A Importância dos Estacionamentos


Não basta a paisagem.

Foto Edu

A falta de confiança na bicicleta como meio de transporte tem basicamente dois grandes motivos: a insegurança no trânsito (e aqui se incluem maus motoristas, incivilidade do brasileiro, falta de ciclovias) e a ausência de locais seguros para guardar a bicicleta. Este segundo problema é o mais fácil de ser atacado tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada.

Contudo, mesmo quando há boas intenções e a prefeitura ou loja/escola/clube instala um paraciclo, o que temos geralmente é uma péssima tradição de instalar suportes mal-feitos, uns trem bem xinfrim e pobrim, feitos de vergalhão e que mal prendem o pneu da frente de uma bicicleta.

Como ativistas e defensores, devemos bater firme nesta tecla e divulgar a cultura não só de “ciclovias” mas de paraciclos bem feitos e bem instalados. O suporte tipo inglês (ou Sheffield) é aprovado por associações de ciclistas tanto na Inglaterra quanto nos EUA. Para irmos na mesma linha, foi traduzido o folheto “Bicicletários” do Sustran-UK. Com a mesma intenção, já foi iniciada a tradução de outro texto técnico semelhante: o folheto da Associação Americana de Pedestres e Ciclistas Profissionais, cujo original em inglês já está na página da TA.

Estes dois folhetos contém tanto explicações claras e precisas sobre o que fazer e o que não fazer, bem como trazem especificações técnicas muito úteis para que possamos sair do bla-bla e ajudar efetivamente na prática. O que me falta apenas é saber qual seria o custo de um suporte deste, aqui no Brasil. Antes de finalizar a próxima tradução, irei numa serralheria para colher preços aproximados. Se tivesse preços de outras cidades, poderíamos fazer uma média nacional e adaptarmos os folhetos para nossa realidade, que tal?


Paraciclo adotado como padrão pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Foto do dia em que foi apresentado à TA.

Zé Lobo

União dos Ciciclistas do Brasil

Prezados Ciclistas, Promotores da Bicicleta, Ativistas e Entusiastas.

Há alguns anos o assunto bicicleta vem se tornando cada vez mais presente em todos os cantos de nosso país. Neste período várias organizações vêm se formando com o objetivo de defender e promover a bicicleta, bem como um planejamento cicloviário de qualidade para as cidades. Muitas destas organizações têm alcançado resultados superiores aos esperados e já conquistaram o respeito e até parcerias com as administrações locais.

No ano de 2004, foi lançado pelo governo federal o programa Bicicleta Brasil que visa incluir as bicis no dia a dia da mobilidade de nossas cidades. Leia mais.

Logo em seguida, para participar mais efetivamente deste movimento, as indústrias e montadoras do setor uniram-se em uma entidade nacional chamada Instituto Pedala Brasil (IPB).

Faz-se então necessária a participação formal e organizada do maior interessado no sucesso deste processo, o ciclista. Com esta finalidade está em andamento a fundação da União dos Ciclistas do Brasil (UCB) cujo objetivo será participar efetivamente junto ao governo federal e ao IPB do processo de promoção ao uso de bicicletas no país. O foco é unir todas as entidades locais em uma entidade nacional para tratar dos assuntos no nível federal.

O assunto vem sendo discutido desde o 1º Encontro Nacional de Cicloativistas em Florianópolis 2005. Tendo sido aprofundado no 2º encontro, realizado em São Paulo no ano de 2006.

A meta atual é que a UCB seja fundada no 3º Encontro Nacional de Cicloativistas a ser realizado este ano. Para tal está sendo formado agora um grupo onde serão discutidos todos os temas relativos à elaboração do estatuto da entidade e de onde sairão os Sócios Fundadores da UCB. Este grupo já unido no Fórum Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta (FBMB) atualmente é formado dentre outras, pelas seguintes organizações que já se posicionaram a favor da criação da UCB:

Via Ciclo – Florianópolis
ABCiclovias – Blumenau
Mobilciclo – Curitiba
Transporte Ativo – Rio de Janeiro
Rodas da Paz – Brasília
Bike Brasil – São Paulo
Comissão de Bicicletas da ANTP
Grupo CICLOBRASIL/UDESC – Florianópolis
Associação dos Ciclistas de São Vicente e Região Metropolitana
Associação Brasileira dos Ciclistas – São Vicente, SP
BIke Ciclo Verde – Rio Claro, SP
Escola de Bicicleta
Mountain Bike BH
Clube Zohrer
Caminhos do Sertão
Clube de Cicloturismo
e vários ciclistas individuais.

Existe um documento que formaliza a parceria para a criação da UCB. Aqueles que tiverem interesse em participar da discussão e da criação da União ou quiserem esclarecer alguma dúvida, por favor enviem mensagem para o Fórum Bicicleta-BR para que possamos enviar o modelo do documento a ser assinado pela entidade, grupo ou ciclista independente.

Os que preferirem, podem: baixar o Documento de Parceria, o termo de adesão ou o termo de adesão individual no site oficial. Em seguida envie mensagem para o Fórum Bicicleta-BR para que possamos informar os procedimentos e o endereço em Brasília para onde deverá ser enviado o termo de adesão.

Por favor, encaminhe esta mensagem aos grupos de ciclistas de sua região.

Brasil, Janeiro de 2007

Transporte Público

Foto do Autor – Bogotá

Uma cidade ideal é aquela que consegue dar a melhor qualidade de vida para todos os seus habitantes. Essa cidade ainda não existe. Mas nela, a população usa como veículo particular a bicicleta em curtas distâncias. O transporte público serve para distâncias maiores e ambos estão perfeitamente integrados.

A visão primordial dos governantes da cidade ideal não é só deslocar veículos no menor tempo possível, mas fazer com que as pessoas se movam e tenham destinos agradáveis também. Essa locomoção é pensada para que todos possam ter acesso ao ambiente urbano por inteiro.

Na cidade ideal, a escala humana é priorizada juntamente com os meios de transporte que se valem da propulsão humana. Além daqueles capazes de deslocar grandes “massas” de habitantes.

Na foto inicial, uma avenida de Bogotá na Colômbia. Uma ciclovia ao centro, de cada lado duas pistas para o ônibus expresso chamado de “TransMilenio”, nas outras, os demais veículos motorizados. Seria a definição de uma “via rápida”.

Abaixo o exemplo de uma via local. A ciclovia novamente em destaque.

Um pequeno vídeo com legendas em inglês ilustra claramente a importância do transporte público para o bom uso do espaço urbano.

O texto pede para que se observe o espaço ocupado pelos automóveis particulares em cinco pistas com uma média de 1,4 ocupante por veículo. Um ônibus em apenas um quinto do espaço transporta 160 passageiros. Mais que o dobro das 75 pessoas em 54 carros.

Cidades mais humanas precisam também de meios de transporte motorizado mais eficientes.

> A eficiência do transporte à propulsão humana pode ser facilmente comprovada.

Pedibus – Ônibus Humano

Caminhar para a escola é uma atividade de grande importância para crianças e uma maneira de inseri-las na agenda de mobilidade das administrações municipais. Dois exemplos europeus merecem destaque e diversos outros estão disponíveis no site iwalk.

Criado em 1998 em Lausanne na Suíça, o Projeto Pédibus (em francês), é uma proposta que organiza trajetos guiados a pé até a escola. A intenção é dar às crianças mais autonomia para andar na cidade, maior contato com a paisagem urbana, além de imprimir uma visão crítica e cidadã sobre o trânsito.

A adesão dos pais é voluntária e eles se revezam na tarefa de conduzir os grupos de crianças. Essa experiência, ainda amadora, é creditada ao esforço pessoal de Catherine Zaccaria, funcionária da prefeitura que em cinco anos conseguiu organizar dezenas de itinerários. Os custos para a administração municipal são de apenas 8 euros por ponto de transporte.

O Pédibus também está presente na capital italiana, Roma. Cidade com quatro vezes mais carros do que crianças. O projeto conta com a iniciativa de uma jovem italiana que mal sabe escrever, mas que deixa o seguinte recado no pára-brisa de um automóvel: “Eu me chamo Alice e participo do Pédibus. Ao estacionar sobre a faixa de pedestres, você impede a minha passagem”.

A funcionária da Prefeitura de Roma encarregada da Infância, Pamela Pantano, apóia o projeto. Segundo ela, uma importante contribuição urbanística do Pédibus é a escolha do itinerário. O transporte passa somente por onde houver sinalização de trânsito adequada, o que funciona como pressão às autoridades. “É um ônibus Humano em todos os sentidos”, afirma.

Em Roma o custo do “ônibus-pedestre” é de 1,95 euros por passageiro/dia, a cargo da administração municipal. Esta contribuição mensal é paga a um grupo de “monitores” que conhecem as crianças e as conduzem no percurso. Existe a intenção por parte da Prefeitura de passar a cobrar pelo serviço, a fim de ampliar a oferta, entretanto essa atitude poderia prejudicar a difusão do projeto. O peso das mochilas e as condições climáticas são outros desafios a serem encarados.

Iniciativas similares ao Pédibus procuram criar desde cedo uma cultura contra o “autosolisme” (em francês, contração de automóvel e sozinho). Mais exemplos podem ser conhecidos através do site iwalk. Trata-se de um site inglês mantido pelo Centro Nacional de Rotas Seguras para Escola dos EUA (National Center for Safe Routes to School) iniciativa do centro de pesquisa em segurança viária da Universidade da Carolina do Norte nos Estados Unidos.

No Brasil, mas informações podem ser obtidas junto à Associação Brasileira de Pedestres (ABRASPE) ou junto à organização “Criança Segura“.

>>>Matéria retirada da revista Movimento – Vencer Distâncias – iniciativas de mobilidade no Brasil e no mundo, artigo: Pequenas Ações, Grandes Objetivos, outubro de 2004, número 2, pág. 8, autores: Pauline Garin, Guillaume Pivot, Justin Villellongue, Centre de Formation de Jornalistes (CFJ) Paris, França.

A revista Movimento, mobilidade e cidadania é uma publicação da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, editada pela Multiletra.”

O “Vencer Distâncias” é uma parceria entre o Institut pour la Ville en Mouvement, a ANTP e o Departamento de Jornalismo da ECA-USP, feito a partir do concurso internacional “Mobilidades Urbanas em Foco”, realizado em 2004.

Metrópoles e Qualidade de Vida

Foto Pablo

Um estudo da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) chamado de Cidades Competitivas na Economia Mundial (baixe resumo em português), buscou analizar as necessidades e a importância da urbanização crescente. Além de tornar claro o desafio que representa a sustentabilidade das metrópoles para a humanidade.

São Fransciso, a cidade norte americana de ruas estreitas que sinaliza que os ciclistas têm direito à faixa, foi apontada pelo estudo como a metrópole mundial com a melhor qualidade de vida. Bondes e respeito aos ciclistas são certamente dois importantes pontos a favor da cidade.

Um video, em inglês, reporta a concorrência entre as aglomerações urbanas cada vez mais competitivas entre si. A conclusão, é que as cidades com melhores condições de vida para sua população, serão as mais bem sucedidas no futuro. Meios de transporte mais humanos e eficientes que resolvam o problema dos congestionamentos são certamente uma parte da solução.

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Mais informações no site da OCDE
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