Devagar e Sempre

O ritmo de uma cidade muitas vezes pode apenas ser sentido e a melhor maneira de faze-lo é caminhar pelas ruas. Ver e ouvir os passos das pessoas, certamente ajuda a descobrir como elas vivem.

As calçadas movimentadas de qualquer metrópole mundial são um espaço de um movimento quase initerrupto, um fluxo infindável de pessoas se deslocando em todas as direções.

Há muito o que ver e ouvir nesses variados ambientes urbanos e um cientista inglês resolveu expandir para as calçadas do mundo seu campo de estudo. A idéia era buscar uma informação clara sobre o ritmo das cidades.

Quão rápido andam os pedestres de um lugar não é um indicador claro de qualidade de vida, mas pode ser uma das conseqüências de um estilo de vida acelerado demais. O estudo do professor Richard Wiseman identificou que viver de maneira cada vez mais apressada gera uma série de impactos negativos nas pessoas. Elas têm menos tempo para os amigos, para a prática de exercícios físicos, além de se alimentarem mal e estarem sujeitas a beber e fumar mais.

Certamente quebra-molas em nossas calçadas não serão capazes de reduzir a velocidade dos pedestres. A solução para a qualidade de vida nesse caso é tão simples, quanto evidente. Iniciativas individuais e coletivas que busquem desacelerar as cidades por completo.

Uma série de medidas simples podem facilitar um ritmo mais saudável para as pessoas. Na cidade de São Paulo, a prefeitura disponibilizou uma cartilha sobre padronização das calçadas. A idéia é antes de mais nada facilitar o trânsito das pessoas, principalmente idosos, cadeirantes e mães com carrinhos de bebê. No entanto um ambiente mais agradável com atrações para os pedestres certamente contribui para melhorar a vida urbana.

O “Movimento Lento” (Slow Movement) partiu da defesa da alimentação lenta, em detrimento do “fast-food” e hoje defende uma vida mais lenta em “Cidades Lentas”. O conceito se alastra também aos viajantes quem devem saber também ser lentos e vivenciar o que há de melhor no dia-a-dia das cidades que visitam.

  • Mais

> Slow Movement:
Cidades Lentas
Viagem Lenta

> Passeio Livre:
Deixe Sua Calçada Mais Bonita

> Descubra seu ritmo de vida na pesquisa de Richard Wiseman.

> Modern life: it’s one step at a time, only much quicker

Melhores Taxis

Nem sempre usar o próprio veículo em um deslocamento urbano é interessante. Em todas as cidades do mundo, existe a conveniência do transporte por táxi. Em Nova Iorque, cada vez mais se popularizam os táxis à propulsão humana.

A crescente demanda pelo serviço tem feito aumentar a visibilidade dos “pedicabs” ou “táxis-a-pedal” o que fez surgir um embate entre o poder executivo e o legislativo em Nova Iorque. A idéia é regulamentar os “pedicabs” vistos como um problema para os taxistas tradicionais e outros setores da sociedade.

Um vídeo (em inglês) fala de uma empresa de triciclos novaiorquina que trabalha para baratear as tecnologias existentes. A idéia é tornar possível que os táxis-a-pedal tenham também motores não poluentes, elétricos ou a hidrogênio. Espera-se com isso popularizar essa alternativa de transporte, mais amigável com o ambiente urbano e capaz de ser mais rápida nas ruas congestionadas da megalópole norte-americana.

  • Mais

> Informações em inglês:
As últimas notícias sobre pedicabs no Streetblog.org

Uma Mobilidade mais Saudável

Investir em melhorias na mobilidade dentro e fora das cidades é também uma necessidade de saúde pública. Os motivos extrapolam a qualidade do ar urbano. Precisamos cada vez mais investir em maneiras de transportar melhor não só as pessoas e bens dentro da nossa cidade, precisamos de meios que exponham a população a um risco menor de se envolver em acidentes rodoviários.

No ano de 1896 ocorreu a primeira morte por acidente automotivo no mundo. Hoje são 1,2 milhão de vidas humanas perdidas anualmente nas ruas e estradas do planeta. São dados da Organização Mundial de Saúde. No Brasil, aproximadamente 35 mil vítimas todos os anos, mais de 80% do sexo masculino e metade do total tem até 25 anos.

Além da perda de vidas, no ano de 2006 os custos econômicos e sociais dos acidentes de trânsito no Brasil chegaram a R$ 24,6 bilhões. A solução para o problema requer uma mudança de paradigma na mobilidade. O fator humano é o maior responsável pelo aumento do número de acidentes de trânsito. É fundamental portanto educar a população em geral e os motoristas em particular acerca da responsabilidade de manejar um veículo automotor. Compartilhar a rua, zelar pela segurança de trânsito é dever de todos.

O Código de Trânsito Brasileiro já estabelece que cabe ao veículo de maior porte zelar pela segurança dos menores e todos, pela segurança dos pedestres. Já temos os requisitos legais, o caminho a seguir é reforçar a importância de cumprir-se a legislação de trânsito.

  • Mais

> Agência Brasil:Acidentes de trânsito são uma das principais causas de mortes no país, aponta pesquisa.
> Organização Mundial da Saúde:
Semana Mundial de Segurança no Trânsito
World Youth Assembly meets to tackle road safety

Reflexões Urbanas

Uma profunda reflexão na revista Carta Capital número 441 trata sobre uma das mais importantes invenções humanas, o automóvel. A maneira como essa invenção moldou a economia e a vida social no entanto é motivo de ressalvas para a revista. De maneira resumida:

O automóvel é um dos propulsores do desenvolvimento contemporâneo, mas a paixão desvairada por ele ameaça a natureza e a civilização

Durante todo o século XX, os processos industriais foram os responsáveis por moldar a economia e também o comportamento humano. O imperativo da expansão econômica sem freios nos trouxe uma nova necessidade evolutiva, escolher como e quais ferramentas humanas usar sabendo o custo de cada uma delas, seja social ou ambiental.

Nos anos 20, Henry Ford provocou a maior revolução nos métodos de produção, gestão e regulação do capitalismo desde a invenção da máquina a vapor.

Cinqüenta anos depois a revolução fordista foi substituída pela revolução do toyotismo. Símbolos maiores do poderio da indústria automobilística, essas evoluções na maneira de fabricar bens materiais infelizmente não servem mais de modelo para as mudanças necessárias a sociedade humana do século XXI.

O futuro nunca chega e a necessidade de evolução nunca termina. Por isso, é no presente que se constrói o mundo como ele será amanhã. Os erros e acertos dos caminhos traçados no passado nos ajudarão a ajustar a rota para que a maneira que vivemos seja cada vez melhor.

Atualmente o bicho homem é um ser majoritariamente urbano. Assim, a trajetória para o futuro certamente será na direção de cidades voltadas para as pessoas e não para os processos industriais que moldaram o século XX.

  • Mais

> “Piada Pronta
Texto do Apocalipse Motorizado sobre os caminhos urbanos
> O totem do capital – Revista Carta Capital. 25 de Abril de 2007 – Ano XIII – Número 441

Seminário em Santos – Conclusões

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Nos dias 19 e 20 de abril foi promovido pela ANTP o seminário ” A Bicicleta e a Mobilidade Urbana no Brasil”. Compareceram ao todo 150 participantes de 10 estados e 38 cidades brasileiras, além de 4 estrangeiros.

A Transporte Ativo, apresentou uma das 15 palestras. O tema só poderia ser “Mobilizando para o Uso da Bicicleta”. Parabéns a ANTP pelo evento e pela excelência dos palestrantes. Dentre eles, Antonio Miranda, Reginaldo Paiva (CPTM) e Augusto Valeri (Ministério das Cidades).

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As autoridades intelectuais e executivas de trânsito e urbanismo que estiveram presentes valorizaram a importância do trabalho desenvolvido pela TA tecendo elogios antes e depois da apresentação.

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O reconhecimento naturalmente se expande a todos que promovem a bicicleta nas cidades. Estarmos todos juntos nesta luta, e o resultado de Santos é uma comprovação efetiva da importância dos ciclistas. As cidades mais humanas não virão como fruto de esforços individuais, mas serão construídas por todos os que prezam pela qualidade de vida urbana e trabalham para isso. Seja nas pranchetas e escritórios, seja nos pedais.

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  • > Baixe a palestra da TA: “Mobilizando para o Uso da Bicicleta
    > Mais sobre o seminário.