Perspectivas para o futuro

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Rever o passado é sempre um bom exercício, mas também vale muito a pena aproveitar a troca de números no calendário para imaginar e pensar no futuro.

Em 2013 foram completados os 10 anos da Transporte Ativo, uma década que viu florescerem e crescerem iniciativas em prol de cidades mais humanas. Foram projetos implementados, conhecimento que se multiplicou e acima de tudo novas mentalidades que se tornaram comuns.

Quem poderia imaginar que se falaria tanto em ruas para pessoas, cidades humanas e a resiliencia do espaço urbano. Nenhum desses conceitos é propriamente novo ou fruto do pensamento em voga nos últimos anos. Ainda assim, representam mentalidades que mudam.

Imaginar o futuro é certamente um bom prazer. E hoje, é possível visualizar mudanças que ajudem a tornar a vida nas cidades um pouco melhor. Cidades com mais bicicletas circulando em infraestrutura de qualidade, mais espaços de lazer e convivência que priorizem as pessoas, a valorização da qualidade de vida como pedra fundamental de todo o planejamento urbano.

Dificuldades continuarão no caminho e o apego ao passado de velhas estruturas também. Mas o próprio caos e as dificuldades de circulação de pessoas, algo tão premente nesse século XXI, serão a mola propulsora das transformações necessárias. O fator motivador para diferenciar as cidades, e os administradores do passado, das cidades do futuro.

Bicicletas, skates e a força da lei

A polícia de Nova Iorque passou um grande vexame ao tentar coibir uma corrida informal de skatistas que acontece na cidade desde o ano 2.000. Começou como um pequeno grupo que chamou a aventura de “Broadway Bomb”.

Algumas poucas regras e lançaram-se às ruas. Até que em 2012, com milhares de participantes a iniciativa tornou-se ilegal e, com o devido amparo do judiciário, a polícia resolveu agir. As cenas de loucademia de polícia do vídeo acima mostram como quando a história são skates é preciso pensar fora da caixa.

Louvável a idéia dos policiais de “capturar” skatistas utilizando uma espécie de rede de arrastão nas ruas. Mas a reação óbvia da massa de surfistas do asfalto expôs ao ridículo os profissionais da segurança esperançosos em cumprir seu dever de garantir a lei e a ordem.

A criminalização de “usos alternativos das ruas” é certamente uma faceta cruel das cidades que se tornaram espaços para movimentos motorizados acima de todas as outras formas de circulação. O esforço em prol da manutenção de estágio das coisas por parte dos defensores da “lei e da ordem” tem seu lado cômico, mas também tem outros desdobramentos.

Na cidade de São Paulo o exemplo de criminalização das ruas tramita na Câmara de Vereadores. Imbuído de um discurso em defesa “da ordem” e do combate aos furtos e roubos de bicicleta um vereador optou por tirar da gaveta um estapafúrdio projeto de lei municipal que obriga o emplacamento de bicicletas e até o uso de “calçados apropriados” para pedalar.

A contra-mão da história infelizmente ainda segue seu rumo. Felizmente os skatistas de Nova Iorque estão aí para nos ensinar que as forças do passado são incapazes de segurar o movimento do mundo.

A bicicleta para empresas

BnE

A força dos pedais pode também ser uma força econômica para pequenas, médias e grandes empresas que podem descobrir o potencial da bicicleta em seus negócios.

O manual Bicicleta na Empresa mostra os benefícios do uso da bicicleta para as organizações, o que deve ser feito para incentivar seu uso pelos funcionários, quais etapas para montar uma frota de bicicletas e o que é necessário para inovar na gestão da cadeia logística, visando não só economia de recursos como sustentabilidade.

Com essa nova publicação, esperamos lançar luz sobre a bicicleta como ferramenta empresarial, mais do que um veículo para beneficiar pessoas, um modo de garantir eficiência empresarial. Afinal toda empresa pode se beneficiar de funcionários mais felizes e saudáveis por utilizar a bicicleta. Além de muitas atividades comerciais que podem ter na bicicleta uma grande aliada logística.

BnE

Compareça no Studio-X Rio e participe do lançamento do Manual Bicicleta na Empresa.

Serviço:

Data: Terça-feira 12 de novembro de 2013

Hora: 18:30

Local: Studio-X Rio – Praça Tiradentes, 48 – Rio de Janeiro

Baixe o seu clicando aqui.

Incentivos fiscais para a bicicleta

Mais do que defender menos impostos para a bicicleta por simpatia aos ciclistas, é preciso traduzir em números o que significa cada pessoa a mais movendo-se a pedal pelas ruas da cidade.

A aproximação mais completa desse cálculo vem da Dinamarca e pelas estimativas da prefeitura de Copenhague, cada quilômetro pedalado beneficia o ciclista e a cidade. Um lucro de $0.46/km pedalado e um custo de $1.13/km percorrido em automóvel.

Por essa estimativa, cada cidadão que optasse por deixar o automóvel parado e pedalasse, deveria portanto ser recompensado a uma razão de $1.59/km percorrido.

Infelizmente ainda não temos os números precisos de quanto um ciclista brasileiro economiza para si e para a sociedade ao optar por utilizar a bicicleta.

Assim sendo, é importante o foco em buscar incentivos para que ter mais e melhores bicicletas em circulação.

Comprar uma bicicleta nova no Brasil é fruto de uma cadeia produtiva que onera o ciclista e chega mesmo a desincentivar a aquisição desse veículo que traz benefícios para quem usa e para todos ao redor.

Historicamente informal, o mercado da bicicleta brasileiro precisa ao mesmo tempo de organização e incentivo. Uma oportuna campanha da Aliança Bike busca jogar luz na importância de ações governamentais que facilitem a vida de quem compra e de quem vende as tão queridas (e necessárias) magrelas.

Desde um regime tributário que permita ao lojista pagar o imposto depois de vender a bicicleta até mesmo pagar menos imposto na produção e comercialização. Os benefícios de incentivar mais pessoas em mais bicicletas mais vezes virão para todos. Claro exemplo de uma investimento social de retorno financeiro garantido.

Leia mais:
Let’s talk numbers – Copenhagenize.com
Imposto sobre bicicletas no Brasil é de 40,5%, contra 32% dos tributos sobre carros – O Globo

Igualdade de gênero nas cidades

Certa vez em Viena, na Áustria, os técnicos da prefeitura resolveram distribuir um questionário sobre como os cidadãos se deslocavam através da cidade. A resposta dos homens veio em menos de 5 minutos. Já as mulheres escreveram sem parar.

O padrão de deslocamento das mulheres era muito mais diverso. Na pesquisa elas escreviam que em determinados dias levavam as crianças ao médico antes de deixá-los na escola e depois ir trabalhar. Elas também contaram sobre os deslocamentos para ir cuidar de parentes idosos e uma enorme variedade de motivos para circular na cidade.

Ao reconhecer o uso maior do transporte público e das viagens a pé feitas por mulheres, os planejadores urbanos puderam começar um processo valioso de transformação urbana. Melhorias nas calçadas, melhores acessos para o transporte público, melhoria na iluminação pública para garantir a segurança (e a sensação de segurança). Rampas de acesso para carrinhos de bebê em cruzamentos e em substituição à escadarias também foram instaladas.

Toda a iniciativa de observar e depois agir na melhoria da cidade em função do uso que as mulheres fazem do espaço foi parte de um conceito mais amplo em curso na capital austríaca desde os anos 1990. Trata-se de “gender mainstreaming”, que poderia ser em tradução livre algo como “integração de gênero”.

Integração de gênero é algo que tem sido conduzido em diversas esferas da administração municipal, tais como educação e saúde por exemplo. Mas é no planejamento urbano que as políticas públicas tem o maior impacto.

São projetos e ações piloto que tem sido capazes de mudar a estrutura da cidade. Vale a leitura do artigo original em inglês que originou esse post: How to Design a City for Women.