Treinamento ACTIVE em Niterói

Em outubro de 2025 participamos do programa de treinamento ACTIVE –  Alliance for Cycling and Walking Towards International Vitality and Empowerment, em Brasília. Desta vez o treinamento aconteceu em Niterói – RJ que está em um estágio avançado no planejamento da mobilidade por bicicletas, se comparado às outras cidades latino-americanas. A cidade conta com um departamento exclusivo para a pauta, com técnicos muito bem preparados e engajados, que após esse treinamento seguirão ainda mais firmes e qualificados em suas pedaladas.

O treinamento foi voltado para técnicos do programa Niterói de Bicicleta e de cidades vizinhas como Macaé, Maricá, Cabo Frio, Rio de Janeiro entre outras, e contou também com participação da sociedade civil local. Foram dois dias de trocas e aprendizados sobre experiências holandesas e brasileiras, com diversas atividades e jogos combinando teoria e prática, tendo como objetivo principal o compartilhamento e o aprendizado.

Fomos novamente convidados pela equipe ACTIVE para participar da equipe do treinamento como especialistas locais e prontamente aceitamos o convite visando promover a disseminação da cultura do uso urbano de bicicletas em busca de cidades mais pedaláveis e caminháveis.

Após as aulas, no primeiro dia, houve uma pedalada pelas ciclovias e rotas de Niterói finalizando no famoso Bicicletário Araribóia, onde um coquetel aguardava os participantes. No segundo dia o coquetel foi na residência do Cônsul dos Países Baixos, no Rio de Janeiro. Os participantes, todos muito engajados e motivados, receberam certificados e assumiram o compromisso de atuar como multiplicadores do conhecimento adquirido.

O ambiente mais uma vez foi muito agradável e todos se mostraram muito interessados, envolvidos com o tema e dispostos a levar o aprendizado adiante. Que venham novas rodadas pelo país afora!

Praça Saens Peña <> Praça XV

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Há poucos dias uma tragédia aconteceu na Tijuca, quando mãe e filho faleceram em um sinistro envolvendo um ônibus e um autopropelido, espécie de bicicleta elétrica com acelerador. Caso houvesse infraestrutura cicloviária naquela via, certamente não teria havido a ocorrência.

Há anos, mais precisamente 16 anos, existe um projeto de infraestrutura cicloviária para a região, que liga a Praça Saens Peña na Tijuca à Praça XV no Centro. Por diversas vezes,  quase deixou de ser apenas um plano no papel para se tornar uma realidade, mas sempre esbarrou na carrocracia existente que impôs mudanças no percurso, a maioria delas que não seria usada por ciclistas, pois foram pensadas para não atrapalhar o fluxo dos carros, e acabam sendo postergadas para um outro momento. Uma coisa é certa, se ela já estivesse implantada, mãe e filho, Emanoelle e Chico ainda estariam circulando por ali.

Esta é uma rota de extrema importância, pois além de conectar a Grande Tijuca ao Centro da Cidade, ainda permite uma conexão metropolitana com Niterói via Barcas. A seguir, um pouco da história desta infraestrutura tão solicitada por ciclistas cariocas e sempre relegada pelo poder público para um próximo momento.

A imagem que abre esta página, mostra o projeto original, cedido pelo então programa da Secretaria Estadual de Transportes, Rio Estado da Bicicleta, para o Município que aceitou o presente mas só o tornou público no evento Bici Rio dois anos depois, como podemos conferir na matéria “No Rio, ciclovia ligará Praça Saens Peña às barcas na Praça 15“. Mas ficou só na divulgação. Em 2014, com a Copa do Mundo Fifa e Olimpíadas a caminho, mais os 450 anos da cidade, ela volta a ser anunciada. Podemos ler mais sobre isso nas seguintes matérias: “Ciclovia de 7,5 quilômetros vai ligar a Praça Saens Peña, na Tijuca, e a Praça Quinze, no Centro” e “Regiões da Tijuca e Centro serão ligadas por ciclovia de 7,5 quilômetros“. Está no site da própria prefeitura, a ciclovia da Tijuca foi uma das idéias propostas pela sociedade no Desafio Ágora Rio, plataforma colaborativa promovida pela prefeitura para discussão de políticas públicas. Porém a cultura centrada nos carros prevaleceu e decidiram que ainda não era o momento.

Em 2020, Pandemia Covid-19, volta-se a se falar sobre ela, mais uma vez com traçado desfigurado, mesmo em um momento onde poucos carros circulavam pelas vias e as bicicleta se destacavam, pois as pessoas estavam evitando o transporte publico e as aglomerações. A CET-Rio, chegou a nos encomendar uma contagem de ciclistas em alguns trechos do percurso. Solicitaram que a contagem fosse feita em um domingo e em “horários de pico” baseados em horários de pico de motorizados, foi formado também um grupo de trabalho para se discutir o assunto.

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Com ajuda da Sociedade Civil, LabMob UFRJ, ITDP e TA o traçado proposto foi redesenhado mas mesmo assim, não se conseguiu que ficasse simples e objetivo como a proposta original. O tempo passou e ela seguiu apenas como mais uma boa ideia no papel

praca-saens-pena---centro

A ciclovia neste trecho é uma solução simples e viável, mas permaneceu engavetada nos últimos 16 anos. Agora, após a tragédia ocorrida, a Prefeitura se mobiliza para dar uma resposta à sociedade, que pode vir ou não a ser a implantação desta tão importante, sonhada e esperada infraestrutura que tornará a cidade mais limpa, agradável, convidativa e principalmente, mais segura, ajudando a preservar vidas.

Outras contagens de ciclistas ao longo do percurso:
Estácio 2012
Av Chile 2012
Av Chile II 2021
Estácio de Sá  2021
Túnel Martim de Sá 2021

Treinamento ACTIVE em Brasília

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O Programa de Treinamentos ACTIVE –  Alliance for Cycling and Walking Towards International Vitality and Empowerment, lançado na COP28, é um programa liderado pela Holanda, Bélgica e Luxemburgo com o objetivo de treinar 10.000 especialistas em mobilidade ativa no Sul Global em 10 anos.

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Deste vez, aconteceu em Brasília um treinamento voltado para novos técnicos do Ministério da Cidades, gestores de cidades no entorno do DF e sociedade civil local. Foram dois dias de trocas e aprendizados, sobre experiências holandesas e brasileiras, com diversas atividades combinando teoria e prática, tendo como objetivos o compartilhamento e o aprendizado.  No horizonte deste treinamento está a implementação do Programa Bicicleta Brasil e da Estratégia Nacional de Promoção da Bicicleta.

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Após as aulas, houve uma pedalada por ciclovias e as rotas que compõem a rede cicloviária da capital. Os participantes receberam certificados e assumiram o compromisso de atuar como multiplicadores do conhecimento adquirido, levando a experiência para seus respectivos estados e municípios.

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Esta rodada foi fruto de uma parceria entre o Ministério das Cidades e o Ministério de Infraestrutura e Recursos Hídricos do Reino dos Países Baixos, sendo a capacitação parte da agenda temática da Pré-COP30. Convidados pela equipe ACTIVE para participar do time de capacitação como especialistas locais, prontamente aceitamos o convite sempre visando promover a disseminação da cultura do uso urbano de bicicletas em busca de cidades mais pedaláveis e caminháveis.

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O ambiente foi muito agradável e todos se mostraram muito interessados e envolvidos com o tema. Que venham novas rodadas pelo país afora!

Totem Niterói de Bicicleta

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Após o lançamento da nova fase no Monitoramento de Bicicletas em Niterói, em fevereiro deste ano, mais uma etapa do programa se concretiza: a instalação de um totem contador de bicicletas que mostra o número de ciclistas em tempo real, na Avenida Marquês do Paraná! Na hora, passou pedalando, aparece no painel! 🙂

Esse é um dos poucos equipamentos deste tipo no Brasil e com certeza, o plano de monitoramento é o mais completo. Além deste ponto há outros 10 contadores (sem o totem) espalhados pela cidade. Você pode conferir os dados dos 11 contadores de bicicletas em Niterói, clicando aqui. Hoje as bicicletas contadas já somam mais de um milhão e meio em poucos meses, e o totem da Marquês do Paraná já soma mais de 180 mil passagens. Desde a instalação os contadores registraram em média 1590 ciclistas por dia.

E não é só isso! Niterói vem com um programa consistente e robusto para promover as bicicletas. Além do monitoramento, novas vias, novos bicicletários, novos programas e em breve, previsto ainda para este mês, o lançamento do NitBike, programa de bicicletas compartilhadas da cidade. Niterói vem se destacando com seu programa cicloviário, como uma das cidades mais engajadas neste tipo de mudança para modernização de cidades, desbancando diversas cidades de destaque no país, inclusive sua vizinha, o Rio de Janeiro!

Para nós é uma honra a parceria de mais de 10 anos, ajudando a cidade pelos caminhos cicloviários que ela percorre. Parceria esta estampada no já famoso totem da Av. Marquês do Paraná!

Parabéns Niterói! Seguimos pedalando junto com vocês!

NitBike, as bicicletas públicas de Niterói

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Já não é novidade, a mobilidade ativa tem no compartilhamento de bicicletas um aliado há muitos anos mundo afora. Quando uma cidade investe em ciclovias, redução de velocidade nas vias, qualificação de calçadas e áreas públicas para as pessoas podemos afirmar que ela escolheu o caminho da evolução na gestão de seu espaço. O modelo atual de mobilidade motorizada individual foi superado, é um fracasso inquestionável, não atende à realidade e as necessidades das cidades de hoje. A bicicleta cai como uma luva no desafio de melhorar o uso do espaço urbano e os sistemas de compartilhamento de bicicletas são a grande ideia para mobilidade desse milênio (nota: embora tenham surgido em 1965 ganharam força e relevância nos anos 2000).

Há várias cidades brasileiras que possuem Sistemas de Compartilhamento de Bicicletas, grandes ou pequenos, pagos ou gratuitos. Não há como negar sua influência positiva para a mobilidade, qualidade de vida e até segurança das cidades.

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No estado do Rio de Janeiro temos um caso emblemático de cidade média que merecia um sistema desses há muito tempo. Niterói, vizinha próxima do Rio de Janeiro tem meio milhão de habitantes, uma imensa frota de automóveis em uma área pequena, logo, transitar por lá é um desafio que requer paciência. Por necessidade e praticidade a bicicleta sempre foi muito usada na cidade, mas explodiu nos últimos anos com os investimentos da cidade em promover o uso da bicicleta, no melhor estilo de “construa e eles virão”. A chegada das bicicletas roxas do NitBike é uma justa e merecida novidade em Niterói. O sistema gratuito de uso público de bicicletas tem previsão de ganhar as ruas em maio de 2024 e, num primeiro momento terá 50 estações e 600 bicicletas nos bairros mais centrais da cidade.

É a coroação do caminho que uma cidade está tomando para amenizar seus problemas de mobilidade, poluição do ar, má ocupação do espaço urbano e prejuízos com engarrafamentos. Sempre há muito a se fazer nesse sentido e as barreiras à mobilidade mudam de forma e tamanho com frequência. Mas Niterói completou uma etapa importante deixando claro que está firme no propósito de garantir espaço e força à bicicleta como ferramenta promotora de qualidade de vida nos deslocamentos de sua população. Neste sentido, e apesar da baía que nos separa fisicamente, Rio e Niterói se aproximaram. Seja com nossas bicicletas pessoais ou nas compartilhadas vamos pedalar cada vez mais lá e cá. Por mais pessoas em mais bicicletas (laranjinhas ou roxinhas) mais vezes!