Implementação de um Espaço Compartilhado

O Projeto de um Espaço Compartilhado, busca criar locais públicos onde haja liberdade de movimentos e a interação social entre pessoas aconteça naturalmente. Um bom exemplo são as áreas residenciais, destinadas ao convívio, e onde o tráfego rápido deve se adaptar ao comportamento social do entorno.

O espaço social é projetado de forma que nós não o percebamos como um espaço de tráfego, mas como um espaço de pessoas. Uma pessoa em deslocamento (de bicicleta, carro, , moto, etc.) que passa por ali está ciente do fato de que ela é um visitante, e em resposta a isso, ela ajusta seu comportamento de trânsito ao comportamento social do contexto”. INTERREG III, programa da Comunidade Européia.

A escolha das áreas próprias para a implantação de Espaços Compartilhados deverá ser feita com muito cuidado pelos profissionais envolvidos, em lugares onde seja possível projetar uma rede lenta com uma velocidade máxima de deslocamento para veículos de 30 km/h. Isto é uma exigência para que a iniciativa funcione. Os diferentes usuários poderão dividir o mesmo espaço público e negociar a preferência através do contato visual.

A rede “lenta” só funciona se houver uma rede “rápida”.

A implantação de um Espaço Compartilhado implica no estabelecimento de três situações distintas: o comportamento social, o comportamento social de trânsito, e o comportamento de trânsito.

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Num espaço onde prevalece o comportamento social, os movimentos são desfocados, imprevisíveis e relativamente lentos. O comportamento das pessoas é basicamente determinado pelo ambiente físico e pela conduta dos outros, onde o contato visual desempenha um papel importante. Este tipo de convivência é predominantemente encontrado nos espaços públicos.

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O comportamento de trânsito se faz presente onde as pessoas querem se mover rapidamente de A até B. A chamada “rede rápida” de estradas e autopistas.São áreas projetadas para uma movimentação veloz para diferentes lugares. Neste cenário, a função do tráfego é o fator decisivo para o projeto, e demanda um tipo específico de comportamento. É caracterizado por movimentos diretos, focados e, basicamente, previsíveis. A velocidade é alta, e praticamente não existe contato visual. As pessoas se deslocam com objetivos definidos e seus comportamentos são fortemente guiados pelos sistemas legais do trânsito, por veículos na pista e por sinais de trânsito, tais como linhas de marcação de trânsito nas estradas e placas de trânsito.

A transição entre estes dois tipos bem diferentes de comportamento no deslocamento será caracterizado pelo comportamento social de trânsito, onde haverá uma mediação de atitudes, uma combinação de troca social com comportamento de tráfego. Para que “Espaço Compartilhado” funcione bem, é importante que se mantenham estas áreas de transição tão pequenas quanto possíveis, pois são as que oferecem maiores chances de incompreensões entre as pessoas. Ciclistas e pedestres que não estão com pressa esperam certo comportamento social da parte dos motoristas, enquanto usuários apressados presumem um outro comportamento dos demais.

> Fotos retiradas do site shared-space.org.
Para baixar uma publicação oficial sobre o tema, clique aqui. Também em português (pdf).

Promover a Troca

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Esse resumo para blog foi uma colaboração de Lourdes Zunino, bem como a tradução do sumário do estudo em questão.

Criar vias exclusivas para pedestres e ciclistas mais curtas e agradáveis que as compartilhadas com veículos motorizados é uma maneira de incentivar a troca de modal.

Um projeto desenvolvido na Europa entre 1996 e 1998 para incentivar o uso da bicicleta ou viagens a pé em vez de usar o carro para pequenos deslocamentos afirma que:

“Muitos dos deslocamentos de carro são curtos e podem significar 50% de todos os deslocamentos deste modal, na maioria das cidades da Europa. Viagens consecutivas representam apenas uma parte destes deslocamentos. Outras razões, como transportar coisas e pessoas, são mais importantes neste tipo de deslocamento. Se as viagens por automóvel menores que 1km fossem feitas a pé, o uso do carro seria reduzido em 15%. Caso o limite aumentasse para 2 km, a redução seria de 30%. Considerando deslocamentos de até 5 km, incluindo o uso de bicicletas, a redução do uso de carros passaria para 50%, na maioria das cidades européias.”

> Para mais detalhes sobre a pesquisa clique aqui.
> Fonte foto:
DULLAERT, I. (coord.) (2000) The European Greenways Good Practice Guide: Examples of Actions Undertaken in Cities and the Periphery. Association Européenne des Vois Vertes. Bélgica, Namur: European Greenways Association.
Disponível em http://ec.europa.eu/environment/cycling/greenways_en.pdf.

Mobilidade na Dinamarca

Na Dinamarca, uma das maiores rendas per capita do mundo, quase 50% dos 1,5 milhão de habitantes que vivem na capital vão de bicicleta para o trabalho. Em compensação, apenas um terço das famílias tem automóvel.

Fatores que incentivaram a utilização da bicicleta: geografia plana, construção de vias exclusivas e sinalização adequada, criação de impostos severos para o registro e estacionamento de autos. Vale recordar o vídeo “Dinamarca, cidade dos ciclistas”. Nele é dada a informação de que 70% dos usuários da bicicleta seguem pedalando mesmo no rigoroso inverno dinamarquês.

Implicações positivas: uma pesquisa realizada durante 15 anos pelo Centro de Estudos do Coração da Universidade de Copenhage, mostrou que os cidadãos dinamarqueses que optaram pela bicicleta como principal meio de transporte, vivem bem mais do que os sedentários, apresentando um baixíssimo índice de doenças cardíacas, contribuindo por tornar a Dinamarca um dos países europeus com o menor índice de mortalidade por problemas de coração.

Até mesmo os sedentários podem contar com opção de deslocamento em Ciclo-táxis. Uma empresa chamada “Cykeltaxi” tem um vídeo interessante. Como diz o slogan deles, “De uma volta no lado verde da vida”. Transporte Ativo de passageiros (aqui, outros exemplos).

Rotina diária

O termo em inglês “commute” define com precisão a jornada “casa-trabalho-casa”. Rotina para bilhões de urbanóides pelo mundo afora.

Existem várias formas de se deslocar, todas elas requerem tempo, espaço e energia. No quesito geral a bicicleta naturalmente ganha no aproveitamento dos três, no entanto existe um fator absolutamente subjetivo.

Aqueles que tem o prazer rotineiro de ir trabalhar pedalando certamente têm acesso a uma outra cidade, um mundo quase que paralelo e que se torna um pouco parte do ciclista. “Commuting”, o diário ir e vir, não se resume aos destinos, há sempre a jornada.

Mais referências (em inglês):
Commuting
Bicycle Commuting

Estréia de uma Ciclovia

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Foto Danilo Tanaka

À convite do Jornal do Brasil a Transporte Ativo percorreu a orla carioca apontando erros e acertos da malha cicloviária da cidade. Aproveitamos também para conhecer in loco a mais nova ciclovia da cidade. Que foi apresentada aqui.

O resultado foi publicado com grande destaque no domingo, 7 de janeiro. Baixe aqui em pdf.

Vale também entrar em contato com o jornal para que mais reportagens sejam escritas sobre o tema “bicicleta”. Com diversos incentivos, tende a aumentar a sensibilização dos meios de comunicação e da população quanto a importância do transporte sustentável para a construção de cidades mais humanas.

Não basta mostrar as mazelas urbanas, é de fundamental importância que seja dado o devido destaque as soluções possíveis e que já estão em curso. Nesse âmbito, cada bicicleta a mais no trânsito representa muito mais do que um ciclista-cidadão feliz. É um símbolo de que devagar se chega longe e que existe uma demanda reprimida para os transportes à propulsão humana nas cidades.