{"id":5215,"date":"2014-03-16T21:12:33","date_gmt":"2014-03-17T00:12:33","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=5215"},"modified":"2022-12-06T20:07:53","modified_gmt":"2022-12-06T23:07:53","slug":"onde-esta-o-perigo-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5215","title":{"rendered":"Onde est\u00e1 o perigo nas ruas?"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer busca sobre mat\u00e9rias que se relacionem a sinistralidades no tr\u00e2nsito para sempre buscar &#8220;chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre o aumento de acidentes com ciclistas&#8221;.<\/p>\n<p>Mais do que uma an\u00e1lise baseada em fatos, o discurso parece muito mais um refor\u00e7o negativo de estigmatizar a bicicleta como um ve\u00edculo &#8220;perigososo&#8221;. Mesmo que dados oficiais sempre comprovem que ao longo do tempo e com maiores incentivos ao uso da bicicleta, sinistralidades envolvendo ciclistas tendem a diminuir.<\/p>\n<p>A famosa seguran\u00e7a em n\u00fameros diz na pr\u00e1tica o que todo ciclista intui nas ruas. Mais pessoas em bicicleta \u00e9 igual a menos ciclistas que sofrem as consequ\u00eancias da imprud\u00eancia ou imper\u00edcia de condutores de ve\u00edculos motorizados.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram informa\u00e7\u00f5es assustadoras (dados aproximados porque n\u00e3o as tenho em m\u00e3os agora): cerca de 50% das mortes no tr\u00e2nsito s\u00e3o de pedestres, outros cerca de 40% s\u00e3o de motoristas ou &#8220;caronas&#8221;.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o inclusive para detalhe mais importante: 100% dos &#8220;acidentes&#8221; SEMPRE tem entre os envolvidos um ve\u00edculo motorizado. Ou seja, a sinistralidade vem sempre movida a motor. Variam apenas as v\u00edtimas. Mais comumente s\u00e3o pedestres, mas podem ser condutores e passageiros e at\u00e9 ciclistas.<\/p>\n<p>Resumindo, est\u00e1 muito errada a linha de racioc\u00ednio de quem quer dizer que pedalar nas ruas \u00e9 perigoso. Os n\u00fameros mostram que perigoso \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o ve\u00edculo motor+velocidade com a impunidade como outro incentivador.<\/p>\n<p>O debate \u00e9 antigo e durante o s\u00e9culo XX foi vencido pelos promotores do uso do autom\u00f3vel. Est\u00e1 na pauta a &#8220;propriedade&#8221; sobre o uso do espa\u00e7o p\u00fablico das ruas. Por hora ainda sobrevive o conceito antigo, de que ruas s\u00e3o para motorizados, mas certamente esse discurso anacr\u00f4nico perde espa\u00e7o nos cora\u00e7\u00f5es e mentes de quem pensa as cidades. Aos poucos perde tamb\u00e9m espa\u00e7o no asfalto.<\/p>\n<p>Infelizmente, at\u00e9 mesmo alguns ciclistas acabam muito focados\u00a0nos &#8220;perigo da bicicleta&#8221; e esquecem a necessidade de resolver o real problema.<\/p>\n<p>Chamam tanta aten\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de se usar capacete, luvas, joelheiras, cotoveleiras etc. para pedalar, e esquecem dos reais causadores de mortes em nossas ruas. Que geralmente conduzem ve\u00edculos pesados e velozes protegidos por enormes carca\u00e7as de a\u00e7o presos apenas por cintos de seguran\u00e7a e eventuais air-bags. Mas sem qualquer dispositivo que salve as vidas de quem est\u00e1 do lado de fora, a p\u00e9 ou de bicicleta.<\/p>\n<p>Quem se preocupa muito com os &#8220;perigos da bicicleta&#8221;, acaba se prestando a dois papeis. Ou \u00e9 inocente \u00fatil para refor\u00e7ar o discurso do medo que garante a &#8220;propriedade das ruas&#8221; para os autom\u00f3veis, ou tem realmente a inten\u00e7\u00e3o de manter a l\u00f3gica das cidades presa ao s\u00e9culo XX, aquele das guerras, do petr\u00f3leo e do autom\u00f3vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5215\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[68,33,15,21,22,35],"class_list":["post-5215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-publico","tag-acalmia-no-transito","tag-cultura","tag-historia","tag-pedestre","tag-politica","tag-seguranca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5215"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16983,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5215\/revisions\/16983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}