TA na Escola Alemã Corcovado

Quem atua na promoção ao uso da bicicleta como meio de transporte sabe que se construírem ciclovias os ciclistas virão. E quanto mais bicicletas nas ruas, mais pessoas são atraídas para a vida ativa sobre duas rodas.

Os amigos da Escola Parque fizeram a ponte e nos apresentaram a um grupo de pais da Escola Alemã Corcovado (EAC). Eles conversaram com a coordenação e depois de uma reunião com a direção da Escola as portas de mais uma instituição de ensino se abriram para uma rodada de palestras e oficinas baseadas em nossa Tecnologia Social Ciclorrotas .

Na semana passada o primeiro momento dessa mais nova parceria foi muito especial, com a Transporte Ativo sendo convidada para apresentar a palestra “A Bicicleta: passado, presente e futuro” a um grupo de cerca de 60 alunos das turmas 9 e 10, do ramo brasileiro, e ainda alguns pais e professores. O desafio de pedalar nas cidades é similar ao de conseguir alguma interação de alunos adolescentes, mas a bicicleta sempre se supera em suas virtudes e nos ajudou a quebrar barreiras, prendendo a atenção e fazendo alguns olhinhos brilharem com as possibilidades que a liberdade sobre duas rodas se apresenta aos jovens.

Nos próximos encontros a conversa será sobre como a bicicleta pode ser a catalisadora para a cidade que queremos, com um trânsito mais seguro, saudável e humano. O ciclorrotas terá nova oportunidade de ajudar a melhorar a circulação segura de ciclistas em Botafogo, através da ação de alunos desta escola. A TA e a EAC firmaram uma parceria simples como pedalar para levantar de dados e proporcionar debates de ideias com as jovens mentes da escola, construindo assim uma proposta de intervenção urbana oriunda de uma pressão social legítima.

XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicleta no Brasil | Inscrições Encerradas

Foram 54 inscrições nas 3 categorias, com destaque para a região sudeste que enviou 48% dos projetos e para a categoria Ação Educativa e de Conscientização com 44%.

O comitê de avaliação já está com os formulários e em agosto teremos os resultados.
A entrega dos prêmios será em outubro, na Holanda.

Para saber mais sobre o prêmio e suas edições anteriores, clique aqui.

Praça Saens Peña <> Praça XV

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Há poucos dias uma tragédia aconteceu na Tijuca, quando mãe e filho faleceram em um sinistro envolvendo um ônibus e um autopropelido, espécie de bicicleta elétrica com acelerador. Caso houvesse infraestrutura cicloviária naquela via, certamente não teria havido a ocorrência.

Há anos, mais precisamente 16 anos, existe um projeto de infraestrutura cicloviária para a região, que liga a Praça Saens Peña na Tijuca à Praça XV no Centro. Por diversas vezes,  quase deixou de ser apenas um plano no papel para se tornar uma realidade, mas sempre esbarrou na carrocracia existente que impôs mudanças no percurso, a maioria delas que não seria usada por ciclistas, pois foram pensadas para não atrapalhar o fluxo dos carros, e acabam sendo postergadas para um outro momento. Uma coisa é certa, se ela já estivesse implantada, mãe e filho, Emanoelle e Chico ainda estariam circulando por ali.

Esta é uma rota de extrema importância, pois além de conectar a Grande Tijuca ao Centro da Cidade, ainda permite uma conexão metropolitana com Niterói via Barcas. A seguir, um pouco da história desta infraestrutura tão solicitada por ciclistas cariocas e sempre relegada pelo poder público para um próximo momento.

A imagem que abre esta página, mostra o projeto original, cedido pelo então programa da Secretaria Estadual de Transportes, Rio Estado da Bicicleta, para o Município que aceitou o presente mas só o tornou público no evento Bici Rio dois anos depois, como podemos conferir na matéria “No Rio, ciclovia ligará Praça Saens Peña às barcas na Praça 15“. Mas ficou só na divulgação. Em 2014, com a Copa do Mundo Fifa e Olimpíadas a caminho, mais os 450 anos da cidade, ela volta a ser anunciada. Podemos ler mais sobre isso nas seguintes matérias: “Ciclovia de 7,5 quilômetros vai ligar a Praça Saens Peña, na Tijuca, e a Praça Quinze, no Centro” e “Regiões da Tijuca e Centro serão ligadas por ciclovia de 7,5 quilômetros“. Está no site da própria prefeitura, a ciclovia da Tijuca foi uma das idéias propostas pela sociedade no Desafio Ágora Rio, plataforma colaborativa promovida pela prefeitura para discussão de políticas públicas. Porém a cultura centrada nos carros prevaleceu e decidiram que ainda não era o momento.

Em 2020, Pandemia Covid-19, volta-se a se falar sobre ela, mais uma vez com traçado desfigurado, mesmo em um momento onde poucos carros circulavam pelas vias e as bicicleta se destacavam, pois as pessoas estavam evitando o transporte publico e as aglomerações. A CET-Rio, chegou a nos encomendar uma contagem de ciclistas em alguns trechos do percurso. Solicitaram que a contagem fosse feita em um domingo e em “horários de pico” baseados em horários de pico de motorizados, foi formado também um grupo de trabalho para se discutir o assunto.

SP_PXV_2020

Com ajuda da Sociedade Civil, LabMob UFRJ, ITDP e TA o traçado proposto foi redesenhado mas mesmo assim, não se conseguiu que ficasse simples e objetivo como a proposta original. O tempo passou e ela seguiu apenas como mais uma boa ideia no papel

praca-saens-pena---centro

A ciclovia neste trecho é uma solução simples e viável, mas permaneceu engavetada nos últimos 16 anos. Agora, após a tragédia ocorrida, a Prefeitura se mobiliza para dar uma resposta à sociedade, que pode vir ou não a ser a implantação desta tão importante, sonhada e esperada infraestrutura que tornará a cidade mais limpa, agradável, convidativa e principalmente, mais segura, ajudando a preservar vidas.

Outras contagens de ciclistas ao longo do percurso:
Estácio 2012
Av Chile 2012
Av Chile II 2021
Estácio de Sá  2021
Túnel Martim de Sá 2021

Nova contagem de Ciclistas na rua Marquês de São Vicente – Gávea.

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Falamos sobre a Gávea por aqui, em alguns momentos como esse e esse, onde apresentamos todo um trabalho desenvolvido durante dois anos em parceria com escolas da região e associação de moradores, até sua implantação. A Rua Marquês de São Vicente na Gávea, Rio de Janeiro, ganhou uma ciclofaixa em binário, sobe por um lado e desce pelo outro, que estava funcionando muito bem e protegendo os ciclistas ali presentes. Porém em uma atitude autoritária, sem qualquer embasamento técnico a faixa de descida, foi removida por reclamação de alguns motoristas influentes que não gostaram da solução desenhada para melhoria do bairro e da vida daqueles que por ali circulam.

Para conhecer as mudanças por onde passam moradores, trabalhadores, entregadores, mães, pais e estudantes das escolas próximas, e buscando conferir o movimento atual de bicicletas no local, a Transporte Ativo realizou na quarta-feira, dia 18 de março de 2026, nova contagem qualitativa de ciclistas, com o objetivo de trazer à tona um pouco da realidade atual sobre as bicicletas no local, permitindo assim uma melhor compreensão e avaliação da área.

A ciclofaixa da Rua Marquês de São Vicente, foi criada para dar segurança aos ciclistas ali presentes, conforme indicam os Artigos 1º §3º §5º e 21º II* do Código de Trânsito Brasileiro, e ao removê-la a circulação deixa de ter a segurança promovida pela ciclofaixa. Os Ciclistas não deixaram de usar a via apenas porque a ciclofaixa de descida foi removida, seguem por lá circulando como sempre: pais e mães com seus filhos; adolescentes indo ou voltando da escola etc. A retirada da ciclofaixa na descida deixou estes usuários novamente em situação de vulnerabilidade, o que contraria os artigos do CTB citados acima e descritos no relatório. Sendo assim, a manutenção ou no caso a reposição de sinalização específica horizontal e vertical na descida da Rua Marquês de São Vicente se faz importante para proteger os e as ciclistas que por ali circulam diariamente.

Clique aqui para ler o relatório, que contém dados da contagem atual e da contagem realizada antes da implantação da ciclofaixa, para fácil comparação.

Detalhe, muitos ciclistas passaram a utilizar a faixa de subida para descer, como na foto acima, e outros voltaram a usar a calçada que tinha ficado liberada para os pedestres. E ainda, a remoção da faixa de descida cuja alegação era de que atrapalhava o tráfego de veículos motorizados, em nada alterou os congestionamentos, que acontecem em horários pontuais por ali.

Em busca da velocidade ideal

TA

O carro mais rápido do mundo atingiu 1223 km/h em 1997 num deserto dos EUA, enquanto o recorde da motocicleta mais veloz do mundo é de 600 km/h. Mas estes não podem ser comprados. Excluído o fator preço o carro mais rápido disponível para o público chegou a 500 km/h, é elétrico e custa R$ 13 milhões. E a motocicleta de rua mais veloz chega a 258 km/h…  Dentro de um contexto motorizado mais popular e acessível, carros e motos de hoje aceleram mais rápido e são mais velozes.

A paixão pela velocidade é uma febre mundial. A emoção e a excitação das altas velocidades conquista homens e mulheres de todas as nacionalidades, cores, credos e classes sociais. A alta velocidade gera emoção e isso é inegável. Mas ela vem com um risco diretamente proporcional ao número alcançado no velocímetro, claro. Se algo der errado a colisão ou queda cobrará um preço, bem alto e nem sempre “pago’ apenas por quem buscou aquela ’emoção’.

Qual a finalidade da velocidade? No esporte, o mais rápido ganha a competição; na economia a velocidade da produção reduz custos e aumenta lucros. No comércio, pode ser o diferencial que conquista aquele cliente. É o famoso “Tempo é dinheiro”. Então gastar menos tempo em qualquer processo pode significar mais dinheiro para a pessoa/empresa/cidade/país.

Na mobilidade humana a velocidade é uma questão complicada e polêmica. Será que quanto mais veloz o transporte, mais eficiente na missão de levar pessoas para lá e para cá? A princípio sim, mas a velocidade aumenta o risco de sinistros de trânsito que provocarão congestionamentos, fazendo todos demorarem mais para chegar ao destino.

Qual é a velocidade ideal dos transportes? Aquela que permite que pessoas e cargas se locomovam no melhor tempo possível. Sim, há o menor tempo e o melhor tempo de deslocamento. A busca por fluidez/maior velocidade, um anseio lá dos anos 1950 e que ainda está no foco de órgãos de engenharia de trânsito pelo Brasil e pelo mundo tem se mostrado cada vez mais uma prática ultrapassada, inadequada e cara. As perdas de vidas, os feridos e o prejuízo econômico associado aos congestionamentos por conta de sinistros são grandes demais. E quanto maior a velocidade, mais graves as colisões, com mais perdas de vidas, congestionamentos maiores e mais prejuízo. Isso prova o fracasso da busca por fluidez, por mais vias expressas, viadutos e túneis expressos. Reduzir a velocidade do trânsito de veículos diminui o tempo médio de deslocamento de pessoas e cargas, de quebra reduz custos, poluição, estresse, perda de saúde.

As bicicletas ajudam a regular a velocidade de veículos motorizados nas cidades de forma orgânica, ao mesmo tempo que contribuem com a redução do uso de carros em trajetos curtos com as já comprovadas virtudes de reduzir poluição do ar, poluição sonora, ocupação do espaço público e melhorando a saúde em geral dos que pedalam.

Há que se ampliar a divulgação de estudos que comprovam os benefícios de se buscar a melhor velocidade do trânsito nas cidades, estimular o uso de modais mais lentos, porém mais seguros, como bicicletas e as próprias pernas. A sociedade precisa refletir e discutir o impacto das bicicletas eletrificadas e dos autopropelidos no aumento da velocidade dos deslocamentos, que afasta das ruas a melhor velocidade, aquela que garante que todos chegarão aos seus destinos com baixo custo, conforto, no menor tempo possível e acima de tudo, com a certeza que a sua segurança está garantida, que nenhuma colisão vai ocorrer, mas que se por acaso acontecer, não será grave.

Há uma velocidade ideal para o deslocamento humano, a da caminhada, mas a bicicleta pura, sem motor, é uma ferramenta que aumenta essa velocidade na medida certa, sem comprometer a segurança. Pedale mais e sua cidade será mais segura, mais eficiente e mais humana.