A simples bicicleta e a cidade caótica

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As ruas das grandes cidades são lugares complexos. Além das vias normais com suas calçadas, temos avenidas, pontes, viadutos, passarelas e túneis à disposição da população para os seus deslocamentos diários. E para isso há diversas formas de se mover com ou sem motor, além do mais simples de todos que é o caminhar. A vida nas cidades traz muitas facilidades para suprir nossas necessidades, como comércio, educação, cultura, lazer, serviços e uma grande variedade de tipos de moradias. Mas o que proporciona acesso às necessidades humanas numa cidade é a mobilidade. Pessoas, produtos e serviços precisam circular para que as tais facilidades sejam alcançadas, se tornem realidade. E, por uma série de falhas de planejamento e erros de julgamento as cidades foram construídas, e remendadas, para priorizar a circulação de veículos motorizados, com ênfase nos carros. Ônibus e motos também são motorizados, mas não tem a mesma valorização e importância que os automóveis.

Assim sendo, o trânsito difícil e complicado se estabeleceu e cresceu, com engarrafamentos que não só fazem as pessoas perderem tempo, como encarece fretes e serviços, aumenta a poluição sonora e do ar, tira a qualidade vida das pessoas e a resiliência ambiental das cidades, sem contar com o prejuízo de milhões em atrasos, desperdício de combustível, perda de produtividade por estresse, doenças, acidentes, com mortos e feridos. O cenário ruim piora diariamente com mais e mais carros novos entrando no sistema viário das cidades.

E a bicicleta? Antes encarada apenas como um brinquedo ou um artigo esportivo, se encaixou como uma opção bem interessante para o deslocamento de algumas pessoas. De muitas pessoas, na verdade. Um dos modais que mais cresce em participação na matriz de transportes urbanos que, entre muitas virtudes, tem na simplicidade uma essência que a coloca em um outro patamar quando se fala em mobilidade urbana do século XXI. Claro que os transportes de massa como trens, ônibus e metrô fazem o trabalho pesado de levar muitas pessoas de maneira barata e eficiente nos deslocamentos urbanos mais longos, mas é nas pequenas rotas que a bicicleta mostra todo seu potencial (e resultados!) para agregar necessidades e anseios individuais de mobilidade com benefícios coletivos, como redução dos congestionamentos, da poluição, barulho, perda de tempo, estresse, despesas e caos urbano…

Mas é importante frisar que essas virtudes só são plenamente concretas e incontestáveis para a bicicleta pura, convencional, movida pela pedalada. Essa é a maior merecedora de atenção e incentivo de empresas e governos que realmente almejam cidades mais humanas, resilientes, acolhedoras e saudáveis. Para a bicicleta como instrumento de mobilidade urbana um motor não lhe faz falta, mas complica, encarece e desvirtua a ferramenta de deslocamento mais próxima da perfeição diante do desafio de reduzir esse panorama de caos, prejuízo, feridos e mortos que os motorizados impõem ao cenário urbano do século XXI.

“A bicicleta é uma das soluções mais simples e prazerosa para alguns dos problemas mais complicados do mundo”.

 

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