{"id":637,"date":"2009-06-03T19:04:12","date_gmt":"2009-06-03T21:04:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ta.org.br\/2009\/06\/03\/a-cidade-invisivel\/"},"modified":"2022-12-04T12:11:46","modified_gmt":"2022-12-04T15:11:46","slug":"a-cidade-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=637","title":{"rendered":"A Cidade Invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Eram multid\u00f5es que passavam \u00e0s pressas, sem desgrudar os olhos do ch\u00e3o, parecendo saber exatamente para onde iam, subindo e descendo ruas inexistentes, entrando e saindo de edif\u00edcios invis\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vejo cidade nenhuma, <em>disse Milo baixinho<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211; Nem eles, <em>observou Alex com tristeza<\/em>, mas n\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a, porque n\u00e3o sentem a falta dela.<br \/>\nMuitos anos atr\u00e1s, aqui mesmo neste lugar, havia uma linda cidade com casas agrad\u00e1veis e parques convidativos. Seus habitantes nunca estavam com pressa. As ruas eram cheias de coisas interessantes para ver e as pessoas frequentemente paravam para contempl\u00e1-las.<\/p>\n<p>&#8211; Eles n\u00e3o tinham nenhum lugar para ir? <em>perguntou Milo<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211; Claro que sim, <em>continuou Alex<\/em>, mas, como voc\u00ea sabe, a raz\u00e3o mais importante para se ir de um lugar a outro \u00e9 ver o que existe entre eles, e as pessoas tinham grande prazer em fazer exatamente isso. Certo dia, contudo, algu\u00e9m descobriu que, se andasse t\u00e3o depressa quanto poss\u00edvel e s\u00f3 olhasse para os sapatos, chegaria muito mais r\u00e1pido a seu destino. Logo, logo todo mundo estava fazendo o mesmo. Todos corriam pelas avenidas sem reparar nas belezas e maravilhas da cidade ao passar por elas.<br \/>\nNingu\u00e9m dava a menor pelota para o aspecto das coisas e, \u00e0 medida que andavam mais e mais depressa, tudo foi ficando mais feio e mais sujo. Quanto mais feio e mais sujo, mais depressa andavam, at\u00e9 que por fim come\u00e7ou a acontecer algo muito estranho. Como ningu\u00e9m ligava para nada, a cidade come\u00e7ou pouco a pouco a desaparecer. Dia ap\u00f3s dia os edif\u00edcios foram ficando menos n\u00edtidos e as ruas desbotaram, at\u00e9 que tudo se tornou invis\u00edvel. N\u00e3o havia mais nada para ser visto.<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 que eles fizeram?<em> indagou Mausquito, de repente se interessando pelo relato<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211; Nadinha, <em>continuou Alex<\/em>. Continuaram a viver aqui como sempre haviam vivido, nas casas que n\u00e3o podiam mais ver e nas ruas que haviam desaparecido, porque ningu\u00e9m tinha prestado aten\u00e7\u00e3o em nada. E \u00e9 assim que vivem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8211; Ningu\u00e9m contou para eles? <em>perguntou Milo<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o adianta, <em>respondeu Alex<\/em>, porque, andando sempre t\u00e3o depressa, nunca conseguem ver aquilo que nem se interessam em olhar.&#8221;<\/p>\n<blockquote><p>trecho do livro <strong> Tudo depende de como voc\u00ea v\u00ea as coisas<\/strong>, de Norton Juster, pela Cia das Letras<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=637\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[33],"class_list":["post-637","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-publico","tag-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=637"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16682,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/637\/revisions\/16682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}