:04:11","modified_gmt":"2022-12-06T23:04:11","slug":"solucoes-rodoviaristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5049","title":{"rendered":"Solu\u00e7\u00f5es rodoviaristas"},"content":{"rendered":"<p>O s\u00e9culo XX foi o s\u00e9culo do autom\u00f3vel, mas n\u00e3o foi por acaso. Muita gente ganhou muito dinheiro promovendo a (i)mobilidade urbana do transporte individual motorizado.<\/p>\n<p>Um dos maiores exemplos da mentalidade rodoviarista do s\u00e9culo passado foi Robert Moses, homem quem gentrificou Nova Iorque e elaborou um plano de &#8220;avenidas parque&#8221; que &#8220;renovou&#8221; a metr\u00f3pole atrav\u00e9s da expuls\u00e3o dos mais pobres e abriu caminho para a circula\u00e7\u00e3o motorizada em detrimento de qualquer coisa que estivesse no caminho.<\/p>\n<p>Em sua biografia Moses explica a diferen\u00e7a entre construir rodovias em terras vazias e no meio da cidade: &#8220;A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que na cidade h\u00e1 mais pessoas atrapalhando o caminho&#8221;.<\/p>\n<p>Foi ainda em 1950 que o ilustre rodoviarista, um anti-urbanista por execel\u00eancia, elaborou \u00a0o\u00a0&#8220;Programa de melhoramentos p\u00fablicos de S\u00e3o Paulo&#8221;. Nesse plano, tal qual um profeta do apocalipse, Moses prev\u00ea que o n\u00famero de autom\u00f3veis iria aumentar muito. A capital paulista tinha 1 carro para cada 32 habitantes, atualmente essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1 para 2.<\/p>\n<p>Como solu\u00e7\u00e3o de &#8220;melhoramento&#8221; para a cidade, Moses prop\u00f4s que S\u00e3o Paulo se livrasse de &#8220;bondes obsoletos&#8221; e na impossibilidade financeira de se construir metr\u00f4 subterr\u00e2neo, adotasse os \u00f4nibus. Uma\u00a0&#8220;solu\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e econ\u00f4mica&#8221;, que seria feita atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de 500 ve\u00edculos coletivos e claro, melhorias na pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica.<\/p>\n<p>Nos anos 1950 (e ainda hoje), quando um rodoviarista afirma que s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos em transporte p\u00fablico, pode-se deduzir que esperasse a cria\u00e7\u00e3o de grandes e formosas avenidas que por acaso tamb\u00e9m poder\u00e3o ser utilizadas por \u00f4nibus, mas que ir\u00e3o beneficiar e aumentar o n\u00famero de viagens em ve\u00edculos motorizados particulares.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos S\u00e3o Paulo deixou de lado a hipocrisia rodoviarista e efetivamente foi capaz de direcionar vultosos investimentos em t\u00faneis, pontes e viadutos simplesmente para facilitar os deslocamentos motorizados. Minhoc\u00e3o, passagens subterr\u00e2neas e a Ponte Estaiada comprovam.<\/p>\n<p>Pela linha de racioc\u00ednio de Robert Moses, era preciso se livrar das muitas pessoas no caminho que atrapalhavam a livre marcha do progresso, que no s\u00e9culo XX significava autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Felizmente a no\u00e7\u00e3o de progresso rodoviarista j\u00e1 \u00e9 amplamente contestada. Em Nova Iorque e ao redor do mundo. Afinal, os investimentos em mobilidade individual motorizada ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas ajudaram na promo\u00e7\u00e3o da decad\u00eancia dos centros urbanos em nome da expans\u00e3o para os sub\u00farbios.<\/p>\n<p>O desafio que nos apresenta o s\u00e9culo XXI \u00e9 o embate entre a degrada\u00e7\u00e3o urbana promovida pelas grandes avenidas e os caminhos para os sub\u00farbios e a reconstru\u00e7\u00e3o de uma cidade na escala humana em que haja mais densidade e diversidade.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo precisa de uma nova semana de 1922 que promova a &#8220;antropofagia urbana&#8221;, capaz de misturar a periferia pobre com os condom\u00ednios de luxo. Ter junto e misturado Alphaville, Cidade Tiradentes que s\u00f3 assim &#8220;resolveriam&#8221; a Cracol\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Vias expressas como a 23 de maio que d\u00eaem lugar a ruas de bairro. Tudo interligado por espa\u00e7os para pessoas e redes de transporte que sejam mais que \u00f4nibus lotados para quem n\u00e3o conseguiu financiar um carro.<\/p>\n<p>Nessa nova cidade muitas bicicletas ir\u00e3o circular, e ao inv\u00e9s de expressas vias travadas, teremos velocidades humanas constantes e descongestionadas.<\/p>\n<p>=====<\/p>\n<p>Textos de apoio:<\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/especial\/149134-transporte-coletivo-ja-era-urgente-em-1950.shtml\" target=\"_blank\">Transporte coletivo j\u00e1 era &#8216;urgente&#8217; em 1950<\/a> &#8211; Andr\u00e9 Monteiro &#8211; Folha de S. Paulo<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/especial\/2007\/morar2\/rf3003200701.shtml\" target=\"_blank\">O homem que retalhou NY <\/a>&#8211; S\u00e9rgio D\u00e1vila &#8211; Folha de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos maiores exemplos da mentalidade rodoviarista do s\u00e9culo passado foi Robert Moses, homem quem gentrificou Nova Iorque e elaborou um plano de &#8220;avenidas parque&#8221; que &#8220;renovou&#8221; a metr\u00f3pole atrav\u00e9s da expuls\u00e3o dos mais pobres e abriu caminho para a circula\u00e7\u00e3o motorizada em detrimento de qualquer coisa que estivesse no caminho. <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5049\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[12,15,22,25],"class_list":["post-5049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","tag-estudos","tag-historia","tag-politica","tag-sao-paulo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16976,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5049\/revisions\/16976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}