{"id":8809,"date":"2006-12-27T18:21:51","date_gmt":"2006-12-27T21:21:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.transporteativo.org.br\/2006\/12\/27\/rio-petropolis\/"},"modified":"2018-11-19T12:43:34","modified_gmt":"2018-11-19T15:43:34","slug":"rio-petropolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8809","title":{"rendered":"Cicloviagem Rio-Petr\u00f3polis"},"content":{"rendered":"<p>Um relato longo e um tanto pessoal sobre a primeira experi\u00eancia de usar a bicicleta como meio de transporte fora da cidade, para ser mais preciso, entre cidades. <a href=\"http:\/\/www.bikely.com\/maps\/bike-path\/Rio-Petropolis-Via-Mag\">Confira o roteiro aproximado<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"pp_image imageNone\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/transporteativo.org.br\/wp\/wp-content\/photos\/rio_petropolis.JPG?resize=720%2C405\" alt=\"rio petropolis\" width=\"720\" height=\"405\" \/><\/p>\n<p>Um churrasco em Petr\u00f3polis foi a desculpa para a primeira cicloviagem. Foi tamb\u00e9m um grande esfor\u00e7o. O plano inicial era pedalar at\u00e9 a rodovi\u00e1ria, subir com a bicicleta no bagageiro e descer pedalando no dia seguinte. Na noite anterior, os planos mudaram. Estava decidido a ir pedalando. S\u00f3 consegui dormir \u00e0s 2 horas da manh\u00e3, um misto de ansiedade e preparativos finais. Acordei \u00e0s 7 horas, \u00e0s 8 horas estava de p\u00e9, \u00e0s 8:47 cruzei pelo primeiro rel\u00f3gio de rua.<\/p>\n<p>Os primeiros quil\u00f4metros s\u00e3o estranhos. Conhecia todo o trajeto, fui pelas ruas at\u00e9 o Campo de Santana e de l\u00e1, tomei um rumo que era novo pra mim. Passei pela rodovi\u00e1ria, depois segui pela Avenida Brasil. O asfalto at\u00e9 que n\u00e3o estava ruim. A negocia\u00e7\u00e3o com os \u00f4nibus e vans n\u00e3o foi das piores.<\/p>\n<p>Estava um tempo estranho e via a serra \u00e0 frente com nuvens negras por cima. Tinha trocado 500g de amendoim pela minha capa de chuva para manter o peso. Segui por toda a Brasil, at\u00e9 a BR-040, as conex\u00f5es entre as vias e a estrada s\u00e3o sempre a pior parte. Ve\u00edculos em alta velocidade. As regras na estrada s\u00e3o bem diferentes e tomei as devidas precau\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a minha seguran\u00e7a vi\u00e1ria nesses trechos. S\u00f3 conhecia o caminho de carro e atrav\u00e9s do bikely.com. Sabia que nas interse\u00e7\u00f5es principais n\u00e3o tinha como errar. Assim foi.<\/p>\n<p>Na entrada para a rodovia Rio-Teres\u00f3polis foi engra\u00e7ado reparar como pedalar na estrada \u00e9 estar no lugar &#8220;errado&#8221;. A placa apontava a pista central como o destino a seguir. Quase fiz a burrada, mas depois pensei, que nada, estou de bicicleta, vou aqui pela pista lateral mesmo. S\u00e1bia decis\u00e3o da minha parte.<\/p>\n<p>Segui tranq\u00fcilo e depois de alguns quil\u00f4metros fiquei um pouco ansioso por n\u00e3o ter certeza se j\u00e1 tinha perdido a entrada para Mag\u00e9, onde me aguardava A &#8220;Estrada Real&#8221; e seus 17 quil\u00f4metros de subida. Parei num posto de gasolina na beira da estrada. A segunda vez que encostei os p\u00e9s no ch\u00e3o desde o Rio.<\/p>\n<p>Fiquei surpreso com a indica\u00e7\u00e3o, era para entrar \u00e0 direita e seguir reto at\u00e9 Parada Ang\u00e9lica, ou algum outro bairro de Mag\u00e9 que conhecia de nome por j\u00e1 ter feito a mesma viagem de trem metropolitano. N\u00e3o teve erro, virei a direita e depois de 2 quarteir\u00f5es vi a linha f\u00e9rrea. N\u00e3o tinha certeza que estava na dire\u00e7\u00e3o certa, mas supus que sim e depois que passei por baixo da estrada vi que estava no rumo. Bastava manter os trilhos \u00e0 vista. Nessa brincadeira me perdi uma vez, mas logo me achei, pedi mais algumas orienta\u00e7\u00f5es e segui. Achei a linha do trem e numa bifurca\u00e7\u00e3o pedi novas orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Naturalmente saber para onde voc\u00ea est\u00e1 indo ajuda e principalmente como o pessoal da terra chama o lugar para onde voc\u00ea est\u00e1 indo. No posto de gasolina tinha perguntado pela RJ-107 e o atendente n\u00e3o fazia id\u00e9ia de onde era, mas quando disse que meu rumo era &#8220;Raiz da Serra&#8221; ele entendeu e deu a orienta\u00e7\u00e3o que eu precisava.<\/p>\n<p>Um grande par\u00eanteses em rela\u00e7\u00e3o a viagem, foi a certeza de ter acertado em n\u00e3o ir pela BR-040. Chegar em Imbari\u00ea (o primeiro bairro de Mag\u00e9 que eu tinha de cruzar) e ver aquela vida buc\u00f3lica da regi\u00e3o metropolitana, v\u00e1rias bicicleta na rua, um tr\u00e2nsito tranq\u00fcilo em um s\u00e1bado de manh\u00e3. Estacionamentos espont\u00e2neos de bicicleta em frente a esta\u00e7\u00f5es de trem e um monte de magrelas onde quer que houvesse fluxo de pessoas.<\/p>\n<p>Segui sem parar (com exce\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es) at\u00e9 a base da serra. Ali come\u00e7aria efetivamente o desafio. Tinha sa\u00eddo de casa \u00e0s 8:45 e eram quase meio dia. Reabasteci a mochila de hidrata\u00e7\u00e3o com duas garrafas de meio litro d\u00b4\u00e1gua e tomei um guaran\u00e1 natural. As comidas que tinha trazido junto comigo no corpo j\u00e1 haviam acabado. Tirei mais do alforje e parti.<\/p>\n<p>O bar em que parei (e j\u00e1 conhecia da vez que tinha feito a viagem de trem) \u00e9 onde fica o pessoal que opera as kombis na regi\u00e3o. Assim que encostei a bici e entrei um deles se aproximou e ficou observando o ve\u00edculo. Vi que era numa boa, mas naturalmente fiquei um pouco preocupado.<\/p>\n<p>Iria passar algumas boas horas vulner\u00e1vel subindo a serra. Na sa\u00edda dois deles vieram falar comigo, numa boa. Naturalmente a primeira coisa foi o coment\u00e1rio de um com o outro sobre os freios \u00e0 disco, com pastilhas e tudo. Ele ainda brincou com o amigo que a minha bicicleta valia mais que o carro dele. Desconversei, dei aten\u00e7\u00e3o aos caras por mais pouco tempo, me despedi e segui meu rumo.<\/p>\n<p>Ao meio dia come\u00e7ou a aventura de verdade. Uma estrada de paralelep\u00edpedo, m\u00e3o dupla e em subida, s\u00f3 subida. A inclina\u00e7\u00e3o n\u00e3o era forte por ser um tra\u00e7ado desenhado para trens, ainda assim foi complicado. Quase duas horas para subir. Parei uma vez no come\u00e7o para tirar \u00e1gua do joelho e uma outra sem nem saltar da bicicleta. Do\u00edam-me os gl\u00fateos, o joelho e a planta do meu p\u00e9 esquerdo. Levantar 1 cent\u00edmetro o selim ajudou a dor no joelho. Resolvi n\u00e3o ficar muito tempo parado, minhas pernas latejavam. Pensei em empurrar um pouco para variar o movimento da musculatura, mas acabei desistindo da id\u00e9ia.<\/p>\n<p>A estrada tinha numera\u00e7\u00e3o ao contr\u00e1rio. Vi duas vezes o n\u00famero, na altura do 4000 e depois no 3000. Sabia que o fim estava pr\u00f3ximo, n\u00e3o o meu, mas o da subida. O pr\u00f3ximo conjunto de casas certamente seria o \u00faltimo da serra. N\u00e3o deu outra. Vi logo numa delas a numera\u00e7\u00e3o, 650. Comemorei, fiquei em \u00eaxtase. Faltava muito pouco. Cheguei em Petr\u00f3polis. Ainda tinha de cruzar a cidade e chegar ao Bingen. A orienta\u00e7\u00e3o que recebi na rua era fazer o caminho pela BR ao inv\u00e9s de cruzar por dentro. Assim fiz. Mal sabia o qu\u00e3o longe estava da estrada. V\u00e1rias subidas e descidas, ainda nos malditos paralelep\u00edpedo. Finalmente cheguei na estrada, asfalto, grande alegria.<\/p>\n<p>Alegria que nada, mais subida pela frente. \u00c9 a famosa regra de, em bicicleta, preferir os caminhos que se fazia de trem. Estradas para carros tem sempre subidas e descidas demais. Assim foi. Penei na subida, com a \u00e1gua acabando, a comida tamb\u00e9m, mas sabia que faltava pouco e uma longa descida me aguardava.<\/p>\n<p>Cheguei num posto da policia rodovi\u00e1ria, cruzei o t\u00fanel e desci feliz, at\u00e9 come\u00e7ar uma outra subida chata. Ao menos sabia que faltava muito pouco. Na descida seguinte, estava o retorno que deveria pegar. Felicidade pura, n\u00e3o deu pra ir muito r\u00e1pido e ainda tinha mais uma subidinha at\u00e9 voltar para dentro da cidade.<\/p>\n<p>A gl\u00f3ria se aproximava. Cheguei na casa do churrasco e, recebido por aplausos, fiquei bem contente. Suado, com uma leve dor nas costas, mas sem estar cansado, ter vencido a subida a j\u00e1 algum tempo ajudou. Devia ter levado a c\u00f3pia com os movimentos para alongamentos, mas que esqueci em casa.<\/p>\n<p>Olhei para o rel\u00f3gio enquanto comprimentava a todos. O rel\u00f3gio marcava 14h47min. Exatas seis horas.<\/p>\n<p>Tomei um bel\u00edssimo banho e estava &#8220;semi-novo&#8221;. Depois de duas horas subindo a base da minha coluna reclamou. Pior saber que uma reclinada n\u00e3o teria serventia alguma nesse caso, j\u00e1 que penaria ainda mais pra subir.<\/p>\n<p>No dia seguinte acordei numa boa, ansioso pela descida. Sa\u00ed pouco depois das 10 horas. Bem tarde, o sol castigou, mas descer a serra foi um enorme prazer. Pena que durou pouco. N\u00e3o usei os freios, ultrapassei dois caminh\u00f5es, tudo na maior tranq\u00fcilidade, sem arriscar e sem qualquer imprevisto. Pedalando sempre. S\u00f3 deu pra chorar (lacrimejar com o vento na verdade) uma vez. Ri bastante quando percebi e segui pedalando.<\/p>\n<p>Assim que terminou a serra, a dura realidade. Sabia que estava a muitas horas de casa. Os carros zuniam, mas no acostamento tudo numa boa. As bifurca\u00e7\u00f5es continuaram sendo um problema, nada que a paci\u00eancia n\u00e3o resolvesse. A bicicleta sendo usada como meio de transporte pelo pessoal da regi\u00e3o foi um est\u00edmulo. J\u00e1 em Duque de Caxias meus amigos passaram de carro. Um contato ef\u00eamero. Antes um carro tamb\u00e9m tinha saudado, mas n\u00e3o conhecia. Segui at\u00e9 uma lanchonete conhecida onde comi um p\u00e3o com ling\u00fci\u00e7a, tomei um suco de laranja e comprei meio litro d\u00b4\u00e1gua.<\/p>\n<p>Nessa altura o sol j\u00e1 ardia, parei um pouco depois em um posto para passar o protetor solar. Deveria ter feito isso ao sair. Segui direto at\u00e9 a Avenida Brasil, sempre atento \u00e0s entradas da estrada. O asfalto me pareceu um pouco pior desse lado da pista. Mas foi inesquec\u00edvel. Superei o temor de enfrentar a Brasil e agora sei que \u00e9 poss\u00edvel viajar de bicicleta e nem \u00e9 coisa t\u00e3o de maluco assim.<\/p>\n<p>Cheguei no cruzamento da Rio Branco com Presidente Vargas antes das 13 horas. Estava bem no centro do Rio, sabia que faltava quase nada. Vim pelo Aterro do Flamengo. Sem saltar da bicicleta<br \/>\ntirei a mochila de hidrata\u00e7\u00e3o, a camisa e o capacete e pedalei com tr\u00eas pistas da via expressa fechadas. Poucos ciclistas e pedestres aproveitavam aquele espa\u00e7o. Um imenso prazer. Ainda parei para uma \u00e1gua de coco pertinho de casa.<\/p>\n<p>Cheguei \u00e0s 14 horas e pouco. Aproveitei e fiz os alongamentos todos. Felizmente n\u00e3o tive qualquer problema. Mas acho que ainda falta trabalhar mais as costas e com companhia teria feito algumas paradas. Mas foi um grande prazer seguir sempre. Mesmo sem ter pedalado forte (principalmente na subida). Senti falta de um pedal de encaixe e como uma mochila de hidrata\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente uma boa coisa.<\/p>\n<p>Assim foi, a minha primeira cicloviagem. Sem qualquer problema e de grandes conquistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um relato longo e um tanto pessoal sobre a primeira experi\u00eancia de usar a bicicleta como meio de transporte fora da cidade, para ser mais preciso, para se locomover entre cidades. <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8809\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[31,75],"class_list":["post-8809","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-relatos","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12327,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8809\/revisions\/12327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}