{"id":5966,"date":"2014-11-19T23:03:22","date_gmt":"2014-11-20T01:03:22","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=5966"},"modified":"2014-11-19T23:03:22","modified_gmt":"2014-11-20T01:03:22","slug":"mobilidade-urbana-e-um-direito-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=5966","title":{"rendered":"Mobilidade urbana \u00e9 um direito humano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5975\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5975\" class=\"size-full wp-image-5975\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2014\/11\/entregador-em-bicicleta-ciclovias_invisiveis.jpg\" alt=\"Ciclista pedala na Lapa - Foto: Cicloviais Invis\u00edveis\" width=\"560\" height=\"335\" \/><p id=\"caption-attachment-5975\" class=\"wp-caption-text\">Ciclista pedala na Lapa &#8211; Foto: <a href=\"http:\/\/instagram.com\/p\/vdWCjNm57c\/\" target=\"_blank\">Cicloviais Invis\u00edveis<\/a><\/p><\/div>\n<p>A maior resist\u00eancia para a uma mobilidade em favor das pessoas ainda reside entranhada nos cora\u00e7\u00f5es e mentes de quem habita as cidades. A bicicleta, e os ciclistas apocal\u00edpticos, s\u00e3o o contraponto poss\u00edvel e necess\u00e1rio. O valor \u00e9tico de que a vida \u00e9 mais importante que qualquer m\u00e1quina \u00e9 pensamento ainda por se tornar senso comum.<\/p>\n<p>Deslocar m\u00e1quinas na maior velocidade poss\u00edvel \u00e9 a atual fun\u00e7\u00e3o majorit\u00e1rias das ruas e avenidas. Sempre bom lembrar que essa l\u00f3gica \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social que passou por cima da cidade que existiu at\u00e9 o s\u00e9culo XX, quando ve\u00edculos e pedestres transitavam livremente pelos espa\u00e7os p\u00fablicos de circula\u00e7\u00e3o. Nem mesmo os trilhos dos bondes ou os cavalos e carruagens que puxavam destruiram essa l\u00f3gica. O motor \u00e0 explos\u00e3o montado em um chassi met\u00e1lico sobre rodas foi o \u00fanico capaz de acabar com\u00a0as possibilidades de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Dentro desse modelo mental posto em pr\u00e1tica ao longo do s\u00e9culo XX, cada pessoa que transita em bicicleta por ruas, cal\u00e7adas, ciclofaixas, avenidas e ciclovias gera uma perturba\u00e7\u00e3o l\u00f3gica em quem ainda acredita que circular pela cidade \u00e9 privil\u00e9gio.<\/p>\n<p><strong>Direitos fundamentais<\/strong><\/p>\n<p>Dentre os &#8220;direitos humanos urbanos&#8221; talvez o mais comumente abordado \u00e9 a moradia. De maneira bem resumida por Juciano Rodrigues, &#8220;para ser adequada, a moradia deve estar em local que ofere\u00e7a oportunidades de desenvolvimento econ\u00f4mico, cultural e social.&#8221; Mas a cidade \u00e9 muito mais que um condensado de habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aos citadinos deve ser dado o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal e dentre as liberdades, figura tamb\u00e9m a de locoma\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso garantir tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o na vida cultural da comunidade e cuidados especiais para a maternidade e a inf\u00e2ncia. Todos esses direitos est\u00e3o transcritos na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos proclamada em janeiro de 1948 e que consta como o documento mais traduzido do mundo.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de enumerar um repert\u00f3rio base de direitos se expandiu para incluir a Conven\u00e7\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o e a Repress\u00e3o do Crime de Genoc\u00eddio (1948), a Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Racial (1965), a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra as Mulheres (1979), a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a (1989) e a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia (2006), entre outros.<\/p>\n<p><strong>Direito \u00e0 cidade<\/strong><\/p>\n<p>Sendo o espa\u00e7o urbano habitat artificial da maior parcela do contigente humano vivo, natural portanto que se busquem garantias para a garantia de direitos. Mas n\u00e3o foi um resultado que se construiu desde 1948, ocorreu justamente o oposto. Nas cidades foram atropelados o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal. Tornaram-se privil\u00e9gios dos que possam pagar pelo acesso \u00e0 mobilidade motorizada. Os custos em vidas perdidas e mutiladas somam-se as consequ\u00eancias de uma cidade esgar\u00e7ada para a passagem de motores.<\/p>\n<p>Cada tonelada de concreto, asfalto e a\u00e7o depositada em pistas expressas, pontes, avenidas e viadutos interfere na liberdade de locomo\u00e7\u00e3o e atrapalha o acesso \u00e0 vida cultural das comunidades al\u00e9m de desrespeitar os cuidados especiais que devem ser garantidos \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Como garantir o respeito aos direitos humanos na cidade<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 por ser constru\u00eddo um documento conjunto que enquadre com clareza a mobilidade urbana e proponha diretrizes b\u00e1sicas. De toda forma j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel enumerar alguns pontos fundamentais para serem implementados o quanto antes nas cidades.<\/p>\n<ol>\n<li>Mais investimentos para garantir a seguran\u00e7a dos deslocamentos. Mesmo sendo as maiores v\u00edtimas da mobilidade motorizada, \u00a0os pedestres n\u00e3o disp\u00f5e de recursos alocados proporcionalmente;<\/li>\n<li>Garantir locais adequados para caminhar, respeitando as &#8220;linhas de desejo&#8221; dos pedestres em caminhos simples, diretos e sem interfer\u00eancias;<\/li>\n<li>Investir em medidas amig\u00e1veis aos pedestres atrav\u00e9s de sem\u00e1foros com prioridade para quem est\u00e1 a p\u00e9 e outras medidas;<\/li>\n<li>Reduzir as velocidades m\u00e1ximas dos motorizados nas cidades e punir os infratores. Popularizar as Zonas 30 e espa\u00e7os compartilhados que favore\u00e7am as intera\u00e7\u00f5es humanas no tr\u00e2nsito;<\/li>\n<li>Rigor no combate a viola\u00e7\u00f5es que colocam em risco a vida. As mortes nas ruas chegariam a zero sem os carros e as leis precisam refletir essa l\u00f3gica.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dentro das atitudes pessoais, \u00e9 preciso manter-se atento ao discurso ainda em voga, principalmente atrav\u00e9s do notici\u00e1rio, de que as v\u00edtimas dos motores s\u00e3o respons\u00e1veis pelos danos sofridos. Em geral o que se l\u00ea e se v\u00ea \u00e9 uma leitura distorcida da realidade\u00a0com uma cobertura que torna as ruas um local de riscos para os mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Essas refer\u00eancias se baseiam em um texto de Tom Vanderbilt em defesa dos pedestres que atravessam fora dos locais designados. A partir delas \u00e9 poss\u00edvel construir um repert\u00f3rio mais amplo para que as cidades voltem a ser espa\u00e7os adequados para a circula\u00e7\u00e3o humana e principalmente, para que os direitos fundamentais das pessoas seja respeitado.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/www.dudh.org.br\/\" target=\"_blank\">A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.slate.com\/articles\/life\/transport\/2009\/11\/in_defense_of_jaywalking.html\" target=\"_blank\">In Defense of Jaywalking<\/a> &#8211; Tom Vanderbilt<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/nosurbanos.wordpress.com\/2012\/12\/05\/mobilidade-urbana-e-direito-humano\/\" target=\"_blank\">Mobilidade Urbana e Direitos Humanos<\/a> &#8211; Juciano M. Rodrigues<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.ifrtd.org\/new\/issues\/human_right.php\" target=\"_blank\">Mobility as a Human Right<\/a> &#8211; Dr Coudou Bop e Priyanthi Fernando<br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/www.itdp.org\/enrique-penalosa-to-un-mobility-rights-are-human-rights\/\" target=\"_blank\">Enrique Pe\u00f1alosa to UN: \u201cMobility Rights are Human Rights\u201d<\/a> &#8211; ITDP<br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2009\/11\/urban-mobility-human-right.html\" target=\"_blank\">Is Urban Mobility A Human Right?<\/a> &#8211; Copenhagenize<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bicicleta, e os ciclistas apocal\u00edpticos, s\u00e3o o contraponto poss\u00edvel e necess\u00e1rio. 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