A música da bicicleta

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Pedalar de olhos fechados é um experiência interessante, ainda que pouco recomendável. Mas mesmo com a visão apurada à frente, é possível trabalhar outros sentidos.

Toda bicicleta tem seu som, seja uma roda livre que gira enquanto não se pedala ou tantos outros. O chacoalar das peças nas imperfeições no asfalto, a campainha, a corrente que gira, o pedivela torcido que geme.

Com tantos sons, é possível fazer música, como o compositor abaixo:

Ou simplesmente imaginar-se de olhos fechados, tal e qual o passageiro de uma tandem, e ouvir sua bicicleta através de cada um dos seus barulhos.

A evolução da bicicleta

 

Certo dia alguém montou duas rodas alinhadas em um pedaço de madeira. Desde então o movimento humano nunca mais foi o mesmo. O vídeo abaixo é uma deliciosa ilustração de como a bicicleta evoluiu se adaptou até se tornar a maneira mais eficiente de deslocamento no planeta.

Com essa simples invenção, a pessoa em bicicleta gasta menos energia que o mais eficiente pássaro e nem precisa sair do chão para consumir poucos recursos e ir mais longe.

Pedalemos!

Via: Arquitetura Sustentável

Banho de chuva em bicicleta

Nuvems pós-chuva. Foto: Thiago Benichio

Nuvems pós-chuva. Foto: Thiago Benicchio

Ciclistas em geral desenvolvem uma certa admiração pelo horizonte, especialmente no verão. É com a visão longe que se pode admirar as nuvens carregadas que antecipam no ciclista o aguaceiro que há de vir. Antecipam o banho de chuva que está por vir.

Existem soluções possíveis para chuvas iminentes, a fuga sendo claro a menos interessante. Existe a proteção, feita através de capas e roupas impermeáveis. No entanto a melhor dela é se lançar nas ruas equipado apenas com um paralamas (para resguardar a retaguarda), ou nem ao menos isso.

A opção pelo risco é a dos maiores sabores. O primeiro deles é o do cheiro da chuva. Aquela que acabou de passar ou chega primeiro através do perfume da água que começou ao longe a molhar tudo, sem ainda encharcar.

Depois do cheiro vem os pingos. E cada chuva tem sua identidade moldada pelo intervalo, distância e peso das gotas. Existem as que quase se desmancham no ar enquanto refrescam o caminho. Incapazes de aderir ao algodão das roupas, resumem-se a grudar na pele onde misturam-se com o suor do ciclista que acelera a pedalada em busca do seu refúgio seco.

Tem também a chuva dos pingos fortes e densos entre si. Formam uma parede um pouco desconfortável de atravessar, mas que em pouco tempo, com o corpo molhado, transforma-se em ducha que expurga todas as dores e ansiedades. Perfeita para ser percorrida com total devoção as forças naturais. Afinal primeiro é preciso debater-se contra a natureza, até o ponto de aceitar o inevitável e tornar-se parte indivisível do ambiente ao redor, completamente encharcado.

Por fim, existe aquela outra chuva que ameaça com força o horizonte. Repleta de densas nuvens cinzentas, raios e trovões, chega a assustar. Mas que nas ruas, levada por ventos estratosféricos, encontra o ciclista apenas pela janela de casa, refúgio seco de onde se admira, mas não se é capaz de aproveitar a chuva.

Cidades para o aprendizado

 

Um fato triste aconteceu com as crianças nas cidades, foram atropeladas para longe das ruas (literalmente). O maior espaço público disponível para brincadeiras tornou-se terra sem vida, local de trânsito motorizado e nada mais.

Consequências negativas inúmeras. Mas a mais grave delas talvez ainda não esteja claramente entendida. A expulsão das crianças das ruas acabou com o maior espaço de aprendizado que elas tinham por perto. E basta observar os pequenos para saber que é pela brincadeira que a humanidade aprende as habilidades fundamentais para sua própria sobrevivência. Assim como todas as demais espécies de mamíferos (primatas ou não).

Ainda assim, entregamos as crianças em espaços de aprendizado formal todos os dias durante a maior parte do dia. Lá elas aprendem como devem fazer para tirarem boas notas e os resultados podem ser bons números no papel e resultados aquém do ideal na vida.

É através da brincadeira que as crianças são capazes de, sozinhas, aprenderem as habilidades fundamentais para sua vida.Quem brinca pratica a criatividade, algo tão necessário no mundo hoje.

Para as soluções do futuro é preciso fazer novas perguntas em busca de respostas para os novos problemas. Há frente estarão sempre presentes os obstáculos e por meio do brincar podemos ter a certeza que as crianças saberão enfrentar o que aparecer antes que formem barreiras.

 

O futuro será pedalado. É com a bicicleta que aprendemos a conquistar nossos medos em busca do equilíbrio, aprendemos a desafiar o que está por vir e descobrimos o mundo de maneira divertida. Uma habilidade que aprendemos brincando e que ao praticar cotidianamente seremos capaz de modificar para sempre nossas cidades.

Neve e capacetes

Todos os anos, cerca de 50 milhões de pessoas aproveitam o frio nas montanhas dos Estados Unidos para deslizar ladeira abaixo na neve. Dentre esses milhões que montam em esquis e pranchas de snowboard, algumas dezenas perdem a vida na prática do esporte. E vidas humanas são valiosas e precisam ser preservadas.

Com a melhor das intenções, a Associação Americana de Áreas de Esqui (NSAA na sigla em inglês), promove há mais de 11 anos a utilização de capacete entre os esquiadores, com ênfase especial nas crianças. Os números são reconfortantes, o percentual de utilização do capacete subiu de 25% dos praticantes na temporada 2002/03 para 70% em 2012/13. Números tão consistentes que o presidente da NSAA comemora o esforço colaborativo dos pólos de ski, organizações médicas e até pais e responsáveis na promoção ao uso do capacete.

Muitas vidas devem ter sido salvas como consequência, certo? ERRADO.

(…) pesquisas demostram que o uso de capacete reduz a ocorrência de danos na cabeça entre 30% e 50%, mas essa redução em ferimentos na cabeça em geral limita-se aos ferimentos menos graves. Não houve redução significativa em ocorrências fatais nas últimas 9 temporadas, mesmo que o uso de capacete tenha crescido.

É o que aponta um documento da própria NSAA. Certamente muitas pessoas estão felizes em não terem de lidar com lacerações e outros ferimentos na cabeça, mas mais felizes ainda estão os fabricantes de poliestireno expandido (EPS) e outros plásticos, que fabricam as boinas de isopor com isolante térmico que se tornaram tão populares nas montanhas nevadas dos Estados Unidos.

Promoção ao uso da bicicleta

Já sobre as notícias que ninguém se deu ao trabalho de publicar, em Portland, a capital norte-americana da bicicleta não teve qualquer ocorrência fatal envolvendo ciclistas na cidade.

Certamente um número relevante na cidade com mais cidadãos que optam pela bicicleta nos EUA. Uma vitória da promoção ao uso da bicicleta na busca por encorajar mais pessoas em mais bicicletas mais vezes. Estejam elas de boné de isopor, chapéu, fraque, chinelo ou bermuda. Porque afinal a segurança nas ruas passa pelo aumento massivo no uso da bicicleta.

Aos que quiserem utilizar os bonés de isopor e outros derivados de petróleo, fiquem à vontade para fazê-lo em qualquer situação. Mas vale o pedido para que o façam pelos motivos certos, para evitar arranhões e danos no couro cabeludo e não como bóia salva-vidas das ruas.

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Quem quiser saber mais detalhes sobre esqui e segurança, vale ler o o documento Facts About Skiing/Snowboarding Safety (em PDF). Já os números em relação ao uso de capacete no esporte estão no documento “Ski & Snowboard Helmet Use Sets Record”.

Sobre as 4 maiores notícias jamais escritas em 2013, visite o BikePortland.

Esse post foi inspirado na seguinte notícia: Capacete não tem reduzido lesões em esqui – publicada no jornal à Folha de S. Paulo em 04 de janeiro de 2014.