Ciclistas Apocalípticos e Integrados

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Umberto Eco falou sobre os “apocalípticos” e os “integrados”. Reginaldo Paiva da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) usou os termos para separar diferentes tipos de ciclistas.

Os apocalípticos tem as ruas como espaços suficientes e não há qualquer necessidade de mudanças para integrar as bicicletas aos outros meios de transporte. Para eles pedalar já é vantajoso pelo ganho de tempo e economia de dinheiro. Os “integrados” por outro lado precisam de uma série de investimentos em infra-estrutura, rotas cicloviárias, estacionamentos para bicicletas nas estações, etc.

A definição é bastante abrangente, mas certamente resume bem uma grande diferença entre usuários da bicicleta. No entanto para que mais pessoas pedalem pela cidade mais vezes esses dois grupos devem ser levados em consideração. Um ciclista “apocalíptico” aprendeu aos poucos como ser portar nas ruas e transitar em segurança. Já os “integrados” representam um outro extremo que se devidamente priorizado é capaz de produzir os melhores resultados na mobilidade urbana.

O principal objetivo de qualquer planejamento em prol do uso da bicicleta, deve ser sempre atender as demandas de quem já pedala sem perder de vista as necessidades dos que gostariam de pedalar. Dentro desse último grupo, estão principalmente os pedestres que acessam as estações de trem. Usuários aptos a utilizar a bicicleta e que economizaram um tempo considerável nos seus deslocamentos.

Um texto interessante que dialoga com o que disse Umberto Eco diz que devemos reavivar “o aspecto lúdico e prazeroso da construção coletiva do conhecimento”. Nada mais perfeito portanto que pensemos a bicicleta e os ciclistas de maneira integrada para que o prazer de pedalar ajude a influenciar as decisões em prol da mobilidade de todos os cidadãos.

Mais:

– Confira a íntegra da apresentação de Reginaldo Paiva no Seminário em Santos (pdf).
Texto “Apocalípticos, integrados e… hackers (overmundo).

O Prazer e Teoria da Relatividade

A bicicleta é um pequeno vício que beneficia os infectados. Não foi diferente com o jornalista e neo-ciclista Pedro Cirne. Ele aceitou o desafio de escrever sobre como é trocar o carro pela bicicleta por uma semana.

Já no segundo dia uma importante conclusão, todas as distâncias de bicicleta são percorridas em 15 minutos. Ainda que o relógio marque o dobro disso, o prazer de pedalar se encarrega de relativizar o tempo e o espaço. É a “Teoria da Relatividade” aplicada as bicicletas.

Como diria o próprio Albert Einstein: “A vida é como andar de bicicleta. Para manter-se equilibrado é preciso continuar em movimento.” Vale confirar os relatos do Pedro no Especial de Trânsito. Ele ajuda a mostrar benefícios evidentes que todo ciclista pode desfrutar, mesmo em São Paulo. Cidade famosa pelo trânsito intenso.

Os outros quatro jornalistas optaram pelo Transporte Público, sempre dentro da premissa de ver um mundo possível hoje, com uma nova mobilidade. Confira a íntegra.

Desafios Auto Impostos

Um cano cortado ao meio onde se realizam manobras de skate. O termo em inglês half-pipe evoca uma modalidade esportiva que ganhou notoriedade e ajudou a popularizar a cultura das “pranchas sobre rodas”.

Hoje atletas do skate são conhecidos ao redor do mundo e em um festival de rock realizado em São Paulo a pequena prancha e seus artistas estavam presentes na condição de astros. “Palcos” exclusivos em uma disputa de igual para igual com os músicos pela atenção do público.

No half pipe música alta e um locutor era tudo que se ouvia. A ação e os olhares do público estavam centrados na pista onde os skatistas se lançavam sem medo em vôos cada vez mais altos. A meta subia em relação a borda. Primeiro 1,80 depois 2,40 e assim até os 4 metros. Aos poucos o número de atletas que superava as marcas diminuía. Até que apenas Sandro Dias (ou Mineirinho) foi capaz dos 3,60 m. Incitado pelo público Sandro levantou a marca. Todos pediram 4 metros, o atleta foi prudente e tentou primeiro 3,80 m. Superada mais essa marca, era a hora de agradar aos fãs.

Ao contrário da maioria dos atletas, Sandro não descia do Canion, uma rampa elevada que ajuda o atleta a ganhar velocidade, o Mineirinho descia a rampa da parte mais baixa e fazia pequenos saltos para ganhar velocidade. Assim foi mais uma vez na tentativa para os 4 metros. Pequenos vôos velozes que culminaram com o salto visando a marca imposta apenas pelo atleta e o público.

No momento exato Sandro usa as duas mãos para gentilmente levar o skate além dos 4 metros. Delírio do público.