{"id":7084,"date":"2015-11-16T11:25:52","date_gmt":"2015-11-16T13:25:52","guid":{"rendered":"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/?p=7084"},"modified":"2015-11-16T11:25:52","modified_gmt":"2015-11-16T13:25:52","slug":"aprendizados-de-uma-nova-ciclovia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=7084","title":{"rendered":"Aprendizados de uma nova ciclovia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7085\" style=\"width: 616px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7085\" class=\"size-full wp-image-7085\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2015\/11\/quebra-cabeca-ciclofaixa-laranjeiras.jpg\" alt=\"Foto: Michelle Chevrand\" width=\"606\" height=\"414\" \/><p id=\"caption-attachment-7085\" class=\"wp-caption-text\">Foto: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/michevrand\/\" target=\"_blank\">Michelle Chevrand<\/a><\/p><\/div>\n<p>O planejamento ciclovi\u00e1rio em implanta\u00e7\u00e3o no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, \u00e9 um exemplo de aprendizado coletivo em favor da bicicleta. Uma comunidade que se uniu e colaborou com o poder p\u00fablico, que fez a sua parte.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es nos diferentes trechos, sempre na tentativa de equacionar o principal conflito em todas as ruas: espa\u00e7o. H\u00e1 sempre a busca pelo t\u00eanue equil\u00edbrio entre as necessidades das pessoas a p\u00e9, de quem opta pela bicicleta e das que comp\u00f5em o fluxo motorizado.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio da transforma\u00e7\u00e3o ciclovi\u00e1ria de Laranjeiras<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_7086\" style=\"width: 611px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7086\" class=\"size-full wp-image-7086\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2015\/11\/bicicleta_cachorro_laranjeiras.jpg\" alt=\"Foto: Michelle Chevrand\" width=\"601\" height=\"365\" \/><p id=\"caption-attachment-7086\" class=\"wp-caption-text\">Foto: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/michevrand\/\" target=\"_blank\">Michelle Chevrand<\/a><\/p><\/div>\n<p>Laranjeiras e Cosme Velho s\u00e3o bairros cont\u00edguos, tendo no largo do Machado, e sua esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 o grande centro do bairro, j\u00e1 quase no Catete. As dist\u00e2ncias s\u00e3o em geral muito curtas ou pouco pr\u00e1ticas de serem percorridas de \u00f4nibus e longas demais para uma caminhada. A bicicleta \u00e9 portanto ferramenta de excel\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia ent\u00e3o um grande potencial ainda n\u00e3o realizado para o uso das bicis. A pedalada inicial para dar caldo no volume de pessoas em bicicleta foi em 7 de setembro de 2011 com uma bicicletada pelo bairro. Uma massa cr\u00edtica que ganhou as ruas pedalando e agora, aos poucos, a popula\u00e7\u00e3o local v\u00ea chegar a infraestrutura ciclovi\u00e1ria permanente.<\/p>\n<p>Primeiro foi preciso entender o cen\u00e1rio. Uma primeira contagem, feita na rua das Laranjeiras em 05 de outubro de 2011 contabilizou 978 bicicletas em um per\u00edodo de 12 horas. Um novo levantamento foi feito em 12 de setembro de 2012 e dessa vez foram 1.265 ciclistas e 3 pessoas de skate.<\/p>\n<p>Para comemorar o m\u00eas da mobilidade daquele 2012, teve ainda pedalada e uma vaga viva. No espa\u00e7o normalmente utilizado para o estacionamento de ve\u00edculos motorizados, a popula\u00e7\u00e3o p\u00f4de conhecer o projeto de ciclovia realizado pelo arquiteto e morador, Rodrigo Azevedo, que unia Cosme Velho e Laranjeiras ao metr\u00f4, \u00e0 ciclovia do Aterro, e a Botafogo. O espa\u00e7o foi tamb\u00e9m uma pequena \u00e1gora para debater caminhos, rotas e trajetos, com o objetivo de amadurecer o desenho da ciclovia com a ajuda de quem pedala pelos bairros todos os dias.<\/p>\n<p><strong>Do ativismo ao papel e da\u00ed para as ruas<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA l\u00f3gica pensada para ordenar o fluxo motorizado, era um desincentivo para o uso da bicicleta e at\u00e9 mesmo um risco. Desvios longos, trechos na contram\u00e3o, cal\u00e7adas apertadas e compartilhadas com bicicletas. Era esse o cotidiano.<\/p>\n<p>Dentro do planejamento ciclovi\u00e1rio feito por uma empresa especializada com o aux\u00edlio da popula\u00e7\u00e3o, o card\u00e1pio de op\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis foi sendo montado. Mais do que encaixar a bicicleta, era preciso acalmar o tr\u00e2nsito motorizado e facilitar a fluidez das pessoas em bicicleta com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00f3 com muita observa\u00e7\u00e3o do comportamento dos ciclistas nas ruas era poss\u00edvel definir as linhas de desejo, entender o comportamento das pessoas e prever necessidades para quem gostaria de pedalar. E tudo isso deveria vencer eventuais resist\u00eancias em nome da fluidez motorizada vindas da Secretaria Municipal de Tr\u00e2nsito e da CET-Rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, sempre chegavam novas opini\u00f5es de pessoas interessadas, mas que n\u00e3o estavam familiarizadas com cada uma das dificuldades j\u00e1 percorridas e vencidas ao longo do processo.<\/p>\n<p>Chega uma hora que \u00e9 preciso decidir fechar a porta das colabora\u00e7\u00f5es e tocar para frente. A unanimidade \u00e9 uma ilus\u00e3o e por hora ainda n\u00e3o fomos capazes de alcan\u00e7ar a solu\u00e7\u00e3o ideal, ainda mais frente ao desafio imposto pelo rodoviarismo urbano, que ainda resiste. .<\/p>\n<p><strong>Primeiras experi\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia real \u00e9 fundamental para sentir como as solu\u00e7\u00f5es estudadas e desenhadas funcionam no asfalto e concreto. S\u00e3o apenas primeiras impress\u00f5es, mas ajudam a concluir um pouco dessa longa e coletiva pedalada.<\/p>\n<p>O trecho do Largo do Machado at\u00e9 o Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos (INES) \u00e9 bem gostoso de pedalar, navegar com tranquilidade em meio a tr\u00e2nsito intenso \u00e9 uma del\u00edcia. O \u00fanico desconforto \u00e9 em frente ao Liceu Franco-Brasileiro, com uma cal\u00e7ada min\u00fascula e um grande fluxo de pedestre. O privil\u00e9gio de espa\u00e7o para os motorizados precisa ser revisto ali urgentemente.<\/p>\n<p>Em frente ao INES as coisas come\u00e7am a ficar truncadas. Perde-se muito tempo para atravessar a rua e o volume de pessoas e bicicletas \u00e9 muito pequeno para a pequena ilha em meio ao intenso fluxo motorizado. A ciclovia que segue na cal\u00e7ada \u00e9 tranquila, com pequenas invas\u00f5es no ponto de \u00f4nibus, mas sem maiores problemas. H\u00e1 um pequeno contorno ao redor do largo na entrada da Rua Leite Leal, seria mais f\u00e1cil seguir reto, mas na aus\u00eancia de fluxo motorizado, \u00e9 um trecho tranquilo.<\/p>\n<p>Problem\u00e1tico mesmo \u00e9 o trecho em frente \u00e0 Hebraica, a imprud\u00eancia dos condutores dos motorizados causa desconforto, passam em alta velocidade tangenciando os tach\u00f5es no solo, muito pr\u00f3ximo ao ciclista que sobe pela ciclovia, mas na contram\u00e3o da via.<\/p>\n<p>A liberdade e o conforto do trecho em que a ciclofaixa segue em ambos os sentidos e os motorizados em m\u00e3o \u00fanica, d\u00e3o lugar ao desconforto no trecho em que a rua das Laranjeiras torna-se m\u00e3o dupla. As solu\u00e7\u00f5es ali s\u00e3o complexas, mas a principal conquista em prol das pessoas ainda est\u00e1 por ser feita, medidas de modera\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria, com mais espa\u00e7o para pedestres e ciclistas, mas acima de tudo, velocidades menores para os motorizados.<\/p>\n<p>O cruzamento entre a Rua das Laranjeiras e a Pinheiro Machado ainda \u00e9 problem\u00e1tico. Por tr\u00eas motivos. O primeiro \u00e9 o encontro entre os ciclistas e os motoristas que fazem a convers\u00e3o na Rua Pinheiro Machado. A maior parte deles n\u00e3o espera o ciclista passar para entrar. O segundo problema acontece quando o ciclista que vem da Rua Pinheiro Machado pelo pequeno trecho de ciclovia que corre paralelo ao viaduto, no lado esquerdo da via, chega ao final do trecho e vai de encontro ao fim de um retorno. Nesse local, o motorista n\u00e3o tem como enxergar o ciclista que vem pela ciclovia na contram\u00e3o. O terceiro problema \u00e9 o encontro desse mesmo ciclista na contram\u00e3o com o pedestre, que atravessa olhando para o lado oposto. Em curto tempo de observa\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel entender a conflituosa din\u00e2mica desse trecho. Entre as propostas apresentadas pelos moradores do bairro est\u00e3o o nivelamento da rua com a cal\u00e7ada, que funcionaria como um redutor de velocidade, e o fechamento do retorno.<\/p>\n<div id=\"attachment_7088\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7088\" class=\"size-full wp-image-7088\" src=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/blog\/uploads\/2015\/11\/ciclovia-laranjeiras-botafogo.jpg\" alt=\"Foto: Altamirando Moraes\" width=\"720\" height=\"431\" \/><p id=\"caption-attachment-7088\" class=\"wp-caption-text\">Foto: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/altamirando.moraes\/posts\/990793544276614?pnref=story\" target=\"_blank\">Altamirando Moraes<\/a><\/p><\/div>\n<p>Uma das principais vit\u00f3rias do planejamento ciclovi\u00e1rio em Laranjeiras no entanto, est\u00e1 na liga\u00e7\u00e3o com Botafogo. A rua Pinheiro Machado sempre foi uma trecho complicado para se pedalar, motorizados em velocidades alt\u00edssimas, cal\u00e7adas pequenas e compartilhadas entre pedestres e ciclistas e um trecho espec\u00edfico sem nem ao menos um metro para caminhar ou pedalar em seguran\u00e7a. A curva no acesso \u00e0 Muniz Barreto equacionou uma grande demanda por conforto, mas ainda faltam medidas para garantir que os condutores de motorizados exer\u00e7am mais prud\u00eancia nesse trecho que ainda segue perigoso.<\/p>\n<p>Bem, o trecho em que a Rua das Laranjeiras fica em m\u00e3o dupla \u00e9 ruim, mas n\u00e3o havia alternativas f\u00e1ceis para resolver a passagem de bicicletas em dois sentidos. \u00c9 fundamental a redu\u00e7\u00e3o do limite de velocidade dos carros para come\u00e7ar a melhor integra\u00e7\u00e3o do bairro \u00e0s pessoas naquele trecho, mas essa medida ainda pode demorar.<\/p>\n<p>Pedalar no contrafluxo nem sempre \u00e9 agrad\u00e1vel com carros e bicicletas vindo, mas ali a praticidade dessa possibilidade \u00e9 mesmo um avan\u00e7o e tanto para a mobilidade do bairro.<\/p>\n<p><strong>Expectativas e necessidades futuras<\/strong><\/p>\n<p>O aprendizado ainda em curso nas ruas de Laranjeiras e Cosme Velho j\u00e1 serviram para unir a popula\u00e7\u00e3o local, mas acima de tudo, para fornecer um pequeno manual de como enxergar e incluir a bicicleta.<\/p>\n<p>As dificuldades est\u00e3o postas, mas as possibilidades e conquistas tamb\u00e9m est\u00e3o ao alcance. Que a cidade aprenda e acima de tudo, que a inclus\u00e3o da bicicleta represente uma revers\u00e3o de prioridades. Que a fluidez humana volte a ser prioridade e que o mais importante seja resguardar e proteger as vidas dos riscos impostos por pesadas m\u00e1quinas motorizadas.<\/p>\n<blockquote><p>Esse texto conta com o depoimento de amigos e moradores da regi\u00e3o e foi escrito em parceria com Michelle Chevrand, diretamente envolvida em todo o processo em curso no bairro de Laranjeiras.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=7084\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[68,11,22,31,17],"class_list":["post-7084","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-planejamento-cicloviario","tag-acalmia-no-transito","tag-ativismos","tag-politica","tag-relatos","tag-rio-de-janeiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7084\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}