Evidências, alianças e coprodução técnica: associações pró Bicicletas no Brasil.

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No workshop que realizamos em junho de 2025, buscamos entender o que acontece ao longo dos anos em algumas já tradicionais organizações que promovem a mobilidade por bicicleta no Brasil, trocando informações valiosas sobre cada uma das organizações presentes. Ao mesmo tempo o Cauê Rios, arquiteto e urbanista, mestre em Planejamento do Território e Projeto Urbano pela Universidade do Porto (UP) e doutorando na UP/CITTA, desenvolvia sua pesquisa que examina como organizações da sociedade civil – em especial movimentos pró-bicicleta no Brasil – influenciam políticas públicas e promovem mudanças em regimes institucionais de mobilidade. Para somar às buscas em comum, convidamos ele para participar do workshop, onde além de conhecer mais profundamente as organizações, pôde apresentar a Palestra – “Transições para a sustentabilidade: o cicloativismo como agente de mudança através da inovação social, colaboração e aprendizado” e o Workshop – “Uma abordagem participativa: explorando os fatores críticos nas percepções sobre sucesso e insucesso nas estratégias e ações cicloativistas”.

Os resultados do workshop foram publicados aqui e agora foi publicado o artigo do Cauê Rios que pode ser visto clicando aqui, e apresenta uma análise da atuação das associações e de como a pauta da bicicleta foi sendo construída, fortalecida e levada adiante junto ao poder público. Ao mesmo tempo, reúne e organiza, de forma sistematizada, elementos relativos a cada associação e ao conjunto das experiências analisadas.

Excelente artigo para conhecermos melhor os desafios e o alcance de organizações pró mobilidade por bicicletas no Brasil.

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Nova contagem de Ciclistas na rua Marquês de São Vicente – Gávea.

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Falamos sobre a Gávea por aqui, em alguns momentos como esse e esse, onde apresentamos todo um trabalho desenvolvido durante dois anos em parceria com escolas da região e associação de moradores, até sua implantação. A Rua Marquês de São Vicente na Gávea, Rio de Janeiro, ganhou uma ciclofaixa em binário, sobe por um lado e desce pelo outro, que estava funcionando muito bem e protegendo os ciclistas ali presentes. Porém em uma atitude autoritária, sem qualquer embasamento técnico a faixa de descida, foi removida por reclamação de alguns motoristas influentes que não gostaram da solução desenhada para melhoria do bairro e da vida daqueles que por ali circulam.

Para conhecer as mudanças por onde passam moradores, trabalhadores, entregadores, mães, pais e estudantes das escolas próximas, e buscando conferir o movimento atual de bicicletas no local, a Transporte Ativo realizou na quarta-feira, dia 18 de março de 2026, nova contagem qualitativa de ciclistas, com o objetivo de trazer à tona um pouco da realidade atual sobre as bicicletas no local, permitindo assim uma melhor compreensão e avaliação da área.

A ciclofaixa da Rua Marquês de São Vicente, foi criada para dar segurança aos ciclistas ali presentes, conforme indicam os Artigos 1º §3º §5º e 21º II* do Código de Trânsito Brasileiro, e ao removê-la a circulação deixa de ter a segurança promovida pela ciclofaixa. Os Ciclistas não deixaram de usar a via apenas porque a ciclofaixa de descida foi removida, seguem por lá circulando como sempre: pais e mães com seus filhos; adolescentes indo ou voltando da escola etc. A retirada da ciclofaixa na descida deixou estes usuários novamente em situação de vulnerabilidade, o que contraria os artigos do CTB citados acima e descritos no relatório. Sendo assim, a manutenção ou no caso a reposição de sinalização específica horizontal e vertical na descida da Rua Marquês de São Vicente se faz importante para proteger os e as ciclistas que por ali circulam diariamente.

Clique aqui para ler o relatório, que contém dados da contagem atual e da contagem realizada antes da implantação da ciclofaixa, para fácil comparação.

Detalhe, muitos ciclistas passaram a utilizar a faixa de subida para descer, como na foto acima, e outros voltaram a usar a calçada que tinha ficado liberada para os pedestres. E ainda, a remoção da faixa de descida cuja alegação era de que atrapalhava o tráfego de veículos motorizados, em nada alterou os congestionamentos, que acontecem em horários pontuais por ali.

Rua Dois Coqueiros

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Após um longo período buscando soluções para usar o contador de tráfego Telraam em ambiente externo, finalmente conseguimos, através de parcerias feitas em Ilhabela – SP. O equipamento foi instalado em uma caixa estanque feita especialmente para isso, e foi acoplado a um painel solar e a uma bateria externa de lítio. Além disso, a parceria com a Telraam foi renovada e nos permite acesso a todos os dados coletados, o que nos deixa prontos para novas contagens.

O teste com a caixa estanque e o painel solar, está sendo realizado na Rua Dois Coqueiros em Ilhabela – SP, os dados básicos podem ser acessados clicando na imagem acima. Em breve o contador irá para a estação das Barcas de Ilhabela, onde ficará por um período, antes de seguir para novas contagens. Publicaremos as novidades por aqui.

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Transporte Ativo no CRBAM 2025: Pesquisa e Prática em Conexão com o Debate Global da Bicicleta

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Por Juliana DeCastro

Desde 2013, a Transporte Ativo (TA) promove uma série de workshops com um objetivo claro: fortalecer o ecossistema de organizações pró-bicicleta no Brasil. Essa jornada de troca de conhecimento e capacitação é um pilar do trabalho da TA, permitindo aprendizado, capacitação e construções de rede para a promoção da mobilidade ativa. A partir de 2015, iniciam-se os workshop dedicados a Pesquisa Perfil do Ciclista, e para que esse ciclo de aprimoramento continue girando, é essencial buscar referências e validar nosso trabalho no cenário internacional, dialogando com quem está na vanguarda da pesquisa e da ação em ciclomobilidade.

É nesse espírito de troca que, entre os dias 10 e 12 de setembro, estivemos em Amsterdam para participar do Cycling Research Board Annual Meeting (CRBAM) 2025. Mais do que uma simples conferência, o CRBAM é um ponto de encontro da comunidade global de pesquisadores, ativistas e planejadores, organizado pelo renomado Urban Cycling Institute. No melhor palco: Amsterdam, a cidade que respira bicicleta, além de um laboratório perfeito para aprofundar nossas discussões, reconhecermos que não há ausência de conflitos, seja com o incremento da frota de e-bikes, especialmente entre os jovens, com suas Fatbikes “turbinadas” (NLTimes, 2025) que suscitou um debate acalorado no último dia do evento no painel sobre gênero e mobilidade, especialmente quando há um discussão intergeracional sobre comportamentos  ou problemas a serem solucionados, mas aprender a fazer escolhas e implementar políticas públicas que busquem beneficiar a coletividade – saiba mais sobre as políticas de mobilidade de Amsterdam aqui
A programação do evento refletiu sua diversidade, com workshops, painéis e atividades práticas propostas ao ar livre para estimular não apenas a visão, mas a vivência. Confira a programação completa e seus palestrantes.

Programação Resumida – CRBAM, 2025
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O CRBAM é, antes de tudo, um espaço para o encontro e a construção de pontes.  O evento se destaca por sua atmosfera íntima e colaborativa, guiada pelos princípios “CAMPING” (Criativo, Acessível, Mutável, Prazeroso, Inspirador, Nutritivo e Inovador). A proposta é ir além das apresentações formais, incentivando o debate, a co-criação e ações que realmente impulsionam a mudança. Foi exatamente nesse ambiente que tivemos a oportunidade de posicionar o Brasil e a nossa Pesquisa Perfil do Ciclista no debate global. A foto abaixo é um símbolo que registra um misto de profunda alegria pelos dias de trocas e aprendizados vivenciados por todos os participantes, mas também iniciava-se uma potencial articulação para a realização de uma edição especial do CRBAM 2030 no Brasil, quem sabe?! A próxima edição em 2026 será na cidade de Ghent, a mesma que recebeu o Velo-City 2024 e que vem trabalhando forte para ser uma cidade cada vez mais segura, inclusiva e vibrante com a implementação de uma série de políticas públicas que fomentam a mobilidade sustentável que vem se destacando na Europa (Plano Circulatório de Ghent). Dedos cruzados para essa ideia amadurecer. Afinal, já tivemos uma edição do Velo-city 2018 em terras cariocas

CRBAM (1)Interações Transporte Ativo com equipe organizadora do CRBAM 2025 – Crédito Foto: Urban Cycling Institute 

Nossa participação no CRBAM não é um fato isolado. Ela se soma a outros fóruns internacionais, como o PATH Symposium 2025, onde também compartilhamos a metodologia e os impactos do Perfil do Ciclista. Desta vez, nossa proposta aprovada foi um workshop de 90 minutos intitulado “Building a Census of Cycling Mobility: Methodology and Impact of the Brazilian Cyclist Profile Research”.

CRBAM (6)Durante a apresentação da TA sobre a trajetória de uma década da Pesquisa Perfil do Ciclista no CRBAM 2025 – Fotos: Urban Cycling Institute

Seguindo o formato de workshop, nosso objetivo era apresentar além dos dados, como descrevemos em nossa proposta, “promover um diálogo colaborativo”. Discutimos como uma metodologia de ciência cidadã, de baixo custo e alto impacto, pode ajudar a suprir a lacuna de dados sobre mobilidade por bicicleta, uma realidade além do Brasil, mas também em muitas cidades do Sul Global. Apresentamos casos concretos de como a pesquisa influenciou políticas públicas, como o Plano Cicloviário Carioca e o Mapa da Mulher Carioca, e abrimos o debate para que os participantes pensassem em como adaptar o modelo às suas próprias realidades.

O evento ainda oportuniza espaço na programação para vivências nas “Ruas de Amsterdam Outdoor Adventure”. Assim como na conferência EuroVelo 2018, a experiência em campo foi um dos pontos altos. A atividade nos desafiou a analisar a cidade com um olhar curioso de pesquisador de fora, ora como local. Nossa missão nos levou a um dos seus inúmeros cruzamentos vibrantes e complexos no bairro de Amsterdam: a intersecção da Javastraat com a Molukkenstraat e a Javaplein. A intenção era nos levar a reflexões sobre o que ainda pode ser aprimorado, considerando a multimodalidade e o compartilhamento da via pública.

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O ponto de análise: o vibrante cruzamento da Javastraat/Molukkenstratt/Javaplein. Explore o local no Google Maps.

Diferente de uma ciclovia segregada, ali vivenciamos uma aula de coexistência. Aquele espaço, compartilhado por um volume altíssimo de ciclistas, pedestres, carros e VLTs (bondes elétricos), funciona com uma fluidez impressionante. Observamos como o desenho urbano, com o uso de pavimentos diferenciados (os klinkers), a ausência de sinalização semafórica excessiva e a priorização do contato visual, acalma o tráfego e induz um comportamento de cuidado mútuo. É a prova de que segurança viária pode ser alcançada não apenas com segregação, mas com um design inteligente que modera velocidades e promove a responsabilidade coletiva.

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Encontros, Redes de Afeto e Aprendizado – Acervo pessoal

Voltar para casa após uma imersão como essa é como fechar um ciclo e, imediatamente, iniciar outro. A participação no CRBAM nos encheu de novas referências e reforçou a relevância internacional do que estamos construindo no Brasil. Todo esse conhecimento será agora decantado e compartilhado nos próximos Workshops de Promoção da Mobilidade por Bicicleta que realizaremos no país. Ele irá alimentar a próxima edição da Pesquisa Perfil do Ciclista, nos ajudando a refinar perguntas, aprimorar a metodologia e ampliar nosso impacto. A experiência em Amsterdam nos mostrou que, embora os desafios sejam grandes, estamos no caminho certo. O círculo virtuoso de pesquisar, aplicar, compartilhar e aprender continua a girar, nos impulsionando a seguir na transformação das cidades brasileiras em lugares mais justos, sustentáveis e, claro, mais cicláveis. O trabalho continua, e agora, com a bagagem ainda mais cheia.

Realização da Pesquisa Perfil  Ciclista conta com patrocínio do Banco Itaú e a viagem foram realizadas com verba do Prêmio Bicicleta Brasil 2024.

Perfil do Ciclista de João Pessoa – PB

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Um dos objetivos da Pesquisa Perfil do Ciclista, além de gerar dados, é facilitar publicações com seus resultados, para que projetos mais robustos, baseados em informações, possam ser implementados. A cidade de Araucária-PR, que já havia publicado o relatório “Ciclomobilidade Urbana Araucária“, lançou recentemente o relatório “Infraestrutura Ciclável nas Unidades de Educação Municipais de Araucária” utilizando dados da Pesquisa.

Uma nova publicação com dados da pesquisa, desta vez de outra região do país bem distante de Araucária, é o excelente documento recém lançado, pelo grupo Pedagogia Urbana UFPB em parceria com a Massa Crítica JP: “O Perfil do Ciclista de João Pessoa-PB | Conhecendo a realidade de quem usa a bicicleta como meio de transporte“.  Foi a primeira vez que o município de João Pessoa participou da pesquisa, por iniciativa da Academia e Movimentos Populares sobre Mobilidade Urbana. Entre outubro e novembro de 2024, mais de 500 ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte foram entrevistados na cidade.

Para conhecer a pesquisa na integra, clique aqui.
Em 2027 está prevista uma nova edição, se tiver interesse em envolver sua cidade, entre em contato.