{"id":8656,"date":"2007-03-01T17:09:49","date_gmt":"2007-03-01T20:09:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ta.org.br\/2007\/03\/01\/cronica-carioca\/"},"modified":"2007-03-01T17:09:49","modified_gmt":"2007-03-01T20:09:49","slug":"cronica-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8656","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica Carioca"},"content":{"rendered":"<p>Uma excelente cr\u00f4nica de Tutty Vasques sobre o tr\u00e2nsito na cidade do Rio de Janeiro. Boas id\u00e9ias cada vez mais circulando nas mentes cariocas. Nossas cidades cada vez mais precisam do oxig\u00eanio das boas id\u00e9ias para que possamos nos locomover com mais efici\u00eancia.<\/p>\n<p>[photopress:pojucan.jpg,full,centered]<br \/>\nIlustra\u00e7\u00e3o de Pojucan.<\/p>\n<p>Texto reproduzido mediante autoriza\u00e7\u00e3o do autor. Publicada originalmente na Revista Veja-Rio, <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/vejarj\/280207\/cronica.html\">dispon\u00edvel online.<\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong> Intelig\u00eancia no tr\u00e2nsito<\/strong><\/p>\n<p>Ressaca, se ainda n\u00e3o passou, passa com o Desfile das Campe\u00e3s! O triste, depois do Carnaval, \u00e9 o tr\u00e2nsito na cidade, que, se nas \u00faltimas semanas j\u00e1 n\u00e3o era a mesma maravilha de janeiro, a partir de agora vira o inferno de sempre. Os carros voltaram todos das f\u00e9rias. V\u00eam a\u00ed os engarrafamentos de mar\u00e7o fechando o ver\u00e3o, sem qualquer promessa de solu\u00e7\u00e3o para um problema que a certas horas fere os direitos humanos de qualquer cidad\u00e3o que precise cruzar, por exemplo, Botafogo.<\/p>\n<p>Cidades como o Rio de Janeiro deveriam manter um batalh\u00e3o de especialistas em engenharia de tr\u00e2nsito 24 horas por dia em busca de id\u00e9ias simples que facilitem o ir-e-vir da popula\u00e7\u00e3o no caos urbano. Se essa gente j\u00e1 existe, empregada na CET-Rio, por que n\u00e3o ousa mais solu\u00e7\u00f5es criativas como a faixa revers\u00edvel da Rua Jardim Bot\u00e2nico no rush de fim de tarde? A medida vigora desde 1988 com \u00f3timo resultado para o escoamento do tr\u00e2nsito que vem de Botafogo para a Barra da Tijuca, sem que o Detran precise gastar mais que uns baldes de tinta para demarcar faixas no asfalto, al\u00e9m de meia d\u00fazia de placas de alerta a motoristas e pedestres.<\/p>\n<p>Outra que fez um bem danado \u00e0quelas bandas da cidade foi a &#8220;obra&#8221; dos tr\u00eas blocos de concreto que fecharam a sa\u00edda do T\u00fanel Zuzu Angel para a G\u00e1vea. Quem vinha da Barra tinha o h\u00e1bito de duplicar o engarrafamento da auto-estrada, entupindo tamb\u00e9m a Marqu\u00eas de S\u00e3o Vicente. Os motoristas n\u00e3o ganhavam um minuto com isso e paralisavam o bairro nos hor\u00e1rios de rush. Naquela regi\u00e3o, ali\u00e1s, algo poderia ainda ser pensado para estimular os estudantes da PUC a ir de bicicleta para a universidade. A garotada sai motorizada do Leblon, de Ipanema, da Lagoa, desprezando a teia de ciclovias que desembocam no biciclet\u00e1rio do campus. A juventude dourada da Zona Sul prefere encarar fila no estacionamento.<\/p>\n<p>A cultura carioca n\u00e3o conseguiu, lamentavelmente, assimilar o projeto de ciclovias como alternativa de transporte saud\u00e1vel, n\u00e3o poluente e econ\u00f4mico. Salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es, as bikes \u2013 um neg\u00f3cio que cresceu de forma espetacular no Rio \u2013 s\u00f3 saem da garagem nos fins de semana e feriados como equipamento de lazer, tal qual skates, patins, pranchas de surfe&#8230; O que \u00e9 maravilhoso numa cidade solar como o Rio de Janeiro, mas a verdade \u00e9 que pouca gente vai trabalhar ou estudar pedalando.<\/p>\n<p>Talvez porque o clima deixe as pessoas receosas de chegar ao destino suando em bicas, alguns trechos de ciclovia mais afastados da orla ca\u00edram em desuso. Ficam l\u00e1 ignorados primeiro pelos ciclistas, depois pelos motoristas e transeuntes, at\u00e9 ganhar o esquecimento tamb\u00e9m dos respons\u00e1veis pela conserva\u00e7\u00e3o da malha ciclovi\u00e1ria. Essa hist\u00f3ria toda me veio \u00e0 cabe\u00e7a no tr\u00e2nsito lento da General Polidoro, ali em frente ao cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, itiner\u00e1rio freq\u00fcente nos meus deslocamentos para chegar ao trabalho. Olhando para a cal\u00e7ada oposta \u00e0 dos mortos comecei a me dar conta de que est\u00e1 desaparecendo o trecho de ciclovia entre o Mercado das Flores e a Rua da Passagem \u2013 se localizou? \u2013, l\u00e1 onde Botafogo ficou parecido com S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o.<\/p>\n<p>Tem coisas que voc\u00ea s\u00f3 presta aten\u00e7\u00e3o em engarrafamentos. Eu vinha reparando ultimamente que nesse trajeto a pista das bicicletas foi gradativamente invadida por autom\u00f3veis e motos estacionadas, ambulantes, sacos de lixo, cavaletes, po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua&#8230; Como tamb\u00e9m nunca vi ciclistas por ali, me pus a pensar de onde vinha e para onde ia aquele equipamento urbano que aparentemente n\u00e3o serve pra nada. Um dia parei o carro e fui conferir. Achei o princ\u00edpio da ciclovia 10 metros adentro da Rua Sorocaba. Mal virei a General Polidoro \u00e0 esquerda, apareceu no ch\u00e3o a marca de que eu j\u00e1 havia percorrido 1 200 metros em vinte passos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma certa no\u00e7\u00e3o de arqueologia para seguir a pista que de vez em quando desaparece sob a cal\u00e7ada de pr\u00e9dios novos. Reaparece adiante cheia de buracos e obst\u00e1culos, uma imensa bagun\u00e7a. Nenhuma bicicleta me ultrapassou no percurso, que, enfim descobri, vai dar na Mena Barreto, seguindo \u00e0 direita para a Praia de Botafogo e \u00e0 esquerda at\u00e9 o metr\u00f4.<\/p>\n<p>Como uma lei que fica s\u00f3 no papel, aquele trecho da ciclovia existe s\u00f3 no ch\u00e3o, por decreto. \u00c9 o desperd\u00edcio de uma boa id\u00e9ia que os militantes verdes conseguiram agregar ao projeto Rio Orla em 1992. De l\u00e1 para c\u00e1, foram constru\u00eddos 140 quil\u00f4metros de ciclovias, do Recreio dos Bandeirantes \u00e0 Pra\u00e7a Mau\u00e1, de Ipanema a Bangu. Est\u00e1 na hora de avaliar os exageros, entender por que o projeto deu mais certo em determinados trechos, fazer respeitar ou eliminar as pistas de pouco movimento e, sobretudo, estimular o carioca a se locomover de bicicleta fora dos hor\u00e1rios de lazer. Deve haver alguma coisa inteligente para pensar a respeito, n\u00e9 n\u00e3o?<\/p>\n<p>E-mails para o cronista: tutty@nominimo.com.br<\/p><\/blockquote>\n<p>> Mais <a href=\"http:\/\/nominimo.ig.com.br\/notitia\/servlet\/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&#038;pageCode=11\">notas<\/a> e <a href=\"http:\/\/nominimo.ig.com.br\/notitia\/servlet\/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&#038;pageCode=14\">cr\u00f4nicas<\/a> do autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8656\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[33,31],"class_list":["post-8656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mobilidade","tag-cultura","tag-relatos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}