Uma Nova Bicicleta em Sampa

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Foto Zé Lobo

Impressões sobre a chegada de uma nova Dahon em São Paulo.

Descobri duas coisas. Que tem um lugar chamado Café Galícia no fim da Consolação que faz uns sucos inacreditáveis. Uva verde com água de coco, nesse naipe! Pretendo voltar com certeza.

(…)

Como o funcionário do metrô Anhangabaú que me perguntou:
– É estrangeira ela né? Inglesa? Americana?
– Americana.
– Ah…E é pra competição?
– Hã..Não…Competição?
– É que ela dobra desse jeito, pra que serve?
– Pra entrar no metrô?…

Escrito por Pedalero.
Via Apocalipse Motorizado

A vida é feita de simples prazeres. Vento no rosto e total liberdade de ir e vir. Veículos leves a propulsão humana clarificam que “menos é mais”.

Um vídeo de integração modal das Dahon. Dobradas elas se integram à ônibus, trem, metrô, barco e avião. Desdobradas, desbravam.

Das infrações

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Estacionar o veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovias ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público. Infração Grave.

O Código de Trânsito Brasileiro ampara legalmente aos mais frágeis, ciclistas e pedestres.

CAPÍTULO XV – DAS INFRAÇÕES
Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

Esse amparo legal não costuma no entanto ser de conhecimento de todos, sejam habilitados para dirigir veículos auto-motores, sejam ciclistas ou pedestres. A legislação para ser efetiva necessita de uma série de fatores, dentre eles, ser conhecida pelos órgãos da lei e os cidadãos em geral.

Não basta portanto o amparo legal, é necessário que ciclistas e pedestres conheçam seus direitos e deveres e o restransmitam da melhor maneira possível.

Aos que dominam o inglês, vale assistir a um vídeo de um pedestre que foi internado como louco por confrontar diretamente o espaço dos veículos motorizados. Seja nas calçadas alemãs, seja nas ruas. São atitudes que podem ter um efeito negativo e principalmente gerar mais agressividade. Mas servem como reflexão para que se busque cidades mais humanas com mais e melhores espaços para as pessoas.

Estacionamentos de Bicicletas no Rio de Janeiro

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Seguro e bem localizado – Botafogo Praia Shopping

A Transporte Ativo nas últimas semanas fez uma vistoria em alguns shopping centers da cidade, principalmente na Zona Sul e na Barra. Buscamos saber quais se enquadraram a Lei Complementar nº 77 de 22 de abril de 2005 que dispõe sobre a obrigatoriedade em destinar áreas para estacionamento de bicicletas em shopping centers e hipermercados no município do Rio de Janeiro. Em 2015 esta resolução foi substituída pela Lei Complementar nº 195 de 9 de outubro de 2018, que amplia o escopo da legislação para qualquer local com grande afluxo de público e não mais apenas locais de compras como supermercados e shopping centers.

O resultado foi surpreendente, visitamos 24 dos 50 shoppings apurados, destes 75% possuíam bicicletário e do total de 50, 78% tinham o equipamento, ainda que nem sempre adequado. Quase todos eles são sub-utilizados. Principalmente devido a falta de divulgação e a alguns problemas técnicos como modelo de paraciclo e localização dos mesmos.

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Bicicletário bastante utilizado – Casa Shopping

O relatório completo sobre as visitas já foi entregue a Prefeitura em reunião do Grupo de Trabalho (GT) Ciclovias. Uma versão para download está disponível.

Acreditamos que a divulgação da existência destes bicicletários leve mais pessoas a utilizarem as bicicletas para irem aos Shopping Centers. Portanto, aos ciclistas do Rio de Janeiro, fica o convite para complementar a lista de shoppings. Vale também procurar a administração dos estabelecimentos e pedir para que os estacionamentos de bicicletas sejam melhor localizados e de boa qualidade. A lista de estabelecimentos, que possuem, apurada pela Transporte Ativo pode ser baixada do site e o modelo padrão aprovado pela prefeitura está disponível aqui.

Aos interessados em instalar um estacionamento para bicicletas com qualidade, disponibilizamos uma tradução de um manual inglês de implementação de bicicletários.

BarraShop

Um exemplo improvisado – BarraShopping

Ética do Transporte

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Caricatura Pedro Eboli

Um grupo de congregações cristãs nos EUA lançou a campanha “O que Jesus Dirigiria?”

http://whatwouldjesusdrive.org/

O mote é que o transporte é uma questão moral. O site menciona a importância de caminhar, usar a bicicleta e o transporte público. Coloca também bastante ênfase na pressão por combustíveis mais eficientes.

Não há no entanto bio-combustível mais adequado do que é a dupla arroz-com-feijão, que alimenta o motor do veículo mais energeticamente eco-eficiente que as mãos do homem já criaram, a bicicleta.

Capacetes e Segurança

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Foto do autor

O uso ou não de capacete é polêmico, e exatamente por isso não há opinião “certa”. Eles evoluíram muito desde aqueles modelos só de isopor, “cogumelão”, mas é sempre bom rever freqüentemente os conceitos em relação a esse equipamento. Cada pedalada é uma experiência diferente, não se pode generalizar as situações.

Quanto à questão de “usar pois assim estamos mais protegidos”, é uma meia verdade. Vejo dezenas de pessoas usando capacete, mas só uma pequena minoria usando campainha, refletores e espelho retrovisor, que têm uma eficácia muito maior. A valia desses acessórios está em prevenir o acidente, não minimizar suas conseqüências. Mesmo se formos nos ater a elas, deveríamos todos usar luvas, cotoveleiras e joelheiras, já que previnem a ocorrência de ferimentos que, mesmo de menor gravidade, ocorrem mais frequentemente.

Creio que uma das grandes vantagens da bicicleta é sua “despretensiosidade”. Todos comentamos como é fácil e gostoso simplesmente subir na bici e sair por aí. Portanto em certas situações, pra que complicar, tendo que usar capacete? Pra ir na padaria, não precisa de capacete. Precisa sim, de uma cestinha pra pôr o pão dentro, pois carregar a sacola no guidão tira o controle, é perigoso.

Outro motivo para não usar o capacete: é muito quente. Podem até tentar me convencer que os novos capacetes, com 357 aberturas de ventilação, não são quentes. Na verdade, são menos quentes e custam 700 reais, ou R$ 2 por furo de ventilação. Durante uma pedalada no ano novo, mesmo na serra catarinense o calor estava de rachar e optei por pedalar sem capacete para refrescar. Nesse momento, muito mais importante foi o boné.

Interessante como todo mundo, quando quer dar um exemplo de civilidade e uso da bicicleta, dá o exemplo da Holanda, de como eles têm intimidade com a bici, são o máximo. Vale assistir ao vídeo “Cidades Amigas da Bicicleta” e contar quantas pessoas estão usando o capacete. Claro que a realidade deles é diferente, que estão expostos a menos riscos, têm motoristas e ciclistas mais educados, vias melhores, etc. Mas não precisamos radicalizar, uma coisa é fazer um downhill a 80 km/h numa trilha cheia de pedras ou uma viagem de 200 km por uma BR, com uma bici pesando 40kg. Outra é fazer um passeio à beira-mar, de Ceci. O bom senso é nosso maior companheiro.

Uma outra questão relativa ao “pensamento único dominante” de que devemos todos, sempre, usar capacete, é que acabamos por afastar quem não faz. Acho que não podemos nos dar a este luxo, podemos sim sempre recomendar o uso, mas não obrigar e repreender. O capacete “entrou em cena” só após o mountain bike. Antes, nem os ciclistas de competição de estrada o usavam. Claro que muitos morreram e que inegavelmente é mais seguro usá-lo. Mas há uma diversidade enorme de modos como a bici é usada.

Capacete é legal, mas não é a solução do mundo. Há vida na cabeça pelada. Sentir o vento passar entre os fios de cabelo, é uma garantia de voltar à infância, pois essa é a autêntica sensação de liberdade que a bici traz. Não se prendam a dogmas.

– Mais sobre o tema em dois artigos anteriores:
Uso do Capacete” e “Capacetes e Cabelo