{"id":6932,"date":"2015-09-25T10:53:55","date_gmt":"2015-09-25T13:53:55","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=6932"},"modified":"2025-05-13T18:23:27","modified_gmt":"2025-05-13T21:23:27","slug":"a-mais-bela-ciclovia-e-falsas-polemicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=6932","title":{"rendered":"A mais bela ciclovia e falsas pol\u00eamicas"},"content":{"rendered":"<p>Uma mat\u00e9ria publicada no Jornal &#8220;O Globo&#8221; gerou rea\u00e7\u00f5es apaixonadas por quem gosta ou promove a bicicleta. O t\u00edtulo j\u00e1 resume a quest\u00e3o:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/ciclovia-na-niemeyer-em-sao-conrado-atrapalhara-visao-do-mar-para-quem-estiver-de-carro-17548477\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-6936 size-full\" title=\"Ciclovia na Niemeyer e em S\u00e3o Conrado atrapalhar\u00e1 a vis\u00e3o do mar para quem estiver de carro\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2015\/09\/manchete-oglobo-ciclovia-niemeyer.png\" alt=\"manchete-oglobo-ciclovia-niemeyer\" width=\"724\" height=\"264\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surfando nos coment\u00e1rios, o humor imperou: &#8220;<a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/r\/brasil\/comments\/3lqbea\/ciclovia_na_niemeyer_e_em_s%C3%A3o_conrado_atrapalhar%C3%A1\/\" target=\"_blank\">Dirige olhando pra frente!\u00a0Se quiser olhar pro mar compra um barco<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Uma das mais belas pistas constru\u00eddas no Rio de Janeiro, a avenida Niemeyer sempre foi local in\u00f3spito para os pedestres e ciclistas. Sendo as maiores dificuldades sofridas por quem vai a p\u00e9, equilibrando-se na mureta entre o despenhadeiro e o tr\u00e2nsito motorizado.<\/p>\n<p>A via compartilhada entre pedestres e ciclistas ir\u00e1 garantir o acesso \u00e0 paisagem e principalmente a seguran\u00e7a e tranquilidade de todos que desejem ir do Leblon \u00e0 S\u00e3o Conrado fazendo o uso da pr\u00f3pria for\u00e7a.<\/p>\n<p>Por conta da como\u00e7\u00e3o em torno da inadequa\u00e7\u00e3o da reportagem, ciclistas cariocas elaboraram uma carta ao jornal que at\u00e9 o momento ainda n\u00e3o foi acolhida ou publicada. Em resumo, os ciclistas devolveram nos anos 1990 a vista do mar atrav\u00e9s das ciclovias na orla da Zona Sul, antes bloqueadas por autom\u00f3veis estacionados.<\/p>\n<p>Agora alguns pequenos trechos entre o Leblon e a Barra ter\u00e3o bicicleta e seu azul como paisagem para os motoristas e passageiros por ventura presos em congestionamentos. Abaixo o texto, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/129923447118536\/permalink\/759227767521431\/\" target=\"_blank\">compartilhado inicialmente no facebook<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Carta-resposta \u00e0 mat\u00e9ria &#8220;Ciclovia na Niemeyer e em S\u00e3o Conrado atrapalhar\u00e1 a vis\u00e3o do mar para quem estiver de carro&#8221;, publicada em 20 de setembro no jornal O Globo<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados editores e rep\u00f3rteres do jornal O Globo,<\/em><\/p>\n<p><em>Fazemos parte de um grupo de pessoas que utiliza e promove a bicicleta como meio de transporte na cidade do Rio de Janeiro. Visitamos as obras da ciclovia da Av. Niemeyer em abril deste ano. O ge\u00f3logo da Geo-Rio e fiscal da obra da ciclovia, \u00c9lcio Rom\u00e3o, que lamentavelmente n\u00e3o foi ouvido na mat\u00e9ria &#8220;Ciclovia na Niemeyer e em S\u00e3o Conrado atrapalhar\u00e1 a vis\u00e3o do mar para quem estiver de carro&#8221;, nos mostrou os desafios t\u00e9cnicos para execu\u00e7\u00e3o do projeto que beneficiar\u00e1, principalmente, os moradores do Vidigal e da Rocinha. \u00c9 uma obra complexa que envolve diversos tipos de tecnologias, desapropria\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis, tratamento de encosta e realoca\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores e vegeta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Em resposta \u00e0 mat\u00e9ria publicada no dia 20 de setembro no jornal O Globo, seguem algumas considera\u00e7\u00f5es:<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 no t\u00edtulo, o jornalista parte do ponto de vista do motorista do carro. Rapidamente passamos a perceber que as falas escolhidas como opini\u00f5es mais dizem contra do que a favor das ciclovias.<\/em><\/p>\n<p><em>Vamos aos argumentos:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;No trecho em que a ciclovia est\u00e1 na altura da tubula\u00e7\u00e3o da Cedae, quem estiver de carro n\u00e3o ver\u00e1 o mar&#8221; &#8211; a fala \u00e9 do arquiteto e urbanista Canag\u00e9 Vilhena. Como o Presidente da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a do Ciclismo do Rio, Raphael Pazos, bem afirmou, o motorista que usa a Niemeyer n\u00e3o pode se distrair observando a paisagem, ele deve estar concentrado na dire\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo. O tempo de travessia de um autom\u00f3vel a 40 km\/h \u00e9 de 1 minuto e 48 segundos. Devemos prescindir de infraestrutura e seguran\u00e7a para o pedestre e o ciclista para que o motorista veja o mar por menos de dois minutos? Al\u00e9m disso, crescemos num Rio de Janeiro de monstros, constru\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas como a Perimetral, que tornaram \u00e1reas densamente povoadas cuja arquitetura \u00e9 um patrim\u00f4nio da cidade, em desertos cinzas e violentos. Considerando a quantidade de viadutos e vias expressas da cidade, a constru\u00e7\u00e3o da ciclovia da Niemeyer causar\u00e1 um impacto m\u00ednimo pra n\u00e3o dizer nulo na paisagem. Al\u00e9m disso, est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o de mirantes ao longo do trecho, possibilitando ao carioca novas formas de vislumbrar a cidade. Com certeza, a Niemeyer estar\u00e1 muito mais aberta \u00e0s pessoas e atrair\u00e1 muitos turistas.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Com a mureta de prote\u00e7\u00e3o da ciclovia, ser\u00e1 imposs\u00edvel ver o mar para quem estiver dentro de um autom\u00f3vel&#8221;. Canag\u00e9 complementa sua fala anterior citando uma poss\u00edvel mureta. No entanto, n\u00e3o existe mureta prevista no projeto e sim uma grade de prote\u00e7\u00e3o, como pode ser visto neste video: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cEKWK0s37z0 <\/em><br \/>\n<em>Ou seja, a ciclovia n\u00e3o ir\u00e1 atrapalhar a vis\u00e3o dos motoristas e sim os ciclistas que por ela passar\u00e3o a circular. Vale lembrar que, em 1992, os ciclistas brindaram os motoristas com a vista exuberante da orla de Copacabana que, antes da ciclovia, era uma \u00e1rea tomada por carros estacionados.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Se a ideia era construir uma ciclovia, a prefeitura poderia muito bem ter investido numa estrutura mais larga, pensando tamb\u00e9m nos pedestres&#8221;. Mais uma pessoa que demonstra desconhecer o projeto. A frase \u00e9 da vice-presidente do IAB, Fabiana Izaga. A ciclovia da Niemeyer \u00e9 uma ciclofaixa compartilhada, ou seja, o espa\u00e7o ser\u00e1 compartilhado entre ciclistas e pedestres, como a ciclovia da Lagoa. Na maior parte dos trechos, segue o tamanho padr\u00e3o para ciclovias. Nos locais que v\u00e3o de encontro a muros e fachadas das mans\u00f5es \u00e0 beira-mar, o trecho ser\u00e1 mais estreito. \u00c9 importante refor\u00e7ar que, em ciclofaixas compartilhadas, a prefer\u00eancia \u00e9 sempre do pedestre.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Aparentemente faltou planejamento&#8221; &#8211; a frase \u00e9 da presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig. Gostar\u00edamos de saber em que momento esta senhora se interessou em conhecer o projeto mais profundamente? Quando esteve na prefeitura ou mesmo no canteiro de obras para conhecer os detalhes? Ser\u00e1 ela uma usu\u00e1ria da bicicleta, do autom\u00f3vel ou do transporte p\u00fablico? Como \u00e9 poss\u00edvel um jornal como O Globo publicar uma opini\u00e3o que come\u00e7a com &#8220;aparentemente&#8221;, palavra vazia que nos remete a uma especula\u00e7\u00e3o. Como ciclistas diretamente envolvidos com a implanta\u00e7\u00e3o de ciclovias junto \u00e0 prefeitura sabemos o tempo que demora para um projeto como este acontecer: s\u00e3o muitos anos entre o in\u00edcio do planejamento e a execu\u00e7\u00e3o. Ou seja, se alguma coisa faltou n\u00e3o foi o planejamento.<\/em><\/p>\n<p><em>Infelizmente, o jornal n\u00e3o cumpriu sua tarefa de informar bem os seus leitores. Nenhuma das fotos que ilustram a reportagem foi feita por profissionais do jornal, e a mat\u00e9ria d\u00e1 a entender que o rep\u00f3rter nem esteve no local para ver o trecho que cita. Faltam apura\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es essenciais para o entendimento da falsa den\u00fancia. A mat\u00e9ria parece estar muito mais preocupada em surfar na falsa rivalidade entre motoristas e ciclistas do que realmente informar os cidad\u00e3os sobre seus direitos e propor um debate s\u00e9rio sobre o tema.<\/em><\/p>\n<p><em>Por 99 anos (desde a inaugura\u00e7\u00e3o da Avenida Niemeyer), pessoas em bicicletas ou a p\u00e9 s\u00e3o muito mal recebidas no local. Pela agressividade costumeira do motorista carioca, circular pela Niemeyer \u00e9 dif\u00edcil, perigoso ou no m\u00ednimo desconfort\u00e1vel. Nesses 99 anos, O Globo nunca se deu ao trabalho de questionar a falta de acesso \u00e0 &#8220;vis\u00e3o do mar&#8221; para quem n\u00e3o est\u00e1 de carro. O jornal \u00e9 feito para quem? Nitidamente, n\u00e3o para o bem comum, n\u00e3o para a cidade do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Enviamos esta carta \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do jornal O Globo e at\u00e9 o presente momento n\u00e3o tivemos retorno. Por favor, compartilhem.<\/em><\/p>\n<p><em>Assinam esta carta: Andr\u00e9 Casati, Andr\u00e9a Cals, Arlindo Pereira Jr., B\u00ea Lima, Carlos Aranha, Carolina Queiroz, Crix Lustosa, Eduardo Bernhardt, Elcio Cardoso da Silva, Bl\u00e9 Binatti, Maysa Blay, Michelle Castilho, Michelle Chevrand, Raphael Pazos Esp<\/em><em>a\u00f1ol, Renan Braga, Rosa Maria Mattos, Tati Carvalho, Tiago Moraes Leitman, Ze Lobo.<\/em><\/p>\n<p>Pedalemos, na mais bela das ciclovias, onde ser\u00e1 ainda mais f\u00e1cil e tranquilo ultrapassar mais de 100 carros em 5 minutos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nib4ureoZmQ?rel=0\" width=\"600\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=6932\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-6932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-planejamento-cicloviario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6932"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19575,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6932\/revisions\/19575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}