Padrão de riqueza

Pai e filhos indo pra escola de bicicleta

Em uma escola, ainda no começo do ano letivo, entra na sala o professor e acontece o seguinte diálogo:

– O professor vem sempre para a escola de bicicleta?
– Sim eu vou para todos os lugares de bicicleta. – responde o professor, feliz e surpreso dos alunos terem reparado.
Até que vem a resposta:
– Então o professor é pobre?
– (Silêncio constrangedor).

A percepção corrente de que riqueza se traduz em bens materiais atinge com força as crianças, mas não precisa ser fato consumado. O professor dessa pequena história não soube o que responder, mas a quantidade de boas respostas possíveis é tão grande quanto o universo de bicicletas.

Para quem pedala todos os dias, chega a ser intrigante e soa repetitivo ouvir questionamentos sobre o uso da bicicleta. Para ajudar e sensibilizar alunos em relação a importância e ao valor das bicicletas para as pessoas e as cidades, a Transporte Ativo disponibiliza uma apresentação feita em um colégio particular no Rio de Janeiro. Nela, imagens e vídeos mostram a bicicleta como ícone de luxo, mas principalmente seu potencial para cidades e pessoas melhores no futuro.

– Baixe em pdf a apresentação “A Bicicleta, passado, presente e futuro“.

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Na praia da Barra, muitas pedaladas

Rio, Capital da Bicicleta

A Transporte Ativo, segue, quase como na música de Tim Maia. Mas ao invés do Pontal, estivemos na praia da Barra, em frente a praça do Ó. Foi a terceira etapa da Campanha Educativa, Rio Capital da Bicicleta. Uma parceria entre a Prefeitura do Rio, secretarias de Meio Ambiente e Saúde, CET-Rio e Transporte Ativo.

Tomo guaraná, suco de cajú, goiabada para sobremesa…

Confira o álbum de fotos.

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Domingo de sol e esperança

Bicicleta com asas

São Paulo tem muitas frentes a serem conquistadas, muitas bordas a serem comidas e muita qualidade de vida a ser devolvida para seus moradores. A ciclofaixa de lazer tem 5 quilômetros de extensão, pode parecer pouco, mas só parece.

Basta sair para as avenidas em um domingo de sol e sentir o que acontece quando as pessoas tem a oportunidade de desfrutar da cidade. O sol estava forte, mas isso não foi tão importante. Quem esteve lá viu o que sempre acontece e nunca se repete. Uma senhora que pede ajuda para calibrar o pneu da bicicleta velha que estava encostada. Os pneus ressecados pelo tempo que voltam a girar. Ao mesmo tempo, duas jovens moças com dobráveis novas em folha passeiam. Óculos de sol, saias ao vento, não se vê nelas traço de esporte, apenas a interseção do transporte com o lazer.

Os mais atentos, que por ventura fiquem parados, por um instante, na subida da Hélio Pelegrino irão reparar na alegria dos que descem e no esforço dos que sobem. Ladeira acima, pequenas e grandes conquistas. O homem que incentiva a mulher voltar sempre para dimiuir o tempo do trajeto. E a pequena esposa baixinha e aparentemente frágil que já no final da subida lança um sorriso para seu companheiro. Sem palavras, transmite a felicidade que só a superação conquistada pelas próprias forças é capaz. E mesmo aqueles, solitários quando chegam ao cume, não disfarçam. Alguns, mais cansados, empurram. O importante é ir devagar, mas sempre.

Ladeira abaixo, a criança, com o freio duro daquela bicicleta que estava esquecida na garagem esforça-se para não ir rápido demais. Ciclistas confiantes, descem em um vôo rasante. Quase tem asas, mas a borracha sempre no asfalto. Descer é também um arte, que se aprende aos poucos.

Pedalar em São Paulo hoje, já é melhor do que ontem. Mas na segunda-feira, a cidade precisa voltar ao trabalho e seguir galgando espaço para as pessoas. Toda vez que eu pedalo na ciclofaixa eu acalmo meu coração em relação ao futuro de São Paulo. Ou como disse H. G. Wells:

Toda vez que eu vejo um adulto em uma bicicleta, eu deixo de me desesperar quanto ao futuro da raça humana

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O rio da minha aldeia


Passeio de bicicleta na margem norte do Tejo ao som de “Cais” do projecto “Os Poetas”. Por Nuno Trindade Lopes. Editado por Abilio Vieira.

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro

Cultura pró-bicicleta

From Bicicletário Laura Alvim

Ir ao cinema, ao teatro, tomar um café ou comprar livros, tudo em plena orla de Ipanema na Casa de Cultura Laura Alvim. Agora com um belo bicicletário feito a partir de sucata reaproveitada.

Em uma parceria do centro cultural com o programa “Rio, o estado da Bicicleta”, foi instalado esse bicicletário que tende a ser mais um marco cultural carioca. Não só pela comodidade de ter vaga na porta para ciclistas, mas por ser uma das áreas mais nobres da cidade. A iniciativa valoriza ao mesmo tempo a Casa de Cultura e a bicicleta.

From Bicicletário Laura Alvim

Que outros espaços culturais tenham a mesma iniciativa da Casa de Cultura Laura Alvin, qualificando o espaço público com estacionamentos para nossas queridas bicicletas.

From Bicicletário Laura Alvim

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