Aprendendo a Andar de Bicicleta

O Dia das crianças está chegando. Bonecas, carrinhos, bolas, bicicletas.

Bicicleta…. A mãe tenta dissuadir, o pai já fica nervoso, a avó oferece um vídeo-game, mas a menina insiste: quero uma bicicleta. Ufa, o mundo tem salvação!!
Sim, aí a criança ganha sua primeira bicicleta, lindona, do Batman, Barbie ou Backyardigans, e o problema aparece: como ensinar nossos filhos – ou netos – a andarem de bicicleta?

Simples: andar de bicicleta é uma coisa complexa. A melhor maneira da criançada aprender a andar de bicicleta é dominar etapa por etapa. O maior problema dos pais é a ansiedade, que cria expectativas do filho ou filha dominar a técnica já na primeira pedalada, nas primeiras horas. Isto só gera conflito (“expectativas não atendidas”). A primeira dica para os pais é: calma e paciência. Aplaudir cada avanço, por mínimo que seja. A segunda dica: siga os passos abaixo.

  • CONSEGUINDO EQUILÍBRIO.

Equilíbrio é a chave. Antes de tudo, a criança tem que aprender e ter equilíbrio em cima da bicicleta. Por isto, as rodinhas são o pior inimigo de quem está aprendendo a pedalar. Porque elas se transformam em muletas, e a experiência de tirá-las é bem traumática. E dolorida!
Faça o seguinte: pegue a bicicleta nova e retire manoplas e cabos de freio e os pedais (ou compre uma bicicleta especial – veja mais abaixo) “Uma bicicleta sem freio para uma criança??” Calma. Usar os freios é algo que se aprende depois e as manoplas vão distrair ou causar ansiedade fora da hora.
Abaixe o selim até que a criança consiga colocar a planta dos pés no chão. Se isto não acontecer, a bicicleta está grande para a criança. Atenção: não é só a pontinha do pé, é o pé todo! Isto dará a segurança necessária na hora de parar. Agora deixe seu filho ou filha se divertir com esta bicicleta impulsionada pelos pés no chão. Vá com eles até uma calçada levemente inclinada e deixe-os buscarem o equilíbrio ladeirinha abaixo.

  • VIRAR E FREAR

Depois de aprendido o equilíbrio, o próximo passo é aprender a virar e parar. Recoloque as manoplas e cabos de freio. Coloque latinhas para a criança desviar delas. Mas sempre impulsionando a bicicleta sem os pedais. Ensine a usar os freios, a ter noção de velocidade e distância.
Infelizmente, as bicicletas infantis brasileiras são de péssima qualidade e os freios quase nunca funcionam corretamente. As bicicletarias fazem o melhor possível – mas se for uma bicicleta comprada em loja de brinquedo, tenha paciência: o freio NUNCA vai funcionar direito; mas como está sem pedais, a criança vai saber parar com os pés. Para crianças de 6 a 8 anos, existem bicicletas melhores. Como a coordenação motora é melhor nesta faixa de idade, basta tirar os pedais, deixando os freios.

  • USAR OS PEDAIS

A última etapa para quem está aprendendo a andar de bicicleta é, por incrível que pareça, usar os pedais! Depois de ter equilíbrio, aprender a virar e frear, chega a hora de alcançar a verdadeira liberdade que a bicicleta dá. Com pedais, coroas e catracas, o esforço de se deslocar é extremamente minimizado, e alcança-se uma distância bem maior. É a união da força com o equilíbrio.
Recoloque os pedais na bicicleta. Deixe o selim ainda baixo. Depois de alguns dias ou minutos, a criança consegue unir o equilíbrio que já tem com a força necessária para tocar os pedais. Vá subindo o selim aos poucos, até atingir a regulagem correta. Para crianças, o ideal é sempre tocar o chão com os pés, mesmo com a pontinha. Se o selim chegou no ponto máximo e os joelhos ficam muito curvos, tá na hora de comprar uma bicicleta maior.

Outra dica: não segure ou impulsione a criança pelas costas ou guidão; ela tem que superar as etapas por ela mesma. Para dar apoio, acompanhe-a andando/correndo ao lado da bicicleta.

Este método vale também para adultos que estão aprendendo a pedalar.

  • BICICLETAS SEM PEDAIS

Bicicletas sem pedais foram as primeiras a ser inventadas. Com base nesta idéia, na Alemanha eles passaram a usar bicicletas especiais para crianças pequenas (2 a 5 anos). Vejam aqui e assistam um vídeo sobre este método.

Carro Humano

Quatro ocupantes remam juntos um verdadeiro veículo híbrido. Tecnologia que utiliza um motor elétrico e a força humana para se deslocar. O centro de gravidade baixo ajuda a manter a estabilidade desse automóvel capaz de alcançar altas velocidades.

A idéia é popularizar novas maneiras de encarar a tecnologia, quem sabe assim possamos nos referir ao que hoje chamamos de “automóvel” como os “motor-móveis” do passado. Afinal, nada como mover-se com as próprias forças.

Confira um vídeo do HumanCar em ação.

Via TreeHuggger – Human-Electric Hybrid Vehicle by Humancar

Ciclistas Apocalípticos e Integrados

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Umberto Eco falou sobre os “apocalípticos” e os “integrados”. Reginaldo Paiva da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) usou os termos para separar diferentes tipos de ciclistas.

Os apocalípticos tem as ruas como espaços suficientes e não há qualquer necessidade de mudanças para integrar as bicicletas aos outros meios de transporte. Para eles pedalar já é vantajoso pelo ganho de tempo e economia de dinheiro. Os “integrados” por outro lado precisam de uma série de investimentos em infra-estrutura, rotas cicloviárias, estacionamentos para bicicletas nas estações, etc.

A definição é bastante abrangente, mas certamente resume bem uma grande diferença entre usuários da bicicleta. No entanto para que mais pessoas pedalem pela cidade mais vezes esses dois grupos devem ser levados em consideração. Um ciclista “apocalíptico” aprendeu aos poucos como ser portar nas ruas e transitar em segurança. Já os “integrados” representam um outro extremo que se devidamente priorizado é capaz de produzir os melhores resultados na mobilidade urbana.

O principal objetivo de qualquer planejamento em prol do uso da bicicleta, deve ser sempre atender as demandas de quem já pedala sem perder de vista as necessidades dos que gostariam de pedalar. Dentro desse último grupo, estão principalmente os pedestres que acessam as estações de trem. Usuários aptos a utilizar a bicicleta e que economizaram um tempo considerável nos seus deslocamentos.

Um texto interessante que dialoga com o que disse Umberto Eco diz que devemos reavivar “o aspecto lúdico e prazeroso da construção coletiva do conhecimento”. Nada mais perfeito portanto que pensemos a bicicleta e os ciclistas de maneira integrada para que o prazer de pedalar ajude a influenciar as decisões em prol da mobilidade de todos os cidadãos.

Mais:

– Confira a íntegra da apresentação de Reginaldo Paiva no Seminário em Santos (pdf).
Texto “Apocalípticos, integrados e… hackers (overmundo).

De bicicleta para o trabalho

Passamos pela Semana Brasileira da Mobilidade, cuja data máxima foi o Dia sem Carros. “O objetivo deste movimento é chamar a atenção para a necessidade de se repensar o modelo de mobilidade que estamos aplicando em nossas cidades desde o advento do automóvel no início do século passado” (Rua Viva, Carta aos Municípios Brasileiros, 14.jul.2008).

A valorização do uso da bicicleta tem sido um dos principais eixos desta mudança pretendida. Contudo, a realidade diária torna esta mudança inviável para muitas pessoas, por barreiras que se firmam ou no preconceito ou, sobretudo, no desconhecimento. O que fazer para ir de bicicleta para o trabalho? O que as empresas devem fazer? O que as pessoas precisam saber? Foi pensando nisto que a Associação Transporte Ativo e o Mountain Bike BH elaboraram o Guia De bicicleta para o trabalho.

De_bicicleta_para_o_trabalho

Trabalhamos desde fevereiro para lançar o Guia como parte dos eventos da Semana da Mobilidade e Dia sem Carros.
Traduzimos dois manuais estrangeiros, fizemos adaptações para nossa realidade e preparamos um leiaute especial, para acrescentar leveza e beleza ao conteúdo. Com isto, conseguimos produzir um documento exclusivo, único em língua portuguesa, que se iguala ao que existe de melhor em outros países.

Quais são as respostas para aquelas desculpas clássicas que as pessoas dão para não usar a bicicleta? Veja se sua bicicleta está preparada para o trabalho. Como você pode atuar dentro da empresa para criar uma cultura pró-bicicleta? Você sabia que, como política de incentivo, empresas no exterior financiam a compra de bicicleta por seus funcionários? Que há abonos e horas de folga cumulativas para quem vai de bicicleta para o trabalho??

Confira tudo isto e muito mais no Guia De bicicleta para o trabalho

Veja também o cartaz “Respostas para desculpas clássicas“. Esta seção do guia foi especialmente selecionada para que você possa divulgar entre colegas de trabalho. Imprima colorido e coloque no mural de avisos do seu local de trabalho!! Para fazer um “dia sem carros” todos os dias.

Simplicidade Máxima

Peão, coroa, corrente. Um de cada, todos em sintonia fixa com o giro da roda traseira. Nada de freio, sem complicações.

Assim é são as “roda-fixa”, bicicletas que primam pela simplicidade e controle total e por isso mesmo são as favoritas dos entregadores ciclistas nos Estados Unidos.

Um vídeo do balé sobre rodas que apenas uma fixa é capaz de realizar.


A prática e a intimidade com o veículo produz movimentos belíssimos, nem sempre recomendáveis de serem feitos nas ruas.

Para quem quiser saber mais informações:
A mentalidade purista de culto à roda-fixa