A soma dos erros nas ruas

Trupicão, tropeço, rola, tombo, catar cavaco, derrapar na lama, escorregar no tomate… São tantas maneiras de sofrer acidentes quando se está a pé em casa ou nas ruas. As mais perigosas são dentro do banheiro, aquele local cheio de água e azulejos derrapantes. Seres humanos são imperfeitos a ponto de estarem sempre sujeitos a cometerem os mais diversos tipos de erros, seja onde for.

Ao longo do século XX os erros humanos cometidos nas ruas passaram a ser muitas vezes com pena de morte. Muitas vezes a pessoa condenada cometeu o pequeno erro de estar no local errado na hora errada. Só no Brasil os números (imprecisos) apontam que a pena capital contra erros humanos ao redor do espaço público de ruas e avenidas e nas estradas varia ao redor dos 50.000 todos os anos.

Dois fatores explicam claramente a diferença entre os erros humanos quando puramente humanos e aqueles cometidos nas ruas. O somatório entre massa e velocidade de veículos automotores. Por esse motivo inclusive a legislação brasileira de trânsito contém aquele trecho de que o veículo maior deve zelar pela segurança do menor e todos pela incolumidade do pedestre.

A campanha de trânsito da Nova Zelândia que ilustra esse texto demonstra com clareza que erros humanos podem ter consequências mais graves do que deveriam quando se tem na equação a massa mais a velocidade de um veículo automotor.

O espaço simbólico das ruas aos poucos tem sido entendido como um espaço a ser compartilhado, e nas cidades esse compartilhamento se faz através de medidas corajosas que tratem as máquinas como convidados trapalhões das cidades, que devem por isso circular em Zonas 30, ou seja, a velocidades baixas.

Perspectivas para o futuro

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Rever o passado é sempre um bom exercício, mas também vale muito a pena aproveitar a troca de números no calendário para imaginar e pensar no futuro.

Em 2013 foram completados os 10 anos da Transporte Ativo, uma década que viu florescerem e crescerem iniciativas em prol de cidades mais humanas. Foram projetos implementados, conhecimento que se multiplicou e acima de tudo novas mentalidades que se tornaram comuns.

Quem poderia imaginar que se falaria tanto em ruas para pessoas, cidades humanas e a resiliencia do espaço urbano. Nenhum desses conceitos é propriamente novo ou fruto do pensamento em voga nos últimos anos. Ainda assim, representam mentalidades que mudam.

Imaginar o futuro é certamente um bom prazer. E hoje, é possível visualizar mudanças que ajudem a tornar a vida nas cidades um pouco melhor. Cidades com mais bicicletas circulando em infraestrutura de qualidade, mais espaços de lazer e convivência que priorizem as pessoas, a valorização da qualidade de vida como pedra fundamental de todo o planejamento urbano.

Dificuldades continuarão no caminho e o apego ao passado de velhas estruturas também. Mas o próprio caos e as dificuldades de circulação de pessoas, algo tão premente nesse século XXI, serão a mola propulsora das transformações necessárias. O fator motivador para diferenciar as cidades, e os administradores do passado, das cidades do futuro.

Bicicletas, skates e a força da lei

A polícia de Nova Iorque passou um grande vexame ao tentar coibir uma corrida informal de skatistas que acontece na cidade desde o ano 2.000. Começou como um pequeno grupo que chamou a aventura de “Broadway Bomb”.

Algumas poucas regras e lançaram-se às ruas. Até que em 2012, com milhares de participantes a iniciativa tornou-se ilegal e, com o devido amparo do judiciário, a polícia resolveu agir. As cenas de loucademia de polícia do vídeo acima mostram como quando a história são skates é preciso pensar fora da caixa.

Louvável a idéia dos policiais de “capturar” skatistas utilizando uma espécie de rede de arrastão nas ruas. Mas a reação óbvia da massa de surfistas do asfalto expôs ao ridículo os profissionais da segurança esperançosos em cumprir seu dever de garantir a lei e a ordem.

A criminalização de “usos alternativos das ruas” é certamente uma faceta cruel das cidades que se tornaram espaços para movimentos motorizados acima de todas as outras formas de circulação. O esforço em prol da manutenção de estágio das coisas por parte dos defensores da “lei e da ordem” tem seu lado cômico, mas também tem outros desdobramentos.

Na cidade de São Paulo o exemplo de criminalização das ruas tramita na Câmara de Vereadores. Imbuído de um discurso em defesa “da ordem” e do combate aos furtos e roubos de bicicleta um vereador optou por tirar da gaveta um estapafúrdio projeto de lei municipal que obriga o emplacamento de bicicletas e até o uso de “calçados apropriados” para pedalar.

A contra-mão da história infelizmente ainda segue seu rumo. Felizmente os skatistas de Nova Iorque estão aí para nos ensinar que as forças do passado são incapazes de segurar o movimento do mundo.

A bicicleta para empresas

BnE

A força dos pedais pode também ser uma força econômica para pequenas, médias e grandes empresas que podem descobrir o potencial da bicicleta em seus negócios.

O manual Bicicleta na Empresa mostra os benefícios do uso da bicicleta para as organizações, o que deve ser feito para incentivar seu uso pelos funcionários, quais etapas para montar uma frota de bicicletas e o que é necessário para inovar na gestão da cadeia logística, visando não só economia de recursos como sustentabilidade.

Com essa nova publicação, esperamos lançar luz sobre a bicicleta como ferramenta empresarial, mais do que um veículo para beneficiar pessoas, um modo de garantir eficiência empresarial. Afinal toda empresa pode se beneficiar de funcionários mais felizes e saudáveis por utilizar a bicicleta. Além de muitas atividades comerciais que podem ter na bicicleta uma grande aliada logística.

BnE

Compareça no Studio-X Rio e participe do lançamento do Manual Bicicleta na Empresa.

Serviço:

Data: Terça-feira 12 de novembro de 2013

Hora: 18:30

Local: Studio-X Rio – Praça Tiradentes, 48 – Rio de Janeiro

Baixe o seu clicando aqui.

Incentivos fiscais para a bicicleta

Mais do que defender menos impostos para a bicicleta por simpatia aos ciclistas, é preciso traduzir em números o que significa cada pessoa a mais movendo-se a pedal pelas ruas da cidade.

A aproximação mais completa desse cálculo vem da Dinamarca e pelas estimativas da prefeitura de Copenhague, cada quilômetro pedalado beneficia o ciclista e a cidade. Um lucro de $0.46/km pedalado e um custo de $1.13/km percorrido em automóvel.

Por essa estimativa, cada cidadão que optasse por deixar o automóvel parado e pedalasse, deveria portanto ser recompensado a uma razão de $1.59/km percorrido.

Infelizmente ainda não temos os números precisos de quanto um ciclista brasileiro economiza para si e para a sociedade ao optar por utilizar a bicicleta.

Assim sendo, é importante o foco em buscar incentivos para que ter mais e melhores bicicletas em circulação.

Comprar uma bicicleta nova no Brasil é fruto de uma cadeia produtiva que onera o ciclista e chega mesmo a desincentivar a aquisição desse veículo que traz benefícios para quem usa e para todos ao redor.

Historicamente informal, o mercado da bicicleta brasileiro precisa ao mesmo tempo de organização e incentivo. Uma oportuna campanha da Aliança Bike busca jogar luz na importância de ações governamentais que facilitem a vida de quem compra e de quem vende as tão queridas (e necessárias) magrelas.

Desde um regime tributário que permita ao lojista pagar o imposto depois de vender a bicicleta até mesmo pagar menos imposto na produção e comercialização. Os benefícios de incentivar mais pessoas em mais bicicletas mais vezes virão para todos. Claro exemplo de uma investimento social de retorno financeiro garantido.

Leia mais:
– Let’s talk numbers – Copenhagenize.com
– Imposto sobre bicicletas no Brasil é de 40,5%, contra 32% dos tributos sobre carros – O Globo