Manual para pedalar ao trabalho

Foi ainda em 2008 que, juntamente com o pessoal do Mountain Bike BH, elaboramos o manual “De Bicicleta para o Trabalho”. Nele estavam respondidas todas as dúvidas que empregados e empregadores sempre quiseram saber sobre como incentivar o uso da bicicleta como veículo para os deslocamentos ao trabalho.

Agora, quatro anos depois e também logo após a semana da mobilidade, lançamos a versão impressa do manual que contou com o patrocínio do Banco Itaú. Foram apenas 500 cópias dessa excelente ferramenta de promoção ao uso da bicicleta que serão “cirurgicamente” distribuídas. Lembrando que temos ainda a versão em espanhol, lançanda em 2009.

Cordialidade urbana em versão impressa


Existem regras para a utilização de espaços urbanos comuns que os tornam mais agradáveis para todos. Os principais pontos de etiqueta urbana que os ciclistas devem observar foram selecionados e colocados em dois folhetos que a Transporte Ativo publicou em 2011 e que agora, com o apoio do Banco Itaú, ganhou versão impressa.

A idéia central dos folhetos é conscientizar o ciclista sobre a importância da cordialidade para a valorização da bicicleta como veículo urbano. Afinal, com todo ciclista urbano sabe, a bicicleta é um veículo de transformação pessoal, natural portanto promover uma outra ética urbana baseada no respeito ao outro.

Já foi dito que o brasileiro é um povo “cordial”, talvez o ciclista seja capaz de trazer uma nova luz sobre essa tal cordialidade brasileira.

Skates, bicicletas e eleições municipais

Arte: Pedala Manaus

Estamos em pleno ano eleitoral, nos mais de 5.000 muncípios brasileiros é hora de discutir propostas e debater o futuro das cidades. A mobilidade urbana nas grandes cidades está na pauta e junto com ela a qualidade de vida.

No entanto, nas duas maiores capitais do Brasil, duas imagens semelhantes ganharam destaque e valem uma reflexão. Primeiro o candidato a prefeito de São Paulo José Serra apareceu na capa do Jornal Folha de São Paulo prestes a cair de um skate. Pouco tempo depois, o prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição no Rio de Janeiro foi fotografado estatelado no chão, depois de cair justamente de um skate.

Agenda pública de candidato é sempre uma grande festa, ao grupo de assessores e militantes dos candidatos ao cargo majoritário somam-se os candidatos aos cargos minoritários e seus assessores e militantes e principalmente nas grandes cidades, um grupo de fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas.

Para além de tombos em quatro rodinhas, bicicleta já é assunto nas eleições municipais de diversas cidades. Londres inclusive foi exemplo desse debate nas eleições para prefeito em maio de 2012. Chegou-se até a especular se não estaria se formando um “voto ciclístico” na capital inglesa.

Fato é que no Brasil bicicleta e mobilidade humana já estão dentro da pauta. A iniciativa da Ciclocidade, associação paulistana de ciclistas, buscou justamente fortalecer o debate e discutir propostas com os candidatos a prefeito em São Paulo através de um convite para encontro e assinatura de uma carta compromisso sobre o tema da mobilidade em Bicicleta.

No calor de campanhas eleitorais, a dinâmica muda em relação a forma de diálogo com o poder público, a tendência é de apoio a causas que dêem visibilidade midiática para o candidato, mas para que as promessas sejam de fato implementadas, é preciso uma presença constante de quem defende e valoriza a bicicleta como veículo urbano durante os 4 anos de gestão municipal.

Legado Olímpico

Renata Falzoni esteve no Rio de Janeiro para conferir como é hoje e como deve estar a cidade até 2016. A contagem regressiva já acelarada e até a cidade ainda será palco da final da Copa do Mundo.

Para além dos grandes eventos, a palavra é “legado”. São intervenções que perdurem e representem mais do que as semanas de festa do esporte. O Rio ainda tem muito à ser feito e muitas promessas a serem cumpridas.

Até a próxima abertura das Olimpíadas, a Cidade Maravilhosa será uma cidade diferente. Resta ficar de olho e agir para que as promessas sejam cumpridas e com equipamentos de qualidade.

O exemplo do que foi feito pelo BMX em Londres ilustra um pouco do legado que se espera de uma cidade Olímpica.

Mobilidade como serviço

Estamos em ano de eleições, mais uma vez a bicicleta entrará em pauta nas promessas em relação à priorização da bicicleta. Mas é importante fazer um retrato da lógica que tivemos até hoje em relação a mobilidade urbana, seja para bicicletas ou para pedestres.

Tanto por parte das administrações municipais, do governo federal ou dos estados, mobilidade costuma ser traduzida em obras. Infelizmente grandes somas de recursos seguem ainda para obras viárias e muitas dessas obras privilegiam a mobilidade motorizada individual.

Priorizar a bicicleta e os pedestres começa em uma política pública de incentivos, mas os resultados precisam antes passar por um orçamento organizado e favorável. As obras certamente são importantes, já que infraestrutura cicloviária é uma necessidade em qualquer cidade brasileira. Mas obra não pode ser um fim em si mesmo.

A prioridade para pedestres e ciclistas tem de ser vista como um serviço do poder público oferecido à população. Uma cidade que apenas oferece espaço de circulação para cidadãos em veículos motorizados é uma cidade limitada. Pedestres precisam ter acesso à calçadas de qualidade, mas também precisam de transporte público eficiente para as longas distâncias.

Pensar mobilidade quanto serviço é tratar pedestres e ciclistas como clientes que precisam estar satisfeitos e bem atendidos para que continuem a optar por caminhar mais. A mobilidade como meio de suprir a oferta por deslocamentos em automóvel é uma equação que não se fecha. Cada cidadão dentro de seu automóvel imediatamente dificulta o deslocamento e o uso do espaço público por outros. Já um pedestre e até mesmo um ciclista que se desloca pelas ruas das cidades faz um uso raciona que garante uma distribuição igualitária do espaço urbano.

Enquanto zelar pela qualidade do piso asfáltico for o grande serviço oferecido pelo poder público municipal, nossas cidades estarão fadadas aos congestionamentos e a perda da qualidade de vida. Mudar o paradigma da mobilidade involve garantir que pedestres e ciclistas sejam atendidos da melhor forma possível em suas necessidades de deslocamento.

O título e a idéia desse post vieram da leitura da entrevista de Roberto DaMatta com Tom Vanderbilt na Revista Trip de junho de 2012.