Bicicletas nas Ruas

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O conceito de Massa Crítica como movimento de contestação origina-se da cidade de São Francisco nos EUA. No entanto, existe uma outra visão de evento contestador do modelo de transporte privado e motorizado nas cidades. São os “Dias Sem Carro”.

Em Budapeste na Hungria os dois conceitos se casaram. A “coincidência organizada” representada pela Massa Crítica conta com o apoio de diversos grupos, oficiais e oficiosos. Todos promovendo um grande encontro. Desde de 2004, milhares de ciclistas, patinadores e afins (30.000 em 2005), tomam as ruas da cidade. O evento se repete duas vezes ao ano, durante o dia da Terra (22 de abril) e no “Dia Mundial Sem Carro” (22 de setembro).

Mais informações em inglês. Ou através do (http://criticalmass.hu/), para os que falam húngaro.

Um elemento importante na trajetória dos que defendem meios de transporte melhores e mais humanos em Budapeste é a cultura. Por lá os “entregadores ciclistas” são um elemento chave na valorização da “cultura da bicicleta”. Afinal quem usa sabe que além de um excelente veículo, a bicicleta também carrega consigo um estilo peculiar. Tão diverso quanto seus usuários.

As ruas de Budapeste com os 30.000 ciclistas em 2005.Um motorista que acorda no dia de uma Massa Crítica.

A Bicicleta

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foto Zé Lobo

O que é uma bicicleta? Definir esse veículo não é tarefa fácil. São tantos tipos, tantas peças, tantos usos.

Nada melhor do que procurar o que está escrito na Wikipedia, a enciclopédia livre. O texto é aberto a todos e em português ainda pode receber úteis adendos. A versão em inglês do artigo, no entanto, está ficando longa demais.

Uma bicicleta, diz-se, é a forma de deslocamento mais energeticamente eficiente, biologicamente falando. Confira aqui, em inglês.

Está disponível também um dicionário básico de várias línguas só sobre componentes da bicicleta. O português disponível é o dos nossos patrícios de Portugal, vale conhecer.

Massa Crítica

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foto Edu

Ao redor do mundo realiza-se rotineiramente na última sexta-feira de cada mês a bicicletada. A idéia do movimento é formar uma “massa crítica“. O conceito vem da física e refere-se a “quantidade necessária para manter uma reação nuclear em cadeia”.

No entanto, quando envolve bicicletas não é nada nuclear, mesmo que busque ser uma reação em cadeia. A idéia é trazer uma quantidade crescente de ciclistas para a rua. Ação direta que visa gerar reflexão a todos os outros os transeuntes urbanos.

Um grupo coeso de ciclistas no trânsito mostra também que uma cidade é um espaço plural, onde se deve valorizar a bicicleta e meios de transporte mais humanos. Em nome da qualidade de vida de todos.

O vídeo abaixo mostra uma bicicletada realizada durante as discussões do Cop 9 em Milão na Itália em 2003. O evento oficial foi promovido pela UNFCCC, órgão das Nações Unidas que promove convenções anuais sobre mudanças climáticas. A mais recente foi o COP 12, em Nairobi, no Quênia.

Uma interessante “Invasão de Milão”.

A parte que nos cabe

Em artigo publicado hoje no jornal O Globo, o jornalista André Trigueiro enfatiza a urgência de se tomar uma atitude em relação aos impactos humanos em nosso planeta. O aquecimento global é uma das interferências humanas que pode ser combatida não só por poderosos governos e indústrias, mas por iniciativas pessoais.

O artigo é intitulado “Não há mais tempo a perder“, segue um trecho:

Estima-se que 80% de nossos deslocamentos diários se resolvam num raio de 5km de distância, o que abre espaço para o uso de bicicletas ou pequenas caminhadas

Usar o transporte público também ajuda, além de outras medidas. O importante é saber que devagar se chega longe e de bicicleta se locomove o século XXI.

Urbana à Holandesa

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foto Edu

A Monark Brisa ainda é fabricada. No entanto, a versão testada é bastante diferente da que sai hoje da fábrica. Parte da família desde os anos 80, a bicicleta tem um charme todo especial. Quadro com curvas sinuosas e um par de tubos mais finos acima do principal. Bagageiro e paralamas completam o visual urbano.

Originalmente toda rosa (incluindo o selim), o modelo testado sofreu algumas modificações estéticas e de conforto, além de um conjunto de freios superior ao original. No entanto toda a relação de transmissão continuou a mesma. Foram trocados os freios, guidão, punhos, manetes de freio, selim e canote. O sistema de frenagem era a parte mais carente de modificações da bicicleta original e como os manetes eram soldados ao guidão, as modificações acabaram sendo grandes. No entanto as características originais foram preservadas, principalmente no que tange a posição de pedalar. O selim bastante acolchoado (ao contrário do original) e com duas molas (o original tinha apenas uma) foi uma opção em nome do conforto.

Naturalmente que quanto mais confortável e maleável o selim, maior a perda de desempenho na pedalada. Mas numa bicicleta com velocidade máxima de 25 km/h (no plano) devagar e sempre é o lema e um bom assento para admirar a paisagem é fundamental.

Com uma coroa de 46 dentes e peão de 18 a Brisa é capaz de subir pequenos aclives e também preserva uma boa arrancada, fundamental no trânsito urbano. Um grande diferencial do veículo e que confere não só charme como também uma performance diferenciada são os aros de 27″. A dificuldade de vencer a inércia efetivamente é um pouco maior, no entanto, depois de embalar as rodas tendem a seguir girando mais facilmente do que se fossem de 26″ polegadas. Esse pequeno detalhe contribui para que o ciclista possa economizar um pouco de energia.

Boa de pedalar a Brisa é também uma bicicleta com “facilidades de estacionamento”. Mesmo com a pintura em spray e vistosos adesivos da Transporte Ativo é um veículo bastante simples. Simplicidade no caso se traduz em baixa atratividade para o furto. Com isso torna-se perfeita para pequenos passeios, ir ao mercado, ir ao cinema perto de casa à noite ou qualquer giro curto pela cidade.

Há também uma exclusividade para os cariocas, a Brisa é capaz de transportar um ciclista feliz até a praia num fenomenal fim de tarde, ficar presa num paraciclo do calçadão, aguardar o retorno do banhista e seguir com ele de volta.

Por não ter um sistema complexo de transmissão a bicicleta ganha em praticidade também na hora da manutenção. Essa característica somada aos excelentes paralamas que isolam com competência a famigerada “água que vem de baixo”, tornam a Brisa um excelente veículo também para dias de chuva.

No melhor estilo holandês de simplicidade e meio de transporte, a Monark Brisa é ideal como veículo do dia a dia para usar à vontade. Para quem quer uma bicicleta guerreira para pedalar sem complicação, é bom olhar com outros olhos aquela “bike de mulherzinha” jogada na garagem. Milhões de holandeses não podem estar errados.

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foto do autor