{"id":764,"date":"2010-01-06T00:27:45","date_gmt":"2010-01-06T03:27:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ta.org.br\/2010\/01\/07\/quebra-cabeca-pos-crise\/"},"modified":"2022-12-04T21:13:44","modified_gmt":"2022-12-05T00:13:44","slug":"quebra-cabeca-pos-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=764","title":{"rendered":"Quebra-Cabe\u00e7as p\u00f3s crise"},"content":{"rendered":"<p>Em outubro de 1973 o mundo inteiro descobriu que a depend\u00eancia pelo petr\u00f3leo era inimiga da economia. Foi a primeira crise, um baque que desacelerou o mundo macro-economicamente e for\u00e7ou a buscas por alternativas. Mas s\u00e3o justamente os momentos de crise que ressaltam grandes oportunidades e principalmente novos caminhos.<\/p>\n<p>Vale pin\u00e7ar, dentre as diversas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o das crises do petr\u00f3leo (houve logo depois a de 1979), dois pa\u00edses que s\u00e3o hoje exemplos para o mundo, por motivos distintos, Brasil e Dinamarca. Um n\u00f3rtico e rico e o gigante latino americano em seu momento &#8220;Ame-o ou deixo-o&#8221;.<\/p>\n<p>O Brasil do final dos anos 60 e in\u00edcio dos anos 70 era uma vers\u00e3o latina da China atual. Franca expans\u00e3o econ\u00f4mica das &#8220;ind\u00fastrias de base&#8221;. O milagre durou pouco, mas o ideario de &#8220;aumentar o bolo&#8221; ainda continua vivo na pol\u00edtica econ\u00f4mica tupiniquim.<\/p>\n<p>Com o primeiro choque do petr\u00f3leo, o governo brasileiro voltou-se para o etanol a base de cana-de-a\u00e7\u00facar como alternativa vi\u00e1vel para abastecer a frota de autom\u00f3veis nacionais que precisava continuar chegando ao mercado. Importar o petr\u00f3leo tornou-se proibitivo, mas n\u00e3o s\u00f3 no Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo a rica Dinamarca passou por dificuldades com a crise. Mas as alternativas foram bem diferentes das adotadas no pa\u00eds tropical. O frio n\u00f3rdico e a extens\u00e3o territorial n\u00e3o abriam caminho para biocombust\u00edveis. A solu\u00e7\u00e3o foi diversificar as fontes geradoras de eletricidade para poder garantir o abastecimento dos aquecedores dom\u00e9sticos no inverno. Para os deslocamentos das pessoas, o pa\u00eds redescobriu a bicicleta. Ve\u00edculo que facilita cidades mais densas e que por ser individual, \u00e9 alternativa racional ao autom\u00f3vel particular em curtas dist\u00e2ncias. Afinal, no espa\u00e7o urbano a maior parte das viagens s\u00e3o curtas o suficiente para serem percorridas a pedal.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI os biocombust\u00edveis s\u00e3o a moda e as bicicletas presen\u00e7a obrigat\u00f3ria para o bom planejamento urbano. Mas a ousadia dinamarquesa s\u00f3 tem sido efetivamente valorizada nos \u00faltimos anos. Planejar cidades que incentivem pessoas a pedalarem mais vezes e mais longe \u00e9 algo que gera um c\u00edrculo virtuoso de impacto local e global. Em Copenhague as pessoas simplesmente pedalam por ser a bicicleta uma excelente alternativa, mas foi uma decis\u00e3o pol\u00edtica tomada d\u00e9cadas atr\u00e1s que construiu as facilidades.<\/p>\n<p>A escolha de facilidades \u00e9 portanto um excelente orientador para cidades e pa\u00edses. Aos militares brasileiros interessava incentivar a expans\u00e3o industrial centrada na produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis. Os dinamarqueses ensinaram a viabilidade econ\u00f4mica de fazer mais, com menos. Os cidad\u00e3os e as cidades s\u00f3 tem a agradecer at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Parafraseando <a href=\"http:\/\/blog.ta.org.br\/index.php?s=jan+gehl\">Jan Gehl<\/a> em rela\u00e7\u00e3o aos quase 40 anos da revolu\u00e7\u00e3o cicl\u00edstica dinamarquesa: o pode ser feito no Brasil para que a cada dia acordemos em cidades um pouquinho melhores do que ontem?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=764\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7,8],"tags":[72,15,34,22],"class_list":["post-764","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","category-planejamento-cicloviario","tag-economia","tag-historia","tag-meio-ambiente","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=764"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16800,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/764\/revisions\/16800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}