Sobre Voar e Pedalar

Bicicletas podem ser carga e viajar com o ciclista para onde for. Ainda que de avião a complexidade seja maior, é possível embarcar, cruzar o país e sair pedalando.

Ser cicloativista as vezes implica em testar a dose máxima de exposição a bicicleta. Mas certamente compensa. A bicicleta integrada ao avião permite cruzar o planeta e ainda manter a liberdade. Ainda que voando a magrela não se sinta confortável e danos possam acontecer.

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As compensações no entanto são muitas e a liberdade de ir até o aeroporto e sair de outro aeroporto pedalando vale a pena. Assim foi feito rumo ao Bicicultura em Brasília.

Aeroportos no entanto não costumam ser bem localizados e o acesso a eles é muitas vezes feito através de grandes avenidas ou vias expressas. Congonhas em São Paulo é uma louvável exceção. Indo por dentro do bairro de Moema é possível chegar lá sem grandes vias expressas.

No entanto ao chegar em uma cidade desconhecida, um guia em bicicleta é sempre bem vindo. Afinal é sempre útil ter alguém para mostrar o caminho e conversar durante a pedalada.

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Fotos Edu.

Ecologia Urbana

Meio ambiente e ecologia são um assunto cada vez mais recorrente. Isto é muito importante, pois ainda dá tempo de salvar o planeta, as áreas verdes e os animais. Porém, ecologia não é só bicho no mato, onça na floresta.

No entanto, cerca de 80% da população brasileira hoje vive em cidades. Então, precisamos falar também de ecologia urbana.
Os problemas ambientais urbanos são muitos: desperdício de energia, lixo, poluição do ar e das águas, destruição das áreas verdes para dar espaço aos automóveis, e sistemas de transporte ineficiente.

Assim como precisamos preservar matas, nascentes e animais selvagens, precisamos de cidades sustentáveis. Andar a pé ou de bicicleta é uma atitude ecológica tão importante quanto conservar a Amazônia ou repovoar o mar de tartarugas marinhas.
Com esta atitude simples de deixar o carro na garagem e ir para o trabalho ou para a academia de bicicleta, você polui menos o ar, não gera pressão por mais estacionamentos e vias – que destroem a área verde das cidades, não gera demanda por petróleo, fonte de energia não renovável.

Novos hábitos, novas tecnologias, novas idéias. É o que mostra este vídeo da WWF:

Veja os outros dois filmes da trilogia Pense de Novo.

A Bicicleta da Mudança

Todo ciclista tem uma bicicleta memorável, aquela que marcou as primeiras pedaladas na infância, a primeira ida até a escola, a guerreira dos tempos de faculdade.

Aprendi a pedalar numa Monareta aro 20″, lembro de cruzar em frente a minha casa sem as rodinhas, livre. Mas uma outra bicicleta marcou a fase mais recente da minha vida. As rodas têm a mesma medida o que há 4 anos atrás despertava curiosidade nas ruas e ciclovias do Rio de Janeiro. Um homem de 1,70 pedalando uma bici pequena.
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Minha Dahon Vitesse foi a primeira bicicleta que usei como veículo, com ela passei a ir de casa à faculdade e depois ao trabalho. Pedalando ela aprendi a “dirigir” uma bicicleta e a me portar nas ruas de uma grande cidade. Por conta dela reformei a minha outra bicicleta que estava largada e quebrada na garagem. Com esses dois maravilhosos veículos meu automóvel particular começou a ficar empoeirado na garagem.

A transição para usar só a bicicleta foi gradual e depois que meu segundo carro foi roubado comprei mais duas magrela e segui pedalando.

Um concurso nos EUA oferece uma premiação para quem desenhar a bicicleta de transporte perfeita. Não sei como vai ser a ganhadora, posso apenas me lembrar como a minha Dahon Vitesse em 2004 me fez ganhar as ruas do Rio de Janeiro e não me deixou parar mais. Ela tinha paralamas que me protegiam da chuva que vinha de baixo, bagageiro para carregar minha bagagem sem deixar minhas costas suadas. Além de ser confortável e nem um pouco esportiva.


Mais:
A Commuter Bike for the Masses – treehugger.com
Commuter Bike for the Masses – bicycledesign.blogspot.com
Relato de um novo ciclista – blog.ta.org.br

Publicidade com e para Bicicletas

Bicicletas são mais que um veículo um símbolo. As duas rodas que precisam apenas da força exercida nos pedais para nos levar longe representam a liberdade de ir e vir e muito mais.

Nada mais natural portanto que haja uma apropriação da bicicleta para vender produtos que promovem a liberdade. No caso a liberdade de acessar a internet de qualquer lugar.

Mas um comercial também pode ter bicicletas como o produto a ser vendido e nesse caso o que vale é o estilo de vida que ser ciclista representa. Ao mesmo tempo é pedalar relaxado por ruas tranquilas como enfrentar o trânsito motorizado com naturalidade.

Até música funk pode ser usada para vender bicicletas urbanas:

As bicicletas tem o potencial de revolucionar não só os ciclistas e as cidades e é isso que se vê nos 30 segundos abaixo em Copenhague:

“Bici Ação” entre nessa!
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Todos os videos via: Copenhagenize.com

Amai e Sede Capaz

“Ora (direis) andar de bicicleta! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para pedalar, muita vez desperto
E saio pelas ruas, pálido de espanto …

E andamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso com seu manto,
Inda com ela pedalo pelo chão deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Por que andas com ela? Que sentido
Têm bicicletas nas cidades, este perigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender bicicletas.”

releitura do famoso soneto de Olavo Bilac