Transporte ativo e planejamento urbano

A vida urbana é a organização humana padrão dos nossos tempos. Não é novidade morarmos em cidades, a novidade é morarmos tantos em cidades.

Da pressão por espaço urbano, surge uma cidade que deverá buscar novas e melhores maneiras de se adequar a necessidade de seus moradores. E é sobre o planejamento urbano para essa nova cidade que fala o vídeo acima. E não é coincidência que o autor do vídeo menciona os transportes ativos, nossa maneira preferida de definir todos que dependem do próprio esforço para se locomoverem.

Visto primeiro no Bicyclop.

O trânsito seguro de bicicletas

Bicicletas são veículos seguros por excelência capazes de manter velocidade graças ao esforço físico de seu condutor. Sendo essa dependência do ciclista seu maior trunfo.

É no entanto bastante comum ouvir comentários e dúvidas daqueles que por ventura ainda não pedalam quanto a segurança de se conduzir um bicicleta nas cidades. É uma pergunta difícil, que gera embaraço aos mais desatentos mas cuja resposta pode ser repetida com o mantra em relação a segurança intrínseca da bicicleta: sua limitação de velocidade de acordo com a capacidade do condutor.

Ainda assim, a segurança da bicicleta por si só, perde evidência em cidades com ruas e avenidas tomadas por veículos motorizados e altos níveis de estresse. O problema então deixa de ser a bicicleta e passa a ser o uso das ruas.

Nascida no século XIX, a bicicleta chegou ao século XXI firme, forte e capaz de desempenhar um papel que ficou esquecido em muitas cidades ao redor do mundo. O melhor meio de transporte em curtas distâncias e máquina mais eficiente jamais produzida pelo homem para a conversão de força muscular em movimento.

Para que o potencial da bicicleta seja devidamente compreendido e exercido, é preciso permitir que seus usuários desfrutem da segurança natural do veículo e essa segurança se constrói com intervenções diretas na pacificação da circulação urbana.

A lógica da velocidade motorizada em largas avenidas é um retumbante fracasso, tendo a degradação urbana e a inviabilização da circulação humana como consequências diretas. Discutir segurança dentro desse cenário tem de passar pelo debate e promoção de rotas seguras para deslocamentos humanos.

Nas cidades do século XX, foi introduzido um elemento novo, o automóvel. Para que ele pudesse circular em segurança, foi preciso confinar os pedestres nas calçadas e retirar todas as interferências das ruas. Nosso tempo é de reversão do uso do espaço urbano em favor das pessoas, e o caminho passa pela mudança do discurso em relação ao uso da bicicleta.

Deslocamentos urbanos em Sydney

Maior cidade da Austrália, Sydney é o centro de uma enorme região metropolitana com diversas pequenas cidades que orbitam ao redor.

A melhor ligação entre os diversos subúrbios é o trem metropolitano que circula por uma rede extensa e complexa. Trens expressos, paradores, para longas e curtas distâncias, modernos, antigos ou bem surrados. Todos circulam pela rede eletrificada, tem dois andares e assentos em geral reversíveis, que podem ser mudados de lado de acordo com o sentido de circulação do trem.

Diversas estações unem a história das ferrovias australianas as necessidades atuais de transporte de passageiros. Os prédios antigos mantém as características de quando foram construídos e as plataformas são expandidas para comportar os trens de até 8 vagões.

Em geral as estações tem acessibilidade plena, rampas ou elevadores e catracas mais largas. E na acessibilidade das estações está a maior vantagem do sistema de trens metropolitanos de Sydney. Os elevadores, rampas e catracas largas são utilizados sem distinção por cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida, bicicletas, carrinhos de bebê, malas, malotes e caixas de mágicas. É possível transportar quaisquer objetos e pertences pessoais sem restrição de horários. Em todos os vagões há uma área confortável para sentar ou permanecer junto a veículos ou pertences pessoais. Escadas estreitas dão acesso aos dois andares dos trens onde os demais passageiros podem sentar confortavelmente.

Mesmo populosa para os padrões australianos, Sydney consegue atender a demanda de deslocamentos urbanos com conforto. Os trens em geral circulam com espaço suficiente mesmo em horário de pico e apesar das variações de altura e distância em relação as plataformas dos trens novos e antigos, é cena comum ver carrinhos de bebê e bicicletas circulando sem dificuldades.

A rede metropolitana de transportes ainda conta com um sistema confiável de ônibus que em geral fazem distâncias menores ou complementares aos trens e por fim um sistema de barcas com o mesmo padrão de acessibilidade dos trens.

Dentro de todo o sistema, a bicicleta ainda tem importância bastante secundária e que varia bastante de acordo com o município. Alguns contam com mais infraestrutura de circulação, bicicletários integrados as estações de trem e barcas e até aluguel de vagas para bicicletas dentro de “armários”. Mas de maneira geral a bicicleta ainda é um objeto utilizado por turistas em regiões de praia, atletas de fim de semana ou ciclistas inveterados com roupas de lycra e magrelas super esportivas. A grande maioria respeita a lei que obriga os ciclistas a utlizarem capacete, mesmo que estejam com o objeto ao contrário na cabeça, ou com o feixo aberto.

Nos detalhes da infraestrutura cicloviária e no perfil geral dos ciclistas fica evidente o tratamento recebido pela bicicleta ao redor do estado de Nova Gales do Sul, do qual cidade é a capital. Bicicleta é para “fãs do esporte” e alguns excêntricos que são tolerados por serem poucos e que devem respeitar as pinturas no asfalto que estabelecem onde a bicicleta deve circular, em geral no cantinho ou em calçadas compartilhadas. Mas também por ciclovias e em faixas de ônibus.

Ao olhar para o que há de melhor e pior nos transportes públicos de qualquer grande cidade é possível visualizar desafios e soluções. Quanto melhor forem as soluções, melhor será o sistema, o que não significa que os desafios sejam menores.

Em busca do Centro do futuro.

Mais uma reunião do Projeto Ciclorrotas para o Centro do Rio aconteceu nesta segunda-feira. As rotas levantadas na oficina de 25 de agosto e as que foram recebidas em seguida, foram consolidadas em um só mapa e lapidadas até se chegar à uma rede ideal que foi apresentada para validação. Novas ideias surgiram, alguns trechos foram incluidos e a possibilidade de integrar a rede ao VLT do Centro e BRT TransBrasil também foi considerada. O projeto segue no prazo e novas etapas virão em breve.

Confira as contagens de ciclistas já realizadas no Passeio Público e no Estácio, que darão apoio ao projeto. Se você quer participar ou contribuir de agluma forma com o projeto, entre em contato.

Contagem de Ciclistas no Estácio

Mais uma contagem de apoio ao projeto Ciclorrotas para o Centro, foi realizada na semana que passou. Para conferir o movimento de bicicletas no local definido da oficna de 25 de agosto, a Transporte Ativo, em parceria com o ITDP, Studio X e ciclistas voluntários, realizaram na quinta feira, dia 18 de outubro de 2012, uma nova contagem de ciclistas na Rua Joaquim Palhares, com o objetivo de levantar dados de apoio ao projeto, permitindo uma melhor avaliação da área.

Alguns números preliminares:

Total em 12 horas: 813 bicicletas = 68 por hora

416 direção Centro 51%
397 direção Tijuca 49%

Horário de Pico: 17 às 18 com 81 ciclistas
Horário de Vale: 16 às 17 com 55 ciclistas
23 Mulheres 3%
199 em serviço 25%

Confira o relatório completo da contagem de ciclistas no Estácio, Cidade Nova, Rio.