{"id":5916,"date":"2014-11-04T22:58:27","date_gmt":"2014-11-05T00:58:27","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=5916"},"modified":"2022-12-06T20:25:40","modified_gmt":"2022-12-06T23:25:40","slug":"as-cidades-precisam-de-mais-mulheres-em-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5916","title":{"rendered":"As cidades precisam de mais mulheres em bicicleta"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5932\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2014\/11\/mulher-pedala_ipanema.jpg\" alt=\"mulher-pedala_ipanema\" width=\"560\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>Mulheres s\u00e3o &#8220;esp\u00e9cies indicadoras&#8221; da sa\u00fade urbana. E em geral, atestam que nossas cidades n\u00e3o s\u00e3o lugares agrad\u00e1veis e seguros para pedalarmos. Duas considera\u00e7\u00f5es costumam demonstrar com clareza o qu\u00e3o distante estamos de incluir as mulheres na mobilidade das cidades. Em geral afirma-se que as mulheres tem mais avers\u00e3o ao risco do tr\u00e2nsito e que sofrem press\u00f5es sociais para estarem impecavelmente vestidas e com o cabelo perfeito no ambiente de trabalho e nos eventos sociais.<\/p>\n<p>Os dois pontos acima apenas arranham, bem de leve, o machismo estrutural que ainda nos oprime. Oprime as mulheres com bastante clareza e refor\u00e7am papeis que &#8220;cabem aos homens&#8221; que apenas reproduzem comportamentos sociais sem questionar e tornam-se incapazes de lidar com o mundo feminino de maneira mais saud\u00e1vel. Um v\u00eddeo recente mostrou as dificuldades em simplesmente ser mulher e compartilhar o espa\u00e7o urbano com homens. O papel de opressor das figuras masculinas est\u00e1 claro e o desconforto no caminhar mostra com clareza o qu\u00e3o desagrad\u00e1vel pode ser caminhar na rua.<\/p>\n<p>Ver os exemplos em v\u00eddeo ajuda a criar um pouco de empatia dos homens pelas mulheres e deixam claro que cantadas nas ruas jamais s\u00e3o capazes de serem interpretadas como galanteio. Os desafios em combater o machismo ainda continuaram a ser necess\u00e1rios, mas entender as necessidades femininas nas cidades tem o potencial de refazer o caminho da independ\u00eancia que a populariza\u00e7\u00e3o da bicicleta trouxe \u00e0s mulheres ainda no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><strong>Raz\u00f5es porque as mulheres pedalam menos do que poderiam<\/strong><\/p>\n<p>Seguran\u00e7a \u00e9 certamente o aspecto mais repetido pelas mulheres e sobre as mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao uso da bicicleta no ambiente urbano. Naturalmente toda iniciativa que puder tornar nossas ruas mais seguras para qualquer g\u00eanero \u00e9 uma necessidade. Ainda assim, certamente a cren\u00e7a de que as mulheres s\u00e3o mais vulner\u00e1veis e medrosas continuar\u00e1 a ser discutido entre os homens que pedalam.<\/p>\n<p>Como encaixar a bicicleta no cotidiano \u00e9 um motivo bastante prosaico e que tamb\u00e9m tem neutralidade de g\u00eanero. Vencer essa barreira \u00e9 outra iniciativa para conseguir mais pessoas pedalando e uma estrat\u00e9gia centrada nas mulheres ir\u00e1 trazer ainda mais ciclistas para a ruas. Desvincular a bicicleta da l\u00f3gica do esporte, o que envolve a possibilidade de pedalar com tranquilidade, sem press\u00e3o pela velocidade \u00e9 quest\u00e3o de primeira necessidade. A l\u00f3gica do calor, do suor etc, em geral fica de lado quando a pessoa enfrenta o transporte p\u00fablico, caminha ou at\u00e9 mesmo utiliza uma carruagem motorizada sem condicionador de ar em um dia de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>A press\u00e3o social por &#8220;estar impec\u00e1vel&#8221; atinge muitas mulheres (com exce\u00e7\u00f5es, naturalmente), mas estar &#8220;apresent\u00e1vel&#8221; para o trabalho \u00e9 necessidade de qualquer pessoa e que precisa ser equacionada, com trajetos tranquilos e pensados para manter o ritmo da pedalada e minorar o esfor\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Bicicletas feitas para mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Em geral ainda recaem sobre as mulheres necessidades de deslocamento que tornam o uso da bicicleta menos convidativo, situa\u00e7\u00f5es que em geral precisam ser vistas com mais aten\u00e7\u00e3o por parte de fabricantes e comerciantes da ind\u00fastria cicl\u00edstica. Quem simplesmente vai e volta do trabalho, sem paradas no mercado ou na escola dos filhos tende a optar com mais facilidade pelas pedaladas e em geral as bicicletas no mercado s\u00e3o adequadas apenas para esse usu\u00e1rio. Repensar as op\u00e7\u00f5es de bicicleta \u00e9 uma pedalada fundamental.<\/p>\n<p>As bicicletas femininas s\u00e3o apenas vers\u00f5es menores com quadros rebaixados e pintura em tons de rosa ou cores &#8220;delicadas&#8221;. Ter bicicletas adequadas ao biotipo feminino vai muito al\u00e9m de cores e tamanhos. Pedalar \u00e9 atividade cotidiana e que precisa de ve\u00edculos adaptados para a realidade das pessoas. Espa\u00e7o para carga, a possibilidade de transportar crian\u00e7as e acess\u00f3rios para o uso urbano da bicicleta como meio de transporte s\u00e3o necessidades que, quando atendidas trar\u00e3o mais mulheres e, claro, mais pessoas para os pedais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Criar condi\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a, sem culpabilizar a v\u00edtima<\/strong><\/p>\n<p>A igualdade de g\u00eanero ser\u00e1 uma conquista necess\u00e1ria e pela qual ainda temos um longo caminho, mas assim como as mulheres devem lutar por seus direitos, \u00e9 preciso tamb\u00e9m incentivar as condi\u00e7\u00f5es para que esses mesmos direitos sejam garantidos. Nessa l\u00f3gica, a responsabilidade individual n\u00e3o pode ser o \u00fanico par\u00e2metro. Incentivar o uso da bicicleta tem de passar longe de culpabilizar as mulheres, ou quem quer que seja, por n\u00e3o pedalar.<\/p>\n<p>Em tradu\u00e7\u00e3o livre de um texto da Elly Blue:<\/p>\n<blockquote><p>O que n\u00f3s precisamos \u00e9 o mesmo que os homens precisam &#8211; ruas que sejam lugares adequados para bicicletas e muita gente pedalando para tornar as ruas ainda mais seguras.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos de bicicletas para levar cargas e crian\u00e7as e que os homens tamb\u00e9m as usem.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos deixar a culpa de lado se n\u00e3o formos capazes de simplesmente jogar fora as chaves do carro.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos de l\u00edderes e pol\u00edticos que tenham a coragem de trabalhar pelas mudan\u00e7as necess\u00e1rias. E quando eles n\u00e3o o fizerem, precisamos demonstrar nossa indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos de um mundo em que a pedalar n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de g\u00eanero e que seja desnecess\u00e1rio escrever textos como esse.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos saber como demonstrar com clareza o que significa igualdade e o que n\u00e3o significa, em casa, no trabalho e nas ruas.<\/p><\/blockquote>\n<p>O direito \u00e0 cidade \u00e9 um direito humano b\u00e1sico e deve ser cada vez mais encarado dessa forma. Pedalemos, por mais pessoas em mais bicicletas mais vezes.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; <em><a href=\"http:\/\/grist.org\/biking\/2011-06-20-bicyclings-gender-gap-its-the-economy-stupid\/\" target=\"_blank\">Bicycling&#8217;s gender gap: It&#8217;s the economy, stupid<\/a><\/em> por Elly Blue<br \/>\n&#8211; <em><a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/women\/womens-life\/9952702\/Forget-road-safety-discover-the-real-reasons-normal-women-dont-cycle.html\" target=\"_blank\">Forget road safety: discover the real reasons normal women don&#8217;t cycle<\/a><\/em> por Cathy Bussey<br \/>\n&#8211; <em><a href=\"http:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/getting-more-bicyclists-on-the-road\/\" target=\"_blank\">How to Get More Bicyclists on the Road<\/a><\/em> por Linda Baker<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5916\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[33,89,12,90,16,35,32],"class_list":["post-5916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","tag-cultura","tag-direito-a-cidade","tag-estudos","tag-igualdade","tag-liberdade-urbana","tag-seguranca","tag-videos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17011,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5916\/revisions\/17011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}