O Tempo da Carruagem

A bicicleta tem um papel importante na mobilidade urbana por ser a melhor forma de transporte individual. Quem pedala desconhece engarrafamento e está sempre em movimento mantendo velocidades médias iguais, independente do horário. As cidades do futuro necessariamente deverão encarar com seriedade esse meio de transporte que é herdeiro industrial do cavalo e necessita apenas da força humana para locomover-se por pequenas, médias e grandes distâncias.

Muitos já descobriram os benefícios de deixar o conforto da carruagem de lado em nome da mobilidade livre e a qualquer tempo que só a bicicleta é capaz de oferecer em nossas cidades. Um belo artigo de Ricardo Neves exemplifica, ainda que indiretamente, o papel dos ciclistas urbanos.

Pelo mundo afora já existem aqueles “pioneiros do tempo”, indivíduos que estão mudando, inovando e criando novos estilos de vida que vão lhes permitir ter maior controle sobre seus próprios destinos e maior qualidade de vida, incluindo formas de viver menos dependente do uso do carro.

Ou como escreveu Machado de Assis nas Memórias Póstumas de Brás Cubas:
Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos pudessem andar de carruagem”.

  • Mais

> Leia a íntegra do artigo:
Quando todos tiverem carruagem
> Dicas do autor para tornar-se menos dependente do automóvel.
Parte 1 de 5
Parte 2 – Usar taxi
Parte 3 – Alugar carros
Parte 4 – Testar o transporte público
Parte 5 – Calcule os custos de um carro

Devagar e Sempre

O ritmo de uma cidade muitas vezes pode apenas ser sentido e a melhor maneira de faze-lo é caminhar pelas ruas. Ver e ouvir os passos das pessoas, certamente ajuda a descobrir como elas vivem.

As calçadas movimentadas de qualquer metrópole mundial são um espaço de um movimento quase initerrupto, um fluxo infindável de pessoas se deslocando em todas as direções.

Há muito o que ver e ouvir nesses variados ambientes urbanos e um cientista inglês resolveu expandir para as calçadas do mundo seu campo de estudo. A idéia era buscar uma informação clara sobre o ritmo das cidades.

Quão rápido andam os pedestres de um lugar não é um indicador claro de qualidade de vida, mas pode ser uma das conseqüências de um estilo de vida acelerado demais. O estudo do professor Richard Wiseman identificou que viver de maneira cada vez mais apressada gera uma série de impactos negativos nas pessoas. Elas têm menos tempo para os amigos, para a prática de exercícios físicos, além de se alimentarem mal e estarem sujeitas a beber e fumar mais.

Certamente quebra-molas em nossas calçadas não serão capazes de reduzir a velocidade dos pedestres. A solução para a qualidade de vida nesse caso é tão simples, quanto evidente. Iniciativas individuais e coletivas que busquem desacelerar as cidades por completo.

Uma série de medidas simples podem facilitar um ritmo mais saudável para as pessoas. Na cidade de São Paulo, a prefeitura disponibilizou uma cartilha sobre padronização das calçadas. A idéia é antes de mais nada facilitar o trânsito das pessoas, principalmente idosos, cadeirantes e mães com carrinhos de bebê. No entanto um ambiente mais agradável com atrações para os pedestres certamente contribui para melhorar a vida urbana.

O “Movimento Lento” (Slow Movement) partiu da defesa da alimentação lenta, em detrimento do “fast-food” e hoje defende uma vida mais lenta em “Cidades Lentas”. O conceito se alastra também aos viajantes quem devem saber também ser lentos e vivenciar o que há de melhor no dia-a-dia das cidades que visitam.

  • Mais

> Slow Movement:
Cidades Lentas
Viagem Lenta

> Passeio Livre:
Deixe Sua Calçada Mais Bonita

> Descubra seu ritmo de vida na pesquisa de Richard Wiseman.

> Modern life: it’s one step at a time, only much quicker

Lenda Sem Marchas

A Lenda da Rainha Poti

Era uma vez, um reino muito distante, ao sul das terras de Dom João. Um lugar mágico com ruas de pedra, casas de terra e o chamego diário do mar. Nesse lugar, por muitos conhecido como Paraíso, reinava a doce e bondosa rainha Poti. Que apesar de doce e bondosa, tinha a sanha de proteger seu povo dos inimigos que porventura surgissem. Isso eu diria, se fosse um escritor.

Trata-se da cidade de Parati, no litoral sul do Rio de Janeiro. O fenômeno, no entanto, é característico de diversas cidades no interior do Brasil. O exemplo vem de longe. Na Holanda, país que é referência mundial em relação a mobilidade por bicicleta, a simplicidade domina.

Um vídeo (em inglês) mostra em Amsterdam a preferência pelas bicicletas simples e úteis. A mesma tecnologia desenvolvida no século XIX, mas que por ter seu uso incentivado e levado a sério, é capaz de revolucionar e valorizar imensamente o ambiente urbano.

  • Mais

> Sobre Bicicletas Holandesas

> Cidades Amigas da Bicicleta

A Liberdade da Propulsão Humana

A cidade nunca é uma só, são muitas. Para quem voluntariamente abriu mão de usar um automóvel particular como meio de transporte fazem já quase 2 anos, o ambiente urbano conhecido tornou-se outro.

Como diria Kevin Lynch em “A Imagem da Cidade”:

Todo o cidadão possui numerosas relações com algumas partes da sua cidade e a sua imagem está impregnada de memórias e significações.

Uma das principais conseqüências práticas de não ter carro e morar numa metrópole é conhecer as alternativas. A primeira delas é caminhar. Nem sempre a maneira mais eficiente e rápida de ir a algum lugar, mas certamente uma excelente maneira de voltar para casa. Todo andarilho é antes de tudo um pensador, haja vista a imagem do “flaneur” como o ser urbano por excelência.

Em um único dia, tendo apenas um único destino é possível utilizar-se de 4 meios de transportes distintos cada um deles com suas peculiariedades.

Pedalar até o metrô na hora do rush é antes de mais nada sentir a liberdade possível hoje a quem anda de bicicleta. Não existe engarrafamento e a cidade tem sempre o mesmo tamanho. Não há o trânsito parado que alonga distâncias.

Bicicleta é veículo que se empresta e depois de entregue a um amigo, a viagem continua através da maneira mais rápida de deslocar um grande número de pessoas, o metrô. Pausa para ler uma revista e antes que se torne enfadonha a leitura, estação de desembarque.

A volta para casa foi através do transporte solidário. A boa e velha carona que nem sempre deixa na porta de casa. Bom motivo para uma bela caminhada noturna. É andando a pé que se pode ter, sem mediação, o contato por inteiro com a cidade. Prédios, plantas, a rua e calçada. Um passo de cada vez para conhecer e reconhecer cada metro.

Há uma cidade especial a ser descoberta por cada um que se dispuser a conhece-la.

  • Mais

> Alguns trechos do Livro “A Imagem da Cidade” de Kevin Lynch.

> O FLANEUR E A VERTIGEM (em pdf)
Metrópole e subjetividade na obra de João do Rio

> Georg Simmel autor de “A Metrópole e a Vida Mental”

> Sobre flaneur
Em inglês:
Manifesto Flaneur
Definição no Wiki para Flaneur

Reflexões Urbanas

Uma profunda reflexão na revista Carta Capital número 441 trata sobre uma das mais importantes invenções humanas, o automóvel. A maneira como essa invenção moldou a economia e a vida social no entanto é motivo de ressalvas para a revista. De maneira resumida:

O automóvel é um dos propulsores do desenvolvimento contemporâneo, mas a paixão desvairada por ele ameaça a natureza e a civilização

Durante todo o século XX, os processos industriais foram os responsáveis por moldar a economia e também o comportamento humano. O imperativo da expansão econômica sem freios nos trouxe uma nova necessidade evolutiva, escolher como e quais ferramentas humanas usar sabendo o custo de cada uma delas, seja social ou ambiental.

Nos anos 20, Henry Ford provocou a maior revolução nos métodos de produção, gestão e regulação do capitalismo desde a invenção da máquina a vapor.

Cinqüenta anos depois a revolução fordista foi substituída pela revolução do toyotismo. Símbolos maiores do poderio da indústria automobilística, essas evoluções na maneira de fabricar bens materiais infelizmente não servem mais de modelo para as mudanças necessárias a sociedade humana do século XXI.

O futuro nunca chega e a necessidade de evolução nunca termina. Por isso, é no presente que se constrói o mundo como ele será amanhã. Os erros e acertos dos caminhos traçados no passado nos ajudarão a ajustar a rota para que a maneira que vivemos seja cada vez melhor.

Atualmente o bicho homem é um ser majoritariamente urbano. Assim, a trajetória para o futuro certamente será na direção de cidades voltadas para as pessoas e não para os processos industriais que moldaram o século XX.

  • Mais

> “Piada Pronta
Texto do Apocalipse Motorizado sobre os caminhos urbanos
> O totem do capital – Revista Carta Capital. 25 de Abril de 2007 – Ano XIII – Número 441