{"id":8612,"date":"2007-01-07T15:19:17","date_gmt":"2007-01-07T18:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.transporteativo.org.br\/2007\/01\/07\/espaco-compartilhado\/"},"modified":"2007-01-07T15:19:17","modified_gmt":"2007-01-07T18:19:17","slug":"espaco-compartilhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8612","title":{"rendered":"Espa\u00e7o Compartilhado"},"content":{"rendered":"<p>M\u00f4nica Campos*<\/p>\n<p>Durante muitas d\u00e9cadas o sistema de tr\u00e1fego urbano deveria organizar a circula\u00e7\u00e3o dos diversos modos de transporte estabelecendo uma s\u00e9rie de regras postuladas por c\u00f3digos de tr\u00e2nsito e implantando no cen\u00e1rio urbano um sistema de comunica\u00e7\u00e3o visual que orientasse as a\u00e7\u00f5es das pessoas ao se deslocar. Tanto para pedestres quanto para ve\u00edculos, o sistema determinava atrav\u00e9s de placas de sinaliza\u00e7\u00e3o, sinais de tr\u00e2nsito, e tamb\u00e9m desn\u00edveis (cal\u00e7ada) onde deveria ser o lugar de cada um e como cada um deveria se \u201ccomportar\u201d em seu lugar, para que houvesse seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A inquestion\u00e1vel \u201csepara\u00e7\u00e3o\u201d entre os diversos modos de deslocamento em nome da t\u00e3o necess\u00e1ria seguran\u00e7a come\u00e7ou a ser colocada em cheque pelo holand\u00eas Hans Monderman em um novo conceito conhecido como <em>Shared Space<\/em> ou Espa\u00e7o Compartilhado.<\/p>\n<p>Engenheiro de tr\u00e1fego e atuante na \u00e1rea de urbanismo desde 1969, Monderman iniciou suas reflex\u00f5es a cerca desse tema h\u00e1 mais de 30 anos quando na Holanda havia 15 milh\u00f5es de habitantes e se registravam 3,4 mil acidentes por ano. O governo holand\u00eas descontente pelas in\u00fameras tentativas de solucionar os problemas ocorridos pelos conflitos vi\u00e1rios convidou Monderman para elaborar um projeto que acabasse com o grande n\u00famero de acidentes ocorridos.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o do \u201ccompartilhamento do espa\u00e7o\u201d passou da sugest\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica na cidade holandesa de Drachten. A id\u00e9ia do engenheiro de tr\u00e1fego Hans Monderman foi aplicada em apenas uma quadra, pavimentada com pequenos tijolos. Nenhuma faixa de demarca\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o de pistas para ve\u00edculos ou de travessia de pedestres, sem\u00e1foro, quebra-molas, indica\u00e7\u00e3o de velocidade ou um guarda para disciplinar o fluxo. Suprimiu-se tamb\u00e9m a cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Embora se tratasse de uma via cujo volume de ve\u00edculos circulantes era de 20.000 ve\u00edculos\/dia (via de tr\u00e2nsito pesado), Monderman conseguiu reduzir quase a zero o n\u00famero de acidentes nas \u00e1reas em que o projeto foi implantado.<\/p>\n<p>Na verdade o sucesso dessa nova filosofia de projeto urbano se deve \u00e0 <em>comunica\u00e7\u00e3o pelo olhar<\/em>. Quando os motoristas param de consultar a toda hora a sinaliza\u00e7\u00e3o e se concentram no ato de dirigir, monitorando com seu olhar o que acontece em sua volta, acabam tornando mais seguro o ambiente por onde circulam. O princ\u00edpio de tudo \u00e9 o respeito ao ser humano, onde o pedestre tem sempre a prefer\u00eancia.<\/p>\n<p>O objetivo dessa nova filosofia seria \u201cintegrar\u201d as diversas formas de deslocamento ao inv\u00e9s de separ\u00e1-las por meio de regras, placas de sinaliza\u00e7\u00e3o, sem\u00e1foros, desn\u00edveis (cal\u00e7adas). Nessa nova \u00f3tica, o espa\u00e7o p\u00fablico seria devolvido ao ser humano, ator principal nos layouts dessas \u00e1reas de conv\u00edvio.<\/p>\n<p>O advento do carro fez com que o ato de pensar o tr\u00e1fego adquirisse uma influ\u00eancia dominante deste modo de transporte sobre o uso e projetos de espa\u00e7os p\u00fablicos. Os espa\u00e7os p\u00fablicos passaram a se tornar locais destinados unicamente \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o e ao tr\u00e1fego de ve\u00edculos motorizados, refletindo em seus projetos vi\u00e1rios a preocupa\u00e7\u00e3o com a fluidez dos mesmos e com o desejo de limitar os perigos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a.  O papel do homem, como usu\u00e1rio do espa\u00e7o, foi reduzido ao de participante do tr\u00e2nsito. O \u00eaxito do Espa\u00e7o Compartilhado \u00e9 reverter estes pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Implantado inicialmente na cidade em Drachten, o conceito ser\u00e1 tamb\u00e9m aplicado no per\u00edodo de 2004 a 2008 em mais sete cidades na forma de projeto piloto. A iniciativa ficou a cargo do Programa da Comunidade Europ\u00e9ia chamado INTERREG III. As cidades beneficiadas s\u00e3o: Bohmte (Alemanha), Ejby (Dinamarca), Emmen, Frysl\u00e2n e Haren (Holanda), Ipswich (Reino Unido) e Ostende (B\u00e9lgica).<\/p>\n<p>Frases de Monderman:<br \/>\n\u201cQuanto mais organizado o comportamento do tr\u00e1fego, mais sujeito a infra\u00e7\u00f5es. As pessoas t\u00eam que se organizar sozinhas, sem as autoridades\u201d<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o, as pessoas pensam, esse espa\u00e7o \u00e9 meu. Sendo compartilhado, t\u00eam a consci\u00eancia de dividir o espa\u00e7o\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o do conceito de prefer\u00eancia. Em vez de isolar a bicicleta em ciclovias, fazer com que ela tenha prefer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos autom\u00f3veis e, por sua vez, d\u00eaem prefer\u00eancia aos pedestres\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>M\u00f4nica Campos \u00e9 Arquiteta Urbanista, mestre em Engenharia de Transportes e escreveu esse texto especialmente para o blog da Transporte Ativo.<\/p><\/blockquote>\n<p>[photopress:Shared.jpg,resized,pp_image]<\/p>\n<p>Imagens da Cidade de Roma \u2013 Exemplos de Espa\u00e7os Compartilhados<\/p>\n<p>[photopress:Shared2.jpg,resized,pp_image]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8612\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[33,19,12],"class_list":["post-8612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","tag-cultura","tag-espaco-compartilhado","tag-estudos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8612\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}