Artista Urbano

Todo administrador urbano deve antes de mais nada amar a cidade em que vive. Andar pelas ruas, sentir a alma urbana, a mistura de espaços vazios, construídos e principalmente dos usos que os habitantes dão a todos esses espaços.

Antanas Mockus foi por duas vezes prefeito de Bogotá e essa semana visitou a cidade de São Paulo. Espera-se que as idéias e ações eficientes na metrópole colombiana possam inspirar os administradores da maior cidade brasileira. Certamente alguns trechos da entrevista de Mockus são inspiradores para qualquer cidadão urbano. Principalmente aqueles que vivenciam o trânsito, problema atacado com enorme inteligência pelo ex-prefeito.

Para valorizar o espaço público, precisamos melhorar o encontro dos desconhecidos. Então comecei a tentar melhorar o convívio entre pedestres e motoristas. Descobrir o porquê da agressividade e o que piorava a lentidão.

Começamos pelos mímicos, que atuavam nas principais avenidas, onde muitos motoristas bloqueavam os cruzamentos ou paravam em cima da faixa de segurança.

Quatrocentos atores e mímicos interagiram por alguns meses com os motoristas, implorando, chorando ou fazendo cara de bravo aos infratores. Sem falar uma palavra, nem agressividade. Virou uma brincadeira. Quando um motorista parava de forma errada, as pessoas até vaiavam. Se o motorista insistia no erro, o policial aparecia para multar ou advertir o infrator. O policial também saiu mais valorizado.

Mockus também seguiu valorizando a iniciativa bogotana de fechar grandes avenidas para as bicicletas, patinadores e transportes ativos em geral.

Quando eu era reitor da Universidade, eu ia de bicicleta para a reitoria, chamava atenção que a minha escolta usava carro e eu na bici. Quando prefeito, andei de bicicleta várias vezes.

Aos domingos, fechamos as principais avenidas de Bogotá por várias horas e elas se transformam em um grande parque. É um dia de mais exercício físico, as pessoas ficam de melhor humor, a poluição diminui.

Dentre outras razões, é por isso que administrar uma cidade é também uma singela forma de arte, enxergar além de todos os outros.

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Entrevista completa de Antanas Mockus

Emplacamento de Bicicletas

O assunto é bastante polêmico. Não há informações de países aonde o emplacamento de bicicletas seja obrigatório. Existem no entanto pontos localizados, até mesmo no Brasil, aonde as bicicletas tem de ser emplacadas obrigatoriamente. O exemplo mais notório é a cidade de Lorena no interior de São Paulo.

O argumento principal para justificar a medida é coibir o roubo. No entanto, mirando-se no exemplo dos veículos auto-motores, emplacar não coibiu que eles fossem alvo de ladrões. As desvantagens do emplacamento de bicicletas seriam mais taxas, mais burocracia. A imprudência de alguns colegas ciclistas, outra justificativa, pode ser combatida com educação ou apreensão do veículo e multa, mesmo sem placa, como já acontece em Santos e em Ubatuba.

Durante o Seminário “Bicicletas e a mobilidade Urbana no Brasil”, técnicos e especialistas de todo o Brasil puderam conhecer um pouco melhor a mobilidade por bicicleta na cidade paulista. Abaixo trechos de apresentações sobre Santos e Lorena e um pequeno relato sobre o seminário:

A CET-Santos, Rogério Crantschaninov, apresentou suas linhas de ação em infra-estrutura e educação. Dentre elas a sensacional blitz de fiscalização e educativa. Ciclistas infratores, nas ruas e ciclovias, são abordados e orientados a agir corretamente, aqueles que não acatam a orientação, são abordados mais a frente por outro grupo, comunicado por rádio, e o infrator será autuado pelo artigo 255 do CTB tendo sua bicicleta apreendida. A fiscalização visa principalmente o pedalar na contra-mão, avanço de sinais e pedalar nas calçadas. Os agentes de trânsito contam com apoio da PM nestas blitzes. Uma ação simples, barata e de grande eficácia educativa. Em Santos a fiscalização anda junto a educação.

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Placa para ciclistas em Lorena, SP.

A palestra que mais causou polêmica no seminário, “Disciplinamento da Circulação das Bicicletas” com Marcelo Pazzini da Prefeitura de Lorena. Cidade aonde as bicicletas tem a obrigatoriedade do emplacamento. A palestra foi muito boa e foi bom conhecer mais de perto iniciativas deste tipo. São aproximadamente 80 mil habitantes para 70 mil bicicletas e pouco mais de 25 mil carros. Todas as bicicletas devem ser emplacadas, o emplacamento começou em janeiro e aproximadamente mil já estão emplacadas. Qualquer infração o infrator tem a bicicleta apreendida no ato sem direito a apelação ou recursos. As principais vantagens do sistema apresentadas por eles: diminuição de roubos; perfil dos ciclistas da cidade; regulamentação do veículo; disciplinamento do trânsito; auxílio na fiscalização; diminuição de acidentes e melhor harmonia no trânsito. Benefícios também tangíveis com outras medidas que não o emplacamento. A impressão que ficou foi de desconhecimento e discriminação da bicicleta e que a repressão antecedeu a educação, as pesquisas e mesmo a infra-estrutura.

No caso de Lorena, as bicicletas foram tratadas como vilãs, em Santos e Ubatuba elas são tratadas com respeito. No Rio de janeiro foi feito um estudo para analizar qual a melhor forma de regulamentar as bicis e a conclusão foram medidas semelhantes as de Santos e Ubatuba, educar e autuar sem a necessidade do emplacamento que é algo que sem dúvida iria inibir o uso de bicicletas, algo negativo sobre qualquer ponto de vista.

Na Europa, as bicicletas são multadas e apreendidas também sem a necessidade de placas. Holanda e Dinamarca, países campeões no uso da bicicleta como meio de transporte, também não emplacam sua bicicletas.

Dentre os grandes benefícios das bicicletas está a liberdade. Vantagem que diminui com o emplacamento. Na Espanha existe um cadastramento voluntário de bicicletas feito por uma organização local. Seu objetivo é coibir o roubo mas só cadastra quem quer, como no projeto-lei 5368/2005 que foi arquivado aqui no Brasil.
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=288137

Ainda restou mais uma dúvida em relação a Lorena, não esclarecida pelos representantes locais no seminário, como seria para o cicloturista em passagem pela cidade.

  • Mais:

> Seminário ANTP “Bicicletas e a mobilidade Urbana no Brasil”

> Matéria no programa Raio X com Renata Falzoni fala sobre Santos e seu sistema cicloviário.

> Vídeo institucional de Ubatuba e seu sistema cicloviário.

> Noticia de maio de 2006 sobre o emplacamento em Lorena.

Bicicletas a mais

A revista “Go Outside” deste mês publicou um excelente guia sobre a bicicleta na cidade. Vantagens, dicas, opiniões de quem entende do assunto, além de um excelente depoimento de um paulistano que por opção largou as quatro rodas a motor e hoje só usa duas rodas à propulsão humana na cidade.

O editoral da revista resume o espírito da publicação:

Temos o objetivo de difundir a prática das atividades ao ar livre, dos esportes de natureza e de aventura, assim como de ajudar a preservar o nosso playground. Acreditamos que, com o corpo mais bem preparado e em contato com a terra molhada, com o sal do mar ou com o vento de uma colina, nossas mentes também trabalham melhor.

A introdução sobre o especial da bicicleta na cidade traz um convite aos amantes da natureza e do esporte, em sua grande maioria, moradores das grandes cidades.

Não adianta esperar pela utopia – as magrelas têm é que sair às ruas e dominar o espaço que é delas por direito.

Hoje a maioria dos brasileiros já vive em cidades, é esse portanto o nosso habitat que tem uma série de necessidades especiais em relação ao meio ambiente não construído. Promover melhores formas de vida e que gerem menos impactos nocivos por parte dos citadinos é um desafio que tem de ser encarado por todos. De preferência, uma pedalada de cada vez.

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Leia a íntegra da reportagem “Um Carro a Menos” na revista Go Outside.

Conferência em Munique

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Será realizada entre os dias 12 e 15 de junho na Alemanha a edição 2007 da Velo-City. A iniciativa é parte de um fórum permanente que a cada 2 anos reúne especialistas do mundo todo para debater estratégias de promoção ao uso da bicicleta.

O tema para este ano é “Da Visão à Realidade” e a idéia é tornar conhecidos os exemplos de ações de promoção ao uso da bicicleta que foram capazes de agir concretamente para fazer desse meio de transporte de qualidades notórias, uma opção urbana ainda mais atraente.

O Velo-City 2007 terá apresentações de valiosos nomes na promoção ao uso da bicicleta no Brasil. Os brasileiros que irão se apresentar são:

– Giselle Xavier representando a Viaciclo e a Udesc
– Vera Lúcia do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)
– Cláudia Tavares do Instituto Pereira Passos
– Antônio Miranda, Consultor Cicloviário
– Na seção de cartazes:
Rodolfo Moreira da Associação Cicloverde de Ciclismo

O evento contará também com a presença do José Lobo presidente da Transporte Ativo e representantes da ABCiclovias de Blumenau e Escola de Bicicleta de São Paulo. Paulo Câmara um brasileiro que reside em Londres e trabalha para a autoridade de trânsito londrina também fará uma apresentação em Munique.

A presença em um mesmo local ao mesmo tempo de tantos especialistas certamente irá contribuir para que diversos exemplos e boas práticas possam ser apresentadas diretamente por seus realizadores. Isso possibilitará que iniciativas de sucesso possam ser replicadas mundialmente.

Quatro temas principais nortearão a conferência:

– Aumento da qualidade de vida na cidade através de uma mobilidade social e ecologicamente amigável.
– Novas perspectivas no mercado de trabalho – o fator econômica da bicicleta.
– Desenvolvimento Urbano – Modelos factíveis para um futuro que valha ser vivido.
– A saúde da humanidade – Bicicleta como alternativa vencedora.

Maiores informações estão disponíveis no site Velo-city 2007 – www.velo-city2007.com

Abaixo a lista de sites das organizações representadas. Vale lembrar que todas as que representam a sociedade civil brasileira estão comprometidas com a criação da UCB, União de Ciclistas do Brasil.

– Associação Blumenauense pró-Ciclovias
– Escola de Bicicleta
– Instituto Pereira Passos (IPP)
– Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)
– Transporte Ativo
– Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc
– ViaCiclo

Rumo Definido

Trem Ciclistico

Trem do Metrô Rio decorado paras os Jogos Panamericanos

O relatório mais recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apontou uma série de caminhos possíveis a serem tomados o quanto antes para mitigar os impactos das atividades humanas no meio ambiente.

Sérgio Abranches no o Eco resume:

Se as evidências de mudança climática que já estão se manifestando seguirem as previsões, é muito provável que a maioria dos países que hoje têm impacto significativo nas emissões de gases estufa adote medidas sérias de mudança. (…) Só uma coisa é certa. O mundo será muito diferente por volta de 2020.

Cidades ao redor do mundo serão o palco para a inteligência e os melhores usos das tecnologias. Tanto as que estão disponíveis hoje, quanto as ainda precisam ser aperfeiçoadas.

O setor de transportes é um dos grandes emissores mundiais de gases do efeito estufa (GEE) e responde pela maior parcela das contribuições urbanas para o agravamento do caos climático. Uma série de medidas são necessárias para diminuir as emissões geradas na locomoção de pessoas e bens dentro das cidades e entre elas.

Os investimentos devem se concentrar em tornar mais atraente o uso do transporte público e dos meios de transporte a propulsão humana. Afinal a bicicleta e os trens são os meios de transporte mais eficientes para locomover os habitantes das cidades.

Não podemos esperar que as pessoas descubram por si só as inúmeras vantagens de pedalar na cidade. Um aumento no uso da bicicleta, requer investimentos não só em infra-estrutura segregada, as ciclovias. A bicicleta e sua promoção envolvem uma abordagem mais ampla que leva em consideração o trânsito como um todo. São necessárias vias exclusivas, vias compartilhadas, cruzamentos com prioridade para os ciclistas, estacionamentos e paraciclos além de toda uma rede cicloviária integrada. Somente através de um olhar amplo para a mobilidade será possível enfrentar com uma velocidade adequada as melhorias necessárias para o bem do planeta.

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  • > Ciência e evidência se impõem – Sérgio Abranches

    > IPCC Grupo de trabalho III – Mitigação das Mudanças Climáticas
    FOURTH ASSESSMENT REPORT OF WGIII IPCC ( MITIGATION)