{"id":5783,"date":"2014-09-15T23:37:10","date_gmt":"2014-09-16T02:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=5783"},"modified":"2022-12-06T20:22:36","modified_gmt":"2022-12-06T23:22:36","slug":"sao-paulo-uma-cidade-que-nao-esta-para-brincadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5783","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo, uma cidade que n\u00e3o est\u00e1 para brincadeira"},"content":{"rendered":"<p>Foi com foguet\u00f3rio, pompa e circunst\u00e2ncia que na noite de quarta-feira 27 de mar\u00e7o de 1968, S\u00e3o Paulo comemorou a \u00faltima viagem de bonde na cidade. Um grande cortejo de 20 ve\u00edculos seguiu pelos trilhos, parte deles assentados sobre um mato baixo. Liderando a festa, junto ao primeiro motorneiro iam o prefeito, o governador e diversas autoridades, al\u00e9m do povo que seguia atr\u00e1s e lotava os &#8220;camar\u00f5es&#8221; que faziam a linha Instituto Biol\u00f3gico &#8211; Santo Amaro.<\/p>\n<p>Teve champanhe para celebrar o progresso e discurso otimista garantindo que Santo Amaro n\u00e3o ficaria desassistida de transporte com a cria\u00e7\u00e3o de novas avenidas onde antes repousavam as linhas. Na mesma p\u00e1gina de jornal que relatou a comemora\u00e7\u00e3o, uma grande propaganda de um fabricante de carrocerias para \u00f4nibus. N\u00e3o foi coincid\u00eancia. O sucateamento do transporte sobre trilhos em S\u00e3o Paulo e a promo\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus \u00e0 diesel e dos autom\u00f3veis foi plano de d\u00e9cadas.<\/p>\n<blockquote><p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/y-7lR_OyB-M?rel=0\" width=\"560\" height=\"420\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\nA melancolia desse post merece um samba da d\u00e9cada de 1940: &#8220;E o 56 n\u00e3o veio&#8221;:<\/p><\/blockquote>\n<p>Agora, passados quase 50 anos desde o ocaso dos &#8220;ve\u00edculos leves sobre trilhos&#8221; (VLTs) \u00e9 quase natural condenar o retrocesso para a cidade de um plano bem elaborado e financiado de asfaltamento e abertura de vias para sua majestade o transporte sobre pneus passar. Um erro hist\u00f3rico sem d\u00favida, mas que poucos lutaram para reverter e que atendia a interesses e a uma vis\u00e3o de cidade muito comum e celebrada \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<blockquote><p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/4aKlfJXW5cU?rel=0\" width=\"560\" height=\"420\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\nO bonde de Santo Amaro<\/p><\/blockquote>\n<p>Vivemos outros tempos, mas ainda est\u00e1 em disputa qual o modelo de cidade teremos nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. H\u00e1 quem simplesmente defenda o <em>status quo<\/em> e os privil\u00e9gios da mobilidade individual motorizada sobre pneus e tamb\u00e9m quem defenda a supremacia das pessoas sobre os motores. O progresso industrial e sua \u00e9tica de expans\u00e3o das m\u00e1quinas como valores supremos transformaram as cidades e seus espa\u00e7os p\u00fablicos de circula\u00e7\u00e3o em uma grande massa asf\u00e1ltica.<\/p>\n<p>Mudou tanto a vis\u00e3o sobre transporte que o senso comum ainda acredita que s\u00f3 existe mobilidade sobre ruas e avenidas de uso exclusivo para motorizados ou nos subterr\u00e2neos do metr\u00f4. Dentro dessa l\u00f3gica, qualquer forma de se locomover que se baseie no esfor\u00e7o humano \u00e9 subversiva. A alegria, simplicidade e o prazer quase infantil de pedalar s\u00e3o uma afronta contra um mundo movido a \u00f3leo e que parece pulsar atrav\u00e9s de engrenagens.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo parou de brincar em nome daquele progresso t\u00e3o bem planejado e promovido desde o s\u00e9culo XX. Um progresso filho do planejamento e da engenharia de tr\u00e1fego automotivo que no fim das contas fez a cidade locomover-se mais devagar do que nos tempos dos bondes puxados a burros.<\/p>\n<p>Felizmente h\u00e1 sempre caminhos a serem constru\u00eddos, ou desbravados. Acreditamos (e somos muitos) que a bicicleta em S\u00e3o Paulo e em todas as cidades do mundo \u00e9 uma grande indutora de mudan\u00e7as. \u00c9 o ve\u00edculo perfeito para a transi\u00e7\u00e3o de um modelo de cidade que se assenta sobre o petr\u00f3leo do asfalto enquanto queima os \u00f3leos do ouro negro simplesmente para mover pessoas em pesadas carca\u00e7as motorizadas.<\/p>\n<p>O futuro j\u00e1 chegou e veio pedalando uma simples bicicleta. Trouxe na bagagem uma urbe pensada para pessoas, onde o mais importante n\u00e3o \u00e9 como, mas quem se desloca. Por meio das deliciosas e t\u00e3o antigas magrelas que ir\u00e1 ser repavimentado um legado de futuro urbano.<\/p>\n<p>Quando uma bicicleta ganha as ruas, surgem necessidades que estavam esquecidas, a maior delas \u00e9 que na condu\u00e7\u00e3o estar\u00e1 sempre uma fr\u00e1gil vida humana. Ao se multiplicarem os pedalantes, fica exposto ao mesmo tempo nossos graves problemas urbanos e a solu\u00e7\u00e3o. Cada ciclista na rua deixa claro que o modelo de urbanismo do s\u00e9culo XX nos trouxe \u00e0 beira do fracasso urbano, mas esse mesmo ciclista lembra a todos que basta despir-se das carca\u00e7as de a\u00e7o e recriar uma nova cidade que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/n-AbPav5E5M?rel=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Essa \u00e9 Utrecht em uma manh\u00e3 de uma quarta-feira qualquer. Uma cidade de cerca de 300 mil habitantes,\u00a0parte da grande conurba\u00e7\u00e3o holandesa de Randstad com quase 7 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o somos holandeses, n\u00e3o somos dinamarqueses e nenhuma cidade se compara a qualquer outra. Mas o fato \u00e9 que o para\u00edso cicl\u00edstico com VLT que se v\u00ea no v\u00eddeo nasceu de uma premissa central, era preciso priorizar o deslocamento das pessoas. Primeiro com a retomada dos espa\u00e7os p\u00fablicos de circula\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia, aos poucos com todas as transforma\u00e7\u00f5es advindas dessa premissa.<\/p>\n<p>Pedalemos!<\/p>\n<p><strong>Textos de refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/www2.uol.com.br\/historiaviva\/reportagens\/a_morte_do_bonde.html\" target=\"_blank\">A morte do bonde<\/a> &#8211; Revista Hist\u00f3ria Viva<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/acervo.estadao.com.br\/pagina\/#!\/19680328-28516-nac-0019-999-19-not\" target=\"_blank\">Foram-se os bondes<\/a> &#8211; O Estado de S. Paulo de 28 de Mar\u00e7o de 1968 &#8211; p\u00e1g. 19<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,brincando-com-ciclovias-imp-,1559889\" target=\"_blank\">Brincando de ciclovias<\/a> &#8211; Editorial O Estado de S. Paulo<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/denis-russo\/cidade\/nos-nao-somos-dinamarqueses\/\" target=\"_blank\">N\u00f3s n\u00e3o somos dinamarqueses<\/a> &#8211; Sustent\u00e1vel \u00e9 pouco<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/alias.estadao.com.br\/noticias\/geral,em-busca-do-urbanismo-perdido,1122835\" target=\"_blank\">Em busca do urbanismo perdido<\/a> &#8211; Ali\u00e1s &#8211; OESP<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.correiodazonasul.com\/site\/?p=1192\" target=\"_blank\">O \u00faltimo bonde em Santo Amaro e S\u00e3o Paulo<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.saopaulominhacidade.com.br\/historia\/ver\/9135\/Santo%2BAmaro%253A%2Beixo%2Bhistorico%2Bdos%2Btransportes%252C%2Btrem%252C%2Bbonde%2Be%2Bmetro%252C%2Bno%2Bmesmo%2Bitinerario\" target=\"_blank\">Santo Amaro: eixo hist\u00f3rico dos transportes, trem, bonde e metr\u00f4, no mesmo itiner\u00e1rio<\/a> &#8211; S\u00e3o Paulo, minha cidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5783\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[33,15,22,25,55,32],"class_list":["post-5783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","tag-cultura","tag-historia","tag-politica","tag-sao-paulo","tag-transporte-publico","tag-videos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17006,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5783\/revisions\/17006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}