XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicleta no Brasil | Resultados

Em sua décima terceira edição, o prêmio “Promovendo a Mobilidade por Bicicleta” novamente homenageia iniciativas brasileiras em prol do uso das bicicletas, pois boas ideias merecem e precisam ser reconhecidas e bonificadas!

A seleção mais uma vez, não foi fácil, pois como de costume recebemos vários projetos interessantes, com bastante diversidade e cada vez mais consistentes.

As organizações premiadas irão para os Países Baixos, em outubro, para uma imersão no País das Bicicletas!

Conheça as melhores iniciativas deste ano:

1º Lugar Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:

Nossa Bici – Sistema de Compartilhamento de Bicicletas Comunitárias – Instituto Democracia Popular
O Nossa Bici – Sistema de Compartilhamento de Bicicletas Comunitárias é uma iniciativa do Instituto Democracia Popular (IDP) para oferecer às comunidades atendidas uma solução prática e acessível aos desafios de mobilidade cotidiana. A proposta visa facilitar deslocamentos, promover autonomia, sustentabilidade e fortalecer conexões comunitárias, especialmente em áreas onde o transporte público é limitado e caro. O projeto piloto foi implantado na comunidade Chacrinha – Vila Esperança, no Alto Boqueirão (Curitiba), onde vivem 65 famílias. O acesso a direitos e serviços é dificultado por uma estrada de chão batido de quase 2 km, sem iluminação e infraestrutura. A bicicleta já é protagonista nos deslocamentos: 27% das viagens lá são feitas com elas, contra apenas 2% na média de Curitiba (IPPUC, 2017). Esse dado reforça a ciclomobilidade como solução viável e urgente para a região. O Nossa Bici integra a atuação contínua do IDP, que já garantiu transporte escolar, energia elétrica e outros direitos à comunidade. É visto como uma solução rápida, sustentável e comunitária para melhorar o acesso e a qualidade de vida local. A construção do projeto aconteceu de forma colaborativa e participativa, com todas as 5 etapas sendo decididas coletivamente.

Menções Honrosas Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:

Pedalando Juntas – Instituto Caminhabilidade
Pedalando Juntas cria sistemas comunitários de bicicletas compartilhadas gratuitas em comunidades de São Paulo, ampliando o acesso ao lazer para mulheres e meninas no entorno do Parque Linear Rio Pinheiros. Surge da co-criação do Caminhando Juntas, voltado à caminhabilidade e participação feminina nas transformações urbanas, abordando crise climática e desigualdade de gênero.
Em 2024, realizou piloto na Peinha com a Tembici; venceu o Prêmio Bicicleta Brasil 2025; em 2026, expandiu para Jardim Ibirapuera (com Bloco do Beco) e Jardim Panorama, apoiado pelo Cities for Better Health – Novo Nordisk e European Cyclists’ Federation.
Etapas: 1. desenvolver modelo de governança, com oficinas participativas; 2. organização do sistema, doação de bicicletas, personalização e definição dos locais de empréstimo; 3. operação, implementação, divulgação, monitoramento e atividades com parceiros.
Resultados: sistema consolidado com 10 bicicletas por território; moradoras como gestoras remuneradas; em um mês (finais de semana e feriados): 137 cadastros (mais de 50% mulheres) e 480 empréstimos; oficina com Bike Anjo ensinando mulheres a pedalar.
Metas: ampliar o acesso seguro aos espaços públicos e a presença de mulheres e crianças via bicicleta; promover mobilidade ativa; reduzir o tempo de deslocamento até o parque; gerar renda, fortalecer a governança comunitária e expandir o projeto.


Bora de Bike nas Escolas – Prefeitura de Niterói/Niterói de Bicicleta
O Bora de Bike nas Escolas transforma a escola pública em porta de entrada para a mobilidade por bicicleta. Voltado a estudantes do 4º e 5º anos da rede municipal de Niterói e executado pela Bike Anjo Niterói, o projeto oferece encontros teóricos e atividades práticas para que crianças aprendam ou aperfeiçoem a pedalada, compreendam regras de convivência no trânsito e reconheçam a bicicleta como meio de transporte cotidiano. Com atividades que incluem motricidade, destreza, CicloSarau e mecânica básica, a iniciativa combina segurança viária, saúde, sustentabilidade, autonomia e direito à cidade, com metodologia desenvolvida em parceria com organização especializada. Ao inserir a bicicleta na formação escolar, o projeto reduz barreiras culturais, envolve famílias e comunidades e ajuda a formar uma nova geração de pessoas mais conscientes, cuidadosas e preparadas para compartilhar as ruas. Iniciado em fevereiro de 2026, até o final o ano o programa terá atendido mais de 900 alunos.

1º Lugar Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:

Roda Rosa – LAURB – Instituto de Urbanismo Ecossistêmico
O projeto “Roda Rosa” é uma pesquisa-ação em mobilidade ativa e gênero que investiga, a partir de metodologias participativas, as condições reais de deslocamento de mulheres em territórios de Fortaleza/CE. A iniciativa produz dados qualitativos, espaciais e comportamentais sobre segurança viária, infraestrutura cicloviária, comportamento de gênero no espaço público e padrões de uso da bicicleta, tendo como base a experiência cotidiana das participantes.
O levantamento é construído por meio de percursos guiados, mapeamentos colaborativos, oficinas e rodas de conversa, permitindo compreender como mulheres se deslocam onde se sentem inseguras e quais barreiras limitam sua mobilidade. Esses dados são sistematizados para gerar diagnósticos urbanos de gênero e território.
Além da produção de dados, o projeto estrutura uma metodologia replicável de coleta de informações em contextos urbanos, integrando as participantes como co-produtoras do conhecimento, o que fortalece a qualidade e a legitimidade dos dados produzidos. O projeto também se desdobra em ações como o Rodinha Rosa, voltado a crianças na mobilidade ativa e à educação para o uso da bicicleta, ampliando a dimensão intergeracional da pesquisa.
Os resultados contribuem para políticas públicas e intervenções urbanas, orientadas por evidências e centradas na experiência das usuárias, promovendo cidades mais seguras, inclusivas e equitativas.

Menções Honrosas Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:

BNC- Sistema Inteligente para Arborização Urbana e Mobilidade Ativa –  Equipe Lego Explorers
Sistema Inteligente para Arborização Urbana, desenvolvido para tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas por meio da integração entre tecnologia, participação cidadã e apoio à gestão pública.
O sistema é composto por dois elementos principais: o Baiko, um dispositivo inteligente desenvolvido pela equipe, responsável por coletar dados de temperatura, umidade e localização, acoplado a bicicletas; e o Nossa COPA, uma plataforma digital que permite o cadastro e a adoção de árvores, o acompanhamento do seu crescimento e a participação ativa da comunidade no monitoramento da arborização. Que ainda está em desenvolvimento e passando por testes. Nosso diferencial é uma solução de baixo custo, escalável e replicável que fortalece a governança multinível.


A integração entre micromobilidade e o transporte público coletivo no contexto de cidades latino-americanas – Jennifer Domeneghini
Muitas cidades latino-americanas ainda priorizam o automóvel no planejamento urbano, gerando congestionamentos e poluição. Diante disso, o estudo investigou a integração entre a micromobilidade por bicicleta, particular e compartilhada, e o transporte público coletivo em 14 cidades com mais de um milhão de habitantes e sistemas de bicicleta compartilhada ativos há mais de cinco anos: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Buenos Aires, Rosário, Cidade do México, Guadalajara, Medellín, Santiago e Bogotá. A pesquisa adotou abordagem de Triangulação Concomitante, combinando análise de conteúdo documental, agrupamento multivariado e análise geográfica por buffer e multicritério (AHP). Os resultados evidenciam lacunas significativas na regulamentação e na infraestrutura cicloviária, incluindo ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e estações de compartilhamento, que comprometem a integração efetiva. O estudo propõe diretrizes informacionais, institucionais, tarifárias e físicas adaptadas ao contexto latino-americano, contribuindo para o debate sobre mobilidade sustentável em um cenário marcado por mudanças climáticas e desigualdade no acesso ao transporte. Os achados oferecem base para políticas públicas que promovam sistemas de transporte mais integrados, sustentáveis e equitativos na região.

1º Lugar Categoria Empreendedorismo:

Algoritmo baseado no cuidado – Señoritas Courier
A associação atua desde 2017 realizando entregas de bicicleta na cidade de São Paulo, com equipe composta por mulheres e pessoas trans. Em 2021 a equipe identificou uma forma própria de realizar entregas, que oferecia controle do peso, distância, jornada de trabalho, remunerando adequadamente e não gamificando o trabalho. A forma de distribuir as entregas permitia oferecer aos clientes valores mais baixos e uma equipe comprometida e motivada. Essa forma de atuar chamou atenção de diversos pesquisadores do Brasil e do mundo, que escreveram projetos de graduação, pós-graduação e livros sobre a forma de atuar do coletivo. Em 2024 Señoritas formalizou a Associação, a Cooperativa e lançou a primeira plataforma cooperativista de entregas do Brasil, desenvolvida em parceria com o Núcleo de Tecnologia do MTST (responsável pelo código da plataforma) e o pesquisador da Unicamp, Gustavo Nicolau Gonçalves (responsável por transcrever o código digital do “algoritmo baseado no cuidado”, criado e identificado pelas Señoritas).
Todo esse trabalho foi realizado sem recursos financeiros, contando apenas com trabalho voluntário. Devido a este fator, a plataforma não está operando, mas seguimos em busca de formas de disponibilizar o algoritmo para outros coletivos e cooperativas de ciclo entregas pelo mundo.

Menções Honrosas Categoria Empreendedorismo:

App ParaCiclo – ParaCiclo
Quem pedala precisa de onde parar. A falta de estacionamento seguro é uma das principais barreiras ao uso da bicicleta nas cidades brasileiras: sem saber onde deixar a bike com segurança, muita gente simplesmente não pedala.
A ParaCiclo ataca esse problema organizando a infraestrutura de estacionamento de bicicletas com uma camada digital que conecta ciclistas, estabelecimentos e prefeituras.
São dois produtos complementares: o Mapa Amigo da Bicicleta, plataforma colaborativa que reúne mais de 3 mil pontos bike-friendly e ajuda ciclistas a encontrar onde estacionar; e o Sistema de Gestão de Bicicletários, que digitaliza a operação de bicicletários, com controle de acessos, dados de uso e menos fricção para operadores públicos e privados.
Com tecnologia 100% brasileira, em produção e em uso real, a ParaCiclo gera dados inéditos sobre a demanda por estacionamento de bicicletas nas cidades e remove uma barreira concreta de quem usa a bicicleta como transporte, contribuindo para mais pessoas, em mais bicicletas, mais vezes.


Railbike Adv3ntures Brasil – Startup Railbike Adv3ntures Brasil
RailBike Brasil: Transformando Trilhos Esquecidos em Rotas de Sustentabilidade e Turismo
A RailBike Adventures Brasil é uma iniciativa inovadora de turismo de experiência que resgata a memória ferroviária do país ao transformar linhas férreas desativadas em ciclovias e rotas para veículos movidos a pedal (bicicleta ferroviária). O Brasil possui hoje mais de 10 mil km de ferrovias desativadas ou subutilizadas — uma malha histórica esquecida que o projeto converte em vetores de desenvolvimento econômico local, lazer seguro, saúde e preservação histórica.
Alinhado perfeitamente com os pilares de mobilidade ativa e sustentabilidade, o projeto valida sua viabilidade técnica e relevância mercadológica por meio de um ecossistema de forte validação: é incubado pelo IFES e pelo CEET, além de ter o modelo de negócios chancelado com o 2º lugar no Prêmio NISA Sebrae.
No cenário de fomento à cultura da bicicleta, a RailBike se consolidou nacionalmente ao conquistar o 3º lugar no Prêmio Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades. Nossa participação no XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicletas no Brasil (Programa Reduz), visa reforçar o papel da bicicleta não apenas como transporte urbano, mas como uma ferramenta poderosa de reconexão territorial, turismo ecológico de baixo impacto e valorização do patrimônio nacional.

 

Agradecemos a todos os que se inscreveram, pela participação e por estarem Promovendo a Mobilidade por Bicicletas no Brasil, ao comitê que avaliou os projetos e ao Itaú-Unibanco por financiar a iniciativa, acreditando no potencial das bicicletas!

TA na Escola Alemã Corcovado

Quem atua na promoção ao uso da bicicleta como meio de transporte sabe que se construírem ciclovias os ciclistas virão. E quanto mais bicicletas nas ruas, mais pessoas são atraídas para a vida ativa sobre duas rodas.

Os amigos da Escola Parque fizeram a ponte e nos apresentaram a um grupo de pais da Escola Alemã Corcovado (EAC). Eles conversaram com a coordenação e depois de uma reunião com a direção da Escola as portas de mais uma instituição de ensino se abriram para uma rodada de palestras e oficinas baseadas em nossa Tecnologia Social Ciclorrotas .

Na semana passada o primeiro momento dessa mais nova parceria foi muito especial, com a Transporte Ativo sendo convidada para apresentar a palestra “A Bicicleta: passado, presente e futuro” a um grupo de cerca de 60 alunos das turmas 9 e 10, do ramo brasileiro, e ainda alguns pais e professores. O desafio de pedalar nas cidades é similar ao de conseguir alguma interação de alunos adolescentes, mas a bicicleta sempre se supera em suas virtudes e nos ajudou a quebrar barreiras, prendendo a atenção e fazendo alguns olhinhos brilharem com as possibilidades que a liberdade sobre duas rodas se apresenta aos jovens.

Nos próximos encontros a conversa será sobre como a bicicleta pode ser a catalisadora para a cidade que queremos, com um trânsito mais seguro, saudável e humano. O ciclorrotas terá nova oportunidade de ajudar a melhorar a circulação segura de ciclistas em Botafogo, através da ação de alunos desta escola. A TA e a EAC firmaram uma parceria simples como pedalar para levantar de dados e proporcionar debates de ideias com as jovens mentes da escola, construindo assim uma proposta de intervenção urbana oriunda de uma pressão social legítima.

XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicleta no Brasil | Inscrições Encerradas

Foram 54 inscrições nas 3 categorias, com destaque para a região sudeste que enviou 48% dos projetos e para a categoria Ação Educativa e de Conscientização com 44%.

O comitê de avaliação já está com os formulários e em agosto teremos os resultados.
A entrega dos prêmios será em outubro, na Holanda.

Para saber mais sobre o prêmio e suas edições anteriores, clique aqui.

Praça Saens Peña <> Praça XV

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Há poucos dias uma tragédia aconteceu na Tijuca, quando mãe e filho faleceram em um sinistro envolvendo um ônibus e um autopropelido, espécie de bicicleta elétrica com acelerador. Caso houvesse infraestrutura cicloviária naquela via, certamente não teria havido a ocorrência.

Há anos, mais precisamente 16 anos, existe um projeto de infraestrutura cicloviária para a região, que liga a Praça Saens Peña na Tijuca à Praça XV no Centro. Por diversas vezes,  quase deixou de ser apenas um plano no papel para se tornar uma realidade, mas sempre esbarrou na carrocracia existente que impôs mudanças no percurso, a maioria delas que não seria usada por ciclistas, pois foram pensadas para não atrapalhar o fluxo dos carros, e acabam sendo postergadas para um outro momento. Uma coisa é certa, se ela já estivesse implantada, mãe e filho, Emanoelle e Chico ainda estariam circulando por ali.

Esta é uma rota de extrema importância, pois além de conectar a Grande Tijuca ao Centro da Cidade, ainda permite uma conexão metropolitana com Niterói via Barcas. A seguir, um pouco da história desta infraestrutura tão solicitada por ciclistas cariocas e sempre relegada pelo poder público para um próximo momento.

A imagem que abre esta página, mostra o projeto original, cedido pelo então programa da Secretaria Estadual de Transportes, Rio Estado da Bicicleta, para o Município que aceitou o presente mas só o tornou público no evento Bici Rio dois anos depois, como podemos conferir na matéria “No Rio, ciclovia ligará Praça Saens Peña às barcas na Praça 15“. Mas ficou só na divulgação. Em 2014, com a Copa do Mundo Fifa e Olimpíadas a caminho, mais os 450 anos da cidade, ela volta a ser anunciada. Podemos ler mais sobre isso nas seguintes matérias: “Ciclovia de 7,5 quilômetros vai ligar a Praça Saens Peña, na Tijuca, e a Praça Quinze, no Centro” e “Regiões da Tijuca e Centro serão ligadas por ciclovia de 7,5 quilômetros“. Está no site da própria prefeitura, a ciclovia da Tijuca foi uma das idéias propostas pela sociedade no Desafio Ágora Rio, plataforma colaborativa promovida pela prefeitura para discussão de políticas públicas. Porém a cultura centrada nos carros prevaleceu e decidiram que ainda não era o momento.

Em 2020, Pandemia Covid-19, volta-se a se falar sobre ela, mais uma vez com traçado desfigurado, mesmo em um momento onde poucos carros circulavam pelas vias e as bicicleta se destacavam, pois as pessoas estavam evitando o transporte publico e as aglomerações. A CET-Rio, chegou a nos encomendar uma contagem de ciclistas em alguns trechos do percurso. Solicitaram que a contagem fosse feita em um domingo e em “horários de pico” baseados em horários de pico de motorizados, foi formado também um grupo de trabalho para se discutir o assunto.

SP_PXV_2020

Com ajuda da Sociedade Civil, LabMob UFRJ, ITDP e TA o traçado proposto foi redesenhado mas mesmo assim, não se conseguiu que ficasse simples e objetivo como a proposta original. O tempo passou e ela seguiu apenas como mais uma boa ideia no papel

praca-saens-pena---centro

A ciclovia neste trecho é uma solução simples e viável, mas permaneceu engavetada nos últimos 16 anos. Agora, após a tragédia ocorrida, a Prefeitura se mobiliza para dar uma resposta à sociedade, que pode vir ou não a ser a implantação desta tão importante, sonhada e esperada infraestrutura que tornará a cidade mais limpa, agradável, convidativa e principalmente, mais segura, ajudando a preservar vidas.

Outras contagens de ciclistas ao longo do percurso:
Estácio 2012
Av Chile 2012
Av Chile II 2021
Estácio de Sá  2021
Túnel Martim de Sá 2021

Nova contagem de Ciclistas na rua Marquês de São Vicente – Gávea.

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Falamos sobre a Gávea por aqui, em alguns momentos como esse e esse, onde apresentamos todo um trabalho desenvolvido durante dois anos em parceria com escolas da região e associação de moradores, até sua implantação. A Rua Marquês de São Vicente na Gávea, Rio de Janeiro, ganhou uma ciclofaixa em binário, sobe por um lado e desce pelo outro, que estava funcionando muito bem e protegendo os ciclistas ali presentes. Porém em uma atitude autoritária, sem qualquer embasamento técnico a faixa de descida, foi removida por reclamação de alguns motoristas influentes que não gostaram da solução desenhada para melhoria do bairro e da vida daqueles que por ali circulam.

Para conhecer as mudanças por onde passam moradores, trabalhadores, entregadores, mães, pais e estudantes das escolas próximas, e buscando conferir o movimento atual de bicicletas no local, a Transporte Ativo realizou na quarta-feira, dia 18 de março de 2026, nova contagem qualitativa de ciclistas, com o objetivo de trazer à tona um pouco da realidade atual sobre as bicicletas no local, permitindo assim uma melhor compreensão e avaliação da área.

A ciclofaixa da Rua Marquês de São Vicente, foi criada para dar segurança aos ciclistas ali presentes, conforme indicam os Artigos 1º §3º §5º e 21º II* do Código de Trânsito Brasileiro, e ao removê-la a circulação deixa de ter a segurança promovida pela ciclofaixa. Os Ciclistas não deixaram de usar a via apenas porque a ciclofaixa de descida foi removida, seguem por lá circulando como sempre: pais e mães com seus filhos; adolescentes indo ou voltando da escola etc. A retirada da ciclofaixa na descida deixou estes usuários novamente em situação de vulnerabilidade, o que contraria os artigos do CTB citados acima e descritos no relatório. Sendo assim, a manutenção ou no caso a reposição de sinalização específica horizontal e vertical na descida da Rua Marquês de São Vicente se faz importante para proteger os e as ciclistas que por ali circulam diariamente.

Clique aqui para ler o relatório, que contém dados da contagem atual e da contagem realizada antes da implantação da ciclofaixa, para fácil comparação.

Detalhe, muitos ciclistas passaram a utilizar a faixa de subida para descer, como na foto acima, e outros voltaram a usar a calçada que tinha ficado liberada para os pedestres. E ainda, a remoção da faixa de descida cuja alegação era de que atrapalhava o tráfego de veículos motorizados, em nada alterou os congestionamentos, que acontecem em horários pontuais por ali.