A Revolução Será Pedalada

Uma revolução está a caminho. Cada bicicleta que ganha as ruas, deixa para trás a poeira, a escuridão das garagens. Toda bicicleta que gira e faz do ar estático vento no rosto de quem pedala é o sinal da mudança em curso. Cada caixa de papelão deixada para trás faz eco a liberdade do novo ciclista.

O elo da corrente que puxa a catraca por mais um dente faz o som do mundo que muda. A sineta tocada traz consigo as boas novas em movimento. O pedal empurrado levanta seu oposto e gera o círculo virtuoso da mudança. As rodas que giram levam em cada selim as mulheres e os homens do futuro. A revolução acontece a cada pedalada.

“Seja pela tendência estética ou pela mensagem ambientalista, as bicicletas como meio de transporte trazem consigo um estilo de vida e um discurso que irá mudar a cara da indústria (de bicicleta).”

A constatação acima foi publicada na revista Bicycle Retailer – Transportation Bikes Take Flight at Retail. A matéria mostra que a aceitação das bicicletas para transporte no mercado tem sido cada vez maior. E o aumento de vendas se traduz na criação de uma nova marca pela Specialized, na aquisição da pequena Breezer pela tradicional Fuji ou na Raleigh que deixou de lado as MTB e Speeds e se concentrou nas bicicletas urbanas em 2009.

Mudanças de paradigma demoram para acontecer e são fabricadas aos poucos. Momentos de crise costumam ser também janelas de oportunidade para os que tem mais visão comercial e sabem explorar as possibilidades de um futuro sempre incerto. A indústria mundial de bicicletas cada dia mais tem buscado se antecipar as tendências e jogar de acordo com as novas regras econômicas que estão sendo postas pelas mudanças comportamentais em curso.

Da mesma maneira que durante os anos 1990 as bicicletas todo o terreno revolucionaram o mercado. As bicicletas para transporte representam uma nova tendência comercial e uma revolução comportamental muito maior do que foi o nascimento do esporte Mountain Bike.

– via bikeportland.org

—–
Mais no blog:
Reflexões sobre o Mercado de Bicicletas
Mercado de Bicicletas no Brasil

Revolução Urbana em 72 horas

Via StreetFilms

Uma única rua foi aberta para as pessoas em apenas 72 horas. Os comerciantes foram contra, haviam muitas incertezas. O prefeito da cidade era Jaime Lerner, o ano 1972. Hoje, o calçadão da Rua XV de Novembro é rota preferencial para quem caminha no centro de Curitiba e passeio obrigatório para o turista.

Coragem e determinação foram responsáveis por uma pequena revolução urbana que colocou a cidade de Curitiba como um importante exemplo mundial na promoção a qualidade de vida. Somados aos corredores de ônibus, um transporte de massa rápido e fácil de ser implantado, a capital paranaense inspirou o mundo. Os sistemas de “canaletas” como dizem os curitibanos ou Bus Rapid Transit (BRT) na versão estrangeiras, se espalharam para diversas cidades do planeta.

Uma atitude inicial, tomada há mais de três décadas revolucionou Curitiba. Por lá os desafios hoje são outros e um dos motivos para que a cidade tenha crescido tanto, foi justamente a capacidade de atrair moradores. Todos atraídos a irem morar em um lugar cuja qualidade de vida ganhou fama mundial. Em pleno século XXI, o que era revolução em 1972, tornou-se uma necessidade urgente em quase todas as grandes cidades do mundo.

Quase como Voar

DSC05245

Certos dias pedalar torna-se um pouco mais inspirador. Alcançar a rua depois de subir a rampa da garagem vira um momento mágico, um pequeno milagre da inventividade humana. Através de uma máquina simples leve e silenciosa o asfalto desliza abaixo e o ritmo constante da pedalada mostra-se tão natural que a junção das pernas com os pedais fica absolutamente imperceptível.

Nada mais passa a existir, o trânsito motorizado no feriado paulistano mostra-se benevolente. Um certo vazio toma conta das ruas em um dia que mistura um pouco da sensação de ser sábado e ao mesmo tempo traz consigo um ar de domingo, mesmo sendo uma quinta-feira.

Movendo-se pelas próprias forças e tão velozmente, pedalar na cidade é ao mesmo tempo fazer parte do ambiente e passar desapercebido por ele. É como planar em êxtase absolutamente livre tão leve como se os pedais fossem asas. Ainda que haja um pouco de ar e borracha em eterno contato com o chão, os pés giram frenéticamente acima, sem nunca tocar o asfalto.

Certos dias – em todos? – pedalar é como ter asas nos pés, ser um pouco como Hermes. A bicicleta transforma quem a usa um pouco mensageiro dos deuses.

Oito Bons Motivos para Usar a Bicicleta

PELA ECONOMIA: Bicicleta não paga imposto de circulação, não usa combustível, as públicas não geram gastos em manutenção, e tem sempre estacionamento gratuito.

PELO TEMPO: Está mais que comprovado que em deslocamentos urbanos o meio de transporte mais eficiente é a bicicleta, principalmente nos horários de pico.

PELA SAÚDE: A prática regular de exercícios trazem benefícios físicos e mentais.

PELO MEIO AMBIENTE: Se 15% das viagens feitas em transportes motorizados fossem cumpridas em bicicleta, a poluição sonora e do ar nas cidades seria reduzida a metade. Colaborando para a diminuição da degradação ambiental.

PELA DIVERSIDADE: Poucas pessoas não podem usar esse meio de transporte que não necessita habilitação ou qualquer documento, não há limite de idade nem condições físicas especiais.

PELA EFICIÊNCIA: A possiblidade de integrar a bicicleta com outros meios de transporte (metrô, trem, ônibus…) tornam as magrelas o modo mais eficaz e versátil.

PELO CLIMA: O inverno brasileiro tornam a circulação em bicicleta ainda melhor.

PELO FUTURO: Se buscamos um futuro com mais qualidade de vida, devemos considerar o uso racional com parte fundamental para alcançar esse objetivo.

– Texto traduzido do espanhol. Visto originalmente em: BUENAS RAZONES PARA CIRCULAR EN BICICLETA

Sete Mandamentos Cicloviários

DSC00661

 

1. Sempre tome partido dos projetos de reurbanização ou construção de novas vias que já serão feitos de quaquer maneira neles incluindo a infraestrutura cicloviária.

2. Nunca deixe o projeto cicloviário a cargo de engenheiros e arquitetos não ciclistas.

3. O sistema cicloviário precisa ser constantemente ampliado e aperfeiçoado em particular com pequenas intervenções.

4. Conservação é crucial. Mantenha sempre um bom e flexivel contrato de conservação.

5. Na hora de começar o faça sempre pelo ponto de maior visibilidade da cidade.

6. As Ciclovias entendidas com espaço exclusivo e fisicamente protegido por uma mureta, defensa ou meio-fio, são, apenas, um tipo de tratamento do sistema cicloviário.

7. Na hora de contabilizar as viagens de bicicleta para poder compor o perfil de uso dos vários modais de transporte em uma cidade e não aceite que os técnicos rodoviaristas contabilizem como deslocamentos de transporte em bicicleta apenas os percursos residência-local de trabalho.

Texto retirado do blog do Alfredo Sirkis. Ex-secretário de Meio Ambiente e Urbanismo do Rio de Janeiro, Sirkis durante seu mandato como vereador colaborou para a inclusão de ciclovias no projeto de reurbanização da orla carioca. A medida teve uma repercussão negativa na mídia, mas contou com o apoio de 88% da população em um pesquisa realizada posteriormente. Além disso, a inclusão da bicicleta como meio de transporte no Plano Diretor de 1992 contribui para o fortalecimento das magrelas como o importante modal de deslocamentos no Rio.

O texto completo é: Apresentando as ciclovias cariocas.