{"id":8810,"date":"2006-12-30T16:34:57","date_gmt":"2006-12-30T19:34:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.transporteativo.org.br\/2006\/12\/30\/rio-resende\/"},"modified":"2018-11-19T12:40:37","modified_gmt":"2018-11-19T15:40:37","slug":"rio-resende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8810","title":{"rendered":"Cicloviagem Rio-Resende"},"content":{"rendered":"<p>O Natal dos Membros da Transporte Ativo foi marcado por muitos quil\u00f4metros de estrada. Naturalmente em bicicleta.<\/p>\n<p>Confiram o relato pessoal do Eduardo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"pp_image imageNone\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/transporteativo.org.br\/wp\/wp-content\/photos\/DSC09938.JPG?resize=800%2C600\" alt=\"Cicloviagem\" width=\"770\" height=\"578\" \/><\/p>\n<p>A cicloviagem Rio &#8211; Resende foi intensa. Confesso que fui inundado por uma confus\u00e3o de pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo que me surpreendi comigo e com a Z\u00f6hrer EXD 20&#215;26, tamb\u00e9m me decepcionei um pouco. Eu j\u00e1 sabia que seria uma experi\u00eancia de aprendizado com muito conte\u00fado e em pouco tempo. Cheguei a ficar com dor de cabe\u00e7a de tanto que o c\u00e9rebro funcionou durante e ap\u00f3s a viagem.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do bagageiro traseiro atrasou muito, mas valeu a pena. O Paulinho (Diamond Bike) me entregou a EXD em casa com uma adapta\u00e7\u00e3o muito bem feita na minha avalia\u00e7\u00e3o. Mas esqueceu de trazer meu capacete que eu tinha deixado na loja dele (eu tamb\u00e9m n\u00e3o pedi). Sem condi\u00e7\u00f5es de ir buscar (eram 22 horas) consegui um emprestado, mas que n\u00e3o tinha viseira, o que me fez adaptar um bon\u00e9 por baixo, fundamental para conter o sol que faria. A adapta\u00e7\u00e3o ficou ruim e fui assim mesmo, uma hora atrasado em rela\u00e7\u00e3o ao meu planejamento. \u00c0s 6:30 estava no port\u00e3o de casa. Ao chegar na Praia de Botafogo decidi ir pela ciclovia, pois j\u00e1 era dia e qual n\u00e3o foi minha surpresa ao achar, na passagem subterr\u00e2nea, uma viseira de capacete perfeita para o capacete que tinha. Surreal!<\/p>\n<p>Outra grata surpresa do tipo que te incentiva a encarar o desafio. Nunca consegui regular o c\u00e2mbio traseiro da EXD e nesse dia ele funcionou perfeitamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive nenhum problema mec\u00e2nico, apenas uma situa\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. A trepida\u00e7\u00e3o na Avenida. Rodrigues Alves perto do Rodovi\u00e1ria foi t\u00e3o violenta que a corrente escapou da polia e eu s\u00f3 fui notar na Dutra uns 30 km depois.<\/p>\n<p>At\u00e9 a Serra das Araras a rela\u00e7\u00e3o com a EXD foi de Lua-de-Mel. Mantendo 24 km\/h de m\u00e9dia e fazendo um sucesso danado por onde parasse e por toda a estrada. Cheguei a perder o equil\u00edbrio acenando pra dois motoristas que me saudavam. H\u00e1 que se abrir um par\u00eanteses. A bicicleta \u00e9, definitivamente uma forma de unir as pessoas. Foram tantas as pessoas que acenavam, buzinavam, aceleravam e gritavam frases inintelig\u00edveis que depois da trig\u00e9sima perdi a conta. O fato de estar num ve\u00edculo diferente contribuiu muito e acho que esse \u00e9 um forte ponto positivo da EXD na estrada. Acho que \u00e9 at\u00e9 mais seguro. Tanto que depois da segunda parada em postos, quando fui cercado por curiosos decidi s\u00f3 parar de novo num deles se fosse realmente necess\u00e1rio, afinal de contas me preocupava demais o fato de ter sa\u00eddo uma hora atrasado. No Belvedere fiquei parado uma hora e n\u00e3o consegui sossego por mais de 10 minutos.<\/p>\n<p>O caldo engrossou a partir da subida da Serra das Araras. Juntando minha falta de preparo espec\u00edfico para reclinadas e um poss\u00edvel ajuste ergon\u00f4mico ruim (confesso que nem avaliei se tava certo ou n\u00e3o) meu desempenho caiu muito. Em qualquer subidinha s\u00f3 conseguia atingir 7 ou 8 km\/h. A partir da serra, no km 98 de uma viagem de 185, come\u00e7ou o drama. Freq\u00fcentes subidas e muito lentas, as descidas, ef\u00eameras, resultaram numa viagem fisicamente dedicada a escalar.<\/p>\n<p>Numa dessas ladeiras o sol, at\u00e9 ent\u00e3o, t\u00edmido e escondido nas nuvens surgiu forte e experimentei a conhecida e desagrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o batendo no pesco\u00e7o, muito suor e um calor muito forte. Ciente de que muitos atletas tem problemas s\u00e9rios com o aumento da temperatura corporal, tratei de parar logo e mais uma vez fui brindado com um incentivo. H\u00e1 barracas de frutas na Serra das Araras que canalizam um filete de \u00e1gua de algum riacho pr\u00f3ximo e instalam uma mangueira na beira do acostamento. Me salvei em duas ou tr\u00eas delas ao longo da subida.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"pp_image imageNone aligncenter\" src=\"http:\/\/i2.wp.com\/transporteativo.org.br\/wp\/wp-content\/photos\/DSC09945.JPG?resize=600%2C800\" alt=\"Cicloviagem\" width=\"600\" height=\"800\" \/><\/p>\n<p>Minha maior motiva\u00e7\u00e3o estava atr\u00e1s. Pelo espelho controlava a aproxima\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus da Expresso Brasileiro. \u00c0s 14:20 vi um deles se aproximando. Era o 512 que minha esposa Carol tinha me avisado ser o \u00f4nibus dela.<\/p>\n<p>Parei e comecei a acenar. Vi a Carol me acenando e me emocionei de verdade&#8230; O motorista piscou os far\u00f3is, buzinou, acionou os piscas em sauda\u00e7\u00e3o e n\u00e3o parou. Ela passou por mim e eu estava t\u00e3o perto e t\u00e3o longe ao mesmo tempo. Nos 20 km seguintes pedalei sem \u00e2nimo. J\u00e1 n\u00e3o respondia aos cumprimentos dos passantes e pra piorar surgiu na minha frente uma das ladeiras mais longas e \u00edngremes. O calor ia me torturar, mas eis que outro incentivo me surpreendeu. Come\u00e7ou a chover, n\u00e3o muito, mas o suficiente pra renovar o \u00e2nimo e as for\u00e7as. Subi a 8 km\/h.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo de Resende, j\u00e1 no final da tarde, mais chuva. Foi depois que parei na casa de parentes da Carol em Floriano, a 20 km do meu destino. Uma boa pancada de chuva cai como um b\u00e1lsamo e alivia a tens\u00e3o e o cansa\u00e7o, mas nessa hora surgiu uma dor chata nos joelhos que s\u00f3 parou na noite de domingo. Juntando uma dor bumerangue no cotovelo direito e a certeza de que meu preparo est\u00e1 aqu\u00e9m do desejado e imaginado.<\/p>\n<p>Sem treinar e sem adequar a ergonomia da EXD a mim, n\u00e3o rola.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"pp_image imageNone\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/transporteativo.org.br\/wp\/wp-content\/photos\/DSC09950.JPG?resize=800%2C600\" alt=\"Cicloviagem\" width=\"770\" height=\"578\" \/>e]<\/p>\n<p>Resumindo: 185 km em 12 horas, das quais 9 pedalando, 20 km\/h de m\u00e9dia, 58 de m\u00e1xima, nenhum problema mec\u00e2nico, algumas dores, mas muito o que aprender e muito a treinar. Talvez seja essa uma das maiores li\u00e7\u00f5es que uma cicloviagem traz pro nosso cotidiano. N\u00e3o importa o quanto saibamos, sempre temos algo a aprender.<\/p>\n<p>Um grade abra\u00e7o<\/p>\n<p>Edu<\/p>\n<p>Outra coisa: viajar sozinho \u00e9 bom, mas d\u00e1 pr\u00f3xima uma companhia cai bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal dos Membros da Transporte Ativo foi marcado por muitos quil\u00f4metros de estrada. Naturalmente em bicicleta. <\/p>\n<p>Vale conferir o relato pessoal do Eduardo. <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/?p=8810\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[31,75],"class_list":["post-8810","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-relatos","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8810"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8810\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12326,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8810\/revisions\/12326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/transporteativo.org.br\/ta\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}