{"id":731,"date":"2009-11-17T22:51:16","date_gmt":"2009-11-18T01:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ta.org.br\/2009\/11\/17\/recompensas-ciclistas\/"},"modified":"2017-02-22T14:54:29","modified_gmt":"2017-02-22T17:54:29","slug":"recompensas-ciclistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=731","title":{"rendered":"Recompensas para os Ciclistas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"centered imageNone aligncenter\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/transporteativo.org.br\/wp\/wp-content\/photos\/DSC09042.jpg?resize=360%2C270\" alt=\"DSC09042\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p>O texto abaixo \u00e9 uma <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2008\/05\/rewarding-cyclists.html\">tradu\u00e7\u00e3o do Copenhagenize<\/a> para ser memorizado e sempre lembrado em caso de d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia de se promover o uso da bicicleta e combater argumentos ruins contra elas. <a href=\"http:\/\/cotidianosfragmentos.blogspot.com\/2008\/05\/recompensando-ciclistas.html\">O texto tamb\u00e9m foi traduzido aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>O registro e fiscaliza\u00e7\u00e3o de bicicletas na Europa (e no mundo) ainda levanta algumas pol\u00eamicas e pessoas chegam a sugerir que ciclistas devem pagar pelo uso das ruas, assim como fazem os motoristas. Essa linha de racioc\u00ednio mostra-se bastante fraca em provar seus motivos.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia vivem meio bilh\u00e3o de pessoas, 100 milh\u00f5es destas pedalam diariamente de acordo com a Federa\u00e7\u00e3o Europ\u00e9ia de Ciclismo. Nenhum desses cidad\u00e3os sofre a inconveni\u00eancia de registrar suas bicicletas, menos ainda na Holanda e Dinamarca &#8211; pa\u00edses com o maior n\u00famero de ciclistas.<\/p>\n<p>Seguem tr\u00eas bons argumentos para rebater a id\u00e9ia de registro de bicicleta:<\/p>\n<p><strong>1. Uso das ruas e estradas e desgaste das vias<\/strong><\/p>\n<p>Imaginemos o pesadelo log\u00edstico de registrar dezenas de milh\u00f5es de bicicletas. Primeiro deveria ser criado ou adaptado um sistema informatizado para armazenar os registros de bicicletas. Funcion\u00e1rios teriam de ser contratados para operar o sistema e mais dinheiro teria de ser gasto para emitir as licen\u00e7as.<\/p>\n<p>Consideremos o impacto nas vias. O peso m\u00e9dio de um autom\u00f3vel \u00e9 de 1650 kg (<a href=\"http:\/\/answers.yahoo.com\/question\/index?qid=20070131133747AAvBSav&amp;show=7\">fonte<\/a>). Um chute aproximado, pode intuir que em m\u00e9dia uma bicicleta pese 13 kg. Com base nesses n\u00fameros, uma bicicleta pesa 0,8% de um autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Fica claro que o impacto do peso das bicicletas nas vias \u00e9 irris\u00f3rio. Imaginemos que o pre\u00e7o de registrar um autom\u00f3vel seja de $100 tendo como base os impactos negativos no desgaste das vias. Com base nisso, registrar uma magrela custaria 80 centavos.<\/p>\n<p>Agora seria necess\u00e1rio subtrair um pouco desses 80 centavos. Na Dinamarca taxas sobre o desgaste das vias e para prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente est\u00e3o embutidas no custo de licenciar um autom\u00f3vel, al\u00e9m de sobretaxas sobre o peso a depender do tamanho do carro. O impacto negativo para o meio ambiente de um carro \u00e9 grande, a bicicleta n\u00e3o gera nenhum durante seu uso. Apenas para escolher um n\u00famero, vamos tirar 50% dos 80 centavos com base no impacto zero da bicicleta no meio ambiente. Chegamos a 40 centavos por bicicleta. Esses 40 centavos resultariam em nada depois de contabilizarmos as taxas administrativas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser economista para notar que o projeto seria bastante deficit\u00e1rio. A fiscaliza\u00e7\u00e3o seria outro problema. Os aparatos policiais certamente tem prioridades mais importantes do que conferir a documenta\u00e7\u00e3o de bicicletas. Ou seja, um complexo sistema de registro de bicicletas seria um enorme desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos e isso n\u00e3o \u00e9 interessante para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e em prol da seguran\u00e7a vi\u00e1ria teriam melhores resultados no longo prazo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vale a pena lembrar que mais bicicletas nas ruas significaria menos desgaste das vias. Isso iria reduzir a necessidade de caras obras para tapar buracos, recapear pistas, etc. Seria mais barato para os motoristas e muito mais conveniente termos menos interrup\u00e7\u00f5es no vi\u00e1rio para obras.<\/p>\n<p><strong>2. Impacto na Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos impactos negativos irris\u00f3rios nas vias, ciclistas tamb\u00e9m beneficiam a sociedade como um todo ao optar pela bicicleta. Os benef\u00edcios s\u00e3o muitos e extensivamente bem documentados. Numa rela\u00e7\u00e3o direta com o uso do autom\u00f3vel, \u00e9 interessante notar o que dizem alguns estudos sobre polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de part\u00edculas poluentes dentro de um autom\u00f3vel \u00e9 muito maior do que do lado de fora &#8211; na bicicleta por exemplo. Alguns links em ingl\u00eas falam mais sobre isso.<\/p>\n<p>&#8211; <strong><a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2008\/03\/cyclists-can-breathe-easy.html\">Ciclistas Respiram Melhor<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2007\/12\/traffic-kills-10-times-more-people-than.html\">O tr\u00e2nsito motorizado mata 10 vezes mais do que os acidentes de tr\u00e2nsito<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser mais danoso aos pulm\u00f5es sentar-se dentro de um carro do que fora, consideremos o que diz um dos links:<\/p>\n<p><em>Na Dinamarca aproximadamente 4.000 pessoas morrem anualmente em consequ\u00eancia da polui\u00e7\u00e3o do ar causada pelos autom\u00f3veis. O n\u00famero \u00e9 dez vezes maior do que as mortes DENTRO dos carros. Estudos recentes afirmam que respirar a polui\u00e7\u00e3o gerada pelo tr\u00e2nsito motorizado \u00e9 mais perigoso para sua sa\u00fade do que simplesmente transitar.<\/em><\/p>\n<p>Morrem 3.400 anualmente tendo como causa direta a emiss\u00e3o das emiss\u00f5es que saem dos canos de descarga dos carros. Al\u00e9m disso de 200-500 pessoas perdem a vida prematuramente por doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o e aumento da press\u00e3o sangu\u00ednea causada pelo <strong>barulho<\/strong> gerado pelo tr\u00e2nsito motorizado. Isso mesmo&#8230; apenas o BARULHO!<\/p>\n<p>Fica dif\u00edcil quantificar o quanto esses n\u00fameros iriam aumentar se estudos similares fossem feitos nas grandes cidades brasileiras. Afinal a popula\u00e7\u00e3o de toda a Dinamarca \u00e9 de 5 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Ciclistas portanto reduzem os custos da sa\u00fade p\u00fablica e por consequ\u00eancia deixam mais leitos livres nos hospitais para quem necessita deles. Quem pedala tamb\u00e9m promove a pr\u00f3pria sa\u00fade &#8211; ir\u00e1 passar menos dias em casa por conta de doen\u00e7as al\u00e9m de ter uma maior produtividade contribuindo para um impacto positivo na economia.<\/p>\n<p>H\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2007\/12\/for-good-of-society-health-benefits-of.html\">um belo estudo dinamarqu\u00eas acerca do tema<\/a>. Alguns trechos:<\/p>\n<p><em>&#8211; Pessoas ativas fisicamente vivem cerca de 5 anos a mais do que pessoas inativas<br \/>\n&#8211; Pessoas inativas sofrem em m\u00e9dia 4 anos a mais com doen\u00e7as degenerativas<br \/>\n&#8211; Pedalar tem os mesmos efeitos positivos para a sa\u00fade do que qualquer outro exerc\u00edcio. Quatro horas por semana, ou aproximadamente 10 km por dia \u00e9 um n\u00edvel excelente de atividade. Trata-se de quando pedala em m\u00e9dia o cidad\u00e3o de Copenhague, nos deslocamentos ao trabalho e outras viagens.<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso:<\/p>\n<p><em>Caso o cidad\u00e3o de Copenhague pedalasse 10% mais:<br \/>\n&#8211; Seriam mais 41 milh\u00f5es de quil\u00f4metros pedalados (atualmente s\u00e3o 1.2 milh\u00f5es de km\/dia em Copenhague)<br \/>\n&#8211; O sistema de sa\u00fade deixaria de gastar 55 milh\u00f5es de coroas dinamarquesas por ano (aprox. R$ 20 milh\u00f5es)<br \/>\n&#8211; Seriam economizadas 155 milh\u00f5es de coroas (R$ 55 milh\u00f5es) em horas perdidas (devido a doen\u00e7as)<br \/>\n&#8211; Seriam 57.000 dias de trabalho a mais que hoje s\u00e3o perdidos por conta de doen\u00e7as. Um aumento de 3,3%<br \/>\n&#8211; Mais 61.000 anos de vida<br \/>\n&#8211; Menos 41.000 anos vivendo com doen\u00e7as degenerativas<\/em><\/p>\n<p><strong>3. Seja pago para pedalar<br \/>\n<\/strong><br \/>\nTodo o racioc\u00ednio acima deve de alguma maneira levar a recompensas para os ciclistas. Uma prefeitura que constr\u00f3i ciclovias segregadas, encorajando novos ciclistas a pedalar, ir\u00e1 gastar menos em manuten\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria e sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em Copenhague descobriu-se que para cada novo quil\u00f4metro de infraestrutura vi\u00e1ria para bicicleta:<\/p>\n<p><em>Ao construir uma ciclofaixa em ruas com um tr\u00e2nsito de 2.500 bicicletas e 10.000 autom\u00f3veis por dia iria aumentar o n\u00famero de bicicletas em 18-20% naquele trecho.<br \/>\nAl\u00e9m de acarretar uma diminui\u00e7\u00e3o entre 9-10% no n\u00famero de carros e menos 9-10% feridos em acidentes.<br \/>\n&#8211; Uma economia de 246.000 coroas (R$ 86 mil) para a sa\u00fade p\u00fablica<br \/>\n&#8211; Economia de 643.000 coroas (R$ 225 mil) em perdas de produtividade.<br \/>\n&#8211; Um queda nos custos com sa\u00fade, perda de produtividade e acidentes num total de 633.000 coroas (R$ 221.500)<br \/>\n&#8211; O quil\u00f4metro extra significa 170.000 km pedalados a mais.<br \/>\n&#8211; Para cada 1 coroa gasta, a sociedade economiza 5 coroas.<\/em><\/p>\n<p>Isso sim \u00e9 incentivo econ\u00f4mico!<\/p>\n<p>Inclusive, o <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2007\/12\/get-paid-for-riding-your-bike.html\">Departamento Noruegu\u00eas de Estradas (Vegvesen) optou por pagar seus funcion\u00e1rios para irem trabalhar de bicicleta ao inv\u00e9s de irem de carro<\/a>. Muito dessa decis\u00e3o devido aos estudos e conclus\u00f5es apresentados acima.<\/p>\n<p>&#8220;Ao encorajar as pessoas a pedalarem ou caminharem ao trabalho n\u00f3s garantimos que eles fa\u00e7am uma atividade f\u00edsica e ao mesmo tempo diminuam os impactos no tr\u00e2nsito,&#8221; &#8211; declarou Roar Gartner chefe de uma regi\u00e3o Administrativa da cidade de Vestfold na Noruega.<\/p>\n<p><strong>Resumo Resumido<br \/>\n<\/strong><br \/>\nCaso algu\u00e9m seja confrontado com argumentos para que os ciclistas paguem pelo registro de bicicletas, a s\u00e9rie de argumentos acima ir\u00e3o com certeza dar uma boa base para a contra-argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de buscar motivos para fazerem os ciclistas pagarem para circular, os motoristas tem mais que nos pagar um chopp e agradecer em nome deles, das crian\u00e7as (de hoje e do futuro), do pa\u00eds e da sociedade em geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=731\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7,8],"tags":[33,44,72,12,34,22],"class_list":["post-731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","category-planejamento-cicloviario","tag-cultura","tag-dicas","tag-economia","tag-estudos","tag-meio-ambiente","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9649,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions\/9649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}